O ex-sindicalista Jaques Wagner e a vista da varanda de seu apartamento em Salvador
Wagner na varanda de seu apartamento no Corredor da Vitória

ARTIGO DA SEMANA

O “galego” de Lula: PF na porta de Wagner fura balão do PT
Vitor Hugo Soares

Quando, no começo da semana, os agentes da Polícia Federal chegaram ao portão do cinematográfico edifício Victory Tower, no Corredor da Vitória, em Salvador, com mandado de busca e apreensão, para vasculhar o apartamento de seu mais notório morador, o ex-governador da Bahia e ex-ministro Jaques Wagner – atual secretário estadual de Desenvolvimento, do Governo Rui Costa –,  não foi difícil para o rodado profissional de redação perceber que estava face a face com duas forças inapeláveis do jornalismo e da política.  
A primeira, “Sua Excelência, o Fato”, na definição de Charles de Gaulle, que sabia dos signos do poder como poucos na história moderna. A segunda, o que o cineasta espanhol, Louis Buñuel, qualifica no capítulo de abertura do livro, “Meu Último Suspiro”, como o bem mais valioso do ser humano: a memória.

Ao notar os esquecimentos de sua mãe – às vezes ela não recordava do nome e nem do próprio filho – nas visitas à casa da família, em Saragoza. Foi então, revela Buñuel, que ele entendeu a relevância transcendente do lembrar para o ser humano. A ponto de concluir em seu livro: “Você é a sua memória. Sem memória você não é nada”.

Observo os movimentos nervosos e as reações diversas,  transmitidos pela televisão quase em tempo real, na frente do prédio onde mora o poderoso da política baiana e nacional. O “galego de Lula”, o primeiro nome da escala de preferência do PT, para o caso do maioral – ficha suja depois de condenado a 12 anos e um mês de prisão pelo TRF4, ficar impedido de disputar o retorno ao Palácio do Planalto.

No mínimo, o candidato petista a senador pela Bahia, figura considerada essencial no palanque da campanha que tentará reeleger seu afilhado, Rui Costa – provavelmente em disputa de encardir pelo Palácio de Ondina, com prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) -. Além de principal puxador de votos de seu partido, no Nordeste, na campanha presidencial, seja quem for o candidato.

Fato e memória caminham juntos, em geral entrelaçados como irmãos siameses. É fácil ver isso na batida da PF no Victoria Tower, – uma das mais belas e privilegiadas vistas da suntuosa Baia de Todos os Santos, desde a varanda de Wagner – na apuração de desvios e propinas na construção da Arena Fonte Nova . Explosivo episódio policial, de inevitáveis conseqüências judiciais, políticas e eleitorais ainda impossíveis de avaliar, neste ano de eleições gerais cheias de incógnitas.

Por enquanto temos as negaças de praxe (sem contestar o fato com a devida convicção e firmeza, alheias à questão de princípios e de o conteúdo da Operação Cartão Vermelho. Só divagações e esperneios de costume (a começar pelo ex-ministro) em torno de periféricas questões secundárias. Uma delas, a autenticidade e valor dos relógios apreendidos. E críticas à presença de profissionais de jornalismo da TV Bahia (afiliada da Rede Globo) na hora da chegada dos agentes da PF, no local das buscas e apreensões , essencial na divulgação de fato de inequívoco interesse público e jornalístico, doa em quem doer.
Além disso, este é um fato repleto de memórias. E vale esperar para ver o que elas dirão.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br 

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Comentários

Daniel on 3 Março, 2018 at 19:00 #

Dois detalhes inquestionáveis:

1. O valor do apartamento em questão excede (em muito) o capital adquirido pelo acusado em sua vida pública;

2. As emissoras de TV também chegaram em cima da hora no episódio Geddel. Sempre foi assim! E não se ouviu uma voz sequer de adeptos do petismo sobre isso!


vitor on 3 Março, 2018 at 22:22 #

Daniel
Isso mesmo, Daniel. Na mosca!!!


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