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João Carlos Teixeira Gomes (Joca):no lançamento de “A Arca de meus Tesouros”.
Resultado de imagem para Janio Ferreira Soares no jornal A Tarde

CRÔNICA/ENCONTRO

Do velhodorio.com para penadeaço@jc.ba

Janio Ferreira Soares

 

Querido Joca, talvez você nem lembre, mas há uns 3 anos, quando de uma das minhas raras idas à velha capital, estava eu na Livraria Cultura na companhia de Jorge Amado, João Ubaldo, Riobaldo e outras figuras que se não rimam nas sílabas finais, versam bonito nas narrativas de suas obras expostas nas gôndolas, quando uma voz atrás de mim falou: “muito bom seu último artigo!”.

Assim, de supetão, achei até que poderia ser alguém tirando sarro comigo. Mas aí, ao olhar pra trás, lá estava você agradecendo o elogio e conversando com uma senhora de um jeito tão carinhosamente familiar, que logo o associei a certas pessoas com quem tive a sorte de conviver tanto na juventude, quanto depois daquela idade em que cruzamos a cruel barreira que nos avisa que a conta da Coelba agora é com a gente.

Ali, camisa folgada aberta no peito, vi professor Eliseu, um velho outsider pernambucano, que com sua espaçosa cultura – e um inseparável Hollywood entre o fura-bolo e o maior de todos -, me convenceu de que o Pink Floyd tinha a ver com música clássica, sacada de mestre para que eu me interessasse por Beethoven e afins.

Ali, cabelos alvos e jeito manso, vi Dr. Arthur Costa Pinto, figura tão doce quanto os umbus-cajás de nossa Glória, que no final dos anos 60 me levou à tribuna de uma Fonte Nova lindamente analógica para ver Bahia x Cruzeiro, ocasião em que me encantei com Tostão e Cia., e fui fisgado pelas bandeiras tricolores brandindo sinais, como se dissessem: “vem pra cá, menino, sofrer por essas cores pro resto da vida”.

Ali, jeito de tio preparando meu palato às novidades do mundo, vi Waldemarzinho me chamando numa Páscoa igual a esta para, como se numa primeira comunhão profana, me dar uma taça de Moscatel de Setúbal e um naco de queijo Palmyra, à época raros acepipes em terras onde Raimundos eram reis.

Ali, pena de aço quando a vida pede, mas de pluma quando a chuva vem, vi mestre Vitor Hugo, principal culpado por essas linhas fluindo abaixo e que, tenho certeza, ainda hoje ouve o som do rio de nossa aldeia passando a caminho do mar.

Pois muito bem, diante de tantas pessoas bacanas numa só, dei um chega pra lá na timidez e me apresentei, veja que audácia, como seu colega desta página. E aí, confirmando minha suspeita, afetuosamente você me pegou pelo braço e me levou pra sentar num canto onde falamos sobre coisas de São Petersburgo, sobre o Raso da Catarina, sobre os perigos de um aneurisma da aorta abdominal a lhe ameaçar e, sobretudo, sobre as várias Macondos que criamos na solidão da escrita e que agora você revela um pouco em A Arca dos Meus Tesouros, cujas pepitas não vejo a hora de contemplar. Enquanto isso, vagabundo penitente que sou, vou ali me flagelar com um tinto cor de sangue. Tim, Tim!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco.

Vai dedicado a Janio Ferreira Soares, o cronista de Paulo Afonso, na beira do Rio São Francisco. Porque ele sabe das coisas boas da música e da vida, e pelo belíssimo artigo que ele assina hoje no Bahia em Pauta, sobre o encontro do Velho do Rio com o Pena de Aço da Bahia em uma livraria do ShopPing em Salvador. Melhor presente de Páscoa para leitores e ouvintes do B, que um chocolate. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO G1/O GLOBO/JORNAL NACIONAL ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou na noite deste sábado (31) as prisões da Operação Skala e determinou a imediata soltura dos alvos da investigação (leia a íntegra da decisão ao final desta reportagem).

Entre os presos estavam dois amigos do presidente Michel Temer – o advogado José Yunes, ex-assessor especial da Presidência da República, e João Baptista Lima Filho, ex-coronel da Polícia Militar de São Paulo.

A operação foi deflagrada dentro do inquérito que investiga se empresas do setor portuário, em especial a Rodrimar, pagaram propina para serem beneficiadas com um decreto presidencial assinado por Temer. O presidente nega qualquer irregularidade no decreto.

As prisões temporárias dos alvos da operação terminariam na próxima segunda-feira (2), mas, já neste sábado, a Procuradoria Geral da República enviou a Barroso um pedido para que as prisões fossem revogadas.

No pedido, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que o objetivo das prisões, de instruir as investigações em curso, já havia sido cumprido.

Dodge explicou no pedido que todos os mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos, exceto as prisões de três sócios do Grupo Libra – Rodrigo Borges Torrealba, Ana Carolina Borges Torrealba Affonso e Gonçalo Borges Torrealba –, que estavam no exterior, “mas dispostos a se apresentarem à autoridade policial tão logo retornem”.

“Desse modo, tendo as medidas de natureza cautelar alcançado sua finalidade, não subsiste fundamento legal para a manutenção das medidas, impondo-se o acolhimento da manifestação da Procuradoria-Geral da República. […] Revogo as prisões temporárias decretadas nestes autos. Expeçam-se, com urgência, os respectivos alvarás para que se possa proceder à imediata soltura”, disse Barroso na decisão.

Dodge havia optado em pedir a prisão temporária porque as conduções coercitivas estão proibidas em todo o país desde dezembro, por decisão do ministro Gilmar Mendes. A decisão é provisória e ainda deverá ser submetida ao plenário do STF.

Operação Skala

A operação que levou à prisão amigos de Temer, empresários e um ex-ministro foi deflagrada pela Polícia Federal na última quinta (29).

Foram presos temporariamente pela PF:

  • José Yunes, advogado, amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer;
  • Antônio Celso Grecco, empresário, dono da empresa Rodrimar;
  • João Batista Lima, ex-coronel da Polícia Militar de São Paulo e amigo de Temer;
  • Wagner Rossi, ex-deputado, ex-ministro e ex-presidente da estatal Codesp;
  • Milton Ortolan, auxiliar de Wagner Rossi;
  • Celina Torrealba, uma das donas do Grupo Libra;
  • Eduardo Luiz de Brito Neves, proprietário da MHA Engenharia;
  • Maria Eloisa Adensohn Brito Neves, sócia nas empresas MHA Engenharia e Argeplan;
  • Carlos Alberto Costa, sócio fundador da Argeplan e ex-sócio da AF Consult Brasil;
  • Carlos Alberto Costa Filho, sócio da AF Consult Brasil.

Entre sexta e sábado, a PF colheu o depoimento de todos os presos, com a presença de procuradores da República que atuam na Secretaria da Função Penal Originária no Supremo Tribunal Federal (STF), estrutura da PGR responsável pelos inquéritos que investigam autoridades com foro privilegiado.

 

Decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou prisões dos alvos da Operação Skala, da Polícia Federal (Foto: Reprodução/STF) Decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou prisões dos alvos da Operação Skala, da Polícia Federal (Foto: Reprodução/STF)

abr
01
Posted on 01-04-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-04-2018



 

Amarildo, na (ES)

 

Do Jornal do Brasil

 

ALEXANDRE MACHADO

Não bastou matarem Marielle Franco. Mesmo após ser executada a tiros na noite daquela quarta-feira, dia 14, a vereadora do PSOL do Rio de Janeiro continua sendo alvo de ataques. Se do primeiro atentado, até agora, mais de duas semanas após o ocorrido, a polícia não apresentou sequer suspeitos, ao menos sabe-se de onde estão partindo os outros: da internet. A irmã de Marielle, Anielle Silva, e a viúva da vereadora, Mônica Tereza Benício, estão travando — e vencendo — algumas batalhas na Justiça para retirar do ar as fake news das redes sociais, que tentam desconstruir a imagem política de Marielle.

Um dos ataques diz respeito à própria votação que fez dela a quinta vereadora mais votada do Rio em 2016. Alegam que não teria sido eleita com os votos da favela que ela defendia. Marielle Franco sempre fez questão de registrar que era “cria da favela”, nascida no Complexo da Maré. De fato, os números absolutos da eleição apontam que a maioria de seus eleitores estava fora da Maré: 32% do total dos 46.502 votos recebidos por ela vieram da Zona Sul, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). Mas cientistas políticos e pesquisadores ouvidos pelo JORNAL DO BRASIL rebatem a tese. “A contradição até existe, mas a verdade é que ela teve uma eleição pulverizada pela cidade. A Zona Sul ajudou a elegê-la, mas não apenas essa região”, afirma o cientista político Ricardo Ismael, que foi professor e orientador da vereadora do PSOL na PUC-RJ.

Números absolutos da eleição apontam que maioria de eleitores estava fora da Maré: 32% dos 46.502 votos vieram da Zona Sul
Números absolutos da eleição apontam que maioria de eleitores estava fora da Maré: 32% dos 46.502 votos vieram da Zona Sul

Josir Gomes, do grupo de pesquisadores Perfil-i, que mapeou a votação recebida por Marielle, segue a mesma linha de raciocínio de Ismael: “Ela recebeu votos em todas as regiões e em 100% das seções eleitorais da cidade com mais de 1.000 eleitores. E é bom lembrar que na Zona Sul também tem favela”, o que demonstra, segundo ele, a capilaridade da candidatura de Marielle. Ainda que descartasse todos os eleitores da Zona Sul, Marielle teria sido eleita com 31.430 votos, em nono lugar.

Gomes destaca outro ponto importante na análise: a geografia eleitoral do Rio mistura “asfalto e favela pelas zonas eleitorais”. Ele cita como exemplo a própria Maré, onde, segundo o TRE-RJ, há 8.984 eleitores, dos quais apenas 50 deram seu voto a Marielle. “Mas as seções eleitorais da Maré são novas, e a maioria dos moradores de lá vota em seções mais antigas, como em Ramos e Bonsucesso”, explica: “Fizemos, então, nova consulta às bases de dados, agora considerando seções da região da Leopoldina, que reúne os bairros de Ramos, Bonsucesso e Maré. Assim, chegamos à conclusão de que Marielle teve mais de 3 mil votos por lá”.

Por essas contas do grupo de pesquisadores do Perfil-i, o que se percebe é que a vereadora recebeu um percentual de votos muito semelhante, ao se considerar os números de eleitores de cada região: na Zona Sul, obteve 2,6% de seus votos totais; na região da Leopoldina, 2%.

Visibilidade para além da favela 

O sociólogo e cientista político Paulo Baía é outro que não considera haver contradição nos votos recebidos em 2016 pela vereadora do PSOL: “Marielle fez tudo certinho: estudou, fez graduação, mestrado, utilizou a educação para melhorar de vida, assessorou por 10 anos um político, obteve voo próprio eleitoral, atendia vítimas policiais e não-policiais, tinha discurso moderado. Fez tudo certo”, avalia.

Segundo Baía, que é professor do Instituto de Filosofi a e Ciências Sociais da UFRJ, o fato de Marielle ter nascido na Maré e isso não coincidir com o mapa de votação mais expressivo na região significa apenas que a atuação dela tinha visibilidade para além dos limites da favela:

“Era uma militante social e uma política de pauta específica. O tipo de voto que recebeu foi um voto de opinião. Mas a pauta de atuação dela nunca perdeu o vínculo com a comunidade, era a sua temática central, tanto na graduação na PUC ou no mestrado na UFF, onde desenvolveu trabalhos que tinham ligação com a comunidade”, afirma.

O cientista político lembra, ainda, que nas favelas o sistema de clientela ainda sustenta votos de vereadores. “Mas Marielle não era candidata de reduto eleitoral, era pautada por sua atuação social e como assessora parlamentar”, diz Baía.

Ricardo Ismael ressalta outra característica de campanhas em favelas que Marielle enfrentaria: as dificuldades impostas por grupos ligados ao tráfico de drogas e milícias, que só permitem a circulação de candidatos apoiados por eles, praticamente impondo aos moradores a votação nesses nomes:

“Onde há presença forte de facções criminosas, a liberdade das associações de moradores, por exemplo, para apoiar e divulgar um nome durante a eleição, acaba muito prejudicada. E três facções dividem o território da Maré”, afirma o professor: “Mesmo para um morador, é complicado vencer essa barreira. Muitas vezes, paga-se até com a vida por enfrentar esses grupos”.

Ele também leva em consideração a interferência religiosa no perfil de votação. “Marielle representava a luta por direitos que são muito combatidos, por exemplo, por igrejas evangélicas, como a causa LGBT e o debate sobre aborto. Isso certamente trouxe dificuldades para uma melhor evolução e aceitação da candidatura dela na favela. Na Zona Sul, esses temas são mais aceitos”, afirma.

O professor da PUC-RJ enumera, ainda, o fato de ser comum que os eleitores decidam seus votos na última hora. “E houve uma grande onda, no fim do primeiro turno, a partir do boca a boca de celebridades, intelectuais e formadores de opinião da Zona Sul, onde Marielle acabou realizando muitas reuniões. Viram nela representatividade e passaram a apoiá-la”, diz Ismael, acrescentando: “O PSOL tem dificuldade de entrar em comunidades, mas Marielle, que enfrentava sua primeira eleição, colou no Marcelo Freixo, com quem já havia trabalhado como assessora. Ela o levou até a Maré, mas também se beneficiou claramente do perfil de votos que normalmente vão para ele. Há uma correlação clara entre a votação dela e a do Freixo”, avalia.

Felipe Borba, cientista político e professor da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio), também  aponta a ligação de Marielle com o partido como indicador para explicar o perfil de votos que ela recebeu. “Os votos da vereadora vieram em maior peso de locais onde o PSOL é mais forte, especificamente onde o deputado estadual Marcelo Freixo concentra grande parte de seu eleitorado”, afirmou.

 
Semana Santa
Imagem de Cristo em uma procissão na Espanha AP

A imagem de Jesus crucificado só começou a ser venerada séculos depois da morte dele, e foi o Concílio de Niceia, no ano 325, que autorizou oficialmente a imagem do crucifixo tal como o usamos hoje. Os seguidores dos primeiros séculos do cristianismo se envergonhavam de uma imagem que lhes recordava a morte atroz que os romanos infligiam aos grandes criminosos.

Desde que Paulo de Tarso declarou que “se Cristo não ressuscitou […]é vã a nossa fé” (I Coríntios, 15), interessava aos cristãos o Jesus ressuscitado, não o sacrificado em uma madeira, como um assassino qualquer. Daí que nos primeiros séculos do cristianismo não existissem pinturas nem esculturas de Jesus crucificado, só um Cristo glorioso.

Nas catacumbas romanas, tanto nas de Santa Priscila como nas de São Calixto, onde se escondiam os cristãos para fugir da perseguição romana, não existem pinturas de Jesus na cruz. O líder dos cristãos aparece ou na imagem do Bom Pastor, ou celebrando a Última Ceia com os apóstolos, ou ainda criança nos braços da sua mãe. Nunca morto.

Lembro que no Instituto Bíblico de Roma nosso professor de idioma ugarítico, o jesuíta Follet, explicava-nos essa ausência da imagem de Jesus crucificado entre os primeiros cristãos: “Se o seu pai tivesse sido condenado à cadeira elétrica ou à guilhotina, certamente, por mais inocente que tivesse sido, vocês não levariam no pescoço uma efígie desses instrumentos de morte”, nos dizia ele. E acrescentava: “Ninguém conserva fotos dos seus familiares ou amigos quando mortos, e sim vivos e felizes”. Isso é o que ocorria com os cristãos: preferiam recordar Jesus em vida ou glorificado depois da sua morte.

Curiosamente, foi um imperador romano, o pagão Constantino, o Grande, quem introduziu a representação da cruz, mas sem o corpo de Jesus. Foi quando se converteu ao cristianismo, depois de ter tido um sonho, antes da batalha contra Magêncio, em que viu uma cruz e ouviu uma voz que dizia: “Com este signo vencerá”. O Império Romano começava a se debilitar, e o imperador percebeu a força da seita dos cristãos que se deixavam matar em vez de adorar seus deuses pagãos. Constantino quis conquistar aquela gente, e o cristianismo passou de açoitado a ser religião oficial. O imperador ganhou a batalha, e sacralizou-se o sinal da cruz, que foi aceito como símbolo cristão pelo Concílio de Niceia no ano 325.

Mesmo assim, trava-se apenas da cruz nua, sem o corpo de Cristo. Os primeiros crucifixos com o Jesus agonizante ou morto aparecem só no século V, e com muitas polêmicas. Os cristãos continuavam preferindo a imagem de Jesus vivo ou ressuscitado. Apenas na Idade Média, mais de mil anos depois da morte de Jesus, apareceram as primeiras representações dos crucifixos com o corpo dele mostrando os sinais de dor, sangrando pelas mãos, os pés e nas laterais.

A única pintura do crucifixo que aparece já no século I, considerada como a “primeira blasfêmia cristã”, é um grafite numa parede de gesso em Roma, ridicularizando os cristãos e Jesus. O crucificado aparece com a cabeça de um asno e a seguinte inscrição: “Alexamenos, adorando o seu deus”. Era uma zombaria com os primeiros cristãos, cujo deus os romanos haviam matado como um criminoso comum.

Isso significava, ensinavam-nos no Instituto Bíblico, que, sob a influência da conversão de Constantino, a Igreja começou também a se hierarquizar e a se revestir com os símbolos do poder mundano. Na verdade, se fez política e até mesmo drama com a crucificação para fomentar-se a teologia da cruz e do pecado, em detrimento da teologia da ressurreição e da esperança.

Para a Teologia da Libertação, por exemplo, a crucificação é o símbolo de todos os torturados e assassinados injustamente na história da humanidade, e a ressurreição é a grande esperança de todos os excluídos. Essa teologia, tão enraizada na América Latina, tentou ser uma volta ao cristianismo primitivo, no qual se destacava a imagem do Bom Pastor em vez da do crucificado. Entretanto, a Igreja, que até o papa Francisco ainda se revestia com os símbolos do poder dos imperadores romanos, preferiu inculcar a teologia do medo do inferno.

A Igreja do poder nunca se incomodou com o Jesus morto. Temeu mais ao Jesus vivo e encarnado, solidário com essa parte da humanidade que, como nos tempos do profeta crucificado, sempre acaba abandonada à própria sorte.

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