Texto de Paulo Martins, publicado no Facebook,  na página do escritor, poeta e memorialista, estudioso e biógrafo do cantor e compositor francês Jacques Brell. Autor do livro “A Magia da Canção Popular”, reportagem memória sobre Brell. Bahia em Pauta reproduz o texto em memória de Ângelo Roberto, que acaba de partir.    
 
 LEMBRANÇAS DE ÂNGELO ROBERTO (1)

A Bahia ontem amanheceu mais pobre. Perdeu uma das maiores figuras humanas que já conheci: o artista plástico Ângelo Roberto. Eu amanheci profundamente triste, com uma saudade enorme batendo no peito. Afinal nossa amizade já se aproximava dos 50 anos.
Além de um grande artista, exímio desenhista e bico de pena, Ângelo foi uma das pessoas mais queridas da Bahia. Não conheço ninguém que não gostasse de Ângelo, particularmente nos meios artísticos e intelectuais. Com seu jeito de criança que nunca cresceu, com sua enorme capacidade de demonstrar afeto, com seus gestos ternos e com sua espiritualidade fascinante, Ângelo cativava a todos. Era o sujeito mais bem humorado que já conheci. Só ficava triste quando, nas madrugadas boêmias, sentia saudade da esposa Marlene. Ficaria famosa a sua frase “saudade de Marlene”, que proferia como justificativa para ir embora para casa no auge da embriaguês. Mas a saudade era mesmo verdadeira. Só que, no outro dia, quando saía para uma nova farra se portava exatamente ao inverso. Aconselhado por Marlene a não sair, dizia: “Deixa-me viver, Marlene!” Essa famosa frase acabou dando nome a um bloco carnavalesco, criado pelos amigos mais próximos, com uma camiseta estampando nas costas: “Deixa-me viver, Marlene!”, que fez enorme sucesso. E Marlene tinha que deixar, até porque a vida era pra ser vivida mesmo. Isto durou até o dia em que Ângelo parou de beber. Há anos que não tomava sequer um copo de cerveja. Mas nem por isso perdeu o bom humor e muitas vezes até acompanhava os amigos nas farras, mas tomando apenas coca cola ou água. E seu humor permaneceu intacto.
As histórias de Ângelo são inumeráveis. Hoje, vou contar apenas uma. Certa vez hospedei aqui em Salvador uma preta angolana, que portava um enorme penacho de cabelos negros no sovaco. Ângelo se apaixonou por aquele sovaco. Olhava embevecido para ele e dizia: “É pura arte. Que belo sovaco!”. Anos depois eu estava na praia de Mucugê, em Arraial d’Ajuda, e avistei uma mulata completamente nua e com o mesmo tipo de cabelo ostensivamente cultivado no sovaco. Peguei um papel e escrevi esta cartinha em forma de soneto para o Ângelo:

SAUDADES DE ÂNGELO ROBERTO

Querido amigo Ângelo Roberto,
Ontem lembrei-me muito de você
Ao avistar na praia, em Mucugê,
Uma mulata em pelo, a céu aberto.

“Que fêmea, que pedaço de mulher”,
Exclamei, deslumbrado e boquiaberto.
E sei bem que era o mesmo que você
Faria se estivesse ali por perto.

Mas não foi bem pelos etruscos seios
Nem pela bunda equina, que me veio
Esta lembrança – acode-me deus Baco!

Foi sim, por esta esdrúxula coisinha:
Ao acercar-me dela vi que tinha
Duas negras trancinhas no sovaco.

Jacques Brel – La chanson des vieux amants

Viva Jacques Brel! Viva Ângelo Roberto!

Obrigado Paulo Martins!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

São Paulo
Lula ao lançar sua pré-candidatura à presidência, em São Paulo.
Lula ao lançar sua pré-candidatura à presidência, em São Paulo. Fernando Bizerra EFE

Enquanto os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) não finalizam o processo da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as peças do tabuleiro político-judicial do petista seguem se mexendo. Os advogados de Lula entraram nesta terça-feira com um pedido de habeas corpus preventivo numa instância superior, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), para tentar evitar a prisão de seu cliente. Mas bastaram poucas horas para que esse primeiro cartucho fosse queimado em vão: a petição foi negada sob o argumento de que, como a detenção do petista deve ocorrer antes que seu último recurso (ainda não apresentado) no TRF-4 seja apreciado, a concessão de uma eventual proteção seria precoce.

O revés para o líder do PT aconteceu no mesmo dia em que circula a crítica da presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, à possibilidade de o tribunal supremo rever a prisão de condenados em segunda instância ao discutir o caso de Lula. Para a maioria dos analistas, a rediscussão do começo da execução da pena, quer pelo caso do petista ou quer de maneira geral, é a melhor chance do ex-presidente para evitar a detenção.

Além de reclamar da decisão dos três desembargadores do TRF-4 de endossar a condenação de Moro e ampliar a pena de prisão em três anos, os advogados de Lula enumeraram seis razões pelas quais acreditam que o cliente não deve ser preso. A primeira é que Lula “respeita as decisões judiciais, mesmo as teratológicas” — os defensores citam a entrega do passaporte do ex-presidente, determinada pela Justiça no Distrito Federal. Além disso, o petista é réu primário “e de bons antecedentes criminais”, responde por crimes não violentos, tem 72 anos, “implementou diversas políticas de prevenção e repressão à criminalidade organizada e à prática de crimes econômicos e financeiros” enquanto presidente e é pré-candidato a um novo mandato.

Para embasar a argumentação pela liberdade do petista, os advogados citam os ministros do STF Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello, que votaram junto com Rosa Weber contra a prisão enquanto houver a possibilidade de recurso — Dias Toffoli defendeu prisão após condenação em terceira instância. O pedido de habeas corpus preventivo ainda destaca que o ministro Gilmar Mendes, que votou pela prisão em segunda instância, “já adiantou possível mudança de posicionamento”, no qual a prisão só deveria ocorrer na terceira instância (o STJ).

As declarações de Mendes e a possibilidade de Lula ser preso nas próximas semanas levaram a especulações sobre a possibilidade de o STF rever a decisão tomada em outubro de 2016. Questionada sobre o assunto por jornalistas na noite de segunda-feira, a presidenta do STF disse que reabrir a discussão no tribunal por conta de um caso específico “seria apequenar muito o Supremo”. Durante jantar promovido pelo site Poder360, Cármen Lúcia disse ainda que não pretende pautar o assunto em fevereiro ou março, mas que outros ministros podem levar a questão ao plenário do tribunal.

Nações Unidas

Além de recorrer na Justiça brasileira, os defensores de Lula seguem buscando atenção internacional. Eles protocolaram na segunda-feira seu “comunicado final” no recurso apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. Segundo nota publicada pelo Instituto Lula, o recurso “declara que o Estado Brasileiro continua violando os direitos humanos do ex-presidente ao não permitir que ele tenha acesso a nenhuma medida legal no Brasil”. “Pediu-se ao Comitê de Direitos Humanos da ONU que faça considerações sobre as grosseiras violações dos direitos do ex-presidente Lula à privacidade, o direito do ex-presidente Lula a um julgamento justo, à proteção contra prisão arbitrária, à liberdade de movimento e à presunção da inocência até que se prove o contrário pelo TRF-4, pelo juiz Sérgio Moro e pelos procuradores da Lava-Jato”, registra a nota.

Enquanto isso, os trâmites do processo seguem correndo na 13ª Vara Federal de Curitiba, que será responsável por executar uma possível prisão de Lula. Nesta segunda-feira, o juiz Sérgio Moro determinou o leilão do tríplex do Guarujá. O objetivo da medida, segundo Moro, é preservar o valor do imóvel — como, formalmente, ele não pertence nem a Lula nem à construtora OAS, o IPTU não está sendo pago. O juiz diz que os valores da venda devem ser “destinados, após o trânsito em julgado, à vitima no caso de confirmação do confisco ou devolvidos à OAS Empreendimentos ou ao ex-presidente no caso de não ser confirmado o confisco”.

jan
31
Posted on 31-01-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-01-2018

Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal,nesta terça-feira, 30, em entrevista ao repórter da TV Globo, Marcos Losekan, na qual deixou claro que o STF não vai discutir mais prisão após condenação em segunda instância, como desejam advogados de Lula e o PT.

DO BLOG O ANTAGONISTA

Uso de algemas em Cabral não deve se repetir, diz Sérgio Moro

Em ofício enviado a João Pedro Gebran Neto, Sérgio Moro disse que a transferência de presos com algemas nos nos pés e nas mãos, como ocorreu com Sérgio Cabral, não deve se repetir, informa O Globo.

No ofício, enviado há quatro dias, o juiz federal afirmou que espera a manifestação do MPF. Acrescenta, porém, que havia sido expressamente recomendado que os policiais evitassem algemar presos da Lava Jato nas mãos e nos pés em seus deslocamentos, a não ser em casos excepcionais –posição à qual a própria PF seria favorável.

“Parece bastante improvável que episódio equivalente se repita, salvo talvez em circunstâncias muito excepcionais”, escreveu Moro.

jan
31
Posted on 31-01-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-01-2018


 

Pater, no jornal (ES)

 

jan
31
Rio de Janeiro

A deputada e quase ministra Cristiane Brasil está dando mais trabalho do que esperado. Após ter sua nomeação como ministra do Trabalho suspensa, primeiro por um juiz de Niterói e, depois, temporariamente pelo Supremo Tribunal Federal, Cristiane quis se defender pessoalmente das denúncias de dois dos seus ex-motoristas que alegaram ter trabalhado sem carteira assinada. Quando a poeira quase tinha abaixado e os aliados esperavam que ela se preservasse até a sua nomeação ser resolvida na Justiça, a deputada virou meme e até fantasia de Carnaval.

Cristiane escolheu um cenário inusitado. A bordo de uma lancha e tendo um mar esmeralda e uma música eletrônica de fundo, prometeu que provaria que não deve nada a ninguém. O vídeo correu como a pólvora pelas redes sociais. “Vai, ministra”, incentivava um dos seus quatro acompanhantes masculinos, todos de torso nu depilado. “Todo mundo tem direito de pedir qualquer coisa na Justiça. Todo mundo pode pedir qualquer coisa abstrata”, disse ela. “[Mas] O negócio é o seguinte: ‘quem é que tem direito?’, ainda mais na Justiça do Trabalho. Eu, juro pra vocês, eu juro pra vocês, que eu não achava que eu tinha nada para dever para essas duas pessoas que entraram contra mim. E eu vou provar isso em breve”, concluiu Cristiane, encorajada pelos amigos.

O vídeo não agradou o Planalto, nem o PTB, nem o próprio pai Roberto Jefferson, presidente da sigla e principal articulador para elevar a deputada à pasta do Trabalho. Em seu Twitter, o homem-bomba do mensalão repreendeu a filha. “Sobre o vídeo, a repercussão fala por si. Também teve muita deturpação. Eram famílias no barco, havia crianças passando. Dito isso, penso que uma figura pública deve se portar como uma figura pública, e usar ferramentas como Facebook e Instagram apenas em caráter institucional”. Jefferson também pediu aos “trogloditas nas redes” “menos moralismo e menos machismo”.

A assessoria da deputada tentou minimizar a importância da repercussão e das próprias imagens. “A gravação e a divulgação do vídeo foram uma manifestação espontânea de um amigo, utilizada fora do contexto. “A deputada reitera ainda o seu respeito à Justiça do Trabalho e à prerrogativa do trabalhador reivindicar seus direitos”, disse em nota.

A “manifestação espontânea” complica ainda mais a nomeação de Cristiane, costurada pelo Governo Temer com o PTB. Em troca de apoio e fidelidade –na prática, o apoio petebista significa mais 16 votos a favor da reforma da Previdência na Câmara e mais dois no Senado–, cabia ao partido escolher um nome para a pasta de Trabalho. A primeira opção foi o deputado do Maranhão Pedro Fernandes, que foi vetado pelo ex-presidente e ex-senador José Sarney –o filho do deputado é secretário do governador Flávio Dino (PCdoB), opositor de Roseana Sarney. Descartado Fernandes, Jefferson alavancou a filha, embora ela respondesse a dois processos por não garantir os direitos trabalhistas de dois dos seus empregador.

Após a primeira suspensão da posse pela Justiça, baseada em que a nomeação de uma pessoa com condenação judicial por questão trabalhista fere o princípio da moralidade administrativa, houve quem tentasse dissuadir o pai. Mas ele se mostrou irredutível. Em 20 de janeiro, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, chegou a suspender a decisão de primeira instância com o argumento de que não existe, no ordenamento jurídico, norma que vede a nomeação de qualquer cidadão para exercer o cargo de ministro do Trabalho em razão de ter sofrido condenação trabalhista. A queda da decisão de Martins, no entanto, foi questão de horas. A posse, com os preparativos prontos, voltou a ser suspensa pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia. A ministra não entrou no mérito dos processos trabalhistas da deputada, mas entendeu que a Corte Superior estaria usurpando a competência da Suprema Corte para julgar o requerimento. Jefferson manteve o nome mesmo assim.

O caso, encalhado desde o início do ano, agora virou uma questão de Estado. Não pela convicção do Planalto na idoneidade da deputada, mas sim pelo agravamento da queda de braço entre o Executivo e o Judiciário. A batalha nos tribunais,  considerados intervencionistas pela cúpula do poder em Brasília, coloca em xeque a prerrogativa de o presidente de nomear seus ministros.

Foi esse o ponto ressaltado pelo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun. “É um vídeo privado, que vazou na Internet. Ela não está roubando. Que eu saiba ela estava bem trajada no vídeo. Eu acho que continua o ponto principal, que este sim deveria estar sendo superdimensionado, que é esse vilipêndio de uma prerrogativa privativa do presidente da República”, disse Marun em declarações recolhidas pelo O Globo. “O que existe de errado nessa história é a decisão do juiz de não cumprir com a Constituição. O descumprimento de um magistrado pelo que estabelece a Constituição Federal, isso para mim é muito mais grave do que o fato dela ter gravado um vídeo em um mundo em que todo mundo anda com uma câmera no bolso”.

Enquanto Cármen Lúcia reavalia sua decisão sem data definida –ela pediu mais esclarecimentos ao TSJ e pediu parecer à Procuradoria Geral da União, que se mostrou favorável à suspensão da posse por entender que a decisão compete ao STF –, Cristiane Brasil virou um potencial hit do Carnaval. Num dos numerosos memes que inundaram a rede após a divulgação do vídeo, a usuária do Twitter Renta Côrrea anunciava em caixa alta: “Procura-se quatro homens brancos com cara de intervencionistas. Tipo físico: que malhem, porém inchados de bebida e um pouco maltratados pela vida. Motivo: compor minha fantasia de Cristiane Brasil no Carnaval. Tratar inbox”.

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