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Da jornalista Olívia Soares, em seu espaço no Facebook, sobre o artigo do urbanista e pesquisador Paulo Ormindo de Azevedo, publicado em A Tarde, sobre o abandono e a destruição de trabalhos preciosos e nacionalmente reconhecidos do artista plástico Juarez Paraíso, em Salvador, que Bahia em Pauta reproduz:

“Ainda bem que temos um Paulo Ormindo de Azevedo velando por nossa cultura, por nossa memória. Seu artigo publicado hoje em A Tarde é obrigatório.
‘… Numa sociedade que cada vez valoriza menos a cultura, a obra de Juarez vem sendo destruída sistematicamente, como ocorreu com suas calçadas, ou abandonadas, como o mural da Secretaria de Agricultura e os totens do Parque de Exposições e do Abaeté, ou resistem às ervas e liquens no Museu Geológico. Igrejas pentecostais destruíram, criminosamente, seus murais nos cinemas Tupy I e II, no Aquidabã; Bahia, na Carlos Gomes; e Art I e II, no Politeama.”.

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A ARTE URBANA DE JUAREZ

Paulo Ormindo de Azevedo

Ingressei na UFBA pela Escola de Belas Artes, no Tijolo, e saí pela Faculdade de Arquitetura, na Vitória. Essa convivência de arquitetos e artistas plásticos foi muito rica. Muitos colegas se transformaram em pintores diletantes, como Mendez y Mendez, Amélio Amorim, Quico, Rubico e Gilberbert Chaves. Mas poucos pintores se interessaram pela arquitetura.

Um caso especial é o de Juarez Paraiso, o mais importante artista plástico, fotógrafo, professor e produtor cultural de sua geração. Além de recriar igrejas barrocas em telas e gravuras, Juarez se transformou no artista com mais obras integradas à arquitetura e aos espaços urbanos. Paraiso fez imensos murais em relevo a céu aberto, calçadas em pedra portuguesa e esculturas em espaços públicos. Fez também decorações de carnaval nas ruas da cidade, quando a prefeitura patrocinava a arte urbana. Caribé e Mário Cravo também fizeram murais, mas no interior de edificações.

Dentre seus murais urbanos destaco o da Secretaria da Agricultura, no CAB, com 180 m², o tridimensional do Parque Pituaçu, o do Museu Geológico, na Vitoria, confeccionado com rochas coloridas do estado, o do Ed. Monsenhor Marques, na praça da Vitória, o da escadaria de articulação do Campo Grande com a Av. de Contorno, o do hospital de Irmã Dulce e o do Núcleo de Arte Contemporânea, de João Pessoa. Nessas obras ele enfatiza a função educativa da arte, como Anísio Teixeira, e denuncia, como Rivera, Siqueiros e Orozco, as injustiças sociais. Esculturas suas ornam espaços públicos como a Sereia de Interlagos, os totens do Parque de Exposições e do Abaeté e o bronze de Vinicius de Morais na tarde de Itapoã, realizado com Márcia Magno.

Um dos pontos altos da arte urbana luso-brasileira são as calçadas de mosaico português. Belém e o Rio ostentam belas calçadas de Burle Marx. Salvador também já teve as suas, de Paraiso, na praça da Sé e em ruas do centro e da Barra. Numa sociedade que cada vez valoriza menos a cultura, a obra de Juarez vem sendo destruída sistematicamente, como ocorreu com suas calçadas, ou abandonadas, como o mural da Secretaria de Agricultura e os totens do Parque de Exposições e do Abaeté, ou resistem às ervas e liquens no Museu Geológico. Igrejas pentecostais destruíram, criminosamente, seus murais nos cinemas Tupy I e II, no Aquidabã; Bahia, na Carlos Gomes; e Art I e II, no Politeama.

Uma exceção é a atitude de um empresário sensível, e por isso tido como excêntrico, de conservar o jardim do Paraiso, com diáfanas libélulas, borboletas, pássaros, e flores que levitam sobre belos mosaicos portugueses para alivio dos enfermos do Hospital Aliança. A arte de Juarez é pública e não pode ser reduzida à memória em fotos e em livros na estante. Por que não se fazem mais murais e concursos para decoração da cidade?

SSA: A Tarde, 25/03/

*Painéis de Juarez Paraíso, no Cine Tupy, na Baixa dos Sapateiros – do Blog de Dimitri Ganzelevitch.

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