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Posted on 05-01-2018
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Fachin será relator de investigação sobre ameaça a Marcelo Calero

Carmen Lúcia manteve Edson Fachin como relator da investigação no STF sobre a ameaça de morte que Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura, acusa Lúcio Vieira Lima de lhe ter feito.

O caso foi revelado por O Antagonista em dezembro, quando Calero foi à PGR formalizar a denúncia.

Segundo o ex-ministro, a ameaça aconteceu numa conversa do irmão de Geddel Vieira Lima com o presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira.

Cristiane Brasil, deputada do PTB-RJ, nova ministra do Trabalho

Do Estadão, reproduzido por Aninha Franco em seu espaço no Facebook

OPINIÃO

Múmias futuras

Ruy Castro

RIO DE JANEIRO – Deu no “Estadão”: “Três múmias encontradas na Cordilheira dos Andes em 1999 foram usadas na defesa do jogador peruano Paolo Guerrero diante das acusações de doping nas eliminatórias para a Copa da Rússia”. Guerrero, como se sabe, foi suspenso por terem encontrado em seu xixi, depois de um jogo pelo Peru, vestígios da substância ilícita benzoilecgonina, “um metabólito comum à cocaína e à folha de coca”. As múmias, velhas de 500 anos, tinham folhas de coca entre os dentes e também acusavam a substância. Isso demonstra que a droga encontrada em Guerrero não se referia necessariamente a uso antes do dito jogo.

Fico me perguntando se o futuro terá solicitações a ponto de, um dia, precisar buscar provas em algo cometido por nossos contemporâneos –pessoas, por exemplo, como Lula, Michel Temer, Aécio Neves, José Sarney, Paulo Maluf.

Tal busca não dependerá da sobrevivência desses indivíduos como múmias. Se, hoje, um fio de cabelo ou milímetro de unha já é suficiente para se levantar o DNA completo de alguém, imagine em 500 anos –a simples menção de seus nomes para uma máquina permitirá saber muito mais sobre eles do que pensamos conhecer hoje, com a Lava Jato e tudo.

Minha preocupação é sobre o juízo que o futuro fará de nós se eles resolverem pesquisar os citados. Com certeza se interessarão em saber como um mesmo país conseguiu produzir –e na mesma época!– pessoas tão semelhantes em ambição, cinismo, caráter (ou falta de), capacidade de iludir e desfaçatez pela coisa pública. Seria alguma coisa na atmosfera ou na água? Talvez organizem expedições às ruínas de Brasília, assim como, hoje, escavamos o Egito em busca das tumbas dos faraós.

Mas acho que o que mais os impressionará será: como o Brasil conseguiu não quebrar para sempre tendo essa turma no poder?

Maravilha de canção e de interpretação de Sinatra postado por Regina, ontem, 03, em seu espaço no Twitter.

BOM DIA!!!

 

(Vitor Hugo Soares)

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Brasília
Temer no dia 21 de dezembro, no Itamaraty.
Temer no dia 21 de dezembro, no Itamaraty. ADRIANO MACHADO REUTERS

À revelia de Michel Temer, mais um ministro deixou seu cargo na Esplanada dos Ministérios. Marcos Pereira (PRB), que respondia pela pasta de Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, entregou sua carta de demissão nesta quarta-feira. É a quarta baixa em dois meses. Todas por conta das eleições de 2018. A saída força com que o presidente antecipe uma reforma ministerial, ainda que a conta gotas. As trocas estavam previstas para ocorrerem apenas em abril, mês limite para os candidatos a cargos eletivos se demitirem de suas funções comissionadas.

A saída de Marcos Pereira, do petebista Ronaldo Nogueira (Trabalho) e dos tucanos Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Bruno Araújo (Cidades) trazem uma hercúlea tarefa a Temer: reformar seu Governo a um mês e meio de se talvez sua última votar a sua reforma da Previdência. Ou seja, tem de articular para que as trocas ajudem a garantir os 308 votos necessários para a aprovação das mudanças nas aposentadorias. Tudo isso em um momento em que a saúde do presidente voltou a apresentar debilidades. Ele foi orientado pelos médicos a reduzir sua carga de trabalho e a passar a virada do ano em casa porque apresentou um quadro de infecção urinária.

Os ex-ministros do PSDB deixaram os cargos porque a legenda não definiu oficialmente se continua ou não no Governo Temer. Além disso, o partido tenta angariar apoio entre siglas do centrão, que hoje são a principal coluna de sustentação do Planalto, para a candidatura de Geraldo Alckmin à presidência da República. Já os ex-deputados do PRB e do PTB deixam os cargos simplesmente porque querem se dedicar às suas campanhas eleitorais neste ano. Ambos concorrerão a uma vaga na Câmara dos Deputados.

Um agrado para Roberto Jeferson

Dos quatro demissionários, três foram substituídos. Todos os substitutos são deputados federais que abriram mão de mão de disputarem a reeleição. Alexandre Baldy (PP-GO) assumiu o Ministério das Cidades e Carlos Marun (MDB-MS), a Secretaria de Governo. Nesta quarta-feira, quatro horas depois de receber a carta de demissão de Pereira, o presidente se reuniu com Roberto Jefferson, que cumpriu pena de prisão pelo mensalão que hoje preside o PTB. Do encontro, saiu a indicação da nova ministra do Trabalho, a deputada petebista Cristiane Brasil, filha de Jefferson. Sua posse deve ocorrer na próxima semana.

Desses três, apenas Baldy não enfrentou resistências desde que assumiu o cargo. Marun já se envolveu em um embate com governadores quando, em uma entrevista coletiva, condicionou a liberação de recursos ao apoio dos chefes de Executivos Estaduais à reforma da Previdência. Na terça-feira, foi denunciado à Comissão de Ética da Presidência da República onde poderá responder a um processo.

Cristiane Brasil, com o pai Roberto Jeferson ao fundo, na votação do impeachment na Câmara, em 2015.Cristiane Brasil, com o pai Roberto Jeferson ao fundo, na votação do impeachment na Câmara, em 2015. Antonio Augusto/Câmara dos Deputados

 

Já Cristiane Brasil não é unanimidade de seu partido. Três de quatro deputados do PTB ouvidos pela reportagem disseram que a indicação dela não teve o aval da bancada. “Nem sequer fomos consultados”, afirmou um parlamentar. Roberto Jefferson respondeu que seu partido é unido e, às lágrimas, explicou a um grupo de repórteres que o nome de sua filha não foi uma indicação sua: “Eu não indiquei. O nome dela surgiu!”. Antes de ela ser indicada, o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) tinha sido o escolhido pela sigla. Sua nomeação foi vetada por José Sarney (MDB), o ex-presidente da República que é um dos consultores de Temer e de um grupo político distinto de Fernandes no Maranhão.

Até abril, Temer ainda deverá trocar a metade da Esplanada dos Ministérios, afinal, 14 de seus 28 ministros tentarão a sorte nas urnas. Entre eles, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), que se apresenta como potencial candidato à presidência da República e o da Educação, Mendonça Filho (DEM), que está sendo cotado concorrer como vice de Geraldo Alckmin. Os outros ministros que deverão disputar a reeleição ou uma vaga no Legislativo são: Helder Barbalho (Integração), Gilberto Kassab (Comunicações), os senadores Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Blairo Maggi (Agricultura), além dos deputados federais Raul Jungmann (Defesa), Maurício Quintella (Transportes), Osmar Terra (Desenvolvimento Social), Ricardo Barros (Saúde), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Sarney Filho (Meio Ambiente), Leonardo Picciani (Esportes) e Marx Beltrão (Turismo).

jan
04
Posted on 04-01-2018
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Lane, no portal de humor gráfico

 

jan
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Posted on 04-01-2018
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Temer viajará a SP para novos exames

Andréia Sadi informa, no G1, que Michel Temer virá a São Paulo entre amanhã e sexta para fazer novos exames médicos, depois de ter tido infecção urinária e febre.

Hoje, o presidente chamou ao Alvorada Rodrigo Maia, Romero Jucá, Carlos Marun, Eliseu Padilha e Moreira Franco para discutir a reforma da Previdência.

Miami 
Uma fonte congelada em Atlanta, nesta quarta-feira.
Uma fonte congelada em Atlanta, nesta quarta-feira. AP

Toda a Costa Leste dos Estados Unidos se prepara para uma tempestade de inverno que poderia alcançar proporções históricas. Subindo de sudeste para o nordeste, nesta quarta-feira pela manhã, a tempestade Grayson deixou uma leve nevasca na capital da Flórida, Tallahassee (norte do Estado), e ao longo do dia poderia provocar acúmulo de neve sem precedentes nos Estados sulistas da Geórgia e Carolina do Sul — até 20 centímetros em Charleston. Desde quinta-feira até o fim de semana a tempestade vai seguir rumo ao nordeste e se prevê que uma queda abrupta da pressão atmosférica a transforme em uma “bomba ciclônica” — ou ciclogênese explosiva — que some ao frio fortes rajadas de vento, desencadeando perigosas tempestades de neve. Na sexta-feira poderão ser registradas mínimas históricas de temperatura em Washington e Nova York.

A tempestade se estenderá da Flórida até o Maine, Estado fronteiriço com o Canadá, e cerca de 41 milhões de pessoas sentirão em maior ou menor medida o seu efeito. O pior, a potencial combinação de frio, neve e rajadas de vento poderosas, está previsto desde Boston até o nordeste, na região da Nova Inglaterra. As autoridades dos Estados dessa área temem especialmente que haja apagões enquanto as temperaturas alcançam níveis gélidos e, por isso, puseram em ação planos de emergência para prepararem albergues para indigentes e pessoas em situação vulnerável.

O efeito do furacão de inverno na Nova Inglaterra dependerá, segundo as previsões, da direção que tomar nas próximas 72 horas, se adentra mais para o oeste ou se se distancia progressivamente com seus ventos na direção do oceano Atlântico. A confluência na sexta-feira e no sábado de um vórtice de frio polar ártico que baixará do norte contribuirá para a derrubada radical das temperaturas, com possíveis recordes mínimos em cidades do nordeste, como Baltimore, Nova York, Filadélfia e Washington.

Já nesta quarta-feira o aeroporto Dulles, nos arredores da capital dos EUA, registrou uma mínima histórica de 17 graus centígrados abaixo de zero. Rajadas de vento de até 40 quilômetros por hora farão com que a sensação térmica em toda a região nordeste possa baixar entre três e cinco graus mais.

O ciclone de inverno prolonga uma sequência de dias de frio extremo que começou no dia do Natal na Costa Leste. A última semana de 2017 foi a mais fria registrada na história de Nova York, cuja temperatura não sobe acima do zero grau centígrado desde 25 de dezembro. Há oito dias a temperatura máxima em Boston não supera os 6 graus abaixo de zero, um período sem comparação em um século. Pelo menos 19 pessoas morreram por causas relacionadas com as baixas temperaturas nos Estados Unidos desde 26 de dezembro.

Resultado de imagem para Morre Antonio Moreira em Salvador
 Vitor Hugo Soares

Artigos

Com Anísio Félix no Jardim da Saudade

Um dos textos de Julio Cortázar que mais me fascinam e surpreendem a cada nova leitura é uma narrativa curta de título sugestivo: “Comportamento nos Velórios”. Está no livro Histórias de Cronópios e de Famas e fala de uma família do bairro Pacífico, em Buenos Aires, cujos membros desenvolveram o hábito de comparecer incorporados aos enterros por não poder suportar as formas mais sutis da hipocrisia, não raramente desencadeadas em tais ocasiões diante do defunto sem condições de reagir.

O encontro no Cemitério do Jardim da Saudade, em Salvador, no velório e cremação do corpo do jornalista Anísio Félix tinha tudo para ser lavado em prantos e lamentações, até mesmo virar extensão baiana do conto do escritor portenho, tamanha a presença do falecido na vida da cidade. No ofício jornalístico resistente nos anos de censura, mas igualmente na  condição de remador contra a maré adesista e crítico feroz da falta de pudor político atual – temas constantes em seus artigos na página de Opinião de A TARDE –, Nêgo Anísio era daqueles intelectuais boêmios, altivos, que Jorge Amado denominava de “pastores da noite da Bahia”.

No conto de Cortázar, em situações como a de domingo passado no cemitério de Salvador, os integrantes da família portenha despachavam a prima mais velha para “investigar a natureza do luto”. Se choravam porque o choro era a única coisa que restava a esses homens e a essas mulheres do velório, então a família do bairro Pacífico ficava em casa. “Mas se da minuciosa investigação da minha prima surgir a suspeita de que num pátio coberto, ou na sala formam as bases da encenação, então a família veste suas melhores roupas, espera que o velório esteja no ponto e vai se apresentando aos poucos, implacavelmente”.

Além de familiares do falecido, foram ao cemitério dezenas de jornalistas, publicitários, cineasta, compositores, artistas, políticos, poetas, escritores, empresários, sindicalistas, muita gente vinculada aos  grupos negros organizados e ao sindicalismo. Não se viu ninguém da família portenha. Havia, sim, muitos amigos fiéis e companheiros de travessia do morto, a exemplo do jornalista e publicitário José Américo e o comerciante Antônio Moreira. Ambos armados de boas lembranças e bem humoradas histórias de Anísio, para espantar espasmos de hipocrisia, coisa que o falecido detestava.

Muniz Sodré, atual presidente da Biblioteca Nacional, baiano mestre dos signos da comunicação, em texto de tirar o chapéu sobre o “Jornal da Bahia”, incluiu Anísio Félix no celeiro de grandes craques, ou de “cobras criadas”, que pontificavam no “diário arretado”, a partir de 1959. Gente do porte de João Baptista Lima e Silva, Glauber Rocha, Flávio Costa, Heron Alencar, Osvaldo Peralva, José Gorender, Gerard Lauzier. Mais: João Ubaldo Ribeiro, Florisvaldo Mattos (atual editor-chefe de A TARDE), João Carlos Teixeira Gomes, Sebastião Nery, Newton Sobral, Otacílio Fonseca, Wilter Santiago, Emiliano José, Rafael Pastore, Mariluce Moura, “e eu próprio”, enumera Sodré sem falsa modéstia. Houve choro domingo, no Jardim da Saudade, mas prevaleceu o afeto bem humorado na lembrança de casos como o retirado do baú por Zé Américo e confirmado na hora pelo dono do Porto do Moreira – ancoradouro seguro de jornalistas e intelectuais no centro de Salvador. Filho do imigrante português José Moreira (personagem de Jorge Amado em “Dona Flor e seus Dois Maridos”), fundador da casa,  Antônio Moreira em viagem a Portugal levou Anísio como tradutor juramentado: “Para conseguir entender o português falado em algumas regiões”.  Moreira desembarcou em Lisboa com uma mala imensa e pesada. Anísio, com maleta paupérrima.  

Diante do agente alfandegário, perguntado sobre o motivo da visita, Moreira foi direto: “Sou comerciante na Bahia e vim gastar dinheiro em Portugal”. O fiscal sorriu e bateu o carimbo no Passaporte, desejando boa estada ao visitante. À mesma pergunta, Anísio derramou-se em explicações: nomeou com orgulho a sua profissão de jornalista e disse que viajava para pesquisar, colher informações e, na volta, escrever sobre Portugal em jornais brasileiros. O fiscal fechou a cara e mandou o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia abrir o malote, derramar na mesa todos os parcos pertences que levava e investigou um por  um, antes de carimbar o visto de entrada de Anísio Félix em Portugal. Deve ter sido mais fácil na chegada do bravo jornalista ao paraíso, para a morada definitiva.

Vitor Hugo Soares – Jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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