DO EL PAIS
São Paulo / Porto Alegre

Horas depois de ter sido condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão, Luiz Inácio Lula da Silva exaltava, do alto de um caminhão de som no centro de São Paulo, uma possível junção da esquerda. “Eles que se preparem: partidos de esquerda terão a compreensão de que precisam se unir”, dizia ele, em uma ideia repetida muitas vezes ao longo dos últimos dias.

Mas mesmo sob a possibilidade de não ter um nome forte nas eleições de outubro, já que Lula pode se tornar inelegível, os partidos de esquerda negam a possibilidade de se unir em torno de uma candidatura única. Assumem, sim, uma junção, mas apenas na esfera programática, correndo o risco de, com cinco candidatos, sumirem nas propagandas eleitorais pelo baixo tempo de TV que terão sem alianças partidárias robustas. 

Duas das figuras presentes nos palanques de Lula nesta recente crise, por exemplo, deverão ser candidatos em outubro. A deputada Manuela D’Ávlila (PCdoB-RS), já anunciou sua pré-candidatura e afirmou ao EL PAÍS que ela está mantida. E o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, já é considerado no PSOL como pré-candidato, embora ainda não tenha se filiado ao partido, que também reforçou à reportagem que terá candidato próprio. Os demais partidos da esquerda também já têm pré-candidatos próprios: Ciro Gomes, pelo PDT, e Aldo Rebelo, pelo PSB. E nenhum deles pretende abandonar suas candidaturas para sustentar a de Lula, mesmo discordando da condenação no Tribunal Regional Federal 4, nesta última quarta.

As dificuldades de uma união da esquerda em torno de um único nome passam por aspectos práticos e ideológicos. O PCdoB, que nas últimas sete eleições presidenciais apoiou o PT, precisa eleger mais deputados federais que nos últimos anos para garantir a representatividade futura do partido no Parlamento, algo que está ameaçado desde a aprovação da última reforma política. Como, nos últimos anos, a aliança com os candidatos petistas rendeu ao partido pouco protagonismo, ele precisa sair à luz e mostrar suas ideias. E a melhor forma de dar visibilidade para as suas plataformas é por meio de um candidato à Presidência.

Já o PSOL, que no máximo até março deve confirmar a candidatura de Boulos, acumulou nos últimos anos muitas divergências com a postura do PT no Governo, fazendo uma clara oposição a muitas de suas políticas. “O PSOL terá candidato próprio. Temos nossa ideologia e uma reserva ética que nos dá condições de apresentar um candidato”, reforça o deputado federal Ivan Valente. “Discordamos de muitas coisas feitas pelo PT nos últimos anos, como as monstruosas isenções fiscais que beneficiaram a elite e a escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda”, explica.

Ao reafirmarem seus cinco candidatos de esquerda nas próximas eleições, os partidos argumentam que não acreditam que isso beneficiará um candidato de direita, já que o lado conservador da disputa também está bastante fragmentado. É um cenário que deve tornar a disputa completamente pulverizada, algo que se assemelha a vista em 1989, primeira eleição direta democrática após um longo período de ditadura militar. Até Fernando Collor, que saiu vitorioso daquela eleição e depois sofreu impeachment, já anunciou que será candidato em outubro.

Um único programa

Apesar de não concordarem com a tese de uma candidatura única, os partidos de esquerda discutem, sim, uma união. Mas em torno de um “programa mínimo”, conforme definiu Manuela D’Ávila. “As fundações dos partidos estão elaborando um programa com propostas em diversas áreas que servirão como plataforma”. O documento, que está previsto para ser apresentado na Câmara dos Deputados no próximo dia 15 de fevereiro, está sendo elaborado desde o ano passado pelas fundações ligadas aos partidos: Perseu Abramo (PT), João Mangabeira (PSB), Mauricio Grabois (PCdoB) e Leonel Brizola (PDT). A Fundação Lauro Campos (PSOL) também pode se juntar ao grupo, após ter feito algumas propostas.

“Há algum tempo estamos tentando construir um discurso que contemple as diferentes teses da esquerda, algo especialmente importante em um momento em que a direita se avolumou e faz campanhas de terrorismo, como esta recente da reforma da Previdência“, explica o presidente da Fundação Leonel Brizola, Manuel Dias, ex-ministro do Trabalho nos governos Lula e Dilma. “A ideia é fazer um discurso único, uma revisão histórica da esquerda”, destaca ele, que afirma que haverá propostas para um “plano nacional de desenvolvimento”. Serão pontos em diversas áreas, como educação, economia e direitos sociais. O presidente da Fundação Leonel Brizola destaca que ainda que os candidatos sejam distintos os partidos concordam com “alguns princípios universais”. “Seria o ideal unir as forças em torno de uma candidatura unificada. Mas hoje isso é muito difícil.”

A participação do PSOL no projeto, por enquanto, ainda está indefinida. O presidente do partido, Juliano Machado, explica que seus dirigentes enviaram suas contribuições para construir o documento e agora aguardam para saber se elas serão incorporadas. “Incluímos uma série de sugestões, mas não sabemos se serão aceitas, porque algumas não são defendidas por alguns dos partidos”, diz Machado. “Fazemos críticas às parcerias público-privadas, por exemplo, mas não sabemos se PDT e PSB concordam com isso”.

Ele diz que se trata de uma “plataforma de convergência, não eleitoral”. “É uma plataforma de convergência, que serve para o debate da esquerda”. Quanto a isso, todos os partidos estão de acordo. “O documento não implica nas candidaturas”, diz Carlos Lupi, presidente do PDT. “É apenas um programa mínimo, para que, aquele do nosso campo que vencer a eleição, tenha uma linha de políticas públicas que a gente considera importantes para a defesa da população”, explica. Ele lembra que a pré-candidatura de Ciro Gomes será lançada no dia 8 de março, dia internacional da mulher.

Lupi coloca os direitos dos trabalhadores e a educação em tempo integral como algumas das principais linhas de defesa do programa, além do “questionamento do sistema financeiro”. “Não adianta garantir programa social sem tocar no câncer que é o sistema financeiro”, afirma.

A expectativa dos partidos é que a construção deste documento cria um diálogo comum entre as legendas da esquerda. Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, comemora a iniciativa. “É um evento inédito no Brasil, uma tentativa de construção de diretrizes programáticas com partidos no campo progressista, que permite simultaneamente o lançamento das diferentes candidaturas”, diz.

Apesar do aceno a uma possível reconstrução da esquerda, o lançamento do programa deve ficar, por ora, apenas no plano das ideias. “Não é um programa de Governo”, diz Pochmman. “Está mais na linha de um projeto de desenvolvimento para o país, que é algo mais a longo prazo”, diz.

D0lores Duran compõe, Nana Caymmi canta. Pura magia. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

O presidente Michel Temer falou, nesta segunda-feira (29), sobre o cenário político das eleições deste ano e a presença ou ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Dizer que Lula ‘está morto’ politicamente, que a imagem, palavra, presença não estará presente [no cenário político]… morto ele não está”, declarou em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta manhã.

Para Temer, a ausência do ex-presidente “tensiona o país”. “Temos que distencionar as relações. O Brasil vive um tensionamento permanente. É brasileiro contra brasileiro”, disse, acrescentando: “Queria que Lula participasse da eleição para pacificar o país.”

Temer voltou a afirmar que não será candidato em 2018 e acrescentou que vai dedicar os próximos seis meses para recuperar seus aspectos morais.

O presidente Temer se referiu às denúncias contra ele que vieram após a delação dos empresários da JBS.

Michel Temer deu entrevista à Rádio Bandeirantes na manhã desta segunda-feira
Michel Temer deu entrevista à Rádio Bandeirantes na manhã desta segunda-feira

Ele declarou que não vai admitir que se diga impunimente que ele é “trambiqueiro” ou praticou falcatruas: “Eu estou cumprindo muito bem o meu papel, já estou satisfeito com o que eu fiz. Eu quero alguém que defenda o meu legado. Até porque eu fui, de alguma maneira, desmoralizado por alguns embates de natureza moral, porque a minha luta não foi política, foi de natureza moral. Quem conhece minha vida, sabe o que eu tenho, sabe da absoluta inverdade nisso que se fez. Eu, nesses seis meses, vou me dedicar à recuperação dos meus aspectos morais. Não vou admitir mais que se diga impunimente que o presidente é trambiqueiro, que fez falcatruas. Não vou permitir. Meus detratores estão na cadeia e quem não está na cadeia está desmoralizado porque foi desmascarado por fatos concretos. Ninguém foi desmoralizado à toa”.

Michel Temer ainda acrescentou: “Não acuso o Ministério Público. O que nós podemos é cifrar essa acusação a um membro do Ministério Público, que não teve tranquilidade suficiente para analisar todas as provas, verificar tudo aquilo que foi depois desmentido. Foi jogando denúncia em cima do presidente de uma maneira irresponsável”.

Ao falar sobre os quatro vice-presidentes da Caixa que foram afastados, o presidente afirmou ser quase impossível preencher todos os cargos sem indicações. “Quando um presidente chega, ele tem um número de estatais que têm 200 cargos para preencher. Como um presidente vai sentar e escolher as 200 pessoas com critérios de moralidade absoluta?”, declarou.

“Podem chegar sugestões da classe política, eleita pelo voto. Então tenho o direito de indicar nomes. Agora, nomes inconvenientes, que não atendam muito bem, o governo decidirá. O fato de indicar não é criminoso. É um fato sensível na democracia”, disse, acrescentando: “As pessoas esquecem, mas a lei das estatais, que busca a moralidade administrativa, fui eu que regulamentei. Sancionei este projeto. Aconteceu essa adaptação no Banco do Brasil, Petrobrás, Furnas e agora na Caixa. O Conselho vai nomear os vices, frutos de ato deste governo”.

Previdência

Temer, afirmou ainda estar otimista em relação à aprovação da reforma da Previdência, e acrescentou que “quem não votar pela reforma da Previdência estará fazendo um mal para o país”. Segundo o presidente, agora as pessoas estão mais esclarecidas sobre o tema.

“Conseguimos fazer uma comunicação com a população, esclarecendo o que é a reforma da Previdência”. O presidente destacou que, pela proposta, para os trabalhadores que ganham até R$ 5.645 nada muda. “Se não consertarmos a Previdência, daqui a dois ou três anos ela não resiste”, alertou.

O presidente ainda acrescentou ainda que o diálogo pode levar a uma ou outra modificação: “Aconteça o que acontecer sempre haverá uma economia muito significativa ao longo de 10 anos. O governo não pretende abrir mão daquilo que está na reforma. Mas, evidentemente, o diálogo pode levar a uma ou outra modificação. Diante do projeto original, a economia de recursos seria de cerca de R$ 900 bilhões em 10 anos. Com este novo projeto amenizado, a economia seria de R$ 550 bilhões a R$ 600 bilhões, ou seja, vale a pena. Entre nada e R$ 550 bilhões, melhor esta economia, que garante os valores dos aposentados e servidores públicos.”

O presidente disse que, se a reforma for aprovada, “muito provavelmente a nota de crédito do Brasil será recuperada” e o país voltará a atrair investimentos. Temer ressaltou que o país já está aumentando sua confiança e que foram abertos, nos últimos meses, mais de 1,4 milhão de postos de trabalho. Ele espera que, até o fim de seu governo, o Produto Interno Bruto volte a crescer mais de 1% e possam ser abertas mais de 1,5 milhão de vagas de trabalho.

Temer também defendeu a reforma da Previdência em entrevistas exibidas em emissoras de televisão, no fim de semana. No programa do Amaury Jr, veiculado no último sábado, na Band, e no programa do Sílvio Santos, no domingo, no SBT, reforçou os argumentos pela aprovação da reforma e apontou os riscos para as contas do Estado caso não haja nenhuma medida para conter o déficit previdenciário.

DO JORNAL NACIONAL (TV GLOBO)

 

Por G1 Rio

Cristiane Brasil grava vídeo em barco defendendo sua nomeação

Cristiane Brasil grava vídeo em barco defendendo sua nomeação

m barco e em meio a quatro amigos sem camisa, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) se defendeu das acusações nos processos nos quais é ré na Justiça do Trabalho. A gravação passou a circular por redes sociais nesta segunda-feira (29).

No início do ano, a parlamentar foi indicada para assumir o Ministério do Trabalho. No entanto, a posse foi suspensa pela Justiça justamente porque ela responde a esses processos trabalhistas.

O caso já foi avaliado, inclusive, pela ministra e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia que decidiu impedir a nomeação para a pasta da União.

“Todo mundo tem direito de pedir qualquer coisa na Justiça. Todo mundo pode pedir qualquer coisa abstrata. [Mas] O negócio é o seguinte: ‘quem é que tem direito?’, ainda mais na Justiça do Trabalho. Eu, juro pra vocês, eu juro pra vocês, que eu não achava que eu tinha nada para dever para essas duas pessoas que entraram [com ação] contra mim. E eu vou provar isso em breve”, declarou Brasil.

Apoiada pelos amigos – um deles já chama, no início do vídeo, a deputada de ministra, Cristiane Brasil questiona como é possível que as pessoas ingressem com ações trabalhistas.

“O que pode passar na cabeça das pessoas que entram contra a gente em ações trabalhistas?”, diz.

Sobre a filmagem, em nota, a deputada afirmou que a gravação e a divulgação do vídeo foram manifestações espontâneas de um amigo, e que esta fora do contexto.

“Ela reitera ainda o seu respeito à Justiça do Trabalho e à prerrogativa do trabalhador reivindicar seus direitos”, diz o texto.

Filha do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB e condenado no processo do mensalão, Cristiane Brasil foi anunciada como ministra pelo presidente Michel Temer, mas tem enfrentado uma batalha na Justiça para assumir a pasta.

Entenda:

  • A posse de Cristiane Brasil estava prevista para o dia 9 de janeiro, mas uma decisão do juiz Leonardo da Costa Couceiro, da 4ª Vara Federal Criminal de Niterói, suspendeu a solenidade um dia antes.
  • Desde então, a Advocacia Geral da União recorre para assegurar a posse. Três recursos foram rejeitados pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), no Rio de Janeiro, mas, no último sábado (20), o governo tinha conseguido reverter a decisão no STJ e garantir a posse da deputada no cargo de ministra.
  • A decisão da ministra Cármen Lúcia adiou novamente a posse.

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Posted on 30-01-2018
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Sid foi publicada em

 

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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Huck desautoriza vídeo que o ‘lança’ como candidato

Luciano Huck foi ao Facebook hoje para reafirmar que não está na disputa pelo Planalto e desautorizar um vídeo que circula em redes sociais apresentando-o como candidato, informa a Folha.

O vídeo chama vários outros políticos, como Lula e Jair Bolsonaro, de “bandidos, despreparados e malucos”.

O apresentador disse ter recebido o filme por WhatsApp. “Agradeço pelo carinho e entusiasmo de quem produziu o material, mas é importante registrar que não fui consultado, que desconhecia a iniciativa e que ela não foi autorizada por mim.”

“Além disso, vale pontuar que reprovo a linguagem utilizada contra os reais pré-candidatos que aparecem no vídeo”, acrescentou Huck.

Gleisi Hoffmann, senadora pelo Paraná, presidente nacional do PT, na Folha de S. Paulo, dando sinais de que o o seu partido deve apostar todas as fichas no STF para tirar Lula da cadeia, mesmo depois da sentença do TRF4, colegiado de segunda instância que condenou o ex-presidente e 12 anos e um mês de prisão.

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