OPINIÃO POLÍTICA
A volta do Incrível Huck
Luciano Huck
Luciano Huck em homenagem pelo seu aniversário no ‘Caldeirão’. Gshow Rede Globo

A ala neoliberal brasileira, que, mancomunada com o Poder Judiciário, organizou e orquestrou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levou um enorme susto com a divulgação da pesquisa Datafolha, no último dia 31 de janeiro. Esperavam que, diante da iminência da prisão do ex-líder sindical, incriminado por corrupção e lavagem de dinheiro, haveria uma queda significativa das intenções de voto no candidato petista à Presidência da República e uma reconfiguração do quadro eleitoral.

O que se viu, entretanto, foi que o prestígio de Lula permanece inalterado: seu nome arrebanha mais que o dobro das intenções de voto do segundo colocado, o líder fascista Jair Bolsonaro, 34% contra 16%. Pior: Geraldo Alckmin, o candidato tucano que deveria exercer o papel de contraponto a Bolsonaro, não se mexe, estacionado nos 6%. Sem Lula, o páreo fica embolado: Bolsonaro sobe a 18%, crescem as candidaturas de Marina Silva (13%) e Ciro Gomes (10%), o PT desaparece, e Alckmin fica lá atrás, com 8%. Qual a solução? Ressuscitar a candidatura natimorta do apresentador de Televisão, Luciano Huck

Preocupado com a inexpressividade de Alckmin, já uma vez derrotado por Lula, em 2006, a ala neoliberal havia ensaiado, no começo do ano passado, inflar a candidatura do prefeito de São Paulo, o também tucano João Dória. Espetaculoso e fanfarrão, Dória largou de lado a administração da maior cidade do Brasil para tentar se cacifar nacionalmente. O resultado foi que ele não só perdeu espaço dentro do PSDB – bateu de frente com o grupo de Alckmin –, como também viu triplicar a desaprovação à sua gestão: 39% dos paulistanos consideram-na ruim ou péssima.ão, todos os olhos se fixaram no jovem e carismático Luciano Huck. O apresentador de programa de auditório da Rede Globo de Televisão surgiu no horizonte como um dos articuladores do RenovaBR, movimento que, dizendo-se preocupado com “a profunda crise econômica, política e moral” do país, se propõe “a promover a renovação política, trazendo novos nomes e novas práticas”, deixando claro que “não somos e nem nunca vamos ser” um partido político.

Em maio do ano passado, sem alarde, o nome de Huck já surgia com 3% das intenções de voto numa pesquisa Datafolha.entanto, após entusiasmar a ala neoliberal com a possibilidade de uma candidatura alternativa, Huck publicou um texto na Folha de S. Paulo, em 21 de novembro, intitulado “No rumo”, no qual afirmava claramente que, após ouvir “meus pais, minha mulher, meus filhos, meus familiares e os amigos próximos”, havia decidido que não iria “pleitear espaço nesta eleição para Presidente da República”. “Contem comigo. Mas não como candidato a presidente”, concluía o artigo. Com isso, as atenções se voltaram novamente para o julgamento de Lula e suas consequências eleitorais.Em 25 de janeiro, um dia após a condenação do líder petista pelo TRF-4, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, embora presidente de honra do PSDB, vem apadrinhando de maneira nada discreta as pretensões de Luciano Huck, disse, em entrevista ao jornal Valor, que acreditava que, se o candidato de seu partido, Geraldo Alckmin, não decolasse, abria-se a possibilidade para pensar de novo no nome de seu amigo apresentador de televisão. Na entrevista, curiosamente, Fernando Henrique admitia que considerava Huck “muito cru para ser presidente da República”.

Dito e feito: na pesquisa Datafolha de 31 de janeiro, Luciano Huck ressurge, com 8% das intenções de voto, o mesmo percentual de Alckmin. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, o apresentador de televisão teria comemorado o resultado, o que poderia ser um sinal de que ele voltará atrás na decisão de não ser candidato à sucessão do presidente não eleito, Michel Temer. Aliás, ele já estaria em contato direto com o marqueteiro francês Guillaume Liegy, responsável pela campanha vitoriosa do presidente francês Emmanuel Macron, no ano passado.

Se Luciano Huck revir sua posição, vindo a se candidatar à Presidência da República, estará contrariando frontalmente o que escreveu em seu artigo “No rumo”, onde constatava que “o Brasil está sofrendo demais para ficarmos passivos e reféns deste sistema político velho e corrupto”, pois assim agiria exatamente como os políticos deste sistema velho e corrupto, começando sua carreira com uma enorme farsa. Além disso, aceitando a candidatura como uma espécie de missão, estaria contradizendo o que condenou no programa Domingão do Faustão, do dia 7 de janeiro: “Não adianta a gente achar que vai ter um salvador da pátria que vai resolver os problemas do país. Quem falar isso é mentira”.

Restaria a Huck, neste caso, fazer como seu mentor, Fernando Henrique Cardoso, e pedir para os eleitores esquecerem o que ele escreveu. O ex-presidente jura de pés juntos que nunca disse essa frase, publicada pela Folha de S. Paulo no dia 9 de junho de 1993, e que teria sido pronunciada após um almoço com empresários no restaurante Rubayat. Fernando Henrique afirma que tem a seu favor o fato de que a entrevista não foi gravada e então o que vale é sua palavra contra a do repórter. No caso de Luciano Huck, nem o benefício da dúvida restará...

O saudoso Das Neves, na Levada do Habeas, canta do Alto!

DOM DIA E BOM CARNAVAL!!!

Gilson Nogueira

Por G1 BA

Claudia Leiite falou sobre ausência de Pitbull em seu desfile em Salvador, nesta quinta-feira. (Foto: Tiago Caldas /Ag Haack) Claudia Leiite falou sobre ausência de Pitbull em seu desfile em Salvador, nesta quinta-feira. (Foto: Tiago Caldas /Ag Haack)

A cantora Claudia Leitte comentou a ausência do rapper norte-americano Pitbull no desfile dela nesta quinta-feira (8) em um trio sem cordas, que abriu o primeiro dia oficial do carnaval de Salvador. O artista, convidado especial da cantora, passou mal e não conseguiu ir para o Circuito Dodô (Barra-Ondina), local da festa.

e passou mal. Tomou tanto sol que tostou. Mas amanhã ele disse que vem, que vai chegar cedinho”, disse Claudia, ao anunciar para o público que o rapper não iria mais cantar com ela nesta quinta. Conforme a assessoria da cantora a participação do norte-americano está mantida no desfile do bloco Blow Out, também no circuito Dodô, na sexta (9).

 

O rapper Pitbull passou mal e não participou do primeiro dia oficial do carnaval de Salvador, nesta quinta. (Foto: Leo Paiva/Divulgação) O rapper Pitbull passou mal e não participou do primeiro dia oficial do carnaval de Salvador, nesta quinta. (Foto: Leo Paiva/Divulgação)

O rapper Pitbull passou mal e não participou do primeiro dia oficial do carnaval de Salvador, nesta quinta. (Foto: Leo Paiva/Divulgação)

Claudia, que comemora neste carnaval seus 10 anos de carreira solo, iniciou o desfile pouco depois das 17h. A assessoria dela informou que o trio precisou dar a largada, mesmo sem a chegada do norte-americano, a pedido da Polícia Militar.

No final de janeiro, Claudia lançou o novo single “Carnaval”, em parceria com o rapper, e esperava cantar junto com ele nesta quinta.

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Gian Luca Farinelli. Foto: Miguel Manso

“A coisa mais importante que aprendi é que é preciso ter consciência da nossa própria ignorância.” Gian Luca Farinelli diz isto mesmo no fim de meia hora de conversa descontraída, sentado entre livros, DVD e cartazes na livraria da Cinemateca Portuguesa, em Lisboa. “A única possibilidade de evitar as armadilhas da idade é continuarmos sempre em viagem, saber que nunca fazemos nada para sempre, que só passamos temporariamente pelos lugares, que é preciso ter sempre a certeza e a consciência da nossa ignorância.”

Aos 55 anos de idade, o programador italiano é há 18 anos diretor da Cineteca di Bologna (www.cinetecadibologna.it), instituição criada em 1962 e que é hoje uma das mais prestigiadas e ativas cinematecas mundiais. Com um arquivo de 50 mil filmes e uma posição de liderança no trabalho de restauro e preservação do cinema de patrimônio através do laboratório L’Immagine Ritrovata, a Cineteca é também organizadora do festival anual Il Cinema Ritrovato, “meca” dos cinéfilos de todo o mundo; responsável, há mais de 20 anos, pelo projeto de restauro e digitalização da filmografia de Charlie Chaplin (tal como, em tempos recentes, da obra de Roberto Rossellini); e uma das parceiras da World Cinema Foundation, entidade que restaura obras clássicas mas insuficientemente divulgadas ou reconhecidas do cinema mundial, da qual Farinelli foi fundador a par de Martin Scorsese ou Thierry Frémaux, diretor do festival de Cannes.

Mesmo consciente da sua própria ignorância, alguma coisa Gian Luca Farinelli andará a fazer bem para a Cineteca se ter tornado em “farol” de uma nova cinefilia de patrimônio, que se quer aberta ao mundo num espírito de descoberta e aventura partilhado com os espectadores. “Não sei se somos um farol,” avança. “Tentamos apenas fazer o nosso trabalho, e é verdade que aprendemos muito com as experiências dos outros. O cinema é uma arte internacional, e por isso podemos ver para lá da nossa própria paisagem; somos o resultado de muita gente diferente, de muitas teorias e abordagens diferentes que procurámos acompanhar e valorizar.”

Essa dimensão internacional pesou na escolha de Por uma cinemateca em viagem como tema da conferência que Farinelli deu na passada terça-feira como “pontapé de saída” da iniciativa As Cinematecas Hoje. Para marcar o seu 70.º aniversário, a Cinemateca Portuguesa deu “carta aberta” a congêneres de todo o mundo para programarem pequenos ciclos dedicados ao cinema de patrimônio, do mudo ao contemporâneo, acompanhados por conferências dos seus responsáveis. (As escolhas de Bolonha continuam até dia 22 e o programa pode ser consultado em www.cinemateca.pt.)

Gian Luca Farinelli explica assim a ideia da “cinemateca em viagem”: “Sugeri esse tema não apenas porque viajo muito, mas porque penso que uma instituição cultural deve estar em movimento, em migração constante. Isso não quer dizer seguir as modas: podemos perfeitamente estar em viagem sem termos de ir aos mesmos sítios onde toda a gente vai, sem ter de pensar permanentemente na perfeição, podendo colocar constantemente questões. E o cinema é uma arte do movimento, que está sempre em mudança. Se virmos um filme de 1905 e outro de 1910 ou de 1915, apercebemo-nos logo que não são a mesma coisa: tudo muda constantemente, na linguagem, no modo de representar, de encenar, de enquadrar.”

Por isso, também o papel da cinemateca mudou ao longo dos tempos, e a Cineteca tem estado na primeira linha dessa mudança. “No limite, essa mudança de papel é a prova definitiva de que a ideia do que deve ser uma cinemateca era muito boa”, diz o director da instituição bolonhesa. “Elas souberam preservar e divulgar filmes numa época em que os detentores dos direitos sobre os filmes queriam impedi-lo ou não tinham noção do que estavam a fazer. Fizeram-no muitas vezes às escondidas e fora das regras, e ainda bem que o fizeram, porque hoje a ideia de que é necessário preservar o patrimônio do cinema é respeitada pelos detentores dos direitos e pela indústria.” Dá um exemplo prático. “Quando começámos em 1985 a organizar o festival Il Cinema Ritrovato, fizemo-lo porque queríamos ver filmes que de outro modo nunca poderíamos ver. Começámos com uma retrospectiva de Fritz Lang. Ora, hoje em dia, a maior parte, para não dizer todos, dos filmes de Fritz Lang encontra-se na Internet, em DVD, em Blu-ray… Evidentemente, já não podemos fazer as coisas como antes. Mas hoje em dia temos um papel essencial para dar ao público pontos de referência para passar dados que permitam uma maneira de ver os filmes. E existem sempre zonas da história do cinema que continuam desconhecidas ou insuficientemente conhecidas, e os trabalhos de pesquisa e restauro continuam a ser essenciais.”

O caso do acervo de Chaplin é significativo, como explica Farinelli. “Começámos a trabalhar Chaplin no final do século XX, e continuamos a descobrir coisas, e continuamos a precisar de muito tempo para estudar em profundidade a complexidade enorme da sua personalidade artística. Fizemos todos os restauros em película, agora precisamos também de os fazer em digital. E, embora trabalhemos nele há 20 anos, tenho a impressão que nunca vamos realmente terminá-lo. Quanto mais se trabalha sobre um artista, mais se descobre sobre ele… Felizmente, as cinematecas têm uma abordagem que não é a mesma dos detentores dos direitos. As questões que nos colocamos são outras. Ainda que os herdeiros de Chaplin, depois do próprio pai, sempre se tenham ocupado com o património, havia muito por fazer – ninguém tinha ainda tido coragem de pegar nos primeiros três anos da sua carreira, de 35 filmes por ano. E agora eles existem.”

Ao fim de 18 anos de direção da Cineteca, e mais de 30 anos a trabalhar na instituição, Gian Luca Farinelli continua a ser um apaixonado. “Porque o cinema é uma arte do prazer”, sorri. “Se queremos encenar o cinema, falar do cinema, é preciso vê-lo com um espírito alegre. O cinema é uma arte de partilha e de partilha coletiva. Uma arte que mudou a nossa vida e a de milhões de pessoas, que também mudou o século XX e que nos permitiu ver a vida de outro modo. A alegria é, nisso tudo, um aspecto essencial.” 

fev
09
Posted on 09-02-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-02-2018


 

Pelicano, no portal de humor gráfico

 

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09
DO BLOG O ANTAGONISTA

Gilmar pede parecer da PGR sobre transferência de Cabral

Gilmar Mendes pediu hoje parecer da PGR sobre a transferência de Sérgio Cabral da prisão de Benfica, no Rio, para o Complexo Médico Penal do Paraná.

A defesa do ex-governador quer anular a decisão de Sergio Moro e levar Cabral de volta para o Rio –onde, segundo o MPF, ele recebia regalias na prisão.

Gilmar é o relator do caso e deve decidir a questão depois de receber a manifestação da PGR.

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