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Desembargadores do TRF4: um julgamento
técnico e para a história…
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Lula e Gleisi, na reunião de executiva  nacional do PT
em SP, no dia seguinte à sentença em Porto Alegre.

ARTIGO DA SEMANA

Lula, para onde vai?: a questão pós Porto Alegre

 Vitor Hugo Soares

Pronto. Fato praticamente consumado, depois do exemplarmente técnico, didático e profilático julgamento, em segunda instância, do ex-presidente da República e criador do PT, Luís Inácio Lula da Silva, pelos juízes da oitava turma do Tribunal Regional Federal da quarta região, em Porto Alegre, na quarta-feira de catarse nacional meia boca. O TRF4, por unanimidade de seus três desembargadores, não só manteve a sentença condenatória, aplicada ao réu pelo juiz Sérgio Moro, como ampliou a pena de prisão – de nove anos e meio, para 12 anos e um mês – que Lula terá de cumprir, por corrupção e lavagem de dinheiro. 

E o mundo não acabou. Nem os abalos no Brasil tiveram (nem de longe) as proporções que alguns pregadores do Apocalipse, do tipo da atual presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ou do ex-ministro de Lula e Dilma, – secretário de estado e chefe político na Bahia – Jaques Wagner previam e proclamavam: Não houve  mortes ou sangue derramado, dos discursos caóticos e irresponsáveis da senadora paranaense, nem rebelião das ruas, para defender Lula, pregada pelo “galego” amigo do peito do ex-ocupante do Palácio do Planalto. Wagner, por sinal, é citado – cada vez mais à boca grande,  como o nome preferencial do Plano B do projeto de poder petista de reconquistar o mando nas eleições presidenciais deste ano.

Sem Lula – o comandante maior e líder das pesquisas –  evidentemente, depois da lição memorável dos juízes de Porto Alegre esta semana. Neste caso, a partir da confirmação da sentença e do endurecimento da pena, restam limitadas chances de recursos a tribunais superiores, e os embargos declaratórios, para ajustar um ponto aqui outro ali da decisão do TRF4 .

No mais, só perguntas no ar, à espera de respostas que não devem tardar. A mais crucial delas, a que leio estampada na quinta-feira, dia seguinte ao julgamento, na manchete de Política da Tribuna da Bahia:  “Condenado, Lula pode ser preso?”. A segunda, mesmo que não se refira diretamente ao condenado desta quarta-feira de janeiro para jamais esquecer, está no título do poema transcendente de Carlos Drummond de Andrade, que escuto musicado na primorosa interpretação de Paulo Diniz: “E agora José?”.

E não adianta ouvidos moucos, ou fazer de conta que nada mudou, a exemplo do que se viu quinta-feira, na reunião da executiva nacional do PT, em São Paulo, que manteve Lula, agora “ficha suja”, como postulante do partido às eleições presidenciais deste ano. Nem as bravatas do chefe do MST, João Pedro Stédile, de que “não permitiremos o companheiro Lula preso”. Isso pode ter algum sentido, para reativar o ânimo devastado das tropas de dirigentes e militantes petistas, depois do resultado devastador da sentença dos juízes de Porto Alegre. Na quinta-feira mesmo, Lula foi avisado, pela Polícia Federal, que teria de devolver o passaporte. Então sua viagem, previamente anunciada, para participar, na Etiópia, de encontro promovido pela ONU, foi  suspensa. E agora, para onde vai Lula? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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