Imenso Rivero, que  classe e sentimento ao cantar um tango! Bateu saudades do “El Viejo Almacén”. Que noites em Buenos Aires. Que tangos! Que intérpretes!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

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ARTIGO/OPINIÃO

                        O diabo usa celular

                                       Gilson Nogueira

Dispositivos móveis. Quem diria que esses aparelhos, que mais parecem a extensão do cérebro, fariam Marshall MacLuhan,guru de alguns alunos e alunas  que cursaram jornalismo, na Ufba, de 1968 a 1971, inaugurando o curso em quatro anos e a era da pirâmide invertida, em Salvador, fosse, agora, acima de nossas cabeças, admitir que a Internet é a extensão do diabo. Pelo menos, é o que suponho ao ler notícias de gente utilizando aparelhinhos e aparelhões que parecem fazer parte do corpo humano para matar seu semelhante. Meu deus!

Seguramente, o autor de Os Meios De Comunicação Como Extensões Do Homem,  considerado um dos grandes pensadores Século XX, “que tem sido comparado, pelo alcance e pela profundeza de suas idéias, a Spengler e Toynbee”, como está na Internet, ficaria boquiaberto com as barbaridades do mundo tribalizado que previra  e que viria a ultrapassar as previsões mais sombrias dele e de seus leitores no capítulo do direito à vida. Pois é, com o advento dos celulares e seus derivados, deu a louca no planeta. Aliás, no Universo inteiro, que não é um só, são tantos, como assinalou o gênio Stephen Hawking, antes de sua morte, a física, recentemente.

Entendo como insignificante tecer comentários sobre a parcela da população mundial que não liga para os avanços da era das notícias falsas por não possuir condições educacionais e financeiras para abrir, por exemplo, um PC, em pleno deserto do Saara, ou na caatinga braba dos arredores de Serrinha, terra hospitaleira, aliás, onde  discos voadores surgem na calada da noite e ninguém os vê. No ano passado, segundo eu soube, um deles andou provocando ventania de assustar o capeta pelos lados da Bela Vista. Nossa Senhora Santana, guardiã da cidade, que marcou minha fase de calças curtas, protege sua gente pacata.

 E aí, como entender o paradoxo maior dos dias que correm, em que o avanço extraordinário das ferramentas de comunicação entre os humanos é  desviado  para fazer o mal? O mestre, certamente, deve ter esquecido que o diabo já usava computador. E que o bicho homem, paradoxalmente, parece ter regredido. Que pena!

Gilson Nogueira, jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

mar
21
Posted on 21-03-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-03-2018


 

 Renner , no jornal (RS)

 

  A ministra Cármen Lúcia, em sessão no STF.A ministra Cármen Lúcia, em sessão no STF. Rosinei Coutinho SCO/STF

A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, tornou-se uma refém de si mesma. Em duas crises que envolviam figurões da política nacional, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-RJ), ela fez parte da solução para pacificar a relação com os políticos – pautou rapidamente os julgamentos e ambos tiveram seus cargos protegidos. Agora, mais uma vez pressionada por partidos políticos, advogados e até pela maioria de seus colegas de Corte, ela está prestes a aceitar uma tentativa de que seja jogada uma boia de salvação para centenas de políticos investigados pela operação Lava Jato. E o primeiro a ser salvo seria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado a 12 anos e um mês de prisão, em segunda instância, pelos delitos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A razão do imbróglio: os ministros querem que Cármen coloque em julgamento duas ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs) em que o Partido Ecológico Nacional e a Ordem dos Advogados do Brasil pedem ao STF que o cumprimento de penas ocorra apenas quando as ações forem julgadas por todas as instâncias. Ela não quer levar ao plenário porque, há quase dois anos, o tema já havia sido debatido pelo plenário da Corte. Naquela ocasião, a decisão foi de que os condenados na segunda instância poderiam ser presos. O placar foi apertado, 6 votos a 5. Agora, ao menos um dos 11 ministros, Gilmar Mendes, já sinalizou que mudou o seu entendimento e pode virar o placar. Levando em conta as liminares que têm sido concedidas por diversos ministro que têm libertado condenados em segunda instância, a tendência é que a tese da OAB e do PEN vença. E, assim, seria criado o “bonde da Lava Jato”, conforme definiu ao EL PAÍS um jurista com trânsito no STF.

Ainda não há data para esse julgamento ocorrer, pode ser que haja uma inversão de pauta nesta quarta-feira e os ministros passem a analisar as duas ADCs. Diante da indefinição, a terça-feira foi de temperatura elevada entre os ministros da Corte. A presidenta havia dito em entrevista à Rádio Itatiaia que participaria de uma reunião informal entre os 11 magistrados para cada um se manifestar sobre o que deveria ser feito com relação a esse julgamento. Se os ministros achavam que ele deveria ser levado à pauta agora ou não. Antes, porém, ela deixou claro em diversas declarações públicas que não se deixaria levar pela pressão e que entendia que o assunto “estava pacificado”. A escolha da pauta do STF é uma prerrogativa de quem ocupa o cargo de presidente. Porém, o mandatário costuma ouvir seus pares. O encontro havia sido sugerido pelo decano, Celso de Mello. Mas nenhum ministro convidou o outro e a reunião não ocorreu.

O ministro-relator das duas ADCs (de números 43 e 44), Marco Aurélio Mello, deixou clara sua discordância da presidenta e cobrou o julgamento. “Pacificado como? Duas ações declaratórias em curso e a matéria está pacificada?”, declarou. Disse ainda que delimitar que as prisões devam ocorrer apenas após o trânsito em todas as instâncias não significa impunidade. “Punição é a ferro e fogo? É justiçamento? É a prevalência da Constituição. Vamos parar com esse patrulhamento.”

No caso da decisão sobre a prisão em segunda instância ser alterada, o primeiro eventual beneficiado seria Lula. Mas o “bonde da Lava Jato” não será pequeno. Só nesta operação há 150 inquéritos tramitando contra políticos no Supremo. E as investigações envolvem quase um terço do Congresso Nacional, além de seis ministros do presidente Michel Temer (MDB).

Um dos que já está de olho nessa alteração é o ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ). Seus advogados estavam no STF nesta semana buscando informações que poderiam tirá-lo da cadeia. Cunha foi condenado a 14 anos e seis meses pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. Ele é acusado de receber 1,5 milhão de dólares em propina. Há dois meses, ele teve um pedido de liberdade negado pelo STF sob o argumento de que já havia sido condenado em segunda instância, portanto deveria seguir preso.

Enquanto os ministros do Supremo não chegam a um consenso, manifestantes contrários e a favor de Lula promoveram protestos na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Alguns levantavam faixas com os dizeres “Lula é Inocente”. Outros pediam a prisão do petista e diziam para o STF parar de proteger “seus padrinhos”.

Para a desembargadora Marília de Castro Neves Vieira, da 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o líder negro Zumbi dos Palmares é um “mito inventado”, que serviria para “estimular um racismo que o Brasil até então não conhecia”. A magistrada, que ganhou os holofotes ao escrever no Facebook mentiras sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no dia 14, coleciona posts de cunho machista e homofóbicos na rede social. Sobre o fundador do quilombo dos Palmares, o maior do Brasil, Vieira afirma que “talvez o povo entenda que investir na educação não é (…) inventar mitos históricos como Zumbi para estimular um racismo que o Brasil até então não conhecia”.

Nesta terça-feira o PSOL entrou com outra representação contra ela – a primeira foi pela difamação de Marielle. Desta vez o partido acionou o Conselho Nacional de Justiça contra a desembargadora por, em outra postagem, ter sugerido, em dezembro de 2015, o fuzilamento do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), único parlamentar homossexual assumido do Congresso. O CNJ acatou o pedido e anunciou que está abrindo procedimento para averiguar os fatos relativos às postagens sobre a veradora Marielle.

Sobre o deputado Jean Willys, em uma postagem Vieira afirma que ela, “particularmente”, é “a favor de um “paredão” profilático para determinados entes… O Jean Willis (sic), por exemplo, embora não valha a bala que o mate e o pano que limpe a lambança, não escaparia do paredão”. Um seguidor comenta que o deputado “gostaria” de ser fuzilado se pudesse “ficar de costas”, ao que a desembargadora responde de forma homofóbica, dizendo ter dúvidas, uma vez que “o projétil é fininho”.

Em outra postagem a juíza dispara contra a Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais importantes já aprovada no país para o enfrentamento da violência contra a mulher. Estima-se que a Lei tenha evitado até 250.000 mortes. “Até onde se sabe, numericamente somos [as mulheres] maioria, o que não impede a politicamente correta Lei Maria da Penha de ser covardemente utilizada contra o homem nas relações conjugais – ou semelhante”, escreve Vieira.

Marília de Castro Neves Vieira também escreveu sobre assédio sexual e direitos das minorias. “Sinceramente, não aguento mais ler palavras de ordem do tipo: assédio sexual, direitos das minorias, inclusão social, social democracia…. Assédio sexual é o que??? Paquera no trabalho???? Francamente!!!! Será que não temos nada mais importante pelo que lutarmos???? Uma pia de louça para lavarmos???”, diz a postagem.

Em um grupo fechado do Facebook intitulado “Juízes”, Vieira debochou de pessoas com síndrome de Down. A desembargadora diz ter ouvido no rádio que “o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de down!!!”. Ela continua: “Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem (sic)???? Esperem um momento que fui ali me matar e já volto, tá?”.

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down divulgou nota de repúdio à desembargadora por seu “preconceito” com relação às pessoas com Down. “Não obstante essa árdua luta que visa mudar os paradigmas sociais e culturais mediante novos valores que reconhecem a dignidade humana, nos deparamos com comentários feitos por pessoa cujo exercício da nobre função de magistrada, desce ao mais baixo nível”, diz o texto.

 Fake news sobre Marielle

Durante o final de semana a desembargadora escreveu um post que viralizou na rede. Eram mentiras sobre a vereadora assassinada. Na mensagem, Vieira afirmou que Marielle “estava engajada com bandidos” e “não era apenas uma lutadora”. Ainda de acordo com ela, “a tal Marielle descumpriu ‘compromissos’ assumidos com seus apoiadores”, supostamente do Comando Vermelho , e por isso foi morta.

Após a polêmica envolvendo seu post com mentiras sobre Marielle a desembargadora divulgou nota, na qual afirmou que se precipitou ao divulgar informações que teria lido em uma postagem no Facebook. “A conduta mais ponderada seria a de esperar o término das investigações, para então, ainda na condição de cidadã, opinar ou não sobre o tema”, diz o texto. “Reitero minha confiança nas instituições policiais, esperando, como cidadã, que este bárbaro crime seja desvendado o mais rápido possível. Independentemente do que se conclua das investigações, a morte trágica de um ser humano é algo que se deve lamentar e seus algozes merecem o absoluto rigor da lei”.

Em nota, a CNJ explica que tanto o PSOL como a Associação de Juristas para a Democracia “entraram no CNJ com duas representações contra a magistrada. Em relação às postagens feitas pela desembargadora Marília Neves em redes sociais sobre a atuação de uma professora portadora da Síndrome de Down, o corregedor nacional [João Otávio de Noronha] determinou a abertura de Pedido de Providências e será concedido prazo para que a desembargadora se manifeste a respeito.”

mar
21
DO BLOG O ANTAGONISTA

E quando o ladrão de oferta é o próprio bispo?

 

O secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, que agora pede oração pelos religiosos que desviaram cerca de 2 milhões de reais de ofertas de fiéis, disse o seguinte em 2014, em uma série de reportagens publicada pelo Correio Braziliense sobre como a Igreja lida com os recursos que recebe:

“É importante que os fiéis recebam uma prestação de contas das doações que fazem. É essa relação transparente que vai criar confiança.”

Naquela mesma série, o então presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno, afirmou:

“É importante que cada paróquia tenha um conselho responsável pela administração dos bens. Cabe a esse grupo acompanhar a gestão, com foco sempre na evangelização. Os recursos são instrumento, não a finalidade. Qualquer problema nas finanças da paróquia deve ser comunicado ao pároco e, se for o caso, ao bispo. Há uma consciência cada vez maior de que é necessário ter transparência com os recursos da Igreja, mas, em qualquer campo administrativo, ninguém está isento de desvios. Asseguro que são casos raros e, quando identificados, o bispo toma medidas enérgicas para cortar o problema.”

E quando o ladrão de oferta é o próprio bispo?

O jornal norte-americano The Washington Post estampa nesta terça-feira (20), com destaque em edição impressa e também no website, reportagem sobre a vereadora assassinada do Psol, Marielle Franco, com imagens dela e dos protestos que se espalharam pelo país e pelo mundo denunciando o crime contra a parlamentar que era uma voz em defesa de minorias sociais. “Uma política negra foi morta a tiros no Rio. Agora é um símbolo global”, diz o título da reportagem.

“Antes de entrar no seu Chevrolet Agile às 21h04 na última quarta-feira, Marielle Franco tinha acabado de fazer o que fazia melhor”, inicia o periódico, fazendo referência aos fortes e combativos discursos da vereadora, que na ocasião tinham sido realizados na Roda de Conversa Mulheres Negras Movendo Estruturas!, na Casa das Pretas, no Centro do Rio de Janeiro, quando ela expressou sua preocupação com a falta de segurança na capital fluminense. 

 "Uma política negra foi morta a tiros no Rio. Agora é um símbolo global"
 “Uma política negra foi morta a tiros no Rio. Agora é um símbolo global”

“Em uma sociedade que há muito tem se visto como pós-racial, argumentou Franco, a matança não era apenas uma guerra contra os pobres. Era também uma guerra contra os negros”, frisa a reportagem assinada por Anthony Faiola e Marina Lopes. 

Trinta minutos após a reunião, dois veículos se aproximaram. “‘Eita’, ela disse, de acordo com o depoimento de uma assessora que estava em seu carro, enquanto os tiros estouraram. Então, nove balas da polícia a atingiram, incluindo quatro tiros na cabeça.”

Mas se o objetivo era silenciar a política negra em ascensão, “o assassino de Franco fez o contrario”, atesta norte-americano. Nos últimos dias, a maior nação da América Latina observa uma figura que era pouco conhecida fora do Rio ser “transformada em símbolo global da opressão racial”. 

Marielle em destaque também na capa principal do 'WP', na manhã desta terça-feira
Marielle em destaque também na capa principal do ‘WP’, na manhã desta terça-feira

 

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