Do Jornal do Brasil

Durante encerramento de sua caravana pela região Sul do país, em Curitiba, na noite desta quarta-feira, 28, Lula teceu, em discurso acalorado, comentários sobre os últimos acontecimentos que acometeram a comitiva. Além de ter condenado os atos de violência, o ex-presidente criticou de maneira veemente a imprensa, a qual chamou de “conivente”.

“A imprensa foi conivente com isso [a violência contra a caravana] o tempo todo”, disse. “Essa imprensa brasileira tem complexo de vira-latas, só mudou de opinião quando os estrangeiros criticaram os ataques”, bradou.

Apesar de ter generalizado, o ex-presidente direcionou de maneira mais pungente ataques às Organizações Globo. “O estimulador desse ódio no brasil chama-se Rede Globo de Televisão. E não é de hoje”, bramiu Lula.

Já para Dilma Rousseff, que também discursou no ato, o responsável pelos atos de violência contra a caravana, que escalonaram conforme os dias foram passando, é o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). “Escutamos o grande líder deles dizendo que seria capaz de matar. O que faz alguém que quer ser presidente dizer isso?”, questionou Dilma. “É uma pessoa que defende a tortura. Essas pessoas têm uma política que não gosta do diálogo, do debate, da democracia. Elas gostam da raiva, do ódio”, completou a ex-presidente.

Lula direcionou suas críticas à imprensa, a qual considera "conivente" com a violência contra a comitiva
Lula direcionou suas críticas à imprensa, a qual considera “conivente” com a violência contra a comitiva

Lula, contudo, preferiu não citar o nome de Bolsonaro em seu discurso. “Quem está na na disputa é uma extrema direita representada por um cidadão que me recuso a falar o nome”, frisou. O ex-presidente também aproveitou para provocar os demais concorrentes às eleições presidenciais. Disse que eles não têm candidatos. “Já tentaram lançar até o ‘homem do Caldeirão’ [Luciano Huck]. A Miriam Leitão seria ministra da Economia. O [William] Bonner seria o porta-voz”, comentou. “Para mentir ele é maravilhoso”, completou o ex-chefe de Estado.

Além de todas os disparos direcionados aos veículos de imprensa e ao adversário Jair Bolsonaro, lideranças do PT desmentiram a Polícia Civil do Paraná. Indo contra o dito pela corporação, a sigla garantiu que Lula estava em um dos três ônibus que seguiam na estrada entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul. Dois dos coletivos foram alvejados por três tiros.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, em relatório, todo o percurso da comitiva foi acompanhado de perto e nada de anormal foi constatado. Também não foram ouvidos barulhos de armas de fogo. Contudo, no documento, não foram relatados os ganchos de metal pontiagudos colocados na estrada por onde os coletivos passaram. Um deles, inclusive, teve o pneu furado.

Presidenciáveis também apoiam Lula em ato

Os presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB) também estiveram no palanque ao lado do ex-presidente Lula. Defenderam a unidade da esquerda no país e, mais uma vez, condenaram os atos violentos contra a caravana do petista. “Nós precisamos nos unir. Nossas ideias são à prova das balas que eles atiram”, comentou a candidata do Partido Comunista do Brasil.

Boulos, tal qual Dilma, atribui à Bolsonaro a responsabilidade pelos tiros que atingiram a caravana de Lula. “Temos que responsabilizar o senhor Jair Bolsonaro por isso. Um bandido, um sem-vergonha. Tem semeado essa onda fascista no país. Temos que cobrar isso dele”, pediu o presidenciável do Partido Socialismo e Liberdade.

“Todos sabem que na esquerda nós temos diferenças de posição e pontos de vista. Importante que seja assim. Agora, essas diferenças não vão nos impedir de sentar à mesa para defender a democracia nesse país e enfrentar o fascismo”, enfatizou Boulos. “Com fascismo não se brinca. Fascismo se combate com muita unidade”, finalizou.

A senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também adotou a mesma linha discursiva. “A esquerda tem que estar unida para combater o fascismo, a violência nesse país. [Boulos e Manuela] estão do nosso lado pela democracia e pelo direito de Lula ser candidato”, afirmou.

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Comentários

rosane santana on 29 Março, 2018 at 8:17 #

É como diz Manuel Castells (2012) em “El poder en la era de las redes sociales”. Antes, os militantes eram os jornalistas. Na era da democracia da audiência, centrada na figura do político comunicador (Bernard Mani, 1995;2013) são os próprios meios de comunicação os militantes e estão imbuídos da missão de destruir reputações.


rosane santana on 29 Março, 2018 at 8:18 #

Correção: Bernard Manin.


rosane santana on 29 Março, 2018 at 8:21 #

A que interesses representam? Eis o X da questão.


Daniel on 29 Março, 2018 at 14:46 #

Lula: o sujeito que destila ódio, nutre desavenças, cinde a sociedade e, quando convêm à narrativa, acusa adversários de fazer justamente o que ele faz.

Retrato do lulopetismo!


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