Resultado de imagem para Temer na abertura do Fórum Mundial da Água em Brasília
Temer no Fórum Mundial da Água: comício no Itamaraty…
Resultado de imagem para Pleno do Supremo dá salvo conduto a Lula
…e a quinta-feira no STF:sessão inglória.

 

ARTIGO DA SEMANA

Comício de Temer no Fórum e a jabuticaba da Páscoa de Lula

Vitor Hugo Soares

É de doer: acordar na segunda-feira (19), deste ensandecido fim de março, quase abril, na Quaresma de 2018, e, logo cedo, dar de cara com a imagem do mandatário, Michel Temer, em evento transmitido pela TV: noventa e quatro horas antes do Dia Mundial da Água, na quinta-feira, 22, e a três dias do “colapso do disjuntor” na área da usina de Belo Monte (PA), apontado até aqui, por vozes oficiais, como principal responsável pelo desastre que redundou no caótico apagão que atingiu mais de 80 milhões de pessoas no Norte e Nordeste do país. E gerou uma tarde e noite de cão em Salvador.

Aguarda-se o balanço completo dos prejuízos materiais, humanos, econômicos e psicológicos deste desastre que coloca a população, de novo, diante de um dos seus maiores temores de outros tempos, nem tão distantes: a insegurança nas redes de distribuição de energia elétrica e os transtornos da falta de luz. Mera incompetência de gestão, como muitos afirmam, ou, como outros tantos suspeitam, jogo de setores poderosos e corporações atuando em favor das privatizações no sistema Eletrobras? Incluindo a CHESF?, a hidrelétrica que vi Café ilho inaugurar, na Paulo Afonso da minha infância

Na segunda-feira, 19, o desacreditado ocupante do Palácio Jaburu, faz o discurso de abertura do 8º Fórum Mundial das Águas, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, no mega encontro internacional realizado pela primeira vez no País. Mais indigesto ainda para alguém de beira de rio, das margens do São Francisco, como este jornalista que passou os melhores anos da juventude diante das águas fartas, limpas e doces – das nascentes à foz  – entre cidades da Bahia e Pernambuco. Sempre em casa perto do leito pródigo e acolhedor do rio que hoje vejo exangue – quase morto em alguns de seus trechos – na luta praticamente perdida, a exemplo da salinização das águas que abastecem algumas cidades alagoanas, mas próximas da foz, como denunciou em reportagem recente o El País.  

Temer, na TV, abre o principal encontro para discutir os recursos hídricos no planeta. No discurso, repete a cantilena de desastroso equívoco antigo, acentuado a partir do segundo mandato Lula, com a retomada do chamado projeto de transposição das águas do São Francisco: o malandro, perverso e demagógico uso político e eleitoral que se faz do rio da minha aldeia, a cada vez que ocorre uma nova eleição geral no Brasil. No palanque do Itamaraty, o maioral da vez dedica-se ao que parece ser sua principal ocupação ultimamente: discursar. Ainda mais nestes dias penitenciais em que, picado (ou açulado?) por alguma mosca vadia, o mandatário sinaliza o propósito de ser candidata à reeleição.

No encontro, com previsão dos organizadores de reunir cerca de 40 mil participantes, até o final, nesta sexta-feira, o chefe do governo do PMDB garante que a segurança hídrica está no “cerne” de sua gestão, e envereda pela exploração política do Velho Chico outra vez, assim como fizeram seus antecessores do PT. Anuncia que a conclusão da transposição – sem dizer quando e com quais recursos  – deve beneficiar 12 milhões de pessoas, quando ficar pronta. “Trata-se de projeto antigo, que agora estamos finalizando”, assegura o maioral , no palanque privilegiado do Fórum Mundial da Água. Cético ribeirinho que sou, e cansado da mesma cantiga, desligo a TV.

Pior e mais desalentador, esta semana, só o desfecho, beirando o farsesco, com gosto de suco de jabuticaba, da deprimente sessão que apequenou a dimensão histórica e jurídica do Pleno do STF, quinta-feira. Como registrou o El País, com arte e humor na narrativa: “Um ministro (Marco Aurélio Mello) preocupado em não perder o vôo (chek in previamente feito), um longo feriado de Páscoa pela frente, no STF ninguém trabalha dia nenhum da semana que vem. Os dois fatores se combinaram para produzir o inesperado na sessão que começou a julgar um habeas corpus, pedido pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, para evitar que ele seja preso antes de se esgotar todos os recursos cabíveis à sua condenação pela Lava Jato… A determinação foi “congelar” a situação do petista, que ganhou salvo conduto e não poderá ser preso até a retomada do caso pelo Supremo, em 4 de abril”. Nada a acrescentar.

À frente de malfadada caravana política pelo Rio Grande do Sul – de postulante a candidato a voltar à presidência nas eleições deste ano-, pergunta-se: que presente de Páscoa melhor poderia receber um condenado em segunda instância, a 12 anos e um mês de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo TFR 4 , e cujos recursos naquela corte superior de Justiça, em Porto Alegre, devem se esgotar nesta segunda-feira da Quaresma? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra

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Comentários

Daniel on 24 Março, 2018 at 17:02 #

Taí a primeira consequência do escárnio inconsequente do STF:

https://www.oantagonista.com/brasil/geddel-pede-para-ser-solto-com-base-no-principio-lula/


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