fev
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Posse de Jungmann na Segurança
Temer e Jungmann durante a posse do novo ministro da Segurança. Eraldo Peres AP
Brasília

Empossado nesta terça-feira no Ministério Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann começou com uma decisão de vulto – a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, o controverso Fernando Segóvia, após três meses no cargo -, e enviou alguns recados a quem atua na área. Ao assumir o que ele definiu como “maior desafio” de sua vida, ele sinalizou que está encerrando sua carreira político-partidária.

Horas depois da cerimônia, foi conhecido que Segovia será substuído na PF por Rogério Galloro. O novo número 1 da Polícia Federal já foi diretor-executivo da corporação e atualmente era secretário nacional de Segurança Pública. O movimento de Jungmann acontece quando Segovia parecia encurralado. No começo do mês, ele, que chegou ao cargo apoiado por caciques emedebistas, concedeu uma entrevista à agência Reuters e acabou comentando um inquérito envolvendo o presidente Michel Temer. A segunda havia registrado mais um capítulo da novela: a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma “ordem judicial” para que o então diretor-geral se abstivesse de declarações a respeito de inquéritos em curso, sob pena de ser afastado do cargo. Nem foi preciso.

A notícia sobre a PF ofusca, em parte, o dia da segurança pública, alçada a prioridade máxima do Planalto em dia eleitoral. No evento, Temer afirmou que não estão descartadas intervenções federais em outros Estados, além da que ocorre desde o dia 16 de fevereiro no Rio. “Nós não vamos ficar apenas no Rio de Janeiro. A Segurança Pública, hoje, é algo solicitado em todo País”. Os outros casos passarão a ser analisados a partir de quinta-feira, quando Jungmann se reunirá com governadores de todo o país para debater o foco de sua pasta.

A escolha de Jungmann para o comando da pasta ocorreu porque o Planalto não encontrou um nome da sociedade civil que o agradasse ou que aceitasse o desafio em um período tão curto, já que o mandato de Temer acaba em dezembro. Antes de assumir o ministério Jungmann foi deputado federal por dois mandados, suplente de deputado desde 2015, e passou por outros dois ministérios, o do Desenvolvimento Agrário (no Governo Fernando Henrique Cardoso) e o da Defesa (na gestão Michel Temer). Ele é filiado ao PPS. Eis os principais trechos das falas do novo ministro:

Consumo de drogas X insegurança

“Me impressiona no Rio de Janeiro, onde vejo as pessoas durante o dia clamarem pela segurança (…)  e à noite financiarem esse mesmo crime através do consumo de drogas”

“Muitas vezes, numa ponta, por trás dos delitos, por trás dos problemas na área de segurança, está uma mãe solteira, com filhos, trabalhando solitária, sem tempo para cuidar e educar seus filhos. Que na escola lhe fecham as portas. Que na sociedade lhe fecham as portas. Que os empregos não existem. E se tornam, sim, vulneráveis. Na outra ponta, temos aquele que nada falta. Aqueles que têm recursos. Aqueles que muitas vezes chamamos de classe média. Mas que, pela frouxidão dos costumes, pela ausência de valores, pela ausência de capacidade hoje de entender os limites entre o que é lícito e ilícito passam a consumir drogas”.

“Me impressiona no Rio de Janeiro, onde vejo as pessoas durante o dia clamarem pela segurança, clamarem contra a violência, clamarem contra o crime – e estão corretas – e à noite financiarem esse mesmo crime através do consumo de drogas. Não é possível!”

Distanciamento de Estado e crime organizado

“O Estado e a sociedade não podem se equiparar ao crime organizado, sob pena de a ele se igualar. Temos que combatê-lo dentro da lei e do respeito aos direitos”.

“Estamos devendo e nos devendo um sistema unificado de segurança pública, que até aqui não conseguimos alcançar.”

Home office do crime e globalização

“É dentro do sistema prisional brasileiro que surgiram as grandes quadrilhas que nos aterrorizam. Quadrilhas estas que continuam, de dentro do sistema carcerário, a controlar o crime nas ruas e a apavorar a nossa cidadania. Sistema carcerário esse que, infelizmente, continua a ser em larga medida o home office do crime organizado”.

“O crime se globaliza (…) Já não é possível combater o crime no espaço da federação ou mesmo no espaço nacional.”

“A União precisa ampliar suas responsabilidades e coordenar e promover a integração entre os entes federativos, estados e municípios”

Fim da carreira política

“Ao aceitar esse cargo abro a mão de uma das coisas mais caras da minha vida: a minha carreira política. Encerro a minha carreira política para me dedicar integralmente a essa luta.”

“Uma população vulnerável, uma população encurralada, uma população indefesa é presa fácil da demagogia, do autoritarismo, do desrespeito e a minha geração não pode abrir mão do que fizemos juntos.”

Maravilhas de Portugal! Dulce e o Fado!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

A operação Lava Jato e as demais investigações que se debruçam sobre a corrupção que se instalou entre o poder público e o privado no Brasil devem favorecer a criação de um ambiente mais favorável às privatizações e concessões no País, afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, no entanto, os políticos ainda precisam melhorar a mensagem a ser transmitida para a população nesse sentido, uma vez que o brasileiro médio é avesso ao tema.

“Colocar (hoje) a privatização da Petrobras é querer levar bala, todos são contra”, disse FHC, ressaltando, contudo, que existem setores da estatal petrolífera que podem ser vendidos à iniciativa privada. Segundo ele, é necessário evitar que as agências reguladoras, que fiscalizam as concessões e privatizações do governo, sejam capturadas, seja por interesses políticos, seja das empresas ou mesmo dos sindicatos. “Quando não tem regulação, faz-se uma coisa selvagem”, disse. 

Colocar privatização da Petrobras é querer levar bala, todos são contra, diz FHC
Colocar privatização da Petrobras é querer levar bala, todos são contra, diz FHC

A fala de FHC faz eco com a do governador de São Paulo e pré-candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, que no início do mês defendeu em evento do setor de construção civil que “muitos setores da Petrobras devem ser privatizados”. Na semana passada, o tucano disse ser favorável às privatizações de estatais brasileiras, desde que o processo seja amplamente fiscalizado e embasado por um marco regulatório robusto. 

Governo Temer

O ex-presidente, que participou do Fórum Estadão: A reconstrução do Brasil, organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, destacou que as medidas no governo Michel Temer “estão caminhando” e que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se cercou de gente competente. 

A despeito disso, assegurou que a população não sentiu melhorias “Tá caminhando. O povo sentiu isso? Não sentiu, falta elo de participação”, disse Fernando Henrique. 

Eleições

Durante o debate, ele destacou que o trabalho da Operação Lava Jato é importante para recuperar o sentido da moralidade pública e que o sentimento de descrédito com a política vai influenciar nas eleições presidenciais. Lembrou também que a corrupção foi identificada não apenas no setor público, mas também nas empresas privadas. 

Ainda sobre as eleições, o tucano declarou não estar claro o que vai acontecer sem a tradicional polarização PT-PSDB, que dominou as eleições desde 1994. “Não tenho bola de cristal”, afirmou.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

FHC talvez tenha ‘inveja’ de Temer, diz Rodrigo Maia

Em rara tabelinha com Michel Temer, Rodrigo Maia resolveu rebater as declarações de Fernando Henrique Cardoso de que o governo interveio no Rio por estar “encurralado”.

“Lamento que o presidente Fernando Henrique não tenha assumido para ele o problema da segurança pública. Talvez, se em 1995 o governo tivesse cuidado da segurança pública, a gente não estaria passando pelos problemas que a gente passa hoje e talvez a gente não tivesse 60 mil mortos por homicídio”, disse o presidente da Câmara.

“Talvez o presidente Fernando Henrique possa estar com um pouquinho de inveja da decisão correta que o presidente Michel Temer tomou”, acrescentou Maia, que também criticou Lula e Dilma Rousseff.

fev
28
Posted on 28-02-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-02-2018


Sid, no portal de humor gráfico

Em entrevista ao programa ‘Voz Ativa’, o jornalista defende que esporte e política são indissociáveis e critica o excesso de “gracinhas” em produções jornalísticas

Juca Kfouri participa do programa Voz Ativa.

Convidado do programa Voz Ativa, exibido nesta segunda-feira pela Rede Minas em parceria com o EL PAÍS, Juca Kfouri falou sobre seu livro recém-lançado Confesso que perdi (Companhia das Letras) e também contou histórias envolvendo dois temas que sempre estiveram muito presentes em sua trajetória profissional: esporte e política. Formado em Ciências Sociais pela USP, o jornalista criticou a mistura recorrente de jornalismo com entretenimento na cobertura esportiva, sobretudo a intimidade de emissoras de televisão com federações e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

“Pelo direito de exclusividade, a emissora que compra o futebol estabelece tal relação de promiscuidade com quem vende [os direitos de transmissão], que não a permite criticar seu ‘sócio’”, afirmou Kfouri, que citou o contrato firmado entre Rede Globo e Neymar durante a última Copa, revelado pela Folha de S. Paulo, como exemplo de vínculo que deve ser evitado pelo jornalismo. “O contrato com Neymar foi o estabelecimento escarrado da concorrência desleal. Outros repórteres não gozam do mesmo privilégio. Um equívoco gravíssimo da Globo.”

Para ele, as detentoras dos direitos de transmissão do futebol brasileiro deveriam se espelhar no modelo dos esportes norte-americanos, em que há um distanciamento entre interesses comerciais e a linha editorial de cada veículo. “Os americanos separam a ‘Igreja do Estado’. Jornalismo não tem nada a ver com entretenimento”, explica o jornalista, antes de criticar o estilo descolado consagrado por Tiago Leifert, ex-apresentador do Globo Esporte, hoje à frente do Big Brother Brasil. “Nós sofremos da leifertização do jornalismo esportivo. É muita gracinha. Briga-se pra saber quem é mais engraçadinho, quem faz a melhor piada. Não estou pregando o mau humor, é bom dar risada. Mas tem uma hora pra rir e uma hora pra chorar. Não podemos eliminar o que há de sério no esporte, porque as coisas se misturam, são faces da mesma moeda. Não dá para pensar o Brasil sem pensar o futebol brasileiro. Não dá pra pensar o futebol brasileiro sem pensar na política, na supraestrutura do Brasil.”

Juca Kfouri entende que o esporte como um todo está diretamente atrelado a questões políticas e sociais. Entretanto, ele faz uma ponderação sobre a exigência de posicionamentos além da bola de jogadores de futebol. O jornalista lembra que a Democracia Corintiana, por exemplo, que marcou época na década de 80, contou com o aval de dirigentes do Corinthians para romper padrões de comportamento e levar mensagens políticas aos estádios.

“Via de regra, o atleta está tão voltado para a competição, em um período tão curto de sua vida, que realmente não olha para o resto do país. Mas, ao longo da minha vida, aprendi a não exigir heroísmo com o pescoço alheio. A sociedade está quieta e a gente quer que os jogadores se manifestem? Quantos jornalistas criticam o patrão na empresa jornalística em que trabalham? Por que vamos exigir só dos jogadores de futebol? Sem contar que a esmagadora maioria deles ainda é vítima do sistema educacional brasileiro. O Paulo André fez isso. Acabou exportado para a China contra a própria vontade”, disse Kfouri.

Questionado sobre o prestígio de dirigentes que se enveredam pela política, como Andrés Sanchez, Eurico Miranda e Zezé Perrella, o jornalista apontou que eles apenas comprovam que o futebol vai muito além dos gramados. E refletem, de certa forma, a falta de politização do público que gira em torno do esporte. “O torcedor confunde o resultado esportivo com a figura do cartola e acaba presenteando o dirigente por méritos que ele não tem. Isso evidentemente tem a ver com a nossa baixa consciência política. Mas não é um fenômeno brasileiro. Basta lembrar que o [Mauricio] Macri e o [Silvio] Berlusconi se tornaram personalidades dirigindo Boca Juniors e Milan, respectivamente.”

A entrevista ao Voz Ativa foi conduzida pelo âncora Florestan Fernandes Júnior e o time de entrevistadores composto pelo repórter do EL PAÍS Breiller Pires; o comentarista da ESPN Brasil e do site ultrajano.com, Cláudio Arreguy; José Augusto Toscano, da Rádio Inconfidência; Maíra Lemos; jornalista e youtuber, e o ex-goleiro e agora comentarista esportivo Raul Plasmann. O programa estreou em janeiro deste ano com a presença do dramaturgo e diretor de teatro José Celso Martinez. É transmitido às segundas-feiras, às 22h15, pela Rede Minas, às terças-feiras, às 21h, pela rádio Inconfidência FM, e aos domingos, às 22h, pela rádio Inconfidência AM.

fev
27
 DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

URGENTE: SEGOVIA É DEMITIDO DA PF

O diretor-geral da PF, Fernando Segovia, caiu.

Bateu de frente com Raul Jungmann, novo ministro da Segurança Pública, e levou a pior.

Rogério Galloro assumirá a vaga de Segovia. Número dois da PF na gestão de Leandro Daiello, Galloro sempre foi o preferido do general Sérgio Etchegoyen para a vaga.

Boa Tarde !!! Em ritmo de jazz !!!

BOA NOITE TAMBÉM!!!

(Gilson Nogueira)

fev
27
Posted on 27-02-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-02-2018
 DO BLOG O ANTAGONISTA

O que é criminalidade, segundo Michel Temer

 

 

Além de pedir a jornalistas que não voltassem ao assunto da Lava Jato, Michel Temer disse hoje que a função do Ministério Extraordinário da Segurança Pública é combater uma criminalidade bem específica.

“Vamos registrar um fato: segurança pública é combater a criminalidade. Que tipo de criminalidade? Aquela, digamos, mais, podemos dizer assim, vivenciada, tráfico de drogas, a bandidagem em geral, e, evidentemente, a corrupção. Essa é a função do Ministério da Segurança Pública.”

Corrupção também?

 

Por que tantos mimos de Temer aos militares?

Temer passa em revista as tropas no dia 22 de fevereiro, ao chegar para reunião do Conselho Militar de Defesa.Temer passa em revista as tropas no dia 22 de fevereiro, ao chegar para reunião do Conselho Militar de Defesa. Joédson Alves EFE

Multiplicam-se no Governo Temer os mimos às Forças Armadas. A que se deve essa volta dos militares? Depois de quase 20 anos, por exemplo, um general do Exército é novamente chefe das forças militares, como ministro da Defesa. Tinha sido Fernando Henrique Cardoso quem, em seu segundo mandato, em 1999, pôs um civil, o senador Élcio Álvares, à frente dos militares. Desde então, esse ministério não voltou a ter um militar no seu comando.

Também pela primeira vez depois da ditadura, o Governo Temer ordenou, com o apoio do Congresso, uma intervenção federal com liderança militar em um Estado, o Rio de Janeiro, outorgando poderes de governo a um general na delicada questão da segurança pública. E pela primeira vez um ex-militar, Jair Bolsonaro, disputará as eleições presidenciais com boas chances de chegar ao segundo turno. Foi ele quem antecipou que, se ganhar as eleições, quatro ministérios importantes do seu Governo ficarão nas mãos de outros tantos generais de “quatro estrelas” do Exército.

Eu me perguntava em 11 de novembro de 2017, nesta mesma coluna, o que o Exército estava insinuando com os vários artigos de generais publicados na imprensa nacional exortando a que as eleições presidenciais de outubro próximo “sejam tranquilas”. Ninguém coloca em dúvida a lealdade da hierarquia militar no Brasil, enxertada democraticamente no jogo político. Mas tampouco se pode esquecer a preocupação que o generalato revela com a situação de caos que vive o país, enfrentando o maior escândalo de corrupção da democracia e o desprestígio da classe política, e às vésperas de eleições presidenciais com tantas incógnitas, em meio a um país dividido e irritado.

Antes que Temer chegasse ao Governo, os militares já demonstravam certa inquietação. Observou-se isso, por exemplo, durante todo o processo do impeachment de Dilma Rousseff, uma presidenta com quem as Forças Armadas tiveram sempre uma relação silenciosa, mas difícil, por seu passado de guerrilheira, torturada durante a ditadura. Os militares nunca confiaram nela, enquanto dialogavam com seu vice-presidente, Michel Temer.

Hoje a pergunta que se impõe é se essa presença e até a colaboração cada vez maior do Exército no Governo Temer se deve a essa especial boa relação que o político sempre manteve com os militares, ou se, como chegam a insinuar alguns, o presidente possui informações que não chegam à opinião pública sobre o mal-estar que reinaria em alguns círculos importantes do Exército, enquanto nas ruas, nas manifestações, vimos gente pedindo uma intervenção federal. Temer poderia estar dando mais relevo à presença do Exército em seu Governo porque conhece de perto sua lealdade com a democracia e seu desejo de participar mais ativamente na solução dos problemas do país, ou estaria tentando ganhar os militares ao lhes oferecer uma maior margem de manobra, já que conhece de perto a agitação que reina nos quartéis.

Nos próximos meses ficaremos sabendo se esses mimos ao Exército se devem apenas às boas relações de Temer com os militares, ou se por trás disso pode existir algum outro interesse político pessoal dele. Talvez esteja convencido de que, depois da ditadura, desapareceu qualquer perigo de insurreição militar, e que, portanto, os generais devem ser vistos como uma força democrática que pode ajudar a resolver os problemas do país. Ou poderia ser que o presidente, ao abrir as portas do Governo aos militares, esteja enviando a mensagem de que as Forças Armadas andam inquietas com os rumos do país e podem ter começado a soar os sinos de alerta de uma instituição com a qual é preferível colaborar para evitar tentações piores.

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