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CRÔNICA

A cachorrinha de Cony e meus paturis

Janio Ferreira Soares

 

Escrever crônica pode parecer fácil, o que leva muita gente a cometê-las por aí – incluindo este ousado que vos tecla. O problema, minha cara leitora e digno leitor, é fazê-la de um jeito onde palavras não só digam, mas fascinem, como é o caso do luminoso canto de uma coleirinha que diariamente se exibe numa caraibeira no meu quintal, que no embalo do folguedo lança na cumeeira da casa seus derradeiros pingos amarelos, talvez para serenar a avidez das telhas pela chuva que não vem.

Lá nos anos 60/70, quando ainda vivia com peteca no pescoço e olhos em busca do que suspeitava existir, parecia haver uma conspiração praia-torresmo para que aqueles que viriam a ser alguns de nossos maiores cronistas nascessem em Minas e fossem morar no Rio, onde lá introduziriam nos principais jornais e revistas do país um jeito de escrever claramente inspirado nas coisas que rolavam nas quebradas das Gerais. Drummond, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Otto Lara Rezende foram alguns deles, sem falar em Rubem Braga (considerado por muitos o maior de todos) que, antecipando-se ao êxodo etílico-literário que invadiria Ipanema e adjacências, nasceu logo no meio do caminho, mais precisamente em Cachoeiro do Itapemirim (ES).

Meninote ainda, vibrava quando meu tio Lindemar chegava de Salvador com um monte de revistas e jornais debaixo do braço, ocasião em que me deleitava diante da foto de alguma nave Apolo soltando fogo pelo rabo, das malandragens do Amigo da Onça e, claro, do modo diferente dessa moçada transpor para o papel coisas que habitavam meu mundo. Foi aí que percebi que havia, sim, uma maneira de poetizar cheiro de mato, passarinhos, borboletas, tios na varanda, bichos de estimação e, principalmente, um certo rio que, se no meu caso passava longe de ser o de Janeiro, era o de Francisco, naquele tempo correndo forte e solto, sem nem sonhar que um dia seria desviado para fronteiras onde o messianismo dança forró com a desfaçatez.

Semana passada, quando da morte do bravo Cony, a Folha de São Paulo republicou Mila, uma crônica que ele fez em 1995 em homenagem a sua cachorrinha. Não tenho espaço para contá-la aqui, mas se você ainda não a leu, vale um Google. Com a categoria dos craques, ele segue por um caminho completamente oposto ao da época em que metia o sarrafo no golpe militar e dosa com precisão as gotas necessárias que a dor da perda precisa para curar a angústia de uma saudade.

Caçador de mangas que hoje sou, fico aqui na minha várzea assuntando satélites, estrelas e uns lindos paturis que resolveram morar num laguinho em frente. Em setembro eram dois. Hoje, são dezesseis. Quando chego perto todos mergulham, menos um. Pelo seu destemor, pelo mote e pela rima, batizei-o de Heitor.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco.

O domingo de janeiro chega com Mancini na vitrola do BP!!! Curta!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

Lula entre o fogo de Gleisi e o gelo de Okamotto

O Julgamento de Lula na Lava JatoEx-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. STRINGER REUTERS

Quem, no futuro, quiser estudar o momento que vive o Brasil diante da possível condenação e prisão por corrupção do popular ex-presidente Lula, e o que isso poderá significar em uma sociedade já dividida e conflituosa, no político e no social, terá que estudar as figuras mais próximas a ele hoje: a senadora e presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, de origem alemã e o ex-sindicalista Paulo Okamotto, de raízes japonesas.

Os dois tiveram uma reação oposta diante da possibilidade de que Lula acabe na prisão. Gleisi, que é fogo e ousadia, profetizou que nesse caso, “vai ter que matar muita gente”. Não explicou quem morrerá pelas mãos de quem, e diante da confusão armada, acusada de incitação à violência, recuou: “Só usei uma expressão”, explicou.

Para Okamotto, que é gelo e prudência, após a prisão de Lula “não ocorrerá, infelizmente, uma revolução”. Frisou, entretanto, que ele, de desgosto, “morreria do coração”. Mas não vê os brasileiros dispostos a sacrificarem-se pelo ex-metalúrgico que conquistou o carinho das pessoas e que hoje, ainda com altos índices de apoio, precisa lutar para defender sua inocência frente ao assédio da Justiça que o incrimina.

Ambos, Gleisi e Okamotto, são considerados as mãos esquerda e direita de Lula. E não podiam ter personalidades mais opostas. Gleisi, apesar de ter estudado em dois colégios religiosos e ter pretendido tornar-se freira em sua juventude, acabou nas fileiras do Partido Comunista do Brasil e depois no PT. Ela é o desassossego permanente, enquanto Okamotto, que mais parece seguir a filosofia japonesa zen, é invisível e ninguém sabe no que ele acredita e o que ele pensa.

Se Gleisi é o pitbull de Lula, disposta a morder ao primeiro sinal de problema, Okamotto, por sua vez, é seu cão de guarda, sempre disposto a defender seu amo sem a necessidade de cravar os dentes em ninguém. É o homem que avisa. Quando explodiu o escândalo do mensalão (2005), quando o empresário Marcos Valério ameaçou falar e contar os subornos que ele administrava e que se tornaram rotina no Executivo de Lula, Okamotto foi vê-lo em nome do presidente para “acalmá-lo”, um eufemismo para avisá-lo que seria melhor ficar quieto. E até hoje continua preso e mudo.

Okamotto é tão sombra que pouco se sabe de seu passado, se é religioso, como Gleisi, ou sem outra fé e ideologia além de ser o fiel escudeiro de seu quixote Lula. Se os especialistas literários dizem que sem o fiel Sancho seria inconcebível a figura do fidalgo de La Mancha, que transformava os moinhos de vento em gigantes ameaçadores, também há quem pense que Lula não poderá ser estudado sem também se analisar sua sombra, o pragmático Okamotto, o Sancho do quixote brasileiro.

Lula é mais Gleisi ou mais Okamotto? Lula é só Lula, mas talvez seja certo que, se acabar na prisão, o que não acredito, preferiria ter ao seu lado o gélido e mudo Okamotto do que o vulcão Gleisi, que se esqueceu de dizer – e os lapsos são imperdoáveis – que além dos que deveriam ser mortos para que Lula vá à prisão, ela também “morreria do coração”, como Okamotto. E o ex-sindicalista sempre foi um político com memória de sobra que sabe usar muito bem quando chega o momento. Ele mesmo se definiu como uma “metamorfose ambulante”.

Costuma se dizer que no Brasil é difícil adivinhar o tempo que irá fazer porque, nos trópicos, os ventos mudam de direção a cada momento. Os políticos também terão sido contaminados por essa volubilidade que os impede de ser definidos?

jan
21
Posted on 21-01-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-01-2018

 


 


 

Miguel, no

 

 

jan
21

Motivos para políticos do Norte e Nordeste votarem a favor da Previdência


Membros da Esplanada dos Ministérios elaboraram um estudo intitulado “10 motivos para políticos do Norte e Nordeste votarem a favor da previdência”.

O InfoMoney teve acesso ao texto, com o qual o governo pretende conquistar os votos dos 216 deputados dessas duas regiões em pleno ano eleitoral.

O Antagonista destaca dois motivos alegados:

“84,5% dos benefícios previdenciários pagos no Nordeste e 83,7% dos pagos no Norte equivalem a 1 salário mínimo. A reforma não mexerá com esses benefícios, portanto a maioria do eleitoral dessas regiões não será afetada.”

“Nada menos que 274 municípios do Norte e 1.274 do Nordeste têm no pagamento de aposentadorias a maior fonte de renda local. As aposentadorias já concedidas não serão afetadas pela reforma. Mas se a reforma não for feita, chegará um dia em que faltará dinheiro para pagar essas aposentadorias. Vários países que atrasaram suas reformas, como Portugal e Grécia, acabaram tendo que reduzir o valor pago a quem já estava aposentado.”

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