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Do Jornal do Brasil

 

ALEXANDRE MACHADO

Não bastou matarem Marielle Franco. Mesmo após ser executada a tiros na noite daquela quarta-feira, dia 14, a vereadora do PSOL do Rio de Janeiro continua sendo alvo de ataques. Se do primeiro atentado, até agora, mais de duas semanas após o ocorrido, a polícia não apresentou sequer suspeitos, ao menos sabe-se de onde estão partindo os outros: da internet. A irmã de Marielle, Anielle Silva, e a viúva da vereadora, Mônica Tereza Benício, estão travando — e vencendo — algumas batalhas na Justiça para retirar do ar as fake news das redes sociais, que tentam desconstruir a imagem política de Marielle.

Um dos ataques diz respeito à própria votação que fez dela a quinta vereadora mais votada do Rio em 2016. Alegam que não teria sido eleita com os votos da favela que ela defendia. Marielle Franco sempre fez questão de registrar que era “cria da favela”, nascida no Complexo da Maré. De fato, os números absolutos da eleição apontam que a maioria de seus eleitores estava fora da Maré: 32% do total dos 46.502 votos recebidos por ela vieram da Zona Sul, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). Mas cientistas políticos e pesquisadores ouvidos pelo JORNAL DO BRASIL rebatem a tese. “A contradição até existe, mas a verdade é que ela teve uma eleição pulverizada pela cidade. A Zona Sul ajudou a elegê-la, mas não apenas essa região”, afirma o cientista político Ricardo Ismael, que foi professor e orientador da vereadora do PSOL na PUC-RJ.

Números absolutos da eleição apontam que maioria de eleitores estava fora da Maré: 32% dos 46.502 votos vieram da Zona Sul
Números absolutos da eleição apontam que maioria de eleitores estava fora da Maré: 32% dos 46.502 votos vieram da Zona Sul

Josir Gomes, do grupo de pesquisadores Perfil-i, que mapeou a votação recebida por Marielle, segue a mesma linha de raciocínio de Ismael: “Ela recebeu votos em todas as regiões e em 100% das seções eleitorais da cidade com mais de 1.000 eleitores. E é bom lembrar que na Zona Sul também tem favela”, o que demonstra, segundo ele, a capilaridade da candidatura de Marielle. Ainda que descartasse todos os eleitores da Zona Sul, Marielle teria sido eleita com 31.430 votos, em nono lugar.

Gomes destaca outro ponto importante na análise: a geografia eleitoral do Rio mistura “asfalto e favela pelas zonas eleitorais”. Ele cita como exemplo a própria Maré, onde, segundo o TRE-RJ, há 8.984 eleitores, dos quais apenas 50 deram seu voto a Marielle. “Mas as seções eleitorais da Maré são novas, e a maioria dos moradores de lá vota em seções mais antigas, como em Ramos e Bonsucesso”, explica: “Fizemos, então, nova consulta às bases de dados, agora considerando seções da região da Leopoldina, que reúne os bairros de Ramos, Bonsucesso e Maré. Assim, chegamos à conclusão de que Marielle teve mais de 3 mil votos por lá”.

Por essas contas do grupo de pesquisadores do Perfil-i, o que se percebe é que a vereadora recebeu um percentual de votos muito semelhante, ao se considerar os números de eleitores de cada região: na Zona Sul, obteve 2,6% de seus votos totais; na região da Leopoldina, 2%.

Visibilidade para além da favela 

O sociólogo e cientista político Paulo Baía é outro que não considera haver contradição nos votos recebidos em 2016 pela vereadora do PSOL: “Marielle fez tudo certinho: estudou, fez graduação, mestrado, utilizou a educação para melhorar de vida, assessorou por 10 anos um político, obteve voo próprio eleitoral, atendia vítimas policiais e não-policiais, tinha discurso moderado. Fez tudo certo”, avalia.

Segundo Baía, que é professor do Instituto de Filosofi a e Ciências Sociais da UFRJ, o fato de Marielle ter nascido na Maré e isso não coincidir com o mapa de votação mais expressivo na região significa apenas que a atuação dela tinha visibilidade para além dos limites da favela:

“Era uma militante social e uma política de pauta específica. O tipo de voto que recebeu foi um voto de opinião. Mas a pauta de atuação dela nunca perdeu o vínculo com a comunidade, era a sua temática central, tanto na graduação na PUC ou no mestrado na UFF, onde desenvolveu trabalhos que tinham ligação com a comunidade”, afirma.

O cientista político lembra, ainda, que nas favelas o sistema de clientela ainda sustenta votos de vereadores. “Mas Marielle não era candidata de reduto eleitoral, era pautada por sua atuação social e como assessora parlamentar”, diz Baía.

Ricardo Ismael ressalta outra característica de campanhas em favelas que Marielle enfrentaria: as dificuldades impostas por grupos ligados ao tráfico de drogas e milícias, que só permitem a circulação de candidatos apoiados por eles, praticamente impondo aos moradores a votação nesses nomes:

“Onde há presença forte de facções criminosas, a liberdade das associações de moradores, por exemplo, para apoiar e divulgar um nome durante a eleição, acaba muito prejudicada. E três facções dividem o território da Maré”, afirma o professor: “Mesmo para um morador, é complicado vencer essa barreira. Muitas vezes, paga-se até com a vida por enfrentar esses grupos”.

Ele também leva em consideração a interferência religiosa no perfil de votação. “Marielle representava a luta por direitos que são muito combatidos, por exemplo, por igrejas evangélicas, como a causa LGBT e o debate sobre aborto. Isso certamente trouxe dificuldades para uma melhor evolução e aceitação da candidatura dela na favela. Na Zona Sul, esses temas são mais aceitos”, afirma.

O professor da PUC-RJ enumera, ainda, o fato de ser comum que os eleitores decidam seus votos na última hora. “E houve uma grande onda, no fim do primeiro turno, a partir do boca a boca de celebridades, intelectuais e formadores de opinião da Zona Sul, onde Marielle acabou realizando muitas reuniões. Viram nela representatividade e passaram a apoiá-la”, diz Ismael, acrescentando: “O PSOL tem dificuldade de entrar em comunidades, mas Marielle, que enfrentava sua primeira eleição, colou no Marcelo Freixo, com quem já havia trabalhado como assessora. Ela o levou até a Maré, mas também se beneficiou claramente do perfil de votos que normalmente vão para ele. Há uma correlação clara entre a votação dela e a do Freixo”, avalia.

Felipe Borba, cientista político e professor da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio), também  aponta a ligação de Marielle com o partido como indicador para explicar o perfil de votos que ela recebeu. “Os votos da vereadora vieram em maior peso de locais onde o PSOL é mais forte, especificamente onde o deputado estadual Marcelo Freixo concentra grande parte de seu eleitorado”, afirmou.

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Comentários

Daniel on 1 Abril, 2018 at 2:39 #

A comparação é completamente enviesada e tendenciosa (tá, isso já dá pra perceber nas primeiras linhas).

Primeiro: notamos que, mesmo em números absolutos, a vereadora teve muito mais votos em zonas de classes altas (zona sul) e médias (grande tijuca) do que na zona norte.

Segundo: A relação deveria se dar de modo proporcional. Analisemos as regiões em que ela obteve mais votos absolutos (zona sul e zona norte). Não faz sentido comparar indistintamente os 15 mil votos por ela recebidos na zona sul – em um universo muito menor de votantes – e os reles 8 mil conquistados em um mundaréu de gente que vota na zona norte.

No fundo, a reportagem, mesmo distorcida e disposta a tomar partido, apresenta o que já se sabia: que a dita vereadora “do povo oprimido” foi votada majoritariamente pela classe rica e média.

E assim é com todos os candidatos que representam o PSOL no Rio de Janeiro. No discurso, fazem e acontecem em favor do “povo pobre”, mas só representam a famosa “esquerda caviar”, aquela que adora falar em comunismo e desigualdade social, mas não vive sem dar uma esticadinha na Europa e em usufruir de todos os benefícios que só o capitalismo oferece.

Mais do mesmo!


Taciano Lemos de Carvalho on 1 Abril, 2018 at 17:44 #

Esclarecedora a matéria do JB.


Taciano Lemos de Carvalho on 1 Abril, 2018 at 17:46 #

Da Tribuna da Internet, um bom questionamento.

Carlos Newton

Certas coisas despertam curiosidade pelo fato de não acontecerem. Neste sábado, dia 31 de março, estava programado para as 13 horas um ato público na Avenida Paulista (no chamado “Vão” do MASP), centro de São Paulo, para celebrar o aniversário do golpe militar de 1964 e protestar contra o protecionismo do Supremo Tribunal Federal em relação aos envolvidos em esquemas de corrupção.

A manifestação foi convocada pelo novo líder da extrema-direita, general Antonio Hamilton Mourão, e outros chefes militares da reserva, com apoio do Clube Militar, do Clube Naval e do Clube da Aeronáutica, num vídeo espalhado nas redes sociais.

http://www.tribunadainternet.com.br/alguem-sabe-se-houve-protesto-na-av-paulista-liderado-pelo-general-mourao/


Taciano Lemos de Carvalho on 1 Abril, 2018 at 18:13 #

Jornal encontra duas testemunhas da execução de Marielle

Testemunhas do momento em que carro de Marielle foi atingido por tiros ainda não foram ouvidas pelas autoridades de segurança do Rio que investigam a execução, diz jornal O Globo

O jornal O Globo deste domingo (1) revelou que duas pessoas, ainda não ouvidas pela Delegacia de Homicídios (DH) do Rio de Janeiro, testemunharam a execução da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março. Segundo a reportagem do jornal, as versões das duas testemunhas, que não se conhecem e foram ouvidas separadamente, são idênticas. Nenhuma delas disse ter visto um segundo carro na emboscada.

As duas testemunhas estavam a cerca de 15 metros do local onde ocorreu o crime, de acordo com a reportagem. Elas afirmam que o carro em que estavam a vereadora, o motorista e uma assessora parlamentar – que sobreviveu ao crime – foi fechado por um Cobalt prata, em uma curva em direção ao bairro da Tijuca, e quase subiu na calçada.

Quando o veículo de Marielle reduziu a velocidade, o passageiro que estava sentado no banco traseiro do Cobalt abriu a janela escurecida por película, apontou uma pistola de cano longo e efetuou os disparos. O som, dizem as testemunhas, foi abafado. Em seguida, o Cobalt saiu cantando pneus em direção à rua Joaquim Palhares.

Localizadas por O Globo, as testemunhas afirmaram que os policiais do 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM) pediram para que todos os que estavam no local se afastassem, com exceção da assessora sobrevivente. Uma das testemunhas diz que alguns agentes orientaram que todos fossem para casa “procurar o que fazer”.

“Foi tudo muito rápido. O carro dela [Marielle] quase subiu a calçada. O veículo do assassino imprensou o carro branco”, disse uma das testemunhas, que também afirmou ter visto o braço do atirador, que estava no banco de trás. “O homem que deu os tiros estava sentado no banco de trás e era negro. Eu vi o braço dele quando apontou a arma, que parecia ter silenciador”, afirmou à reportagem do jornal.

Já a outra testemunha disse que não conseguiu ver as pessoas que estavam no carro de onde partiram os disparos. A pessoa afirmou que não sabia o que fazer e chegou a ficar por alguns minutos no local. “Os PMs mandaram as pessoas irem para casa. Disseram para procurarmos o que fazer. Vi os policiais comentando que era uma vereadora. Liguei para a minha família, que mandou eu sair de lá, com receio que eu também me complicasse. Fiquei com medo e desisti de falar o que vi”, disse a segunda testemunha, que corroborou a fuga do carro pela rua Joaquim Palhares.

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/jornal-encontra-duas-testemunhas-da-execucao-de-marielle/


Taciano Lemos de Carvalho on 1 Abril, 2018 at 18:52 #

Houve uma manifestação na Avenida Paulista. Realizada por cerca de 500 fascistas.

Esclarecendo a dúvida do editor da Tribuna da Internet, Carlos Newton


Daniel on 2 Abril, 2018 at 18:01 #

Nosso amigo Taciano adora contraditar fatos e números com matérias de ativistas que têm posições ideológicas ao invés de argumentos exequíveis…

E dá- lhe chamar quem se manifesta (voluntariamente, sem convite prévio e sem participação de máquinas de partidos/ sindicatos) contra o salvo conduto dado a um criminoso de “fascistas”.

Sinal dos tempos!


Taciano Lemos de Carvalho on 2 Abril, 2018 at 22:03 #

Sem convite prévio?

Até o Mourão gravou vídeo convocando para a grande manifestação na Avenida Paulista. Até uns grandões de clubes militares convocaram para o ato. Seus olheiros informaram do fiasco que seria, e o general não apareceu. Mas 500 fascistas é fascista pra meter medo em qualquer cristão.

Pior foi o grande ato que haveria em praça central de Curitiba, convocada pelo Bolsonada. Só tinha uns poucos jornalistas. Ninguém do candidato. E nem o candidato.


Daniel on 2 Abril, 2018 at 22:29 #

Taciano,

O “convite” a que você se refere é para amanhã, dia 03/04. Não havia nenhum anúncio ou convocação razoável para eventos ontem ou hoje.

O mesmo se adequa ao acontecido em Curitiba.

Ambos são muito diferentes das mega- manifestações de 2016. E também diferem as “manifestações” regadas a distribuição de mortadelas, bolsa militante, caravanas trazidas em ônibus bancadas por sindicatos e partido políticos e com kit militante (camisa do MST, colete da CUT, bandeiras vermelhas e balões de sindicatos).


Daniel on 2 Abril, 2018 at 22:30 #

Nessas últimas, a proporção de bandeiras/ manifestante costuma ser de 3/1.


Taciano Lemos de Carvalho on 2 Abril, 2018 at 22:39 #

Não havia nem bandeiras e nem manifestantes em Curitiba. Só alguns poucos jornalistas.

Na Paulista havia uns 500 fascistas.


Taciano Lemos de Carvalho on 2 Abril, 2018 at 22:56 #

Daniel.
Você está redondamente equivocado. O convite do general Mourão e de outro, o general Paulo Assis, foi para o dia 31 de março. Mais abaixo coloco o link do vídeo dos generais convocando para a Paulista. Alerto apenas que o sujeito que faz a apresentação é um cara daqui de Brasília, um que se auto-chama de Dom Wernek, um ex-policial da PM, afastado da corporação, e que anda para cima e pra baixo por conta do MBL. Um valentão. Numa passeata das Margaridas, mulheres camponesas, aqui na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ele foi um provocador e andou dando tiro pra cima. Foi detido, mas depois liberado. É cabo eleitoral, fã, de Bolsonada.

O link de um dos vídeos (um dos vários) dos generais Mourão e general Paulo Assis convocando grande ato para a Paulista no DIA 31 de março (véspera do dia que houve o golpe, 1º de abril de 64)
https://youtu.be/tIFn4CxqpkU

Depois coloca aí sua opinião se isso aí foi montagem. fake news.


Daniel on 2 Abril, 2018 at 23:14 #

Desde quando esses generais são lideranças? Eu mesmo nem sabia dos tais atos. E não sou necessariamente do tipo que desconhece a existência desses tipos de manifestações.

Quanto ao ato do MST, dizer que suas “manifestações” são pacíficas e “vítimas de provocadores” é o mesmo que dizer que jornalistas do jornal Oglobo acuados pelos terroristas do MST são provocadores por tentaram resistir à invasão.

Não há manifestação de grupamento terrorista do MST sem vandalismo, violência e incitação ao ódio.

Mas é aquela coisa, o diabo é o MBL e o “bolsonada”…assim como são “vilões fascistas” os policiais que combatem os braços armados do petismo e seus inúmeros episódios de delinquência.

O “fascista” é sempre o outro…


Daniel on 2 Abril, 2018 at 23:19 #

A inversão dos valores e da fatos é absurda. Se assemelha aos vândalos black blocs que faziam parte das “manifestações” esquerdistas, gerando quebra quebra, destruição, pânico, e quando a polícia reagia era chamada de “opressora”, “fascista” e outras terminologias cretinas. Tudo, claro, devidamente filmado e editado por militantes infiltrados em ongs e entidades jornalísticas, prontos para difamar a polícia (mais do mesmo) e inflamar a pauta dos terroristas!


Daniel on 2 Abril, 2018 at 23:21 #

Daniel on 2 Abril, 2018 at 23:23 #

Daniel on 2 Abril, 2018 at 23:26 #

Outra manifestação “pacífica” made in MST – convenientemente composta por mulheres – invadindo, destruindo e provocando o caos:

http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2015/03/mst-divulga-video-de-invasao-e-destruicao-em-empresa-veja.html

Mas os “fascistas” continuam sendo os outros…


Daniel on 2 Abril, 2018 at 23:31 #

Os exemplos são inúmeros. Passaria dias a noites enumerando as ações criminosas desse grupamento terrorista em favor de sua ideologia igualmente criminosa.

Como já havia afirmado em outro momento: em qualquer país sério do mundo civilizado um movimento ao estilo do MST já teria sido efetivamente imputado como terrorista e combatido pelas forças democráticas.


Taciano Lemos de Carvalho on 2 Abril, 2018 at 23:42 #

O general Mourão é o cara, para os intervencionistas.
Mas tá claro que os “intervencionistas” convocaram a manifestação.

Só mais uma lembrança. O tal do Dom Wernek que aparece no vídeo do general “herói”, tem um bocado de fotos e vídeos com o Bolsonada.


Daniel on 3 Abril, 2018 at 0:28 #

Intervencionistas representam uma escala microscópica dentro da chamada “direita”. Não chegam a 1% de sua totalidade.

Está explicado a pequena expressão do ato!


Taciano Lemos de Carvalho on 3 Abril, 2018 at 0:33 #

No Brasil, toda direita é golpista. Desde tempos idos.


Taciano Lemos de Carvalho on 3 Abril, 2018 at 0:36 #

Não sejamos tão radicais. Há aí um por cento de não golpistas na direita brasileira. Mas líderes da direita sempre foram golpistas. E entreguistas também.


Daniel on 3 Abril, 2018 at 0:53 #

Assim como, no mundo, toda esquerda é criminosa. E flerta com o genocídio, desde que esteja de acordo com a causa.

Mas não sejamos radicais: talvez encontremos a mesma porcentagem ínfima de intervencionistas da direita nas almas honestas da esquerda.


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