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ARTIGO

QUEM SOMOS?

Arthur Andrade

Somos bactérias…
somos a nave mãe!

Temos uma estranha relação com o corpo. Achamos que ele é um ente isolado do resto, tem existência própria e assim deve ser tratado. O corpo é uma “coisa” sob comando do seu dono.

Corpo malhado, corpo sarado, corpo máquina. Os que não cuidam do corpo estão fadados ao limbo da beleza.

Mas afinal o que é o corpo humano? Um conjunto de células em ininterrupto movimento. Um turbilhão de moléculas, prótons, elétrons, nêutrons. Química e física. Fluidos e sangue. Água. Um corpo são ossos, músculos, pele. O senso comum tem essa visão mecanicista, o corpo como uma engrenagem.

Com essa mesma visão do senso comum, a ciência retalha o corpo em partes: as especialidades. É como colocar um boi num açougue, dividido em tipos de carne. Então a ciência do fígado, a hepatologia. A ciência do pulmão, pneumologia. Coração, cardiologia. Neurologia, psiquiatria, oncologia, ortopedia, nefrologia… Estamos separados em especialidades. Somos um grande mercado, como aquele açougue. Cada parte custa dinheiro. Cada órgão tem um preço nesse mercado bizarro. Somos commodities.

As doenças são um grande filão. Cada órgão tem seus medicamentos e os antibióticos para destruir microorganismos vorazes, perigosos. Combater é o verbo. A ciência médica ocidental é bélica. Guerra aos vírus, às bactérias, aos fungos.

Ainda no século 20 essa visão da ciência ocidental começa a mudar. Lentamente. Alguns cientistas admitem que o corpo não é isolado do resto. Ele é parte do todo. Ele é natureza, microcosmos, representação do universo. Somos o universo. Cresce a visão holística.

E agora a ciência finalmente confirma que o corpo humano não é domínio das células, mas das bactérias. Um recente estudo indica que um corpo jovem, entre 20 e 30 anos, com 70 quilos, tem 30 trilhões de células e 39 trilhões de bactérias. Portanto somos mais bactérias que células. Bonito isso?

Essa confirmação pode ser o início do desmonte da medicina alopática – aquela que combate e mata bactérias? Algumas décadas mais, talvez. Mas aí surge a pergunta crucial: como combater o que é maioria no corpo?

Se bactérias são em maior número, o papel delas na saúde só pode ser relevante. Se fossem nocivas, nem nasceríamos. Essa batalha contra esses seres minúsculos portanto é perdida. Alguma vitória da ciência mecanicista é pontual, passageira. Mas fora da convivência pacífica, harmônica, política, não há saída.

Mas por que bactérias são culpadas das nossas doenças, dos nossos fracassos? De volta à crença mecanicista: somos máquinas e esses elementos estranhos são alienígenas, invasores de território alheio. Ops!! E agora que descobrimos que o território é fundamentalmente deles, o que fazer?

A ignorância em relação ao corpo é profunda. Não sabemos ouvi-lo. Não entendemos seus sinais. O corpo fala e sequer percebemos. Somos cegos e surdos. Células e bactérias, aliadas em nome da vida mandam recados, Conhece-te a ti mesmo e terás o universo. Essa fala tem milhares de anos, antes de Cristo, sábios do pré Egito antigo.

Nosso corpo é a grande antena. Nele estão todas as informações. É a nave mãe. Basta aprender a reconhecer seus avisos. Nossos microorganismos são nossos maiores amigos. Não existem inimigos nessa tribo. As doenças são formas de comunicação. Um espirro, um nariz entupido, uma torção, uma dor de cabeça, uma diarreia, um câncer. As bactérias são como zaps avisando que algo anda errado conosco. Com nosso emocional. Com nossa conexão. Estamos separados do planeta por sandálias de borracha. Esquecemos que somos natureza.
Essa é a nossa doença.

Arthur Andrade é jornalista, músico, parceiro e colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

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