Celeste Erlach e os dois filhos.
Celeste Erlach e os dois filhos. Arquivo familiar

Celeste Erlach não aguentava mais, então decidiu escrever uma carta ao seu marido. Ele não fazia praticamente nada dentro de casa, enquanto ela cozinhava, limpava e se encarregava da criação de duas crianças pequenas, sendo uma delas ainda bebê. “Estou lhe contando o quanto preciso de você, e se continuar neste ritmo vou desabar. E isso faria mal a você, às crianças e à nossa família”, diz Erlach na sua carta, que você pode ler aqui na íntegra (em inglês).

“Sou um ser humano, estou funcionando com cinco horas de sono e estou cansadíssima. Preciso de você”, diz Erlach no texto, publicado no último dia 18 através de um grupo do Facebook chamado Breastfeeding Mama Talk (conversas de mães que amamentam). Desde então, a carta tem chamado a atenção de vários veículos de comunicação.

 

  • Erlach é uma norte-americana de 35 anos, especialista em marketing, conforme conta em seu blog sobre criação e maternidade. Sua carta, que ficou conhecida pelo vocativo “Querido Marido”, começa com uma história cotidiana que esgotou a paciência dela: “Pedi que você tomasse conta do bebê para que eu pudesse ir cedo para a cama. O bebê estava chorando (…). Você entrou no quarto 20 minutos depois, com o bebê ainda chorando freneticamente. Colocou-o no berço e, com cuidado, empurrou o berço para mais perto do meu lado da cama, num claro gesto de que tinha acabado de tomar conta dele”.

“Fiquei com vontade de gritar com você. De começar uma briga épica naquele mesmo instante. Eu tinha passado toda a droga do dia tomando conta do bebê e da criança. O mínimo que você podia fazer era tomar conta dele durante algumas horas no começo da noite para que eu tentasse dormir. Só umas poucas horas de sono valioso. É pedir demais?”, prossegue.

Essa norte-americana, como seu marido, cresceu num lar onde a mãe se encarregava de tudo: “Vejo que estamos caindo a cada dia mais nessa dinâmica familiar (…). Também vejo minhas amigas e outras mães fazendo tudo isso, e fazendo muito bem. Sei que você vê também. Se elas conseguem e nossas mães também conseguiram, por que não eu? Sei lá. Talvez nossos amigos estejam fingindo em público, e secretamente estejam em crise. Talvez nossas mães tenham sofrido durante anos em silêncio, e agora, 30 anos depois, simplesmente não se lembram de como era duro”.

No Brasil, a dedicação média diária das mulheres às tarefas domésticas e às crianças é 72% maior que a dos homens

Erlach termina seu texto elencando todas as tarefas diárias para as quais diz necessitar da ajuda do marido. São tarefas basicamente de acompanhamento. Não exigem muito esforço. “Estou mostrando uma bandeira branca e admitindo que sou humana (…). Porque, vamos encarar: você também precisa de mim”, conclui.

A autora da carta diz que muitas mulheres entraram em contato com ela para agradecer pelo texto, com o qual se sentiram muito identificadas. A carta toca em muitos aspectos cruciais no caminho para a igualdade, mas utiliza várias vezes um termo enganoso: ajuda. As mães não precisam da ajuda dos pais. Se fosse assim, estaríamos assumindo que os trabalhos domésticos e a criação dos filhos são coisa de mulher, e que eles devem contribuir o que puderem. Não é assim. A criação é feita a dois.

“Por que tenho que me sentir mal quando lhe peço ajuda?”

O comentário com mais curtidas no Facebook fala da “carga mental” que atinge as mulheres. “Meu marido faz qualquer coisa que eu pedir. O problema é que tenho que pedir”, diz a autora do comentário. Outras concordam: “Eu poderia ter escrito isto”; “Por que tenho que me sentir mal quando lhe peço ajuda?”, “Eu também estou cansada”.

“Talvez nossas mães tenham sofrido durante anos em silêncio, e agora, 30 anos depois, simplesmente não se lembram de como era duro”

A dedicação média diária das mulheres brasileiras às tarefas domésticas e às crianças é 72% maior que a dos homens. Assim revelam os últimos dados do IBGE, que mostraram que, enquanto os homens brasileiros dedicam 10,5 horas semanais com essas tarefas, as mulheres gastam 18,1 horas com os cuidados domésticos.

Em um post posterior, Erlach diz que não chegou a mostrar a carta ao seu marido. Escreveu-a para desabafar. “Então falei com ele cara a cara. Tivemos uma conversa muito longa, e muitas outras depois. Falamos de TUDO”, afirma. Desde então, seu marido começou a realizar mais tarefas na casa. “Decidi publicar esta carta depois de termos nos acostumado à nossa nova rotina. Acho que ajudará outras mulheres a serem sinceras. Espero que sirva como um catalisador para as mulheres que estão brigando, que estão desmoronando, como acontecia comigo”, acrescenta

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou prender aliados e amigos do presidente Michel Temer citou em seu despacho autorizando a deflagração da Operação Skala “risco concreto de destruição de provas”.

Ele tomou a decisão no âmbito do inquérito sobre o Decreto dos Portos a partir de alegações da Procuradoria-Geral da República, que requereu a prisão do empresário e advogado José Yunes, do ex-ministro Wagner Rossi (MDB), do empresário Antônio Celso Grecco (Grupo Rodrimar), e do coronel da reserva da PM de São Paulo João Batista Lima Filho – todos capturados nesta quinta-feira, 29.

Agentes da PF, por ordem de Barroso, fizeram buscas em diversos endereços, inclusive na sede da Rodrimar, em Santos (SP).

As investigações da PF e da Procuradoria apontam para “uma efetiva possibilidade de um esquema contínuo de benefícios públicos em troca de recursos privados para fins eleitorais”. O inquérito indica que o esquema vigora há pelo menos vinte anos no setor de portos.

As investigações da PF e da Procuradoria apontam para "uma efetiva possibilidade de um esquema contínuo de benefícios públicos em troca de recursos privados para fins eleitorais"
As investigações da PF e da Procuradoria apontam para “uma efetiva possibilidade de um esquema contínuo de benefícios públicos em troca de recursos privados para fins eleitorais”

Defesas

Em nota, o advogado José Luis Oliveira Lima, que defende José Yunes, afirmou que: “É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu à todos os atos para colaborar. Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania.”

O advogado Fabio Tofic, que defende Antonio Celso Grecco, disse que ainda está tentando saber os motivos da prisão do sócio da Rodrimar para depois se manifestar.

A Equipe Toscano Sociedade de Advogados, que defende ex-ministro Wagner Rossi, afirmou em nota:

“Wagner Rossi aposentou-se há sete anos. Desde então, nunca mais atuou profissionalmente na vida pública ou privada. Também nunca mais participou de campanhas eleitorais ou teve relacionamentos políticos. Mora em Ribeirão Preto onde pode ser facilmente encontrado para qualquer tipo de esclarecimento. Nunca foi chamado a depor no caso mencionado. Portanto, são abusivas as medidas tomadas. Apesar disso, Wagner Rossi está seguro de que provará sua inocência.”

mar
30
Posted on 30-03-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-03-2018


 

Sid, no portal de humor gráfico

 

DO BLOG O ANTAGONISTA

Os lulistas correm atrás

Em reunião nesta semana com autoridades da Segurança Pública do Distrito Federal, a deputada petista Érika Kokay deixou claro o desespero dos lulistas com a expectativa de milhares de brasileiros de bem ocuparem as ruas da capital federal para pedir a prisão de condenado.

De maneira improvisada, apurou O Antagonista, a parlamentar disse que o PT também organizará uma “vigília” na frente do STF, no dia 3, em defesa do ex-presidente. Já no dia 4, segundo ela, militantes do entorno de Brasília desembarcarão na capital de ônibus. A deputada, inclusive, chegou a dizer que teme “emboscadas” durante a provável caravana da claque.

É possível que — para evitar confrontos com os petistas e ter o direito de usar carro de som e inflar bonecos — os movimentos cívicos topem manifestar-se pela prisão de Lula, a partir das 18h30 do dia 3, na frente do Congresso, e não do STF.

DO EL PAIS
PF prende José Yunes, ex-assessor de Temer
O advogado José Yunes e o presidente Michel Temer, em uma imagem de arquivo. Z. Fraissat Folhapress
Brasília

Dois homens do círculo mais próximo do presidente Michel Temer, o ex-assessor especial da Presidência José Yunes e o ex-coronel da Polícia Militar de São Paulo João Batista Lima, foram presos na manhã desta quinta-feira, 29 de março, em operação deflagrada pela Polícia Federal. O coronel Lima apareceu nas tramas de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato, acusado de ser um intermediário do presidente. Já o advogado José Yunes pediu demissão do cargo de assessor especial da Presidência em 2016 ao ser citado na delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho. Segundo o delator, parte dos 10 milhões de reais repassados em 2014 ao MDB teriam sido pagos no escritório de Yunes – fato que ele nega.

Advogado de Yunes, José Luis Oliveira Lima considerou a prisão de seu cliente ilegal e disse ser uma violência contra a cidadania. “É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimidado ou mesmo espontaneamente compareceu a todos os atos para colaborar”, disse Lima em nota.

Também foram presos nesta quinta-feira o empresário Antonio Celso Grecco, dono da empresa Rodrimar, que opera no porto de Santos; o ex-ministro da Agricultura e ex-deputado federal Wagner Rossi (MDB).

As prisões, confirmadas ao EL PAÍS pela Procuradoria-Geral da República (PGR), são parte da Operação Skala, deflagrada em São Paulo e no Rio de Janeiro e autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Polícia Federal informou que não vai se manifestar “a respeito das diligências realizadas na presente data” por determinação do Supremo.

Colaborou Érica Saboya, de São Paulo.

Resultado de imagem para Bahia campeão da primeira Taça Brasil no Maracanã

ARTIGO

Bahia, Bahia, Bahia:Viva!!!

Gilson Nogueira

 

Hoje, 29 de março de 2018, o Esporte Clube Bahia completa 58 anos de sua maior proeza no futebol, desde que o esporte das multidões passou a ser considerado a cara do Brasil, após a conquista, em 1958, da sua primeira Copa do Mundo, com Pelé, Didi, Nilton Santos, Garrincha, Gérson e outras feras que jamais serão igualadas, em campo, envergando o uniforme verde, azul, branco e amarelo da Seleção. Mesmo carregando nos ombros a zebra dos 7 a 1, tomados da Alemanha, o Brasil, com a bola nos pés, assusta qualquer adversário.

Em junho, na Rússia, eles, os gringos e os não gringos, tremerão de medo e de frio. Mas, o que minha alma quer, agora, no instante em que a cabeça explode feito  bomba arrasa quarteirão, no quintal de minhas mais gratificantes lembranças, ao recordar instantes em que, ao lado de meus pais e meus irmãos, na voz de Jorge Curi, lenda da locução esportiva no país, no Século XX, ouvimos, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em ondas curtas, a empáfia sulista da bola cair aos pés dos heróis do Esquadrão de Aço, quando o irmão do cantor Ivon Cury cantou, com aquela voz inimitável,” O Bahia é o primeiro campeão da Taça Brasil!!!” ??? O grito de Glória,  para o baianos, que Acordou Deus no Vestiário do Universo, ecoa feito gol além das placas, interminável.

Aos 14 anos, sem nunca ter entrado no maior estádio do mundo, o Maracanã, na época, senti, naquele lendário 3 a 1 que os comandados de Geninho haviam aplicado no Santos Futebol Clube do meu querido primo Cássio, que meu coração, além de vermelho sangue, era, também azul e branco. E fiquei, na sala, ajoelhado, enquanto meu pai abria uma cerveja preta, ao pé do rádio, e elogiava a histórica performance dos meninos, imaginando aqueles jogadores vestidos de cowboy atirando acarajés e abarás para a torcida paulista que havia lotado o Maraca, com um recadinho no copinho de pimenta: Hei, rapaziada, de agora em diante, quando vocês falarem sobre os melhores jogadores do país, lembrem-se que, além de Caymmi e João Gilberto, sem citar outros gênios, Salvador, capital da Bahia, tem Biriba, Marito, Nadinho, Florisvaldo e Companhia.

O Bahia orgulha o Brasil!  Seria bom que os atuais atletas do técnico Guto Ferreira conhecessem, ao lado dele, a história do clube que defendem. E que  parassem  de dançar. A torcida os quer jogando bola. E bem. Em tempo, perguntei ao mestre do jornalismo esportivo, Antonio Matos, se o Bahia completa 58 ou 59 , hoje, da mais que célebre conquista da Primeira Taça Brasil, considerada o Primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol, pela CBF, e ele, com a classe de sempre, respondeu-me:” Cinquenta e oito, porque a I Taça Brasil, disputada em 1959, somente se encerrou em 29 de março de 1960, no Maracanã, em razão de o Santos ter excursionado para a América do Sul, em dezembro de 59.” Viva!!!

Gilson Nogueira, jornalista, é colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

Perfeita combinação da música brasileira: samba, Cartola e Elza. Sempre!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Informe JB

Informe JB

Jan Theophilo

Reinações de Picciani

Do Jornal do Brasil

Durante encerramento de sua caravana pela região Sul do país, em Curitiba, na noite desta quarta-feira, 28, Lula teceu, em discurso acalorado, comentários sobre os últimos acontecimentos que acometeram a comitiva. Além de ter condenado os atos de violência, o ex-presidente criticou de maneira veemente a imprensa, a qual chamou de “conivente”.

“A imprensa foi conivente com isso [a violência contra a caravana] o tempo todo”, disse. “Essa imprensa brasileira tem complexo de vira-latas, só mudou de opinião quando os estrangeiros criticaram os ataques”, bradou.

Apesar de ter generalizado, o ex-presidente direcionou de maneira mais pungente ataques às Organizações Globo. “O estimulador desse ódio no brasil chama-se Rede Globo de Televisão. E não é de hoje”, bramiu Lula.

Já para Dilma Rousseff, que também discursou no ato, o responsável pelos atos de violência contra a caravana, que escalonaram conforme os dias foram passando, é o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). “Escutamos o grande líder deles dizendo que seria capaz de matar. O que faz alguém que quer ser presidente dizer isso?”, questionou Dilma. “É uma pessoa que defende a tortura. Essas pessoas têm uma política que não gosta do diálogo, do debate, da democracia. Elas gostam da raiva, do ódio”, completou a ex-presidente.

Lula direcionou suas críticas à imprensa, a qual considera "conivente" com a violência contra a comitiva
Lula direcionou suas críticas à imprensa, a qual considera “conivente” com a violência contra a comitiva

Lula, contudo, preferiu não citar o nome de Bolsonaro em seu discurso. “Quem está na na disputa é uma extrema direita representada por um cidadão que me recuso a falar o nome”, frisou. O ex-presidente também aproveitou para provocar os demais concorrentes às eleições presidenciais. Disse que eles não têm candidatos. “Já tentaram lançar até o ‘homem do Caldeirão’ [Luciano Huck]. A Miriam Leitão seria ministra da Economia. O [William] Bonner seria o porta-voz”, comentou. “Para mentir ele é maravilhoso”, completou o ex-chefe de Estado.

Além de todas os disparos direcionados aos veículos de imprensa e ao adversário Jair Bolsonaro, lideranças do PT desmentiram a Polícia Civil do Paraná. Indo contra o dito pela corporação, a sigla garantiu que Lula estava em um dos três ônibus que seguiam na estrada entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul. Dois dos coletivos foram alvejados por três tiros.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, em relatório, todo o percurso da comitiva foi acompanhado de perto e nada de anormal foi constatado. Também não foram ouvidos barulhos de armas de fogo. Contudo, no documento, não foram relatados os ganchos de metal pontiagudos colocados na estrada por onde os coletivos passaram. Um deles, inclusive, teve o pneu furado.

Presidenciáveis também apoiam Lula em ato

Os presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB) também estiveram no palanque ao lado do ex-presidente Lula. Defenderam a unidade da esquerda no país e, mais uma vez, condenaram os atos violentos contra a caravana do petista. “Nós precisamos nos unir. Nossas ideias são à prova das balas que eles atiram”, comentou a candidata do Partido Comunista do Brasil.

Boulos, tal qual Dilma, atribui à Bolsonaro a responsabilidade pelos tiros que atingiram a caravana de Lula. “Temos que responsabilizar o senhor Jair Bolsonaro por isso. Um bandido, um sem-vergonha. Tem semeado essa onda fascista no país. Temos que cobrar isso dele”, pediu o presidenciável do Partido Socialismo e Liberdade.

“Todos sabem que na esquerda nós temos diferenças de posição e pontos de vista. Importante que seja assim. Agora, essas diferenças não vão nos impedir de sentar à mesa para defender a democracia nesse país e enfrentar o fascismo”, enfatizou Boulos. “Com fascismo não se brinca. Fascismo se combate com muita unidade”, finalizou.

A senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também adotou a mesma linha discursiva. “A esquerda tem que estar unida para combater o fascismo, a violência nesse país. [Boulos e Manuela] estão do nosso lado pela democracia e pelo direito de Lula ser candidato”, afirmou.

Edson Fachin e ex-presidente Lula
O ministro Edson Fachin (à esq.) e o ex-presidente Lula.
São Paulo

Faz só duas semanas que o Brasil parou estarrecido diante do assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, com quatro tiros que estouraram a sua cabeça. Agora, a execução da política do PSOL e do motorista Anderson Gomes parecem ser apenas mais um episódio dentro da escalada de violência e intimidações em que o país mergulhou nas últimas semanas. Nesta terça, três disparos de arma de fogo atingiram dois dos três ônibus da caravana do ex-presidente Lula pelos Estados do sul do Brasil, entre os municípios de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no Paraná. As balas danificaram a lataria dos ônibus mas não atingiram ninguém. O ex-presidente não estava em nenhum dos ônibus atingidos.

Poucas horas antes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da operação Lava Jato, Edson Fachin, disse em entrevista à Globo News, que ele e sua família estão sofrendo ameaças, embora não tenha especificado o teor das intimidações. As ameaças ocorreram há três semanas e, desde então, a segurança de Fachin começou a ser reforçada. “Nos dias atuais uma das preocupações que tenho não é só com julgamentos, mas também com segurança de membros de minha família”, disse o ministro ao jornalista Roberto D’Ávila.

A caravana de Lula, por sua vez, já vinha experimentando um clima de hostilidade, com o bloqueio de acesso a algumas áreas, barricadas, ovos e até pedras arremessados contra Lula e sua militância. Nesta segunda-feira, a equipe do ex-presidente foi flagrada em uma cena censurável: um segurança de Lula agrediu o jornalista Sergio Roxo, do jornal O Globo quando ele filmava com o celular cenas de protestos contra a caravana.

Mas os tiros inesperados aumentaram o fogo do caldeirão em que o país se meteu neste ano eleitoral, ainda imerso na polarização política. Desde que o ex-presidente, que lidera as pesquisas de intenção de voto, foi condenado a 12 anos e um mês de prisão no Tribunal Regional Federal da Região 4 em (TRF-4), em janeiro por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, o partido decidiu mantê-lo como pré-candidato. O gesto tem sido visto como uma afronta pelos antipetistas que fazem questão de hostilizá-lo publicamente. As cenas filmadas da chuva de ovos atirada contra a caravana mostram bem essa realidade.

O Supremo, por outro lado, vive os reflexos da polarização mais radical com o julgamento do habeas corpus de Lula, marcado para o dia 4 próximo. Se a Corte acatar o pedido da defesa do petista, poderia livrá-lo da prisão no caso do triplex do Guarujá. A pressão aumentou, seja por ameaças veladas como as relatadas por Fachin, mas também em comentários públicos, como o tuíte do general Paulo Chagas, que faz um alerta ao STF. “Cumpro o dever cívico e cristão de alertá-los para o risco de brincar com a passividade do povo e com a paciência de quem, em silêncio, apenas observa e avalia, porque, quando o futuro e a segurança da Nação estão em jogo, tanto quanto o silêncio do lobo, a passividade pode, num repente, dar lugar à cólera das multidões”, afirmou. Também o grupo Movimento Brasil Livre tem feito convocatórias para protestos no dia 3, sob o lema “Ou você vai, ou ele [Lula] volta”.

Reações sob clima belicoso e eleitoral

Na noite de terça, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, foi o primeiro do staff do Governo Temer a repudiar os tiros à caravana petista. “Isso é absolutamente antidemocrático”, disse em uma entrevista coletiva em Brasília afirmando que não se pode “admitir confrontos”. Nesta quarta, foi a vez do próprio presidente Michel Temer se manifestar pelas redes sociais. “Lamento o que aconteceu com a caravana do ex-presidente Lula. Desde quando assumi o governo, venho dizendo que nós precisamos reunificar os brasileiros. Precisamos pacificar o País. Essa onda de violência, esse clima de ‘uns contra outros’ não pode continuar”, escreveu ele, mencionando o jargão adotado por Lula do “nós contra eles”, que inflama ainda mais a divisão do país.

Foto de um dos buracos deixados pelos tiros em um dos ônibus.
Foto de um dos buracos deixados pelos tiros em um dos ônibus.
 O clima belicoso – e eleitoral – também abriu espaço para declarações infelizes, como a do governador e pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB) que afirmou na noite de terça que com os tiros à caravana “o PT colhe o que plantaram”. A frase foi lida como a legitimação da violência que poderia ter matado integrantes da comitiva além dos jornalistas que acompanham a carreata, e que estavam no ônibus atingido pelos disparos. O prefeito de São Paulo e pré-candidato ao governo paulista,João Doria (PSDB), seguiu na mesma linha ao afirmar que “o PT sempre utilizou de violência, agora sofreu da própria violência”.

O mal-estar com a frase dos dois tucanos foi a deixa para que outros políticos moldassem os discursos desta quarta. De Henrique Meirelles, ministro da Fazenda e potencial pré-candidato, ao próprio Alckmin e Ciro Gomes (PDT), se manifestaram pelas redes sociais repudiando os tiros. “Toda forma de violência tem que ser condenada. É papel das autoridades apurar e punir os tiros contra a caravana do PT. E é papel de homens públicos pregar a paz e a união entre os brasileiros. O país está cansado de divisão e da convocação ao conflito”, escreveu Alckmin no twitter. Marina Silva, da Rede, Guilherme Boulous, do PSOL, já haviam se posicionado apontando a gravidade dos disparos na própria terça. O silêncio de Jair Bolsonaro também foi notado diante da gravidade dos fatos.

“Bang bang”

A caravana do ex-presidente Lula começou a percorrer o país em agosto do ano passado, a partir da região Nordeste. Depois disso, o pré-candidato e sua militância passaram por Minas Gerais, Rio de Janeiro e agora percorrem a região Sul. Três ônibus formam o comboio pelas estradas. Olhando de fora, não é possível saber em qual deles Lula está.

Os Estados do sul, onde o ex-presidente têm o menor percentual de intenções de voto – cerca de 20%, de acordo com a última pesquisa Datafolha, contra 37% no âmbito nacional –, foi a que mais registrou cenas de tensão e hostilidade contra a caravana.

No momento em que os ônibus foram alvejados, não havia nenhuma manifestação ocorrendo. Antes dos disparos, um dos ônibus passou por cima de alguns miguelitos, espécie de estrelas de prego. Os pneus foram furados, o que fez com que a velocidade fosse reduzida, e então os disparos aconteceram. A sequência dos fatos reforça a tese da militância de que a caravana foi alvo de uma emboscada. “Podemos dizer isso claramente”, disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que acompanhava a viagem. A jornalista Eleonora de Lucena, que estava num dos ônibus alvejados, classificou o episódio como um “atentado”. “A escalada fascista subiu mais um degrau. Grupos ultradireitistas não enxergam limites”, escreveu ela na Folha de S. Paulo.

Na busca pelos autores dos disparos, o PT e a Secretaria de Segurança Pública do Paraná atribuem a responsabilidade um ao outro. Gleisi Hoffmann disse que mandaram “as informações [sobre a caravana] ao governo do Estado do Paraná e falamos com o comando da Polícia Militar”. Mas a secretaria de Segurança informou que “não houve pedido formal de escolta da caravana do ex-presidente e no o próprio ex-presidente, embora ele tenha esta prerrogativa”. Diz ainda que houve “alteração, por parte dos organizadores da caravana, do roteiro e do cronograma que foram informados previamente às forças de segurança do Estado”.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná informou, por meio de nota, que será feita uma perícia no ônibus e “se constatado um disparo de arma de fogo, será aberto um inquérito policial para apurar os fatos”. Mas o delegado de Laranjeiras do Sul, onde ocorreu o incidente, afirmou ao jornal O Globo que vai tratar o caso como “tentativa de homicídio”. Ele acredita que ao menos duas pessoas participaram da ação, já que há tiros dos dois lados de um mesmo ônibus.

Hoffmann também diz que enviou ao ministro Raul Jungmann um ofício da caravana pedindo apoio e segurança. A informação não foi confirmada e nem desmentida pela assessoria de imprensa do ministério até o fechamento desta reportagem. “O fato é que não temos proteção”, afirmou a senadora. “Vamos deixar se transformar nisso a política? Vai virar um bang bang? Nós poderíamos ter uma pessoa morta ou mais aqui”.

O encerramento da caravana será nesta quarta-feira em Curitiba, sede da Justiça Federal do Paraná, espécie de quartel-general da primeira instância da Operação Lava Jato. Por coincidência, o deputado pré-candidato Jair Bolsonaro também terá compromisso na capital paranaense na mesma data. Outros pré-candidatos da esquerda à presidência, Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB) confirmaram que estarão com Lula no ato final em apoio ao petista depois do ocorrido. A Polícia Militar afirma que reforçou o policiamento em todos os locais indicados pelos representantes da caravana.

Colaborou Afonso Benites, de Brasília.

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