De repente, Egberto,para receber o por do sol da despedida de março de 2018!

BOA TARDE E BOA NOITE!!!

(Gilson Nogueira)

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Moro no Roda Viva: maior audiência dos últimos 18 anos.
Resultado de imagem para PF prende coronel Lima na operação Skala
…coronel Lima e José Yunes, amigos de Temer, presos
pela PF na operação Skala.

ARTIGO DA SEMANA

Moro no Roda Viva: jornalismo reluz na entrevista do Juiz

Vitor Hugo Soares

Depois de ver e ouvir, atentamente, a participação inédita do juiz Sérgio Moro no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, na noite de segunda-feira, 26, desliguei a TV e saí em busca de outras avaliações e repercussões, para o blog que edito na Bahia. Pessoalmente convencido de que o condutor da Lava Jato (para os sem foro privilegiado), e seus entrevistadores tinham acabado de produzir uma edição de primeira grandeza, para ficar na memória,particularmente do ponto de vista da comunicação social e de seus signos.

Um programa relevante, informativo e revelador, quanto ao conteúdo jornalístico geral, somado a preciosas projeções informativas das entrelinhas – em especial nas questões sobre o fim ou a continuidade da Lava Jato. Os fatos da semana, com as prisões de José Yunes e do coronel Lima , no bojo da operação Skala, da PF, serviram para dar maior relevo e significado à entrevista.

Em Salvador, na quinta-feira, teclava este artigo, enquanto seguia pela televisão a movimentação frenética em São Paulo e Rio de Janeiro, de agentes da PF cumprindo mandados, deste novo braço da nave-mãe de combate a corruptos e corruptores, pilotada pelo magistrado de Curitiba. A ação produzia nervosos reflexos também em Brasília e em Vitória do Espírito Santo, por onde Michel Temer, acompanhado do ministro da Fazenda, Henrique Meireles, fazia proselitismo pré-eleitoral, a propósito de inaugurar o novo aeroporto da capital dos capixabas.

Na hora, os federais já haviam cumprido determinações da procuradora – geral da República, Raquel Dodge, em meio a faniquitos, sustos e estremecimentos gerais.

Lembrei então de uma passagem emblemática do Roda Viva. O entrevistado relembra o começo da Lava Jato, e como foi “puxado o fio” da corrupção na Petrobras. “Tinha que colocar o número 6 bilhões de reais em um pôster e distribuir. É esse o tamanho do saque que foi feito na Petrobras”, disse Moro. Em seguida afirmou que a Lava Jato já andou, talvez, mais da dois terços do caminho, mas que há ainda outros “fios” importantes que precisam ser puxados . Quatro dias depois, a Skala puxa fios das negociatas no Porto de Santos.

Fatos, verdades, jornalismo. Eis, para mim, as razões básicas da entrevista desta semana na TV Cultura – que assinalou, também, a despedida do jornalista Augusto Nunes do comando do Roda Viva – ter-se tornado um marco na honrosa história do tradicional e melhor programa do gênero na nossa TV . Não descerei aqui – nem cabe – a minúcias de algo que segue ainda ardente na memória, nos debates e nas polêmicas do “contra e a favor” destes dias temerários. Só registro dados irrefutáveis: o Roda Viva que entrevistou o juiz da Lava Jato ficou acima de recordistas quatro pontos de média de audiência (contra picos de 1.5 pontos em dias normais, segundo números do Ibope) e foi o assunto mais comentado nos trendings topics mundiais do Twitter.

Um feito que abrilhanta o entrevistado e entrevistadores, além do condutor do programa e a TV Cultura. Mas fato que enaltece, acima de tudo, o bom, velho e verdadeiro jornalismo.

Viva! Boa Páscoa para todos.

 Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

 

Grande Morengueira, imbatível no samba de breque!. Este sobre Judas é ótimo para o sábado de malhação. Tem muito nome forte este ano por aí. Já escolheu o seu?

BOM SÁBADO!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

São Paulo
Michel Temer, em um ato na quinta-feira passada em Vitória do Espírito Santo
Michel Temer, em um ato na quinta-feira passada em Vitória do Espírito Santo ALAN SANTOS AFP

Um dia depois da Operação Skala, que prendeu dois amigos muito próximos do presidente Michel Temer sob suspeita de corrupção, o Planalto reagiu nesta sexta-feira através de uma nota com um ataque extremamente duro à Justiça. A Presidência da República recuperou o tom de forte confronto que empregou há meses contra o ex-procurador geral Rodrigo Janot, quando este apresentou duas denúncias contra Temer. Segundo a nota do Planalto, a operação deflagrada pela Polícia Federal, sob comando da atual procuradora-geral, Raquel Dodge, usa “métodos totalitários”. Na visão da Presidência, há “forças obscuras” que tentam impedir Temer se candidatar à reeleição em outubro.S

A nota do Planalto não cita expressamente Raquel Dodge, mas a linguagem evoca os piores momentos do confronto de Temer contra Janot quando o então procurador-geral apresentou as duas denúncias contra ele embasadas na delação dos donos da JBS. De fato a Presidência da República lembra esse episódio para compará-lo com a operação que na quinta-feira passada levou presas 13 pessoas, dentre elas o advogado José Yunes e o coronel João Batista Lima Filho, amigos e assessores de longa data de Temer, envolvidos em um suposto esquema de corrupção com contratos no Porto de Santos. “Repetem o enredo de 2017, quando ofereceram os maiores benefícios aos irmãos Batista para criar falsa acusação que envolvesse o presidente. Não conseguiram e repetem a trama, que, no passado, pareceu tragédia, agora soa a farsa”, afirma a nota do Planalto, que foi divulgada após reuniões do presidente com ministros e assessores ao longo da tarde desta sexta-feira.

Como já  o porta-voz do Governo, o ministro Carlos Marun, havia feito na quinta-feira, a Presidência da República liga a operação judicial com o anúncio de Temer de que está disposto a se candidatar nas eleições presidenciais de outubro próximo. Essa possível candidatura ficou muito fragilizada após a operação contra seus homens de confiança, segundo opinião compartilhada pela própria base aliada do emedebista.”Bastou a simples menção a possível candidatura para que forças obscuras surgissem para tecer novas tramas sobre velhos enredos maledicentes. No Brasil do século XXI, alguns querem impedir candidatura. Busca-se impedir ao povo a livre escolha. Reinterpreta-se a Constituição, as leis e os decretos ao sabor do momento”, acrescenta a nota.

O Planalto insiste na tese que vem defendendo desde que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso abriu um inquérito para esclarecer se o Decreto dos Portos aprovado em maio passado com a assinatura do presidente da República visava favorecer a empresa Rodrimar, que opera em Santos. O dono dessa companhia, Antonio Celso Grecco, é uma das pessoas presas na Operação Skala. O Decreto regularizou e ampliou a cessão de áreas para empresas que atuam nos portos do país. Mas o Planalto alega que essa norma não pode se aplicar as companhias que têm contratos firmados antes de 1993, como é o caso da Rodrimar, e, por tanto, ela não foi favorecida.

Mesmo sem falar especificamente da procuradora-geral ou do ministro do STF que comanda o inquérito, a nota do Planalto alude de maneira genérica a “autoridades” para acusá-las de “tentar destruir mais uma vez a reputação” do presidente e de “criar narrativas que gerem novas acusações”. Em um dos trechos mais duros da declaração, a Presidência da República manifesta: “Usam métodos totalitários, com cerceamento dos direitos mais básicos para obter, forçadamente, testemunhos que possam ser usados em peças de acusação”.

Um dos envolvidos na Operação Skala, o coronel Lima, amigo há décadas de Temer e acusado por vários delatores de receber propinas de empresas, se recusou nesta sexta a depor diante da Polícia Federal alegando problemas “físicos e psicológicos”. Lima já passou mal depois de ser preso na quinta-feira e foi atendido no hospital Albert Einstein de São Paulo. A PF já havia tentado três vezes nos últimos meses tomar depoimento o coronel Lima, mas ele conseguiu adiar alegando sempre problemas de saúde.

Enquanto isso, a ministra do STF Rosa Weber rejeitou a solicitação de habeas corpus apresentada pelo advogado do dono da Rodrimar, Antonio Celso Grecco, que também prestou depoimento diante da PF nesta sexta.

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Posted on 31-03-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2018


 

Zop, no portal de humor A Charge Online

 

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Posted on 31-03-2018
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Jornal do Brasil

 

A Skala investiga supostos benefícios à empresa Rodrimar na edição do decreto voltado ao setor portuário. O presidente Michel Temer (MBD) é um dos alvos do inquérito.

A equipe SP-13, da PF, chefiada pelo delegado Fábio Seiji Tamura, cumpriu o mandado número 15 do ministro Barroso. Os agentes vasculharam quatro andares da sede da Rodrimar, localizada à Rua General Câmara, 129/141, Centro de Santos. Os agentes percorreram o 3º andar, o 4º, o 5º e o 8º.

O nome do presidente é citado no item 20
O nome do presidente é citado no item 20

A SP-13 descreveu em relatório anexado aos autos o material apreendido na Rodrimar. O item número 7 se refere à Argeplan. “Uma folha de papel contendo relação de empresas, entre elas, Argeplan Arquitetura e Engenharia LTDA (encontrado no quarto andar – setor jurídico)”, relatou a PF.

O nome do presidente é citado no item 20. “Uma folha de papel contendo o nome de várias empresas e pessoas físicas, incluindo Michel Temer (encontrada na sala do gerente Willy Maxell, quinto andar).”

Coronel Lima é um nome emblemático da Operação Skala, muito ligado a Temer desde os anos 1980 e 1990, quando o presidente exerceu o cargo de secretário da Segurança Pública de São Paulo (Governos Montoro e Fleury Filho).

Ao autorizar a Operação Skala, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso registrou que, para a Polícia Federal, a empresa Argeplan “tem se capitalizado” com recursos de empresas interessadas na edição do Decreto dos Portos e distribuído tais recursos para os demais investigados.

Barroso citou que a PF chegou a essa constatação na análise dos documentos colhidos tanto no Inquérito dos Portos, do qual é relator, quanto nos autos de um inquérito que já tramitou no Supremo sobre o setor portuário e hoje se encontra arquivado — Temer foi investigado nesse caso.

Para a Polícia Federal, segundo Barroso, a análise conjunta dessas duas investigações “permite concluir que a Argeplan, agora oficialmente com o Investigado João Batista Lima Filho como sócio, tem se capitalizado por meio do recebimento recursos provenientes de outras empresas – as interessadas na denominado Decreto dos Portos -, e distribuído tais recursos para os investigados”.

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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Fazenda do coronel foi alvo de busca da PF

 

Um dos endereços incluídos nas buscas da PF dentro da Operação Skala foi a Fazenda Esmeralda, em Duartina (SP), registra a Época.

O imóvel rural está em nome da Argeplan, a empresa do coronel Lima. É a fazenda que Paulinho da Força sugeriu ser de Michel Temer, segundo a delação premiada de Ricardo Saud.

Mais tarde, o deputado disse que fez a menção a Temer “em tom de brincadeira”.

Adagietto de la Sinfonía nº5 de Gustav Mahler. Interpretada por la Orquesta Filarmónica de Viena, bajo la dirección de Leonard Bernstein.

 

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ARTIGO/ MÚSICA

Gustav e Alma Mahler: uma noite de enlevo no TCA

 

Lucia Jacobina

 

A OSBA apresentou-se brilhante na última quinta-feira, dia 22 de março,na noite de abertura da Temporada de 2018, na sala principal do Teatro Castro Alves, com sua atual formação e alguns músicos convidados para executar a Sinfonia nº 5,de Gustav Mahler. Foi um momento especial para a orquestra que festejou ano passado 35 anos de existência, e só então pode executar pela primeira vez uma sinfonia desse compositor, pois jamais contou com número suficiente. E a música de Mahler, oriunda da passagem do século XIX para o XX, exige um corpo orquestral composto de um número maior de integrantes.

Com Mahler no programa, nossa orquestra figura na última edição de março da Revista Concerto, uma publicação nacional especializada em música clássica, entre as mais famosas orquestras que elegeram o compositor austríaco para homenagear neste mês de março no Brasil.

Tal como a OSBA, essas orquestras estão a executar outras sinfonias. Nos dias 2 e 3, a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, no Theatro Municipal de São Paulo apresentou a Sinfonia nº 8; dia 4, a Orquestra Sinfônica Heliópolis e Orquestra Juvenil Heliópolis, no mesmo local, foi a vez da Sinfonia nº 6; nos dias 8, 9 e 10, a OSESP, na Sala São Paulo, executou a Sinfonia nº 7; no dia 24, a Orquestra Sinfônica de Santo André, no Teatro Municipal de Santo André tocou a Sinfonia nº 1; dia 27, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, a mesma Sinfonia nº 5; e finalmente dia 31, a Orquestrado Teatro Municipal do Rio de Janeiro também iniciará a temporada anual com a Sinfonia nº 2.No comando, os regentes Roberto Minczuk, Isaac Karabtchevsky, Marin Alsop, Abel Rocha, Claudio Cohen e Tobias Volkmann. Dentre eles, nosso maestro Carlos Prazeres que deixo por último apenas para destacar o relevante trabalho que vem fazendo à frente da OSBA, não somente preocupado com a performance musical do grupo, como também com a importante e necessária formação de plateia.

O público baiano, diga-se de passagem, tem comparecido em peso para aplaudir com entusiasmo nossa orquestra e principalmente seu comunicativo regente que explica antes de cada espetáculo as peças de uma forma clara e didática, deixando o ouvinte conscientizado o suficiente acerca do que vai presenciar. Essas informações valiosas, que ele tem fornecido com a ajuda de meios eletrônicos,antes de cada programa, preparam o espectador para auferir melhor os números apresentados, tendo assim compartilhada sua erudita formação musical e sua aguçada sensibilidade artística com o objetivo de fazer reverberar o uníssono do palco na plateia, permitindo uma audição mais prazerosa.

Figurar com destaque na programação dos eventos musicais do país é uma conquista da OSBA que deve ser louvada e incentivada. E executar Mahler é uma tarefa desafiadora como destacou o maestro Prazeres em seus comentários prévios, pela complexidade de sua música. Como assinala a crítica, especializada, a obra de Mahler expressa um mundo em transformação que caracterizou a passagem do século XIX para o século XX  e essa circunstância torna sua música atualíssima, em virtude da semelhante reviravolta que estamos atravessando em nossa época. Vale lembrar que um de seus mais destacados divulgadores, o também maestro e compositor americano Leonard Bernstein chamou a atenção para um componente que parece ser a matéria prima da inspiração mahleriana – o conflito – vivenciado pelo compositor tanto em sua vida pessoal como na sociedade e que se encontra refletido em suas composições, também fortemente marcadas pelo folclore judeu e austríaco como também pelas reflexões filosóficas de seu tempo. Esta 5ª Sinfonia, em particular, registra o drama do compositor que exprime sem disfarces todo seu tumulto interior em cinco movimentos, iniciando com uma marcha fúnebre, seguido de um tempestuoso, passando pelo melancólico adagietto,por alguns considerado uma homenagem a sua jovem esposa Alma Mahler e concluindo com um entusiástico finale.A notoriedade do adagietto deve ser creditada, principalmente,ao fato de ter sido incluído por Visconti,na trilha sonora de seu filme “Morte em Veneza”, baseado na novela homônima de Thomas Mann que por sua vez, dizem ter-se inspirado livremente na vida de Mahler.E o cinema tem contribuído muito em difundir a música.

Do programa constou ainda o “Concerto para Violino em ré Maior, Opus 35”, dedicado a Alma Mahler pelo também austríaco Erich Wolfgang Korngold, naturalizado norte-americano, contando com o notável solo do brasileiro de fama internacional Carmelo de Los Santos.

Eis, portanto, dois momentos do mais puro enlevo vivenciados pelo público do Teatro Castro Alves e pela OSBA em seus 35 anos de existência, naquela noite.

E como estamos no mês de março, no qual é festejado o “Dia Internacional da Mulher”, acredito que a orquestra tenha pretendido fazer uma homenagem ao feminino ao eleger duas peças dedicadas a Alma Mahler, viúva do compositor e musa de outras tantas personalidades do século passado.

Alma também era pianista e iniciou-se na composição, atividade que teria abandonado em função do casamento com Mahler. Dizem que em sua biografia o papel de musa inspiradora sobressaiu mais do que a criatividade musical. Coincidentemente, Alma Mahler-Werfel deixou 16 lieder, composições para piano executadas até hoje. Pude ouvir trecho de três delas, intituladas “In meines Vaters Garten”, “Laue Sommernact” e “Beidirist es traut”, esta última com letra do grande poeta alemão Rainer Maria Rilke, interpretadas por Renée Fleming com acompanhamento de Jean-Yves Thibaudet, dupla que faz uma aparição excepcional no filme “Bride of Wind”, de 2001, do diretor australiano Bruce Beresford,sobre a vida de Alma,conforme li nos créditos.Para quem interessar possa, existem também outras interpretações no YouTube.

Com esse registro, gostaria de expressar meu desejo de poder ouvir,em nossa cidade, não somente Alma Mahler, como também outras compositoras nacionais e estrangeiras que tem contribuído para o prestígio da música de concerto.

 

Lucia Jacobina é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”.

 

Aos leitores e ouvintes do Bahia em Pauta, nesta sexta-feira, com dedicatória especial a Lucia Jacobina, pelo belo e especial texto que ela assina hoje no site blog Bahia em Pauta, sobre a apresentação da OSBA no TCA. Com agradecimentos e merecidos louvores.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Alma Mahler

 

 
Brasília
Operação Skala
Michel Temer em Brasília. UESLEI MARCELINO REUTERS

No momento em que os partidos brasileiros começam a definir suas estratégias eleitorais para outubro, o cerco policial-judicial ao presidente Michel Temer (MDB), pretenso candidato à reeleição, está se fechando e minando suas já frágeis pretensões eleitorais. É o que avaliam seus próprios aliados diante de uma cenário em que em vez de se preocupar com quem comporia seu eventual comitê de campanha ou em como turbinar ações para melhorar sua pífia popularidade, agora o emedebista lida com o constrangimento de ter seus homens de confiança provisoriamente atrás das grades. Trata-se de um golpe que o recoloca no centro das investigações derivadas da Operação Lava Jato e cujos próximos capítulos ainda são difíceis de prever no inquérito que corre sob sigilo nas mãos do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.

Batizada de Operação Skala, a ação desta quinta deve causar severos danos à imagem de Temer e à sua pré-campanha eleitoral. Duas das pessoas que foram presas pela Polícia Federal pertencem ao círculo de máxima confiança do presidente e são amigos de longa data dele, o advogado José Yunes e o coronel João Batista Lima Filho. Na próxima semana Temer faria dois movimentos visando sua sucessão. O primeiro, no dia 3 de abril, filiaria o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao MDB. Meirelles seria uma alternativa para ou encabeçar uma chapa presidencial ou ser vice. Já na sexta-feira, dia 6, concluiria sua reforma ministerial com o anúncio de até 13 novos ministros. Todos os próximos passos deverão ser revistos, agora.

A expectativa no Governo era manter na Esplanada dos Ministérios a maioria dos nove partidos que indicaram ministros. Essa seria uma das principais moedas de troca na formação na eventual coligação a ser encabeçada por um emedebista – apesar das dificuldades, o partido segue tendo um considerável e crucial tempo de TV a oferecer, além de dinheiro do fundo partidário e capilaridade nacional para empurrar uma candidatura. Seja como for, a avaliação era a de que a Operação Skala deve reduzir essa quantidade de apoiadores. “Ninguém quer se ver envolvido com alguém com tanta gente suspeita em volta”, ponderou um líder de partido aliado de Temer no Congresso. Entre dois e quatro partidos que já estavam negociando apoios à outras candidaturas para a presidência devem deixar de indicar ministros, conforme dois membros governistas relataram ao EL PAÍS nesta quinta-feira.

Uma demonstração de como o presidente se torna cada vez mais tóxico em ano eleitoral não tardou a acontecer. Enquanto as prisões dos aliados de Temer dominavam o noticiário, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, se recusou a comparecer à inauguração de um aeroporto em Vitória da qual Temer foi o principal convidado nesta quinta-feira. Para que não restassem dúvidas sobre o significado da sua ausência, Hartung divulgou uma nota: “O País amanheceu mais uma vez sobressaltado com fatos políticos preocupantes. Apoio a investigação dessas denúncias com profundidade e, como democrata que sou, também defendo o amplo direito de defesa de todos os citados. Mas ressalto que os episódios políticos sucessivos e graves dessa natureza têm prejudicado o País e a economia, trazendo prejuízos sociais com impacto direto na vida das pessoas, particularmente os mais pobres.”

Processo sob sigilo e nova denúncia?

A investigação sobre o decreto dos portos toma proporções cada vez mais perigosas para Temer e podem acabar por municiar uma nova denúncia contra o presidente. Seria a terceira e a aposta em Brasília é que o preço a pagar para barrá-la na Câmara, como fez com as duas anteriores, seria mais alto em ano eleitoral.

Apesar de não ter tido um pedido de prisão decretado (principalmente por causa de seu foro privilegiado) neste inquérito, Temer já passou por uma série de constrangimentos por causa dele. O mais recente foi a quebra de seu sigilo bancário solicitado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e determinado pelo ministro Barroso. Apesar de ter prometido que abriria os sigilos para o Judiciário e para a imprensa, o presidente voltou atrás em sua ideia e, até agora, não entregou a documentação solicitada pelo STF.

Nesta quinta-feira, Barroso foi além e autorizou a detenção de duas figuras-chave: o coronel João Batista Lima Filho, ex-assessor de longa data de Temer e o advogado José Yunes. O primeiro assessorou Temer em diversas campanhas eleitorais e era conhecido por ser um metódico operador do presidente. O segundo foi seu assessor especial na Presidência. Ambos são acusados por delatores de serem intermediários de propinas do próprio presidente. Contra ambos pesam suspeitas de irregularidades na publicação do Decreto dos Portos, um documento assinado pelo presidente que regularizou e ampliou o prazo de cessão de áreas para uma série de empresas que atuam na área portuária pelo país. A suspeita é que Temer e seu grupo tenham recebido propina para beneficiar uma dessas empresas que funciona no Porto de Santos, a Rodrimar. O dono dessa empresa, Antônio Celso Grecco, e o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (MDB) também foram detidos. Os mandados cumpridos nesta quinta-feira seguem sob sigilo

A suspeita do Ministério Público Federal é que o grupo tenha cometido os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. As apurações são um desdobramento da  Lava Jato e só vieram à tona após a delação da JBS, na qual o próprio Temer foi grampeado por um dos delatores.

Um dos principais defensores de Temer, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que o presidente não se preocupa com essa investigação porque ele não teria beneficiado a Rodrimar ou qualquer outra empresa no decreto dos portos. “É como se estivessem investigando o assassinato de quem não morreu. O decreto não beneficiou a Rodrimar e estará esclarecida a absoluta inocência do presidente”, afirmou.

Agora, com a prisão de Yunes, chega a quatro o número de assessores que ascenderam com Temer ao poder após o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e registraram passagens recentes pela prisão. Antes, estiveram detidos os ex-deputados federais do MDB Henrique Eduardo Alves, ex-ministro do Turismo, Rodrigo Rocha Loures, conhecido como o homem da mala, e Geddel Vieira Lima, que tinha um bunker com mais de 51 milhões de reais não declarados. Em outro inquérito, Temer é investigado por capitanear um esquema de propinas para o seu MDB, do qual foi presidente por uma década. Neste caso, são dois dos seus escudeiros no Planalto, também protegidos pelo foro privilegiado, os implicados: Eliseu Padilha (Casa Civil) e Welington Moreira Franco (Secretaria-geral da Presidência).

A turbulência em Brasília agita ainda mais um panorama com datas decisivas na sucessão presidencial. A próxima semana também será crucial para definir o futuro de outro pré-candidato à presidência, o petista Luiz Inácio Lula da Silva. No dia 4, o Supremo Tribunal Federal deve concluir o julgamento de seu habeas corpus, em que pede para não ser preso até que ele seja julgado em todas as instâncias. O ex-presidente Lula foi condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

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