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São Paulo

O Brasil teve uma forte piora no ranking que avalia a percepção da corrupção no mundo divulgado pela Transparência Internacional nesta quarta-feira. O país caiu 17 posições em comparação ao ano anterior e ocupa o 96° lugar na lista de 2017, que avaliou a corrupção do setor público em 180 países. Na escala que vai de zero (mais corrupto) a 100 (menos corrupto), o Brasil aparece com 37 pontos, três a menos que em 2016.

O país também se encontra na pior situação dos últimos cinco anos. Atualmente, o Brasil divide a 96ª posição com Colômbia, Indonésia, Panamá, Peru, Tailândia e Zâmbia. E fica atrás de países como Timor Leste, Sri Lanka, Burkina Faso, Ruanda e Arábia Saudita.

Desde 2014, o índice de percepção da corrupção (IPC) vem piorando no Brasil, que também deteriorou sua posição relativa a outras nações em desenvolvimento, como, por exemplo, os Brics. O país está agora à frente apenas da Rússia, que alcançou 29 pontos.

Segundo a avaliação da Transparência Internacional, a trajetória de queda observada nos últimos anos pode ser explicada pelos efeitos da Lava Jato e outras grandes operações que mostram um esforço em enfrentar o problema. O efeito inicial de agravamento da percepção de corrupção é comumente observado em países que começam a confrontá-la de maneira eficaz, pois traz o problema à luz em toda a sua dimensão. No entanto, se o país persiste no combate à corrupção, o efeito negativo começa a se reverter numa percepção de maior controle da corrupção. O que não está acontecendo no Brasil.

Em 2016, o IPC brasileiro chegou a demonstrar uma certa estabilidade, o que parecia apontar para uma percepção de que o país começaria a colher os frutos do empenho contra a corrupção. O resultado negativo registrado em 2017 acende, entretanto, o alerta de que a luta contra a corrupção pode, de fato, estar em risco, de acordo com a entidade. A piora no ranking, segundo a Transparência Internacional, se deve à percepção de que os fatores estruturais da corrupção nacional “seguem inabalados” e que o país não foi capaz de atacar o problema.“Não houve em 2017 qualquer esboço de resposta sistêmica ao problema, ao contrário, a velha política que se aferra ao poder sabota qualquer intento neste sentido. Se as forças que querem estancar a sangria se mostram bastante unidas, a população se divide na polarização cada vez mais extremada do debate público, o que acaba anulando a pressão social e agravando ainda mais a situação”, analisa Bruno Brandão, representante da Transparência Internacional no Brasil.

Ainda segundo Brandão, a relação do Governo de Michel Temer com a corrupção é o que mais influenciou nesse resultado positivo. “Além desse Governo não propor políticas de combate à corrupção, há um envolvimento muito grande do seus membros com ela. Os ministérios são compostos com vários nomes investigados e acusados por crimes de corrupção. O próprio presidente tem acusações gravíssimas e só se mantém no poder por um grande acordo com o Congresso”, afirma o representante da entidade ao EL PAÍS Brasil.

No lado oposto, Nova Zelândia e Dinamarca ocuparam as primeiras posições, com a pontuação de 89 e 89 respectivamente. Síria, Sudão do Sul e Somália se posicionaram nos postos mais baixos, com pontuações de 14,12 e 9. Em 2017, mais de dois terços dos países obtiveram uma pontuação inferior a 50- que demonstra que o país está falhando em lidar com a corrupção-, e a pontuação média foi de 43. Na América do Sul, apenas o Uruguai e o Chile conseguiram uma nota maior que 50. O índice é feito a partir de estudos comparativos de diversas instituições e organizações que analisam a opinião do setor privado sobre a corrupção no setor público.

O estudo também analisou a relação entre os níveis de corrupção dos países e a proteção da liberdade de imprensa. Segundo a organização, quase todos os jornalistas assassinados, desde 2012, morreram em países com altos níveis de percepção de corrupção.

A análise, que incorpora dados do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, mostra que nos últimos seis anos mais de nove de cada dez jornalistas foram assassinados em países com pontuação de 45 ou inferiores no IPC. Em média, cada semana, um jornalista é assassinado em um país com altos níveis de corrupção. Um em cada cinco jornalistas que morreram estava trabalhando em investigações sobre corrupção.

O Brasil foi citado no relatório principal divulgado pela organização como exemplo dessa realidade. O país que alcançou uma pontuação baixa de 37 pontos no ano passado teve 20 jornalistas assassinados nos últimos seis anos. “Os repórteres no Brasil – perseguidos por investigar a corrupção governos locais e a criminalidade vinculada com as drogas – arriscam sua vida diariamente somente por fazer seu trabalho”, ressalta o informe.

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