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Postado em 28-02-2018
Arquivado em (Artigos) por vitor em 28-02-2018 00:31
Posse de Jungmann na Segurança
Temer e Jungmann durante a posse do novo ministro da Segurança. Eraldo Peres AP
Brasília

Empossado nesta terça-feira no Ministério Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann começou com uma decisão de vulto – a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, o controverso Fernando Segóvia, após três meses no cargo -, e enviou alguns recados a quem atua na área. Ao assumir o que ele definiu como “maior desafio” de sua vida, ele sinalizou que está encerrando sua carreira político-partidária.

Horas depois da cerimônia, foi conhecido que Segovia será substuído na PF por Rogério Galloro. O novo número 1 da Polícia Federal já foi diretor-executivo da corporação e atualmente era secretário nacional de Segurança Pública. O movimento de Jungmann acontece quando Segovia parecia encurralado. No começo do mês, ele, que chegou ao cargo apoiado por caciques emedebistas, concedeu uma entrevista à agência Reuters e acabou comentando um inquérito envolvendo o presidente Michel Temer. A segunda havia registrado mais um capítulo da novela: a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma “ordem judicial” para que o então diretor-geral se abstivesse de declarações a respeito de inquéritos em curso, sob pena de ser afastado do cargo. Nem foi preciso.

A notícia sobre a PF ofusca, em parte, o dia da segurança pública, alçada a prioridade máxima do Planalto em dia eleitoral. No evento, Temer afirmou que não estão descartadas intervenções federais em outros Estados, além da que ocorre desde o dia 16 de fevereiro no Rio. “Nós não vamos ficar apenas no Rio de Janeiro. A Segurança Pública, hoje, é algo solicitado em todo País”. Os outros casos passarão a ser analisados a partir de quinta-feira, quando Jungmann se reunirá com governadores de todo o país para debater o foco de sua pasta.

A escolha de Jungmann para o comando da pasta ocorreu porque o Planalto não encontrou um nome da sociedade civil que o agradasse ou que aceitasse o desafio em um período tão curto, já que o mandato de Temer acaba em dezembro. Antes de assumir o ministério Jungmann foi deputado federal por dois mandados, suplente de deputado desde 2015, e passou por outros dois ministérios, o do Desenvolvimento Agrário (no Governo Fernando Henrique Cardoso) e o da Defesa (na gestão Michel Temer). Ele é filiado ao PPS. Eis os principais trechos das falas do novo ministro:

Consumo de drogas X insegurança

“Me impressiona no Rio de Janeiro, onde vejo as pessoas durante o dia clamarem pela segurança (…)  e à noite financiarem esse mesmo crime através do consumo de drogas”

“Muitas vezes, numa ponta, por trás dos delitos, por trás dos problemas na área de segurança, está uma mãe solteira, com filhos, trabalhando solitária, sem tempo para cuidar e educar seus filhos. Que na escola lhe fecham as portas. Que na sociedade lhe fecham as portas. Que os empregos não existem. E se tornam, sim, vulneráveis. Na outra ponta, temos aquele que nada falta. Aqueles que têm recursos. Aqueles que muitas vezes chamamos de classe média. Mas que, pela frouxidão dos costumes, pela ausência de valores, pela ausência de capacidade hoje de entender os limites entre o que é lícito e ilícito passam a consumir drogas”.

“Me impressiona no Rio de Janeiro, onde vejo as pessoas durante o dia clamarem pela segurança, clamarem contra a violência, clamarem contra o crime – e estão corretas – e à noite financiarem esse mesmo crime através do consumo de drogas. Não é possível!”

Distanciamento de Estado e crime organizado

“O Estado e a sociedade não podem se equiparar ao crime organizado, sob pena de a ele se igualar. Temos que combatê-lo dentro da lei e do respeito aos direitos”.

“Estamos devendo e nos devendo um sistema unificado de segurança pública, que até aqui não conseguimos alcançar.”

Home office do crime e globalização

“É dentro do sistema prisional brasileiro que surgiram as grandes quadrilhas que nos aterrorizam. Quadrilhas estas que continuam, de dentro do sistema carcerário, a controlar o crime nas ruas e a apavorar a nossa cidadania. Sistema carcerário esse que, infelizmente, continua a ser em larga medida o home office do crime organizado”.

“O crime se globaliza (…) Já não é possível combater o crime no espaço da federação ou mesmo no espaço nacional.”

“A União precisa ampliar suas responsabilidades e coordenar e promover a integração entre os entes federativos, estados e municípios”

Fim da carreira política

“Ao aceitar esse cargo abro a mão de uma das coisas mais caras da minha vida: a minha carreira política. Encerro a minha carreira política para me dedicar integralmente a essa luta.”

“Uma população vulnerável, uma população encurralada, uma população indefesa é presa fácil da demagogia, do autoritarismo, do desrespeito e a minha geração não pode abrir mão do que fizemos juntos.”

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 28 Fevereiro, 2018 at 17:58 #

Rio, laboratório do Brasil. O que Braga Netto quis dizer?

Quarta, 28 de fevereiro de 2018
Por
Roberto Amaral, escritor e ex-ministro de Estado

O fato de as eleições estarem previstas não significa necessariamente que elas venham a ser realizadas
“O Rio de Janeiro é um laboratório para o Brasil” ( General Braga Netto)

http://www.gamalivre.com.br/2018/02/rio-laboratorio-do-brasil-o-que-braga.html


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