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PT Partido dos TrabalhadoresO senador Lindbergh Farias (PT-RJ) fala em audiência pública em abril de 2015 Edilson Rodrigues Agência Senado

Se há algo de que o Brasil não necessita para se renovar é um Partido dos Trabalhadores agressivo, com vocabulário de guerra, pedindo à sociedade desobediência civil e aos trabalhadores que incendeiem as ruas. Uma esquerda assim está mais para o sonho dos extremistas de direita, não de quem busca caminhos de diálogo. Essa esquerda beligerante é a encarnada hoje por duas figuras jovens: Gleisi Hoffmann, senadora e presidente do PT, e Lindbergh Farias, líder do partido no Senado. Uma esquerda que está encurralando as figuras e as ideias mais sensatas que haviam criado o PT democrático.

Sou dos colunistas que escreveram muitas vezes que o Partido dos Trabalhadores representou, em seus melhores momentos, um guia não só para o Brasil, mas para a esquerda da América Latina, como um incentivo contra as injustiças sociais em um continente vilipendiado pela pior das desigualdades entre ricos e pobres. Hoje, aquela esquerda se encontra, porém, desorientada, com Lula condenado por corrupção a 12 anos de prisão e, provavelmente, impossibilitado por lei de disputar as eleições. Mas não é nos momentos de maior crise interna de um partido político da envergadura do PT que seria necessário, em vez de atiçar o fogo do enfrentamento, buscar caminhos novos de superação da crise, com os nervos calmos e o cérebro lúcido?

Curiosamente, foi Lula quem confiou em outubro de 2014, em uma entrevista a este jornal, que tinha chegado a hora de “renovar o PT”. Lula demonstrou nostalgia pelos companheiros que “trabalhavam de graça, de manhã, de tarde e à noite para o partido”. E acrescentou: “O PT não nasceu para fazer como os outros”. E hoje, uma figura serena do PT, Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, voltou a pôr na mesa a necessidade de refundar o partido. Essa ideia de refundação já data dos tempos do escândalo do mensalão, quando, com a então cúpula do PT na prisão, Tarso Genro, uma das figuras históricas não comprometidas nem naquele caso nem na Lava Jato, tentou em vão colocá-la em marcha.

Não sei se neste momento, com Lula caído e os despojos de seus votos já disputados pelas outras forças políticas de esquerda e de direita, o PT de Gleisi e Lindbergh estaria disposto a uma refundação do partido. Com um PT que imagina que sem Lula nas urnas se produzirá na sociedade “uma convulsão incontrolável”, o que se está fazendo é entregar o país às forças mais reacionárias. Há responsabilidades históricas que acabam deixando uma conta pesada à sociedade, sobre a qual recai sempre o peso de seus erros. Diziam os sábios romanos: “corruptio optimi pessima”, ou seja, “nada pior que a corrupção dos melhores”. O que o Brasil precisa neste momento, como afirmou um editorial deste jornal, é que partidos e instituições “apresentem novos líderes que abram caminhos para uma etapa de regeneração democrática”.

É esse o caminho também para abrir novos horizontes de paz social. Violência verbal nas redes e na rua é o que sobra no Brasil. A força original do PT, que um dia cunhou o slogan de uma “nova esperança capaz de vencer o medo” e que hoje aparece em mãos de quem prefere os enfrentamentos ao diálogo, deveria ter a sabedoria de recuperar seu passado mais democrático. Ressuscitar fantasmas de divisões entre irmãos serve somente para que o Brasil que trabalha e sofre para sobreviver se transforme no bode expiatório dos políticos apocalípticos que pensam mais em sua sobrevivência do que na dor das pessoas. Se não acreditam, saiam às ruas, subam em um ônibus, escutem as pessoas na fila para pagar suas contas. Escutem-nas pesquisando em um supermercado para encontrar comida mais barata. Ouçam também seus silêncios. Esse é o Brasil real que parece interessar pouco até à esquerda do PT, enredada em seus discursos de guerra. É a grande massa de brasileiros desorientados à espera de que lhes ofereçam algo melhor, capaz de voltar a lhes dar esperança.

“Turbilhão”: uma esplêndida interpretação de Moacyr Franco, da extraordinária marcha-rancho de autoria de Victor Simon e David Raw. Indispensável em qualquer carnaval, de qualquer lugar. Confira!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

João Pedro Stedile, líder do MST,  ao convocar uma vigília para o dia 21, em São Bernardo do Campo, na mesma data em que o colegiado de desembargadores do TRF4  se reúne, em Porto Alegre, para decidir sobre recursos da defesa de Lula, condenado a 12 anos e um mês de prisão.

Por Adriana Justi, Erick Gimenes e Bibiana Dionísio, Do G1 PR, Curitiba

 

João Santana e a mulher Mônica Moura prestaram depoimento como testemunhas de acusação no processo sobre o sítio em Atibaia (Foto: GloboNews) João Santana e a mulher Mônica Moura prestaram depoimento como testemunhas de acusação no processo sobre o sítio em Atibaia (Foto: GloboNews)

João Santana e a mulher Mônica Moura prestaram depoimento como testemunhas de acusação no processo sobre o sítio em Atibaia (Foto: GloboNews)

O ex-marqueteiro do PT João Santana e a mulher e sócia dele, Mônica Moura, prestaram depoimento como testemunhas de acusação no processo sobre o sítio de Atibaia, nesta segunda-feira (5), e reafirmaram que houve caixa dois na campanha para reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, pago pela Odebrecht.

O casal fechou acordo de delação premiada em abril de 2017 e está em liberdade desde agosto. Diariamente, eles são monitorados por uma tornozeleira eletrônica.

Mônica disse que a campanha custou R$ 18 milhões mais ou menos 8 em doações oficiais e R$ 10 milhões em caixa dois. Segundo João Santana, esses valores eram aproximadamente de 20% a 30% do valor oficial da campanha.

 
 

Ela já havia citado o valor a procuradores da República, em delação premiada, em maio de 2017. À época, a empresária disse que o pagamento foi feito em dinheiro vivo em sacolas, caixas de roupa e de sapatos em uma loja de um shopping de São Paulo.

A mulher de João Santana também disse que só teve “contato social” com Lula e que nunca falou de dinheiro com o ex-presidente ou esteve presente “nas reuniões de cúpula, de decisões políticas e estratégicas”.

Este processo é o terceiro relacionado à Operação Lava Jato, que está em tramitação em Curitiba, envolvendo o ex-presidente Lula.

A acusação trata do pagamento de propina de pelo menos R$ 128 milhões pela Odebrecht e de outros R$ 27 milhões por parte da OAS em troca de contratos com a Petrobras. Conforme a denúncia, Lula foi beneficiado com parte desse dinheiro, por meio de obras realizadas no sítio Santa Bárbara, em Atibaia.

As obras, conforme a denúncia, serviram para adequar o imóvel às necessidades de Lula. Segundo o MPF, a Odebrecht e a OAS custearam R$ 850 mil em reformas na propriedade.

João Santana diz que não conhece o sítio

O ex-marqueteiro relatou ao juiz Sérgio Moro que nunca foi ao sítio e que não sabia de detalhes sobre a propriedade.

“Inclusive, quando se referia nesse período ao sítio do presidente eu imaginava que fosse um sítio que eu tinha conhecido há muitos anos atrás, que era um sítio que ele tinha perto de uma represa em São Paulo”, argumentou Santana.

O delator e ex-gerente da área Internacional da Petrobras, Eduardo Musa, também prestou depoimento no processo e afirmou que não tem nenhuma informação sobre a reforma no sítio de Atibaia. “Não conheço o assunto”, afirmou.

Doações não contabilizadas

Mônica Moura disse que recebeu pagamentos não contabilizados, do Partido dos Trabalhadores e também de outros partidos, em várias campanhas políticas. “Não existe campanha política no Brasil sem dinheiro não contabilizado”.

Os repasses eram feitos de duas maneiras: em dinheiro vivo e em depósitos no exterior, segundo ela.

Ela disse ainda que recebeu os valores de caixa dois da Odebrecht em 2006, para a reeleição de Lula, e em 2010, para a eleição de Dilma. Ela negociava os pagamentos com Antônio Palocci e com João Vaccari Neto.

Mônica Moura afirmou também que ela e João fizeram o marketing político em campanha para a presidência de El Salvador, porque “o PT tinha interesse, não só em El Salvador como em vários países da América Latina, que a esquerda ganhasse as eleições”. A campanha, diz ela, foi financiada pelo partido salvadorenho (doações legais) e pela Odebrecht (caixa dois), com intermédio de Palocci.

Moro nega pedido de adiamento dos depoimentos

Antes das testemunhas começarem a falar, as defesas de Fernando Bittar e de Lula pediram o adiamento dos depoimentos porque, segundo eles, o MPF apresentou documentos e vídeos prestados durante a colaboração que eles ainda não tinham tido acesso. Segundo os advogados, tomar o depoimento na mesma data representaria um cerceamento de defesa.

Moro indeferiu o pedido e disse que o MPF deveria ter juntado os elementos antecipadamente para evitar discussões. O juiz disse ainda que como as testemunhas residem em outra cidade, adiar os depoimentos implicaria em ônus considerável de deslocamento para as testemunhas.

Apesar de negar o pedido, Moro deu o prazo de cinco dias para que as defesas examinem os depoimentos e documentos e, caso tenham perguntas complementares, peçam a reoitiva das testemunhas.

Os procuradores do MPF disseram que os vídeos juntados no processo já haviam sido anexados anteriormente.

O que diz a defesa de Lula

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, reafirmou que o sítio não é do ex-presidente Lula. Na avaliação dele, os depoimentos desta segunda-feira não serviram para reforçar a acusação.

O advogado disse também que não há nenhuma prova contra Lula. “O fato é que não se atribui a propriedade ao ex-presidente Lula e isso está muito claro na própria denúncia. Não há nenhum elemento, nada, que possa mudar esta situação”, afirmou o advogado.

Segundo Zanin, aquilo que consta na denúncia não é verdadeiro. “A acusação não tem a menor procedência”.

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06
Posted on 06-02-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-02-2018


 

 

Sid, no portal de humor gráfico

 

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06

O ministro da Secretaria de Governo Carlos Marun afirmou nesta segunda-feira (5) que o governo não vai recuar da indicação da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o cargo de ministra do Trabalho. De acordo com ele, não há a intenção de pedir que o partido sugira outro nome para assumir o ministério.  

“O governo continua insistindo no reconhecimento da privativa prerrogativa do presidente Temer prevista na Constituição de nomear seus ministros”, disse Marun, argumentando que ainda que não há nada que efetivamente prejudique a imagem de Cristiane Brasil. “O fato de alguém ter perdido uma ação trabalhista não significa que essa pessoa seja imoral.”

Fato não significa que deputada "seja imoral", defendeu articulista do governo
Fato não significa que deputada “seja imoral”, defendeu articulador do governo

O ministro foi questionado sobre notícias publicadas pela imprensa neste fim de semana, sobre suposta associação ao tráfico e a divulgação de um áudio de 2014 em que ela cobraria votos de servidores públicos. Marun respondeu que o governo está em uma luta maior, que seria o reconhecimento da prerrogativa constitucional do presidente de nomear ministros.

Carlos Marun disse ainda que não há nada que efetivamente prejudique a imagem de Cristiane Brasil. “O fato de alguém ter perdido uma ação trabalhista não significa que essa pessoa seja imoral.”

Deputada enfrenta denúncias envolvendo associação com tráfico e pedido de votos a servidores

Indicada há um mês para assumir o Ministério do Trabalho, Cristiane Brasil viu seu nome envolvido em novas denúncias neste final de semana. No sábado (3), O Estado de S. Paulo revelou que a deputada é investigada em inquérito que apura suposta associação com o tráfico de drogas. No domingo (4), o Fantástico divulgou gravação de 2014, na qual a parlamentar, então Secretaria Especial do Envelhecimento Saudável e da Qualidade de Vida da Prefeitura do Rio, pede votos a funcionários da pasta para se eleger deputada federal pelo PTB. 

No fim de semana, a assessoria da deputada divulgou nota informando que o referido inquérito sobre associação ao tráfico foi aberto baseado em uma denúncia anônima durante a campanha eleitoral de 2010, ano em que Cristine sequer foi candidata. “A deputada afirma que não foi ouvida no inquérito e nega veementemente que teve contato com qualquer criminoso”, diz o texto. 

Gravação e pedido de votos

Na época da gravação, Cristiane Brasil estava licenciada da Câmara dos Vereadores para assumir a secretaria. Cerca de 50 servidores públicos e prestadores de serviço da pasta foram chamados para um encontro com ela. “Bom dia! Aqui não é uma reunião tensa. É apenas pra gente situar vocês de coisas que não estão no dia a dia de vocês e que vocês precisam entender pra ajudar a gente. Se eu perder a eleição de deputada federal…Eu preciso de setenta mil votos. Eu fiz quase trinta (mil votos). Agora são setenta mil. No dia seguinte, eu perco a secretaria. No outro dia, vocês perdem o emprego”, diz a deputada.

Governo indicou a deputada para assumir o Ministério do Trabalho há um mês
Governo indicou a deputada para assumir o Ministério do Trabalho há um mês

“Só tem importância na política quem tem mandato. Só tem mandato quem tem voto. Só tem voto quem tem pessoas como vocês que estão na ponta ajudando a gente pedir e propagar o voto. Do contrário, não funciona”, completa.

Associação com o tráfico de drogas

Cristiane Brasil é investigada em um inquérito que apura suposta associação com o tráfico de drogas, de acordo com o Estado de S. Paulo. A investigação foi aberta pela Polícia Civil do Rio em 2010, a partir de denúncias de que assessores da deputada teriam pagado traficantes pelo “direito exclusivo” à campanha política em Cavalcanti, na Zona Norte.

Presidentes de associações de bairro teriam sido levados para conversar com o chefe do tráfico da região por se recusarem a trabalhar para a deputada.

DO BLOG O ANTAGONISTA

João Santana: Tacla Durán mentiu

Cristiano Zanin deu mais um tiro no pé de Lula, ao questionar João Santana sobre Rodrigo Tacla Durán:

Zanin – O senhor conhece Rodrigo Tacla Durán?

Santana – Não. Ouvi referência dele, recentemente, inclusive ele assacando calúnias contra mim.

Zanin – O senhor pode dizer qual que seria a calúnia?

Santana – Ele se referiu e depois ele próprio, no depoimento que deu na CPI fugiu desse tema, de que eu teria uma offshore num país da América Central. É mentira. Inclusive fomos ao Ministério Público, pedimos investigação e é um fato que ele jamais pode provar.

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