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DO BLOG O ANTAGONISTA

João Santana diz que cobrava de Lula atrasos da Odebrecht

Questionado por Sergio Moro, João Santana confirmou que cobrou de Lula por atrasos em pagamentos da Odebrecht, em sua campanha e na de Dilma Rousseff.

“Falei duas ou três vezes, cobrando atrasos de pagamentos que estavam ocorrendo. Ele dizia: ‘Vamos resolver’. Isso no intervalo do primeiro para o segundo turno da campanha dele e depois da campanha e na primeira eleição da presidente Dilma.”

O publicitário disse que deduz que Lula sabia exatamente do que estavam tratando.

DO CORREIO24H

Um dos mais importantes nomes da luta contra o racismo no Brasil – no jornalismo e na atuação política e parlamentar- ,o jornalista e  ex-deputado federal Carlos Alberto de Oliveira (Caó), 76 anos, morreu no Rio de Janeiro neste domingo (4). 

Jornalista e advogado, Caó nasceu em Salvador e foi autor da Lei 7.437/85, conhecida como Lei Caó, que mudou o texto da Lei Afonso Arinos, de 1951, e tornou contravenção penal o preconceito de raça, cor, sexo e estado. 

Como deputado constituinte, ele também foi responsável pela inclusão na Constituição Federal de 1988 do inciso ao artigo 5º que tornou racismo crime inafiançável e imprescritível. Depois, ainda foi autor da Lei 7.716/89, que regulamentou o texto constitucional determinando prisão para o crime de preconceito e discriminação racial no país.

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Biografia

Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos – assim registrado no início da década de 80, por razões de identificação política, em substituição ao nome de batismo, Carlos Alberto Oliveira dos Santos – nasceu em Salvador no dia 24 de novembro de 1941. Era filho de Temístocles Oliveira dos Santos e de Martinha Oliveira dos Santos.

Sua trajetória política foi iniciada aos 15 anos, quando virou secretário da Associação de Moradores do bairro da Federação, cargo que exerceu de 1956 a 1959. Atuando também no movimento estudantil, de 1958 a 1959 foi vice-presidente do Centro Acadêmico Rui Barbosa, do Colégio Estadual da Bahia. Em 1960, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (FDUfba) e, em 1962, foi eleito vice-presidente de intercâmbio internacional da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Perseguido durante o regime militar, refugiou-se no Rio de Janeiro, onde passou a exercer a profissão de jornalista. Foi redator e editor político no jornal Luta Democrática até 1966 e trabalhou na Tribuna da Imprensa até 1968. 

A partir deste ano, ainda no Rio, trabalhou em O Jornal e na TV Tupi, também como redator e editor político. Foi um dos fundadores e primeiro secretário-geral do Clube dos Repórteres Políticos, entidade criada para enfrentar a censura imposta pela ditadura militar.

Em 1970, foi submetido a julgamento na 6ª Região Militar, em Salvador, sendo condenado a dois anos de prisão. Permaneceu preso na cidade por seis meses, tendo sido libertado por decisão do Superior Tribunal Militar (STM), que considerou a pena prescrita.

Trabalhou ainda no Jornal do Brasil (onde foi repórter e editor de Economia) e, em 1974, na revista Veja. Envolvido com a atividade sindical, em julho de 1978 elegeu-se presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio, sendo reeleito em 1981, ano em que, a convite de Leonel Brizola, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). 

Nas eleições de 1982 obteve a segunda suplência do PDT na Câmara dos Deputados e assumiu o mandato em 1983, licenciando-se, no mesmo mês, para exercer o cargo de secretário de Trabalho e Habitação do primeiro governo Brizola no Rio de Janeiro (1983-1987). À frente da pasta, foi responsável pela implementação do programa Cada família, um lote — uma política habitacional alternativa à do Banco Nacional de Habitação (BNH) e dirigida às classes menos favorecidas — e pela instalação de um plano inclinado em favelas cariocas. Permaneceu no cargo até 1986, quando foi novamente suplente na eleição para deputado federal constituinte. Ainda em 1986, passou a integrar o diretório nacional do PDT.

Retornou à Câmara em janeiro de 1987, antes do início dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, em virtude da morte do deputado Giulio Caruso. Empossado como constituinte em 1988, foi um dos poucos parlamentares negros a participar da elaboração da nova Constituição, consagrando-se pela aprovação da emenda Caó, posteriormente regulamentada pela Lei Caó, que tornou a prática do racismo crime sujeito à prisão. Além desta, conseguiu incorporar cerca de 60 emendas à nova Carta Magna. 

Em 1994, Caó candidatou-se ao Senado. Mesmo com 700 mil votos, foi derrotado. Em 1998 e 2002, voltou a se candidatar à Câmara dos Deputados, mas novamente sem sucesso. Viúvo, ele tinha dois filhos. Com informações da Fundação Getúlio Vargas.

 

Quero um bate-papo na esquina
Eu quero o Rio antigo
Com crianças na calçada
Brincando sem perigo
Sem metrô e sem frescão
O ontem no amanhã
Eu que pego o bonde 12 de Ipanema
Pra ver o Oscarito e o Grande Otelo no cinema
Domingo no Rian
Me deixa eu querer mais, mais pazQuero um pregão de garrafeiro
Zizinho no gramado
Eu quero um samba sincopado
Baioba, bagageiro
E o desafinado que o Jobim sacou
Quero o programa de calouros
Com Ary Barroso
O Lamartine me ensinando
Um lá, lá, lá, lá, lá, gostoso
Quero o Café Nice
De onde o samba vem
Quero a Cinelândia estreando “E o Vento Levou”
Um velho samba do Ataulfo
Que ninguém jamais agravou
PRK 30 que valia 100
Como nos velhos temposQuero o carnaval com serpentinas
Eu quero a Copa Roca de Brasil e Argentina
Os Anjos do Inferno, 4 Ases e Um Coringa
Eu quero, eu quero porque é bom
É que pego no meu rádio uma novela
Depois eu vou à Lapa, faço um lanche no Capela
Mais tarde eu e ela, nos lados do Hotel LeblonQuero um som de fossa da Dolores
Uma valsa do Orestes, zum-zum-zum dos Cafajestes
Um bife lá no Lamas
Cidade sem Aterro, como Deus criou
Quero o chá dançante lá no clube
Com Waldir Calmon
Trio de Ouro com a Dalva
Estrela Dalva do Brasil
Quero o Sérgio Porto
E o seu bom humor
Eu quero ver o show do Walter Pinto
Com mulheres mil
O Rio aceso em lampiões
E violões que quem não viu
Não pode entender
O que é paz e amor
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Maninha (e cunhada):
Tudo isso que o samba diz e mais – muito mais – do melhor na vida, nos afetos, no trabalho , no caminhar digno, inteligente e vitorioso, sem perder a generosidade e a arte de conviver jamais. Parabéns neste dia feliz da nova idade e sempre.
(Hugo e Margarida)

 

Política e Eleições

Fernando Henrique Cardoso

Política e Eleições

O país vive dias politicamente agitados. Mas para quem imaginava que uma segunda condenação de Lula levantaria as massas em protesto, o pós-julgamento, independentemente de se estar ou não de acordo com o veredicto, foi decepcionante. Na verdade a maioria da população continuou imersa no dia-a-dia. A fagulha que viria dos “movimentos populares” não veio. O que não quer dizer que no transcorrer do tempo, por outras razões e pelas consequências da eventual prisão de Lula, o ânimo das pessoas não possa levá-las às ruas.

Nada disso muda o panorama: a movimentação se confina aos meios políticos e jornalísticos e ao mercado financeiro. A eventualidade de quem estava à frente das preferências ser impedido de concorrer por uma lei que, ironicamente, ele próprio sancionou, chamada “da Ficha Limpa”, produz certo alvoroço para saber como se distribuirão seus votos. E assim será a cada nova pesquisa eleitoral que apareça. As eleições, entretanto, virão. O calendário não será alterado. Os partidos e candidatos, todos eles, passado o alvoroço, procurarão se adaptar à realidade.

É cedo para prognósticos. Quando deixei o ministério da Fazenda para ser candidato (em outras circunstâncias, é verdade), tinha 12% das intenções de voto e Lula três vezes mais. Em julho, depois do Real virar moeda, a tendência começou a mudar, mas a mudança só se tornou nítida quando teve início o horário eleitoral na TV e no rádio, atraindo parte importante da atenção da maioria das pessoas. Os eleitores olharam os candidatos e optaram por quem lhes pareceu mais capaz de conduzi-los a um futuro melhor. Naquela época a questão central era o controle da inflação. Hoje não há uma, mas várias questões centrais. Além disso, a mídia social, a da internet, abre maiores espaços para todos os candidatos.

Política é circunstância, mas é também esperança e essa depende de o candidato encarnar uma mensagem consistente com o que a maioria do eleitorado sente e deseja. Hoje, o tema central não é mais a inflação. O desemprego (portanto, o crescimento da economia), o crime e a insegurança das pessoas, bem como a corrupção, que provoca o clamor por decência, são os novos pontos sensíveis.

A vitória eleitoral depende de se construir e saber transmitir uma mensagem que toque a sensibilidade popular e dê resposta às principais preocupações da maioria da população. O eleitorado avalia a seu modo as possibilidades de dias melhores que o candidato lhe oferece. Essa avaliação a rigor não se iniciou. A grande maioria das pessoas só começará a fazê-la bem mais à frente.

Na escolha do candidato, a economia conta, mas não os dados puros e duros. Os americanos falam do “feel good factor”, ou seja, do sentimento de bem-estar. Não basta que os dados mostrem aos especialistas que a economia está melhorando, é preciso que as pessoas sintam que a vida melhorou para si e para os mais próximos. O discurso “técnico” ajuda pouco a obter votos. Dados sem alma são como pedras que rolam dos morros, não formam caminhos. É preciso oferecer bons motivos para que a escolha do eleitorado recaia sobre A e não sobre B. Daí que sejam importantes a campanha, a mensagem, a capacidade do candidato de ter uma fala coerente com sua trajetória. Antes dos embates reais entre os candidatos, as apostas são arriscadas.

Está na moda, dada dispersão de preferências de votos, imaginar possível repetir o “fenômeno Macron”. Sim, pode-se despertar esperanças e juntar segmentos de uma sociedade fragmentada e desiludida com os políticos. Mas as circunstâncias aqui são outras: na França a eleição presidencial é solitária e candidatos independentes podem concorrer. As eleições para a Assembleia Nacional se dão um mês depois, o que dá ao presidente vitorioso, mesmo um outsider, enorme chance de “formar a maioria”. No Brasil, só podem concorrer candidatos filiados a partidos. As alianças partidárias para a eleição são importantes para assegurar tempo de TV e recursos de financiamento de campanha. Depois de eleito, porém, o presidente não terá a maioria congressual assegurada, dada a fragmentação do sistema partidário.

Só a partir de abril, quando termina o prazo para a filiação a partidos, pré-requisito para disputar a eleição, poderemos ver se haverá mesmo “outsiders”. Até as convenções partidárias, que devem se realizar entre julho e início de agosto, o jogo político se concentrará na montagem das alianças partidárias para a presidência, os governos estaduais e o Congresso, um quebra-cabeça em três camadas que se afetam reciprocamente. Por mais importante que seja montá-lo, quem queira vencer a eleição presidencial não pode se descuidar da construção da sua narrativa, desde já.

A dispersão do eleitorado mostra que entre nós os “partidos” não são condutores do voto, com as exceções conhecidas. Os líderes contam mais do que eles. Essa é uma das fragilidades de nossa democracia. Com a desmoralização da “classe política”, se houver alguém capaz de comover as massas e de significar para elas um futuro melhor, pode ganhar. Neste caso: como governará? Com quem e a que custo?

Desmoralizados ou não, fragmentados ou não, mesmo em crise como estão, os partidos são instrumentos básicos nas democracias representativas. Sua substituição pela mensagem do líder é possível, mas, em geral, as consequências são negativas. Melhor tratar de reinventar os partidos e abrir espaços para que as pessoas opinem e participem das decisões do que imaginar que “alguém” salvará a pátria. A pátria precisa tanto de líderes como de instituições. E principalmente de um eleitorado que leve ao poder quem tenha visão de país e do mundo e, sustentando os valores da decência e da democracia, possa oferecer maior bem-estar ao povo.

DO JORNAL DO BRASIL

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite deste sábado (3) que “tem muito mau caráter” na Justiça brasileira. Durante a missa de celebração de um ano da morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, o petista reforçou que se sente injustiçado e que a condenação de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro são mais uma prova disto.

“Vou recorrer com a mesma tranquilidade que sempre tive apostando na Justiça. Mas com a coragem de dizer que dentro da Justiça tem gente muito boa, mas tem muita gente mau caráter, de má fé. E essas pessoas não merecem ser juízes”, disse Lula.

Para o ex-presidente, muitos magistrados vêm agindo como “dirigentes partidários”, e a sua resposta não virá com o “ódio” que tais juízes estariam demonstrando contra ele. “Se votaram com ódio, votaram contra um homem que tem muita paz. E vou matá-los de ódio justamente por não ter ódio. Vou vencer. É uma questão de tempo”, destacou.

"Vou recorrer com a mesma tranquilidade que sempre tive apostando na Justiça"
“Vou recorrer com a mesma tranquilidade que sempre tive apostando na Justiça”

De acordo com Lula, a condenação aplicada pelo TRF-4 “está baseada em um mentira”. “Essa perseguição que está acontecendo a mim, ao PT, aos movimento sociais e à esquerda é a razão pela qual luto”, continuou.

Emocionado ao falar da mulher, Lula destacou que Marisa Letícia “não foi uma mulher que teve um momento de facilidade em sua vida”, e que ela do céu (“se existir, ela com certeza está lá”) envia uma mensagem clara ao petista: “Não pare. Não se desespere”.

O ex-presidente ainda reforçou que a sua luta está longe do fim e que ele ainda possui muitos objetivos pela frente. “O pernambucano que não morre até os 5 anos passa dos 90 anos. E eu estou com vontade e com a energia para viver pelo menos até 90 anos, para ser contribuinte para a reconstrução democrática do país e para que os pobres voltem a ter seus direitos”, afirmou.

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Posted on 05-02-2018
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Mariano, no portal de humor gráfico

 

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DO BLOG O ANTAGONISTA

A candidata do PPS no Rio

Lideranças do PPS tentam convencer a juíza aposentada e ex-deputada federal Denise Frossard a ser candidata ao governo do Rio de Janeiro pelo partido, informa O Globo.

Denise está afastada da vida pública desde 2006, quando foi derrotada no segundo turno por Sérgio Cabral.

Segundo interlocutores da juíza, que ganhou fama nacional ao determinar a prisão de 14 líderes do jogo do bicho, desde o ano passado ela retomou as conversas com aliados políticos, movida pela indignação com a crise no estado.

“Por enquanto, ela evita falar em candidatura, mas aliados veem sinais positivos.”

O deputado Roberto Freire, presidente nacional do PPS, disse ao jornal que seria “uma honra”:

“Mesmo ela dizendo que não pretende ser candidata, eu a coloco na conversa porque é uma opção que não pode deixar de ser discutida. Se houver uma mobilização, com a construção de uma aliança, pode ser que ela aceite.”

Por José Claudio Pimentel, G1 Santos

Navio Nada é o maior para bovinos em operação no mundo e ficou retido no Porto de Santos, SP (Foto: Fabio Mello Fontes/Arquivo Pessoal)

O navio com 25 mil cabeças de gado a bordo recebeu autorização para deixar o Porto de Santos, no litoral de São Paulo, após determinação da Justiça Federal na noite deste domingo (4). A decisão de urgência atendeu a um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU), que intercedeu no caso a pedido do Governo Federal. Ativistas alegam maus tratos.

O ministro Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, reuniu-se com o presidente Michel Temer ao longo do dia para buscar uma solução ao impasse. A ministra Grace Mendonça, da AGU, recorreu Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que derrubou a liminar de instância inferior que impedia a saída da embarcação.

Entre 26 e 31 de janeiro, o cais do Ecoporto, na Margem Direita do complexo portuário, recebeu os bois que eram criados em fazendas no interior paulista, distantes 500 quilômetros do litoral. Os animais foram comprados pela Turquia e o embarque no navio Nada, o maior do tipo no mundo, teve que ser suspenso por ordem judicial.

Trata-se da segunda operação com carga viva no cais santista após 20 anos. Ativistas ligados à proteção animal alegam que os bois são vítimas de maus tratos. A prefeitura multou a empresa responsável pelos bovinos, em R$ 1,5 milhão, com essa mesma justificativa e, depois, em R$ 2 milhões, por poluição ambiental.

 Operação embarca 27 mil bois em navio no Porto de Santos, SP (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Operação embarca 27 mil bois em navio no Porto de Santos, SP (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

“A exportação de animais vivos é um assunto muito natural para nós brasileiros. Como o Brasil é um país livre de endemias, há mercado consumidor para isso fora daqui. Temos um rigor interno muito grande, além de termos todas as autorizações para executar a atividade”, afirmou Maggi, chefe do Mapa, em entrevista ao G1.

O ministro diz que foi surpreendido com as decisões judiciais. Determinou-se a suspensão do embarque (faltam cerca de 2 mil bois), o desembarque daqueles animais já a bordo e a inspeção sanitária no navio. Na vistoria, o laudo da Vigilância Agropecuária afastou maus tratos e atestou as boas condições sanitárias do navio.

“Nesse episódio, entrou um fator novo de questionamento que é o bem estar animal. Eu garanto que não há maus tratos. O ministério tem um setor muito rigoroso nessa questão, que não deixa passar nada de errado”, explicou. Para ele, o impasse tomou caráter ideológico, afastando a avaliação técnica e legal da operação.

 

Luisa Mell se reúne com ativista em defesa dos bois embarcados no Porto de Santos, SP. (Foto: Tatyana Jorge/G1) Luisa Mell se reúne com ativista em defesa dos bois embarcados no Porto de Santos, SP. (Foto: Tatyana Jorge/G1)

Luisa Mell se reúne com ativista em defesa dos bois embarcados no Porto de Santos, SP. (Foto: Tatyana Jorge/G1)

Durante a manhã de domingo, o vice-líder do governo na Câmara, deputado federal Beto Mansur (PRB-SP), a pedido do presidente Temer, ainda segundo o ministro, fez uma vistoria na embarcação. O parlamentar foi hostilizado pelos ativistas ao afirmar que não verificou sinais de maus tratos, apesar de encontrar animais sujos.

“A gravidade do assunto tornou-se pauta do Governo. Estive com o presidente hoje [domingo] e ele está preocupado. A ministra Grace Mendonça, da Advocacia-Geral da União (AGU), entrou com recurso no Tribunal Regional Federal (TRF) para reverter a decisão liminar para que o navio possa deixar o Porto de Santos”.

Na decisão, a desembargadora federal do TRF, Diva Prestes Marcondes Malerbi, determina que o navio Nada inicie viagem “imediatamente”. Segundo informações da autoridade portuária, a previsão é que ele deixe o cais no início da madrugada desta segunda-feira (5). A ordem já foi remetida para a Marinha do Brasil, que o mantinha no Porto.

O Nada tinha previsão para deixar o cais santista na madrugada de quinta-feira (1), mas a Marinha do Brasil o reteve, por determinação das ordens judiciais. “Se a liminar não caísse, iríamos recorrer ao STJ imediatamente. Além da inviabilidade da logística reversa, para o desembarque, o cheiro da embarcação já incomoda a cidade”.

O chefe da Pasta da Agricultura ainda disse que o impasse, além de ocasionar prejuízo estimado de cerca de R$ 5 milhões à empresa dona da carga, abala “fortemente” a imagem do País no mercado internacional. “Quem sai ganhando são nossos concorrentes: Argentina, Uruguai, Estados Unidos e Austrália”, aponta.

Maggi diz que a situação, quando solucionada, ainda afasta outras operações semelhantes no Porto de Santos, considerado o mais importante do País. “Claro que deixou de ser interessante. Esse tipo de problema é inédito”, afirma. Assim que conseguirem a liberação, a ordem é que o navio deixe o cais mesmo sem os bois restantes.

“É preciso que as pessoas entendam que a exportação de carga viva atende demandas, seja por tradição do país comprador ou da inviabilidade daquele país de armazenar carne congelada. É algo legal, que acontece no mundo todo, assim como no Brasil, que segue as determinações internacionais para evitar problemas”.

‘Mais prejuízo’ aos bois

Na sexta-feira (2), o médico veterinário Guilherme Henrique Figueiredo Marques, que é auditor fiscal agropecuário, diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e delegado do Brasil na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) rechaçou o impasse.

“Resta claro que a judicialização da questão, com a consequente demora para prosseguimento da viagem e desembarque dos animais no destino, causa muito mais prejuízos do ponto de vista do bem-estar animal do que o que é atribuído pelas ONGs, e que gerou o impasse”, declarou, por meio de nota enviada ao G1.

Turquia no cais

Também na sexta-feira, uma equipe do Consulado Geral da Turquia em São Paulo, representando o país comprador da carga, esteve no Ecoporto para participar de uma reunião sobre o impasse. O G1 procurou os representantes, inclusive na Embaixada em Brasília, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A Turquia é considerada justamente a principal compradora de bovinos vivos em 2017, segundo a Sociedade Rural Brasileira (SRB). Conforme dados oficiais, dos 340,34 mil bois exportados de janeiro a novembro do ano passado, 47,5% foram enviados para o país. Em dezembro de 2017, uma operação ocorreu em Santos.

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