Texto de Paulo Martins, publicado no Facebook,  na página do escritor, poeta e memorialista, estudioso e biógrafo do cantor e compositor francês Jacques Brell. Autor do livro “A Magia da Canção Popular”, reportagem memória sobre Brell. Bahia em Pauta reproduz o texto em memória de Ângelo Roberto, que acaba de partir.    
 
 LEMBRANÇAS DE ÂNGELO ROBERTO (1)

A Bahia ontem amanheceu mais pobre. Perdeu uma das maiores figuras humanas que já conheci: o artista plástico Ângelo Roberto. Eu amanheci profundamente triste, com uma saudade enorme batendo no peito. Afinal nossa amizade já se aproximava dos 50 anos.
Além de um grande artista, exímio desenhista e bico de pena, Ângelo foi uma das pessoas mais queridas da Bahia. Não conheço ninguém que não gostasse de Ângelo, particularmente nos meios artísticos e intelectuais. Com seu jeito de criança que nunca cresceu, com sua enorme capacidade de demonstrar afeto, com seus gestos ternos e com sua espiritualidade fascinante, Ângelo cativava a todos. Era o sujeito mais bem humorado que já conheci. Só ficava triste quando, nas madrugadas boêmias, sentia saudade da esposa Marlene. Ficaria famosa a sua frase “saudade de Marlene”, que proferia como justificativa para ir embora para casa no auge da embriaguês. Mas a saudade era mesmo verdadeira. Só que, no outro dia, quando saía para uma nova farra se portava exatamente ao inverso. Aconselhado por Marlene a não sair, dizia: “Deixa-me viver, Marlene!” Essa famosa frase acabou dando nome a um bloco carnavalesco, criado pelos amigos mais próximos, com uma camiseta estampando nas costas: “Deixa-me viver, Marlene!”, que fez enorme sucesso. E Marlene tinha que deixar, até porque a vida era pra ser vivida mesmo. Isto durou até o dia em que Ângelo parou de beber. Há anos que não tomava sequer um copo de cerveja. Mas nem por isso perdeu o bom humor e muitas vezes até acompanhava os amigos nas farras, mas tomando apenas coca cola ou água. E seu humor permaneceu intacto.
As histórias de Ângelo são inumeráveis. Hoje, vou contar apenas uma. Certa vez hospedei aqui em Salvador uma preta angolana, que portava um enorme penacho de cabelos negros no sovaco. Ângelo se apaixonou por aquele sovaco. Olhava embevecido para ele e dizia: “É pura arte. Que belo sovaco!”. Anos depois eu estava na praia de Mucugê, em Arraial d’Ajuda, e avistei uma mulata completamente nua e com o mesmo tipo de cabelo ostensivamente cultivado no sovaco. Peguei um papel e escrevi esta cartinha em forma de soneto para o Ângelo:

SAUDADES DE ÂNGELO ROBERTO

Querido amigo Ângelo Roberto,
Ontem lembrei-me muito de você
Ao avistar na praia, em Mucugê,
Uma mulata em pelo, a céu aberto.

“Que fêmea, que pedaço de mulher”,
Exclamei, deslumbrado e boquiaberto.
E sei bem que era o mesmo que você
Faria se estivesse ali por perto.

Mas não foi bem pelos etruscos seios
Nem pela bunda equina, que me veio
Esta lembrança – acode-me deus Baco!

Foi sim, por esta esdrúxula coisinha:
Ao acercar-me dela vi que tinha
Duas negras trancinhas no sovaco.

Jacques Brel – La chanson des vieux amants

Viva Jacques Brel! Viva Ângelo Roberto!

Obrigado Paulo Martins!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

São Paulo
Lula ao lançar sua pré-candidatura à presidência, em São Paulo.
Lula ao lançar sua pré-candidatura à presidência, em São Paulo. Fernando Bizerra EFE

Enquanto os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) não finalizam o processo da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as peças do tabuleiro político-judicial do petista seguem se mexendo. Os advogados de Lula entraram nesta terça-feira com um pedido de habeas corpus preventivo numa instância superior, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), para tentar evitar a prisão de seu cliente. Mas bastaram poucas horas para que esse primeiro cartucho fosse queimado em vão: a petição foi negada sob o argumento de que, como a detenção do petista deve ocorrer antes que seu último recurso (ainda não apresentado) no TRF-4 seja apreciado, a concessão de uma eventual proteção seria precoce.

O revés para o líder do PT aconteceu no mesmo dia em que circula a crítica da presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, à possibilidade de o tribunal supremo rever a prisão de condenados em segunda instância ao discutir o caso de Lula. Para a maioria dos analistas, a rediscussão do começo da execução da pena, quer pelo caso do petista ou quer de maneira geral, é a melhor chance do ex-presidente para evitar a detenção.

Além de reclamar da decisão dos três desembargadores do TRF-4 de endossar a condenação de Moro e ampliar a pena de prisão em três anos, os advogados de Lula enumeraram seis razões pelas quais acreditam que o cliente não deve ser preso. A primeira é que Lula “respeita as decisões judiciais, mesmo as teratológicas” — os defensores citam a entrega do passaporte do ex-presidente, determinada pela Justiça no Distrito Federal. Além disso, o petista é réu primário “e de bons antecedentes criminais”, responde por crimes não violentos, tem 72 anos, “implementou diversas políticas de prevenção e repressão à criminalidade organizada e à prática de crimes econômicos e financeiros” enquanto presidente e é pré-candidato a um novo mandato.

Para embasar a argumentação pela liberdade do petista, os advogados citam os ministros do STF Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello, que votaram junto com Rosa Weber contra a prisão enquanto houver a possibilidade de recurso — Dias Toffoli defendeu prisão após condenação em terceira instância. O pedido de habeas corpus preventivo ainda destaca que o ministro Gilmar Mendes, que votou pela prisão em segunda instância, “já adiantou possível mudança de posicionamento”, no qual a prisão só deveria ocorrer na terceira instância (o STJ).

As declarações de Mendes e a possibilidade de Lula ser preso nas próximas semanas levaram a especulações sobre a possibilidade de o STF rever a decisão tomada em outubro de 2016. Questionada sobre o assunto por jornalistas na noite de segunda-feira, a presidenta do STF disse que reabrir a discussão no tribunal por conta de um caso específico “seria apequenar muito o Supremo”. Durante jantar promovido pelo site Poder360, Cármen Lúcia disse ainda que não pretende pautar o assunto em fevereiro ou março, mas que outros ministros podem levar a questão ao plenário do tribunal.

Nações Unidas

Além de recorrer na Justiça brasileira, os defensores de Lula seguem buscando atenção internacional. Eles protocolaram na segunda-feira seu “comunicado final” no recurso apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. Segundo nota publicada pelo Instituto Lula, o recurso “declara que o Estado Brasileiro continua violando os direitos humanos do ex-presidente ao não permitir que ele tenha acesso a nenhuma medida legal no Brasil”. “Pediu-se ao Comitê de Direitos Humanos da ONU que faça considerações sobre as grosseiras violações dos direitos do ex-presidente Lula à privacidade, o direito do ex-presidente Lula a um julgamento justo, à proteção contra prisão arbitrária, à liberdade de movimento e à presunção da inocência até que se prove o contrário pelo TRF-4, pelo juiz Sérgio Moro e pelos procuradores da Lava-Jato”, registra a nota.

Enquanto isso, os trâmites do processo seguem correndo na 13ª Vara Federal de Curitiba, que será responsável por executar uma possível prisão de Lula. Nesta segunda-feira, o juiz Sérgio Moro determinou o leilão do tríplex do Guarujá. O objetivo da medida, segundo Moro, é preservar o valor do imóvel — como, formalmente, ele não pertence nem a Lula nem à construtora OAS, o IPTU não está sendo pago. O juiz diz que os valores da venda devem ser “destinados, após o trânsito em julgado, à vitima no caso de confirmação do confisco ou devolvidos à OAS Empreendimentos ou ao ex-presidente no caso de não ser confirmado o confisco”.

jan
31
Posted on 31-01-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-01-2018

Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal,nesta terça-feira, 30, em entrevista ao repórter da TV Globo, Marcos Losekan, na qual deixou claro que o STF não vai discutir mais prisão após condenação em segunda instância, como desejam advogados de Lula e o PT.

DO BLOG O ANTAGONISTA

Uso de algemas em Cabral não deve se repetir, diz Sérgio Moro

Em ofício enviado a João Pedro Gebran Neto, Sérgio Moro disse que a transferência de presos com algemas nos nos pés e nas mãos, como ocorreu com Sérgio Cabral, não deve se repetir, informa O Globo.

No ofício, enviado há quatro dias, o juiz federal afirmou que espera a manifestação do MPF. Acrescenta, porém, que havia sido expressamente recomendado que os policiais evitassem algemar presos da Lava Jato nas mãos e nos pés em seus deslocamentos, a não ser em casos excepcionais –posição à qual a própria PF seria favorável.

“Parece bastante improvável que episódio equivalente se repita, salvo talvez em circunstâncias muito excepcionais”, escreveu Moro.

jan
31
Posted on 31-01-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-01-2018


 

Pater, no jornal (ES)

 

jan
31
Rio de Janeiro

A deputada e quase ministra Cristiane Brasil está dando mais trabalho do que esperado. Após ter sua nomeação como ministra do Trabalho suspensa, primeiro por um juiz de Niterói e, depois, temporariamente pelo Supremo Tribunal Federal, Cristiane quis se defender pessoalmente das denúncias de dois dos seus ex-motoristas que alegaram ter trabalhado sem carteira assinada. Quando a poeira quase tinha abaixado e os aliados esperavam que ela se preservasse até a sua nomeação ser resolvida na Justiça, a deputada virou meme e até fantasia de Carnaval.

Cristiane escolheu um cenário inusitado. A bordo de uma lancha e tendo um mar esmeralda e uma música eletrônica de fundo, prometeu que provaria que não deve nada a ninguém. O vídeo correu como a pólvora pelas redes sociais. “Vai, ministra”, incentivava um dos seus quatro acompanhantes masculinos, todos de torso nu depilado. “Todo mundo tem direito de pedir qualquer coisa na Justiça. Todo mundo pode pedir qualquer coisa abstrata”, disse ela. “[Mas] O negócio é o seguinte: ‘quem é que tem direito?’, ainda mais na Justiça do Trabalho. Eu, juro pra vocês, eu juro pra vocês, que eu não achava que eu tinha nada para dever para essas duas pessoas que entraram contra mim. E eu vou provar isso em breve”, concluiu Cristiane, encorajada pelos amigos.

O vídeo não agradou o Planalto, nem o PTB, nem o próprio pai Roberto Jefferson, presidente da sigla e principal articulador para elevar a deputada à pasta do Trabalho. Em seu Twitter, o homem-bomba do mensalão repreendeu a filha. “Sobre o vídeo, a repercussão fala por si. Também teve muita deturpação. Eram famílias no barco, havia crianças passando. Dito isso, penso que uma figura pública deve se portar como uma figura pública, e usar ferramentas como Facebook e Instagram apenas em caráter institucional”. Jefferson também pediu aos “trogloditas nas redes” “menos moralismo e menos machismo”.

A assessoria da deputada tentou minimizar a importância da repercussão e das próprias imagens. “A gravação e a divulgação do vídeo foram uma manifestação espontânea de um amigo, utilizada fora do contexto. “A deputada reitera ainda o seu respeito à Justiça do Trabalho e à prerrogativa do trabalhador reivindicar seus direitos”, disse em nota.

A “manifestação espontânea” complica ainda mais a nomeação de Cristiane, costurada pelo Governo Temer com o PTB. Em troca de apoio e fidelidade –na prática, o apoio petebista significa mais 16 votos a favor da reforma da Previdência na Câmara e mais dois no Senado–, cabia ao partido escolher um nome para a pasta de Trabalho. A primeira opção foi o deputado do Maranhão Pedro Fernandes, que foi vetado pelo ex-presidente e ex-senador José Sarney –o filho do deputado é secretário do governador Flávio Dino (PCdoB), opositor de Roseana Sarney. Descartado Fernandes, Jefferson alavancou a filha, embora ela respondesse a dois processos por não garantir os direitos trabalhistas de dois dos seus empregador.

Após a primeira suspensão da posse pela Justiça, baseada em que a nomeação de uma pessoa com condenação judicial por questão trabalhista fere o princípio da moralidade administrativa, houve quem tentasse dissuadir o pai. Mas ele se mostrou irredutível. Em 20 de janeiro, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, chegou a suspender a decisão de primeira instância com o argumento de que não existe, no ordenamento jurídico, norma que vede a nomeação de qualquer cidadão para exercer o cargo de ministro do Trabalho em razão de ter sofrido condenação trabalhista. A queda da decisão de Martins, no entanto, foi questão de horas. A posse, com os preparativos prontos, voltou a ser suspensa pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia. A ministra não entrou no mérito dos processos trabalhistas da deputada, mas entendeu que a Corte Superior estaria usurpando a competência da Suprema Corte para julgar o requerimento. Jefferson manteve o nome mesmo assim.

O caso, encalhado desde o início do ano, agora virou uma questão de Estado. Não pela convicção do Planalto na idoneidade da deputada, mas sim pelo agravamento da queda de braço entre o Executivo e o Judiciário. A batalha nos tribunais,  considerados intervencionistas pela cúpula do poder em Brasília, coloca em xeque a prerrogativa de o presidente de nomear seus ministros.

Foi esse o ponto ressaltado pelo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun. “É um vídeo privado, que vazou na Internet. Ela não está roubando. Que eu saiba ela estava bem trajada no vídeo. Eu acho que continua o ponto principal, que este sim deveria estar sendo superdimensionado, que é esse vilipêndio de uma prerrogativa privativa do presidente da República”, disse Marun em declarações recolhidas pelo O Globo. “O que existe de errado nessa história é a decisão do juiz de não cumprir com a Constituição. O descumprimento de um magistrado pelo que estabelece a Constituição Federal, isso para mim é muito mais grave do que o fato dela ter gravado um vídeo em um mundo em que todo mundo anda com uma câmera no bolso”.

Enquanto Cármen Lúcia reavalia sua decisão sem data definida –ela pediu mais esclarecimentos ao TSJ e pediu parecer à Procuradoria Geral da União, que se mostrou favorável à suspensão da posse por entender que a decisão compete ao STF –, Cristiane Brasil virou um potencial hit do Carnaval. Num dos numerosos memes que inundaram a rede após a divulgação do vídeo, a usuária do Twitter Renta Côrrea anunciava em caixa alta: “Procura-se quatro homens brancos com cara de intervencionistas. Tipo físico: que malhem, porém inchados de bebida e um pouco maltratados pela vida. Motivo: compor minha fantasia de Cristiane Brasil no Carnaval. Tratar inbox”.

DO EL PAIS
São Paulo / Porto Alegre

Horas depois de ter sido condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão, Luiz Inácio Lula da Silva exaltava, do alto de um caminhão de som no centro de São Paulo, uma possível junção da esquerda. “Eles que se preparem: partidos de esquerda terão a compreensão de que precisam se unir”, dizia ele, em uma ideia repetida muitas vezes ao longo dos últimos dias.

Mas mesmo sob a possibilidade de não ter um nome forte nas eleições de outubro, já que Lula pode se tornar inelegível, os partidos de esquerda negam a possibilidade de se unir em torno de uma candidatura única. Assumem, sim, uma junção, mas apenas na esfera programática, correndo o risco de, com cinco candidatos, sumirem nas propagandas eleitorais pelo baixo tempo de TV que terão sem alianças partidárias robustas. 

Duas das figuras presentes nos palanques de Lula nesta recente crise, por exemplo, deverão ser candidatos em outubro. A deputada Manuela D’Ávlila (PCdoB-RS), já anunciou sua pré-candidatura e afirmou ao EL PAÍS que ela está mantida. E o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, já é considerado no PSOL como pré-candidato, embora ainda não tenha se filiado ao partido, que também reforçou à reportagem que terá candidato próprio. Os demais partidos da esquerda também já têm pré-candidatos próprios: Ciro Gomes, pelo PDT, e Aldo Rebelo, pelo PSB. E nenhum deles pretende abandonar suas candidaturas para sustentar a de Lula, mesmo discordando da condenação no Tribunal Regional Federal 4, nesta última quarta.

As dificuldades de uma união da esquerda em torno de um único nome passam por aspectos práticos e ideológicos. O PCdoB, que nas últimas sete eleições presidenciais apoiou o PT, precisa eleger mais deputados federais que nos últimos anos para garantir a representatividade futura do partido no Parlamento, algo que está ameaçado desde a aprovação da última reforma política. Como, nos últimos anos, a aliança com os candidatos petistas rendeu ao partido pouco protagonismo, ele precisa sair à luz e mostrar suas ideias. E a melhor forma de dar visibilidade para as suas plataformas é por meio de um candidato à Presidência.

Já o PSOL, que no máximo até março deve confirmar a candidatura de Boulos, acumulou nos últimos anos muitas divergências com a postura do PT no Governo, fazendo uma clara oposição a muitas de suas políticas. “O PSOL terá candidato próprio. Temos nossa ideologia e uma reserva ética que nos dá condições de apresentar um candidato”, reforça o deputado federal Ivan Valente. “Discordamos de muitas coisas feitas pelo PT nos últimos anos, como as monstruosas isenções fiscais que beneficiaram a elite e a escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda”, explica.

Ao reafirmarem seus cinco candidatos de esquerda nas próximas eleições, os partidos argumentam que não acreditam que isso beneficiará um candidato de direita, já que o lado conservador da disputa também está bastante fragmentado. É um cenário que deve tornar a disputa completamente pulverizada, algo que se assemelha a vista em 1989, primeira eleição direta democrática após um longo período de ditadura militar. Até Fernando Collor, que saiu vitorioso daquela eleição e depois sofreu impeachment, já anunciou que será candidato em outubro.

Um único programa

Apesar de não concordarem com a tese de uma candidatura única, os partidos de esquerda discutem, sim, uma união. Mas em torno de um “programa mínimo”, conforme definiu Manuela D’Ávila. “As fundações dos partidos estão elaborando um programa com propostas em diversas áreas que servirão como plataforma”. O documento, que está previsto para ser apresentado na Câmara dos Deputados no próximo dia 15 de fevereiro, está sendo elaborado desde o ano passado pelas fundações ligadas aos partidos: Perseu Abramo (PT), João Mangabeira (PSB), Mauricio Grabois (PCdoB) e Leonel Brizola (PDT). A Fundação Lauro Campos (PSOL) também pode se juntar ao grupo, após ter feito algumas propostas.

“Há algum tempo estamos tentando construir um discurso que contemple as diferentes teses da esquerda, algo especialmente importante em um momento em que a direita se avolumou e faz campanhas de terrorismo, como esta recente da reforma da Previdência“, explica o presidente da Fundação Leonel Brizola, Manuel Dias, ex-ministro do Trabalho nos governos Lula e Dilma. “A ideia é fazer um discurso único, uma revisão histórica da esquerda”, destaca ele, que afirma que haverá propostas para um “plano nacional de desenvolvimento”. Serão pontos em diversas áreas, como educação, economia e direitos sociais. O presidente da Fundação Leonel Brizola destaca que ainda que os candidatos sejam distintos os partidos concordam com “alguns princípios universais”. “Seria o ideal unir as forças em torno de uma candidatura unificada. Mas hoje isso é muito difícil.”

A participação do PSOL no projeto, por enquanto, ainda está indefinida. O presidente do partido, Juliano Machado, explica que seus dirigentes enviaram suas contribuições para construir o documento e agora aguardam para saber se elas serão incorporadas. “Incluímos uma série de sugestões, mas não sabemos se serão aceitas, porque algumas não são defendidas por alguns dos partidos”, diz Machado. “Fazemos críticas às parcerias público-privadas, por exemplo, mas não sabemos se PDT e PSB concordam com isso”.

Ele diz que se trata de uma “plataforma de convergência, não eleitoral”. “É uma plataforma de convergência, que serve para o debate da esquerda”. Quanto a isso, todos os partidos estão de acordo. “O documento não implica nas candidaturas”, diz Carlos Lupi, presidente do PDT. “É apenas um programa mínimo, para que, aquele do nosso campo que vencer a eleição, tenha uma linha de políticas públicas que a gente considera importantes para a defesa da população”, explica. Ele lembra que a pré-candidatura de Ciro Gomes será lançada no dia 8 de março, dia internacional da mulher.

Lupi coloca os direitos dos trabalhadores e a educação em tempo integral como algumas das principais linhas de defesa do programa, além do “questionamento do sistema financeiro”. “Não adianta garantir programa social sem tocar no câncer que é o sistema financeiro”, afirma.

A expectativa dos partidos é que a construção deste documento cria um diálogo comum entre as legendas da esquerda. Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, comemora a iniciativa. “É um evento inédito no Brasil, uma tentativa de construção de diretrizes programáticas com partidos no campo progressista, que permite simultaneamente o lançamento das diferentes candidaturas”, diz.

Apesar do aceno a uma possível reconstrução da esquerda, o lançamento do programa deve ficar, por ora, apenas no plano das ideias. “Não é um programa de Governo”, diz Pochmman. “Está mais na linha de um projeto de desenvolvimento para o país, que é algo mais a longo prazo”, diz.

D0lores Duran compõe, Nana Caymmi canta. Pura magia. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

O presidente Michel Temer falou, nesta segunda-feira (29), sobre o cenário político das eleições deste ano e a presença ou ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Dizer que Lula ‘está morto’ politicamente, que a imagem, palavra, presença não estará presente [no cenário político]… morto ele não está”, declarou em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta manhã.

Para Temer, a ausência do ex-presidente “tensiona o país”. “Temos que distencionar as relações. O Brasil vive um tensionamento permanente. É brasileiro contra brasileiro”, disse, acrescentando: “Queria que Lula participasse da eleição para pacificar o país.”

Temer voltou a afirmar que não será candidato em 2018 e acrescentou que vai dedicar os próximos seis meses para recuperar seus aspectos morais.

O presidente Temer se referiu às denúncias contra ele que vieram após a delação dos empresários da JBS.

Michel Temer deu entrevista à Rádio Bandeirantes na manhã desta segunda-feira
Michel Temer deu entrevista à Rádio Bandeirantes na manhã desta segunda-feira

Ele declarou que não vai admitir que se diga impunimente que ele é “trambiqueiro” ou praticou falcatruas: “Eu estou cumprindo muito bem o meu papel, já estou satisfeito com o que eu fiz. Eu quero alguém que defenda o meu legado. Até porque eu fui, de alguma maneira, desmoralizado por alguns embates de natureza moral, porque a minha luta não foi política, foi de natureza moral. Quem conhece minha vida, sabe o que eu tenho, sabe da absoluta inverdade nisso que se fez. Eu, nesses seis meses, vou me dedicar à recuperação dos meus aspectos morais. Não vou admitir mais que se diga impunimente que o presidente é trambiqueiro, que fez falcatruas. Não vou permitir. Meus detratores estão na cadeia e quem não está na cadeia está desmoralizado porque foi desmascarado por fatos concretos. Ninguém foi desmoralizado à toa”.

Michel Temer ainda acrescentou: “Não acuso o Ministério Público. O que nós podemos é cifrar essa acusação a um membro do Ministério Público, que não teve tranquilidade suficiente para analisar todas as provas, verificar tudo aquilo que foi depois desmentido. Foi jogando denúncia em cima do presidente de uma maneira irresponsável”.

Ao falar sobre os quatro vice-presidentes da Caixa que foram afastados, o presidente afirmou ser quase impossível preencher todos os cargos sem indicações. “Quando um presidente chega, ele tem um número de estatais que têm 200 cargos para preencher. Como um presidente vai sentar e escolher as 200 pessoas com critérios de moralidade absoluta?”, declarou.

“Podem chegar sugestões da classe política, eleita pelo voto. Então tenho o direito de indicar nomes. Agora, nomes inconvenientes, que não atendam muito bem, o governo decidirá. O fato de indicar não é criminoso. É um fato sensível na democracia”, disse, acrescentando: “As pessoas esquecem, mas a lei das estatais, que busca a moralidade administrativa, fui eu que regulamentei. Sancionei este projeto. Aconteceu essa adaptação no Banco do Brasil, Petrobrás, Furnas e agora na Caixa. O Conselho vai nomear os vices, frutos de ato deste governo”.

Previdência

Temer, afirmou ainda estar otimista em relação à aprovação da reforma da Previdência, e acrescentou que “quem não votar pela reforma da Previdência estará fazendo um mal para o país”. Segundo o presidente, agora as pessoas estão mais esclarecidas sobre o tema.

“Conseguimos fazer uma comunicação com a população, esclarecendo o que é a reforma da Previdência”. O presidente destacou que, pela proposta, para os trabalhadores que ganham até R$ 5.645 nada muda. “Se não consertarmos a Previdência, daqui a dois ou três anos ela não resiste”, alertou.

O presidente ainda acrescentou ainda que o diálogo pode levar a uma ou outra modificação: “Aconteça o que acontecer sempre haverá uma economia muito significativa ao longo de 10 anos. O governo não pretende abrir mão daquilo que está na reforma. Mas, evidentemente, o diálogo pode levar a uma ou outra modificação. Diante do projeto original, a economia de recursos seria de cerca de R$ 900 bilhões em 10 anos. Com este novo projeto amenizado, a economia seria de R$ 550 bilhões a R$ 600 bilhões, ou seja, vale a pena. Entre nada e R$ 550 bilhões, melhor esta economia, que garante os valores dos aposentados e servidores públicos.”

O presidente disse que, se a reforma for aprovada, “muito provavelmente a nota de crédito do Brasil será recuperada” e o país voltará a atrair investimentos. Temer ressaltou que o país já está aumentando sua confiança e que foram abertos, nos últimos meses, mais de 1,4 milhão de postos de trabalho. Ele espera que, até o fim de seu governo, o Produto Interno Bruto volte a crescer mais de 1% e possam ser abertas mais de 1,5 milhão de vagas de trabalho.

Temer também defendeu a reforma da Previdência em entrevistas exibidas em emissoras de televisão, no fim de semana. No programa do Amaury Jr, veiculado no último sábado, na Band, e no programa do Sílvio Santos, no domingo, no SBT, reforçou os argumentos pela aprovação da reforma e apontou os riscos para as contas do Estado caso não haja nenhuma medida para conter o déficit previdenciário.

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