CRÔNICA

Eles estão chegando!

Gilson Nogueira

 

Enquanto sobre as cabeças os aviões, voando com céu azul de deixar paulista torcendo por férias na Cidade da Bahia o ano inteiro, e  um Boeing com nove anos de ferrugem, que jazia no  Aeroporto de Ipitanga, engarrafa a Avenida Paralela, sendo transportado, em duas carretas, para o Sul Maravilha, os ET nos espiam sorridentes com a certeza de terem provocado um tremendo susto nos que testemunharam o clarão provocado por eles, suponho,  em alto mar, esta semana, próximo ao mesmo terminal de aeronaves que, um dia, quem sabe?, pretendem ocupar com seus discos último tipo cobrando barato para os que quiserem dar um pulo em Marte e vizinhança, a fim de se livrarem, por alguns minutos, desse inferno em que vive o Brasil dominado, em grande parte, pela bandidagem, corrupção e falta de perspectiva, o que provoca, a cada dia, um tsunami de desesperança na sua ordeira e batalhadora população.

Nesse frisson causado por um suposto meteoro, lembrei-me do objeto que vi sobrevoando o Estádio Octávio Mangabeira, a histórica Fonte Nova, antes do jogo do Brasil contra uma seleção que, agora, não recordo de qual país era e em que ano foi a partida. Tenho na memória que o que observei, à noite, naquele dia, não foi normal.Poderia ter sido um drone gigante ou uma nave espacial conduzindo olheiros objetivando implantar o esporte das multidões em seu planeta? Entendo que sim. Aliás, eles, também, amam o futebol baiano do passado e renegam essa enganação dos dias que correm – e como correm! – de alguns jogadores que o praticam, levando ao desinteresse quase total da grande legião de torcedores dos seus times, com destaque para o Bahia e para o Vitória.

Ainda que o avistamento do suposto disco com d de drone  possa ser creditado à chamada ilusão de ótica, o certo é que, desde aquele dia e ao do mistério do clarão soteropolitano, observado, inclusive, por habitantes do Estado de Sergipe, algo existe de misterioso nisso tudo. Será que os homenzinhos verdes estão chegando, assim como os alquimistas de Jorge Ben, para dar nova alma ao sofrido povo brasileiro? Mas, o que fariam?, penso, com meus botões. Certamente, tentar descobrir, de novo, depois de Cabral, um novo país. Tá na hora!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP.

“Noite de Verão”, uma obra prima da parceria Edu Lobo – Chico Buarque. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Madri
Friedrich August von Hayek, Karl Popper, José Ortega y Gasset e Isaiah Berlin, vistos por Sciammarella.
Friedrich August von Hayek, Karl Popper, José Ortega y Gasset e Isaiah Berlin, vistos por Sciammarella. EL PAÍS

Mario Vargas Llosa (Arequipa, Peru, 1936) talvez seja o escritor mais vilipendiado entre os autores vivos da língua espanhola. Por ter feito uma viagem do marxismo ao liberalismo que detalha em seu novo ensaio, La Llamada de la Tribu (O chamado da tribo, em tradução livre), cuja publicação está prevista para 1 de março.

Ao longo de sua vida lhe disseram de tudo, também quando era um rapaz que queria chegar a Paris para se tornar escritor. E quando já era um tanto mais popular o insultaram também, porque não era mais o sartrezinho corajoso” (como o chamaram seus contemporâneos, pela paixão que demonstrava por Jean Paul Sartre), mas um agente anticubano.

Nessas épocas mais juvenis levava muito a sério os insultos e as zombarias. Em um dia de 1990, depois de ser derrotado por Fujimori em sua tentativa de ser presidente (liberal) do Peru, contou a um jornalista da Paris Review algo que lhe havia acontecido com Pablo Neruda quando festejavam em Londres o aniversário do gigante chileno.

Estavam no convés de um barco, e Vargas Llosa havia tido um desgosto: “um artigo havia me deixado alterado e irritado porque nele eu era insultado e diziam mentiras sobre mim”. Neruda profetizou: “Você está se tornando famoso. Quero que saiba o que te espera: quanto mais famoso você for, mais será atacado. Para cada elogio você receberá dois ou três insultos. Eu tenho um caixote cheio de todos os insultos, vilezas e maldades que um homem é capaz de suportar. Não me pouparam nenhum: ladrão, pervertido, traidor, delinquente, chifrudo… Tudo! Se você se torna famoso, tem de passar por isso”.

Passaram-se décadas. Vargas Llosa passou do comunismo e do marxismo ao liberalismo, e no final dessa transição, desde meados dos anos 70 do século passado, quando em Cuba se deu o caso Padilla e o escritor peruano rompeu com a revolução, abandonou as posições tradicionais na esquerda e se voltou mais para Albert Camus do que Sartre, cumpriu-se a profecia de Pablo Neruda. Não o chamaram de pervertido. Chamaram-no de liberal.

La Llamada de la Tribu é uma resposta ao epíteto e, sobretudo, é uma espécie de ceia com sete dos mestres que o converteram à fé liberal da qual agora se sente tão orgulhoso como de ter abraçado a fé em Faulkner, Borges e Flaubert. Vargas Llosa explica, como um recém-saído de jornadas intensivas com tais mestres liberais (sua tribo), o que fizeram pela salvação de sua alma Adam Smith, José Ortega y Gasset, Friedrich August von Hayek, sir Karl Popper, Raymond Aron, sir Isaiah Berlin e Jean François Revel.

Desses liberais que se sentam a sua mesa, deve mais a três deles, “politicamente falando”: Popper, Berlin e Hayek. Com todos estabelece no livro um debate afetivo. Smith, pai da economia moderna, ele situa nos prados escoceses, falando sozinho; de Ortega não poupa nenhum traço de seu caráter; Hayek ele encontra quando já transita no campo liberal, mas o mestre o surpreende falando-lhe, de brincadeira, de Bakunin

“Não parece”, diz no começo do volume, “mas é um livro autobiográfico”. Porque não está escrito em virtude das ideias ou teorias de seus sete comensais, mas os incorpora e os situa como parte agora imprescindível de sua própria vida pessoal e política.

Como se falasse de amigos com os quais brigou no passado, ele tampouco economiza reprimendas. Por exemplo, a Hayek, por ter caído nas redes da propaganda pinochetista, ou a outros liberais por terem deixado que a palavra liberalismo ficasse em mãos estritamente economicistas. Para citar o mais próximo, de Ortega y Gasset revela grandezas e dúvidas, mas lembra aos espanhóis que se ele tivesse sido inglês ou francês ou alemão hoje aqui lhe estenderiam tapetes para a passagem de sua memória e de seus ensinamentos.

Estufar o peito

Não é, por assim dizer, um jantar tranquilo com nenhum deles. Discute com todos. Ninguém mais pode insultá-lo como liberal. Pois é isso o que ele é. Aqui o vilipendiado liberal estufa o peito: “Liberal? E daí?”, parece dizer.

Em Peixe na Água (1993), sobre sua fracassada experiência política para disputar a Presidência do Peru, conta uma história que ocorreu durante a campanha. O Serviço de Inteligência dos Estados Unidos divulgou que sua candidatura inquietava o país. Parecia mentira, mas o embaixador norte-americano lhe disse que essa informação de fato saíra da CIA. “Comentei”, diz Vargas em Peixe na Água, “que o bom disso era que os comunistas já não poderiam acusar-me de se um agente da célebre organização”.

Agora os que o insultam por ser liberal têm 311 páginas de explicação do próprio Vargas Llosa sobre as razões que o levaram ao liberalismo.

 

Em contato com as bancas neste sábado (24), a demanda foi tanta que a direção do jornal decidiu reforçar a distribuição de exemplares a cada ponto de venda.

Banca Piauí

Para comemorar a volta do JORNAL DO BRASIL, a Banca Piauí, no Leblon, onde tradicionalmente o jornal tinha suas maiores vendas (até mil exemplares aos domingos), fará uma recepção especial. A banca convida os leitores a fazerem uma “viagem no tempo”, neste domingo (Avenida Ataúlfo de Paiva, 1273, Leblon e Av. Almirante Sílvio de Noronha, 365, Centro).

fev
25
Posted on 25-02-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-02-2018


 

Tacho, no

 

 

Disputa por bens marca separação de Diniz e Daniele

 

A Veja Rio narra episódios da “história de amor” que se transformou em uma “virulenta disputa judicial” entre o empresário Orlando Diniz, presidente da Fecomércio preso na Operação Jabuti na sexta-feira, e a advogada Daniele Paraíso de Andrade.

Eles se conheceram na própria Fecomércio-RJ, no início dos anos 2000, quando ela atuava no departamento jurídico do Senac.

Depois viveram em um apartamento de luxo no Leblon, passaram fins de semana em uma bela casa de praia nos arredores de Angra dos Reis e viajaram pelo mundo.

Tiveram uma filha, hoje com 5 anos, e celebraram sua união no Taiti, em 2014.

Meses depois, a união desandou com acusações de ocultação de patrimônio, barracos públicos e a contratação de advogados de alto gabarito.

O fator detonador, segundo os amigos, foi a suspeita de Diniz de que a advogada o traía. Em um bar no Leblon, ele chegou a partir para cima de um advogado, a quem acusava de ser o amante.

Também destruiu com uma tesoura o equivalente a 71.000 reais de roupas de grife que Daniele havia deixado no apartamento.

Eles discutiram sobre a guarda da filha na porta do prédio onde Daniele passou a morar e o bafafá, que levou a criança aos prantos, acabou registrado por policiais como “rixa de casal”.

Quando um oficial de Justiça conseguiu entrar no apartamento do Leblon com um mandado de arrolamento dos bens, as peças e obras de arte relacionadas por Daniele não estavam nos locais indicados e a adega estava vazia, assim como o cofre.

“Muito da animosidade entre o empresário e a advogada decorre da acirrada disputa financeira travada entre eles.

Daniele discute judicialmente a pensão para a filha do casal, que ela quer ver equiparada aos valores pagos aos três filhos do primeiro casamento de Diniz.

Também exige a partilha integral dos bens que usufruíam no período em que estiveram juntos. O problema é que nenhum dos bens listados por Daniele está em nome do ex-marido.”

O apartamento, avaliado em 12 milhões de reais, está em nome da empresa Kaelin do Brasil Participações.

A casa de praia em Mangaratiba, avaliada em 5 milhões de reais, está em nome do engenheiro que desenvolveu o projeto.

“Não quero nada mais do que me é de direito”, informou Daniele por meio de seus advogados.

“O patrimônio declarado à Receita Federal é absolutamente incompatível com o padrão de vida mantido por Orlando”, disse a defesa dela em petição à Justiça do Rio, calculando em pelo menos 200.000 reais as despesas mensais de Diniz.

Curiosamente, a esposa do ex-governador preso Sérgio Cabral, a advogada solta Adriana Ancelmo, é quem representa Diniz no processo judicial contra Daniele.

A revista teve acesso a notas fiscais que comprovam o pagamento de pelo menos 5 milhões de reais a Adriana em 2015.

A assessoria de imprensa de Diniz afirmou que “dados distorcidos de sua vida privada são apresentados tentando influenciar o desfecho do processo” de separação e que ele “é comerciante atuante, tem gastos e patrimônio compatíveis com as suas atividades profissionais e os seus bens e propriedades são declarados anualmente”.

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