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Temer participa da reunião do Conselho de Defesa das Forças Armadas…
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General Mauro Sinnot Lopes: “com a faca nos dentes”

ARTIGO DA SEMANA

Virada de Temer: de tocador das reformas a “Cabo Tenório”

Vitor Hugo Soares

Coragem. Vocação. Talento. Caráter. Sorte… É cada vez mais evidente, e a brusca guinada de rumo do governo do PMDB, – com a intervenção e a escolha de um general de quatro estrelas para mandar no Rio de Janeiro, seguida da mudança de direção do debate nacional –, só acrescenta novos sinais de que o habitante atual do Jaburu é carente até do cacoete de estadista. O parâmetro do jornalista para a avaliação é o dos cinco primeiros mandamentos do referencial Decálogo de Ulysses Guimarães.

Assim, não surpreende a virada de Michel Temer. Abriu mão de seu propalado projeto prioritário na política, gestão e marketing, de “audaz reformista” – ao ver-se ameaçado de sofrer fragorosa derrota na Câmara, em eventual votação de seu plano mais ambicioso, a Reforma da Previdência. O que causa espanto – em face do imponderável que está a caminho, depois da intervenção, aprovada docilmente pela Câmara e pelo Senado – é ele ter jogado tudo para o alto, para virar, no começo de ano eleitoral, uma espécie de “Cabo Tenório” – o maior inspetor de quarteirão, do famoso forró de Jackson do Pandeiro.

No baú da memória, a lembrança que mais dói está em anos loucos, no Uruguai, modelo de democracia na América do Sul, por onde andei, por quase duas décadas, quando trabalhei no Jornal do Brasil. Da primeira vez, com o advogado Pedro Milton de Brito, ex-presidente da seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil, ex-conselheiro federal da OAB, inimigo temido e irreconciliável de corruptos e corruptores (encastelados no poder público ou no setor privado). Saudosa e exemplar figura de defensor das liberdades e dos direitos humanos na Bahia e no País.

Ninguém me contou, estive lá, eu vi. Repito, a exemplo de Sebastião Nery, na apresentação do livro que publica o Decálogo do Estadista. Em um desses períodos cruciais da vida do continente, quem governava o Uruguai era Juan Maria Bordaberry, descendente basco-francês , eleito democraticamente, em 1972. Mas, cúmplice e voluntariamente (a pretexto de enfrentar uma crise econômica e manter o mando político), negociou espaços para a “aliança de poder cívico-militar”, como se dizia então.

Não descerei a detalhes sobre o desastre. Só relembro que os militares mantiveram nas sombras o presidente, durante a mal camuflada instalação de um dos mais violentos e perversos regimes já vividos na bacia do Rio da Prata. Resumo do forró: depois de insucessos, desencontros e atropelos, – os militares decidiram destituir o “rancheiro” do governo de fachada e trocaram-no por outro civil, Alberto Demicheli, enquanto a “Suíça da América Latina” seguiu afundando. A democracia voltou ao Uruguai em 1985. Em 2006, Bordaberry foi condenado a 30 anos de prisão. Morreu pouco depois, em casa, em Montevidéu, aos 83 anos,  cumprindo prisão domiciliar.

Isso nada tem a ver com a intervenção no Rio, nem com o mandatário brasileiro, dirão alguns. Mesmo que Temer já participe de reunião de comandos militares no Ministério da Defesa, em Brasília. E que Mauro Lopes, o segundo de Braga Neto na ocupação, já seja manchete de jornal, chamado de “um general com a faca nos dentes”. É preciso desenhar?

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br     

Eternidade para Dominguinhos e sua notável obra musical. Aqui neste clip um grande exemplo.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Rui Costa
CULTURA
Claudio Leal – Fato e Opinião
“Caro governador Rui Costa,

Trago-lhe notícias da decadência da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, criada em 1811 e instalada em 1970 nos Barris, centro de Salvador, sob a responsabilidade do governo do Estado. Sem querer contrariar a irrelevância da cultura em seu governo, informo-lhe que a velha biblioteca continua a não receber nenhuma assinatura de jornais locais e nacionais. A seção de consulta a periódicos, antes repleta de frequentadores, sofre um processo de desertificação. Visitantes retornam para a rua ao verificar que não há jornais do dia. São quase dois anos de incúria, de estúpida austeridade e de grosseria contra leitores e pesquisadores. Um ato de desprezo à memória histórica da Bahia. De acordo com os funcionários, desde junho de 2016 a remessa de publicações foi cortada em razão de estranhas burocracias, inéditas em quase dois séculos de serviços públicos, agora humilhados pelo desinteresse oficial de solucionar esse impasse.

Conforme apurei, usuários e funcionários chegam a doar seus jornais para corrigir parte da lacuna do acervo da biblioteca. Esta história é comovente, mas deveria lhe indignar tanto quanto a mim, porque o dinheiro para a manutenção é  mínimo. Uma assinatura do jornal “A Tarde” custa R$ 65 por mês (felizmente, a maior parte do acervo está digitalizada). O “Correio” custa uma pechincha: pode sair R$39/mês. Como se vê, nada que ofenda o erário.

Na Biblioteca dos Barris, realizei pesquisas em 2016 e 2017 e posso descrever o zelo de funcionários jogados em ambientes sem ar condicionado, outro atentado contra o acervo. O calor reduzia a capacidade de resistência, o tempo de pesquisa se reduzia. E cabe uma pequena atualização: a sala de consultas a periódicos se encontra outra vez sem ar condicionado. Quebrou. Em 22 de fevereiro de 2018, crescia a esperança de um conserto.

Os banheiros da biblioteca são sujos, fedem a urina e dezenas de vasos seguem interditados. Os mictórios são podres. Não há motivo para vanglória: isto não é um feito de sua gestão. O desrespeito à higiene dos usuários atravessa décadas e não exclui governantes de esquerda ou direita. O PT, defensor das minorias, deveria proteger a saúde de raros leitores. Há pouco tempo, houve cortes indecentes na limpeza e na segurança, mesquinharia revertida dentro da lentidão habitual de tudo que se refere à preservação histórica no Brasil. Em 2016, a biblioteca fechou por 20 dias. Os vigilantes não eram pagos, como denunciou a imprensa.

Antes do fim, vamos rapidamente ao subsolo. A Sala Walter da Silveira, antes uma referência da cinefilia baiana, dispõe de um excelente programador, mas recebe recursos pífios para realizar mostras e retrospectivas de filmes. Seja mais generoso com a sala que leva o nome de um dos maiores críticos do Brasil.

Apesar do meu desencanto, espero que o senhor corrija o descaso de seu governo com a Biblioteca Pública. Esta carta, naturalmente, será encaminhada a outros destinatários dedicados à memória histórica.

Cordialmente,

Claudio Leal,

jornalista.”

DO BLOG O ANTAGONISTA

Toffoli: servidor quer ‘trabalhar pouco, ganhar bem e se aposentar cedo’

 

No evento da FGV em que criticou a falta de um “projeto nacional” dos partidos brasileiros, Dias Toffoli também disse que grupos de interesse ocuparam o lugar de uma elite nacional.

Para o ministro do STF, a ausência dessa elite, que pense o país racionalmente, é o que explica a falta de projeto de PT, PSDB e outros. E os grupos de interesse incluem, por exemplo, servidores públicos e as bancadas ruralista e evangélica.

“O servidor público, por exemplo, quer trabalhar pouco, ganhar bem e [se] aposentar cedo. Quem não quer tudo isso? Não tenho nada contra esses interesses, mas eles existem”, disse Toffoli, conforme o relato do portal Jota.

fev
24
Posted on 24-02-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-02-2018


 

Amarildo, no diário (ES)

 

Lula acredita ser a reencarnação de todos os pobres do paísMIGUEL SCHINCARIOL AFP

Lula, que é católico, acostumou os brasileiros a se comparar com a figura de Jesus. Quando era presidente da República, tinha na parede, atrás de sua mesa de trabalho, um enorme crucifixo de madeira que desapareceu quando Dilma chegou. Em 2010, o ex- presidente carismático afirmou que tinha sido mais flagelado do que Jesus antes de ser crucificado: “Se eu pudesse dar uma imagem das punhaladas que levei e pudesse tirar a camisa, meu corpo apareceria mais destroçado do que o de Jesus Cristo”. No Brasil, “só Jesus ganha de mim em honradez”, disse em outra ocasião. E perante o juiz Moro explicou que aqueles que o delatam e acusam “deveriam ler melhor a Bíblia, onde se condena nomear o nome de Deus em vão”.

Nunca, no entanto, Lula tinha se atrevido a tanto como fez dias atrás em Belo Horizonte, quando disse aos seus seguidores, aludindo sem dúvida aos juízes: “Estão lutando com um ser humano diferente. Eu não sou eu. Sou a encarnação de um pedaço de células de cada um de vocês”. E acrescentou, no melhor estilo evangélico: “Prendam minha carne, mas minhas ideias continuarão livres”. Ao elevar o tom de suas identificações religiosas, Lula, que é o melhor publicitário de si mesmo, chegou a flertar com o dogma cristão da encarnação. De acordo com os Evangelhos, Deus “se encarnou em Jesus Cristo”. Desse modo, todos os que creem nele e o seguem se tornam deuses como ele.

A mensagem simbólica de reencarnação enviada por Lula aos juízes e magistrados é clara: é inútil tentar condená-lo ou impedi-lo de disputar as eleições para que, como ele propõe, “o Brasil volte a ser o que era” e não o esfarrapado no qual o transformaram aqueles que tentam encurralá-lo. É inútil, porque, segundo Lula, quem estão perseguindo não é ele, que não é uma pessoa normal, mas “um ser humano diferente”, que não tem por que se submeter às leis dos seres comuns. Por isso, diz que não se sente obrigado a acatar nenhuma sentença de condenação contra ele. Se Lula não é Lula, mas a encarnação dos milhões que o seguem, se ele não é feito como todos nós de nossas próprias células, mas das células de cada um dos pobres, dos sem-terra e dos sem-teto, é inútil acusá-lo de algo porque “ele não é ele”. São os pobres que se transubstanciaram em Lula. Persegui-lo, condená-lo, é condenar milhões de pessoas que confiam nele.

Segundo essa imagem bíblica da encarnação, de nada serviu, por exemplo, que Jesus Cristo tenha sido crucificado, porque ele não era mais um profeta, era a encarnação de tudo quilo que as elites desprezavam. Podiam arrancar-lhe a vida, mas não matar sua mensagem. Curiosamente, é o que afirmou Lula em Minas: “Prendam minha carne, mas minhas ideias continuarão livres”.

Não deve ser fácil para os juízes e magistrados a sutil e simbólica linguagem teológica de Lula, aos quais manda dizer, evocando os livros sagrados do cristianismo: “Se me encarcerais, se me fechais as urnas, não o estais fazendo ao Lula político, que já não existe, porque se encarnou nos pobres com quem compartilhou suas células”. Encarcerá-lo, condená-lo ao ostracismo, seria como condenar esses milhões de brasileiros, em sua grande maioria pobres e analfabetos que o seguem e querem votar nele, e nos que ele se encarnou e até mesmo se transubstanciou.

Lula deveria dispensar todos os seus advogados. Ninguém sabe defendê-lo melhor do que ele. E faz isso usando parábolas e símbolos sagrados que tocam a sensibilidade de um povo profundamente religioso como o brasileiro. E isso sem necessidade de recorrer aos livros da jurisprudência humana. Para Lula, para se defender, basta-lhe a Bíblia. Bastará também aos juízes e magistrados?

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