ANÁLISE

‘The Crown’

Claire Foy, em 'The Crown'.Claire Foy, em ‘The Crown’.

As biografias, tanto na literatura como no audiovisual, se tornaram uma arma eficaz de comunicação de massa. Quando lançou seu retrato de Steve Jobs por volta de 2011, Walter Isaacson empregou um método eficaz. Encheu-o de lama, mas, apesar de suas mazelas como ser humano, o que realmente ficou na memória foi a pura evidência de que estávamos diante de um gênio visionário. Para isso foi concebido e por isso Jobs o encarregou de fazê-lo. Os dois causaram uma reviravolta no gênero. Com os ingredientes de uma biografia não autorizada, cozinharam uma obra autorizada que contou com todas as bênçãos do criador da Apple.

Em The Crown nos deparamos com um caso similar. Como retratar um ícone contemporâneo da magnitude de Elizabeth II sem produzir uma narrativa chocha? E ainda por cima fazê-lo com pompa e circunstância, com uma atualização do gênero puramente britânico. Para isso é preciso contar com o talento dos criadores Peter Morgan e Stephen Daldry, o primeiro como roteirista, o segundo como diretor e ambos como produtores. Os dois, ao lado de um deslumbrante time de atores, autores, diretores, ao custo de 10 milhões de euros (38 milhões de reais) por episódio, criaram mais uma obra-prima nesta segunda temporada.

Com Churchill e o eminente John Lithgow fora de cena, o contexto político perdia atrativo. O morfinômano Anthony Eden e o insípido Harold Macmillan não lhe chegam aos pés em termos históricos. Mas sim como personagens trágicos. O primeiro, ansioso para passar à história pelo menos com mais uma guerra — a do canal de Suez — e o segundo, traidor como todos outros, empenhado em afugentar como primeiro-ministro os fantasmas de sua própria pusilanimidade em casa. Para que servem ambos aos criadores da série? Para deixar patente a estatura e o instinto político de Elizabeth II.‘The Crown’: Quando Elizabeth II sofria infidelidades e não confiava em Jackie Kennedy

 Aí está uma virtude fundamental na qual, através dessa arma moderna de comunicação global que é a Netflix, a mensagem fica clara. Como torná-la plausível? Com um contraponto sem rodeios que permeia toda a temporada: a intimidade de seu casamento. Esse é o foco dos quatro primeiros e dos dois últimos episódios da temporada. Cresce a figura de Philip, duque de Edimburgo, com um enigmático e convincente Matt Smith.

São brilhantes as investigações sobre o passado do personagem e suas consequências. O rastro de suas origens dentro de uma família ligada ao nazismo, o rastro de uma mãe louca de pedra e os desenlaces trágicos de sua infância. Sua figura desorientada, buscando se encaixar no sistema, os imbróglios amorosos, sua difícil adequação à engrenagem de uma monarquia em que o marido deve obediência à rainha, continuam dando substância ao núcleo principal.

Nesse equilíbrio se cimenta uma trama em que também se destaca a rebeldia da princesa Margaret e o retrato de um herdeiro, o príncipe Charles, tímido, fraco e vítima de bullying. Também o papel da rainha mãe — insuportável, sem atenuantes — ou as artimanhas de Michael Adeane e Tommy Lascelles.

Mas em meio a tudo isso reina, gloriosa, a majestosa Elizabeth. E Claire Foy, a estrela em ascensão na primeira temporada, já se consolida nesta segunda como uma das atrizes mais sólidas de sua geração. É sobre ela que gira todo o peso da série. Nas constantes incursões da câmera ao fundo de sua alma, no claro-escuro entre a pose protocolar e a gélida, crua, inóspita verdade de seus tormentos. Sua determinação como soberana e sua solidão como esposa, sua frieza como mãe e seu desejo de levar a monarquia para a modernidade como única forma de sobrevivência.

‘The Crown’: Quando Elizabeth II sofria infidelidades e não confiava em Jackie Kennedy

 

Os criadores não hesitam em pintá-la como ignorante e presa na frieza dos protocolos para destacar sua audácia na hora de aceitar as críticas ou enfrentar o espelho daquilo que gostaria de ser, encarnado em uma deslumbrante e frágil Jackie Kennedy. Reforçam sua tendência ao isolamento com o propósito de ressaltar, depois, seu sucesso como líder da Commonwealth, apagando um incêndio pró-soviético ao ritmo de um foxtrot

Não recuam, nem pisam no freio quando veem que é preciso enlameá-la para que ressurja entre os louros do que realmente importa. Como, por exemplo, ao deixar claro que se a coroa ficasse com seu tio Edward VIII e não com seu pai, George VI, o Reino Unido teria sido um fantoche nas mãos dos nazistas, a monarquia, um resquício do passado e a história do mundo, outra.

Nem mais, nem menos. E é isso que conta, para maior mérito dos criadores da série e, claro, de Elizabeth II. Ao diminuir a tendência ao culto à personalidade que ocorre mesmo nas democracias atuais, colocam-na em órbita como exemplo de mandatária de uma instituição ao mesmo tempo vigente e caduca, como é o caso da monarquia. Nada que não leve mácula parece plausível em nossa época. Para criar uma obra de arte de comunicação moderna como The Crown, é preciso humanizar de maneira radical aquilo que se pretende divinizar a todo custo.

Rui Costa, governador da Bahia pelo PT, em entrevista nesta terça-feira, 19. Publicada no jornal A Tarde.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

 

Luís Roberto Barroso defendeu a Lava Jato ao responder comentários de Gilmar Mendes durante a sessão de hoje do STF, a última do ano.

Assista:

 

Luís Roberto Barroso defendeu a Lava Jato ao responder comentários de Gilmar Mendes durante a sessão de hoje do STF, a última do ano.

Assista:

 

<iframe width=”560″ height=”315″ src=”https://www.youtube.com/embed/cvZpqKSrqds” frameborder=”0″ gesture=”media” allow=”encrypted-media” allowfullscreen></iframe>

DO G1/O GLOBO

 Gustavo Schmitt

Marcelo Odebrecht ao ser preso em junho de 2015, quando foi conduzido por Newton Ishi, o japonês da federal. Foto Geraldo Bubniak/Freelancer – Geraldo Bubniak / Agência O Globo

Chefe da carceragem da PF, Ishi disse que a expectativa é que a publicação de seu pedido de aposentadoria ocorra nesta terça-feira, quando também está prevista a saída da cadeia do empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Ao GLOBO, Ishi admitiu que chegou a receber convites de partidos políticos para disputar as eleições de 2018. Contido e dono de poucas palavras, ele foi taxativo:

— Tô fora! – disse Ishi, sem revelar qual partido lhe fez a proposta de candidatura.

Uma marchinha de carnaval chegou a ser composta em homenagem ao agente e máscaras com seu rosto foram distribuídas em manifestação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Contudo, em junho do ano passado, Ishi foi preso. O caso tem relação com uma investigação criminal sobre contrabando de mercadorias na fronteira do Brasil em Foz do Iguaçu, desbaratada na Operação Sucuri em 2003. Ele foi condenado a 4 anos e dois meses por facilitação. Porém, obteve redução de pena devido aos dias trabalhados como agente e usou tornozeleira eletrônica até outubro.

SUBLIME! SIMPLESMENTE!

BOM DIA!!!

 

(Gilson Nogueira)

Felipe Betim
Felipe BetimJornalista | Periodista – El País

 

Universidades públicas brasileiras entraram na mira da Polícia Federal (PF), que desde dezembro de 2016 realizou ao menos sete operações para apurar supostos desvios administrativos. A última delas ocorreu na última quarta-feira, dia 6 de dezembro, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Batizada de Operação Esperança Equilibrista, a corporação investiga um suposto desvio de recursos na construção do Memorial da Anistia Política na instituição. E, para isso, levou de forma coercitiva o reitor Jaime Arturo Ramirez e outros professores para depor, além de ter cumprido mandados de busca e apreensão.

A ação gerou protestos da comunidade acadêmica, que viu uma série de abusos na operação e uma afronta à autonomia universitária. Também existe o temor de que operações como esta sejam parte de um ataque mais amplo para enfraquecer o ensino superior público. Mas além de professores e instituições de ensino — a última a se a manifestar, nesta terça-feira, foi a USP — , entidades como a OAB de Minas e personalidades como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) também repudiaram a última ação policial. Em geral, os questionamentos se centram — como ocorreu em ocasiões durante a Operação Lava Jato — no suposto uso abusivo do instrumento da condução coercitiva, que segundo a lei deveria ser realizada quando uma pessoa intimada a depor se nega a comparecer.

Não foi o que aconteceu neste caso, como em vários outros relacionados a Lava Jato. Mas em sua decisão, a juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima explicou que a medida era “indispensável à investigação, de modo a possibilitar que sejam ouvidos concomitantemente todos os investigados, para impedir a articulação de artifícios e a subtração das provas quanto à materialidade e autoria das pretensas infrações”. Justificativas como a da magistrada foram usadas durante as várias fases da Lava Jato que também lançaram mão de conduções coercitivas. “A determinação judicial, ainda que pareça um pouco mais dura, é para garantir que as provas sejam preservadas. Porque hoje é muito fácil destruir uma prova, basta dar um enter. Tudo vai depender das circunstâncias que a polícia e o MP levarem para o juiz do caso”, explica a desembargadora Ivana David.

Tiago Bottino, professor de Direito da FGV Rio, discorda e argumenta que um mandado de busca e apreensão pode ter o mesmo efeito surpresa e evitar a destruição de provas. Para ele, existem duas motivações, “que andam juntas”, por trás da condução coercitiva. “A primeira é que você quer usar a surpresa para dificultar o exercício do direito de defesa e ao silêncio. Quando policiais armados chegam às 8h na casa de uma pessoa e a levam para um local, isso cria um ambiente de intimidação que dificulta o contato com advogados, com a família… Muitas vezes a pessoa nem sequer sabe os motivos pelos quais está sendo investigada. Ela fica numa situação de muita insegurança”, explica ele. O segundo motivo, afirma, é a vontade da força tarefa de criar um espetáculo midiático em torno da operação e de “mostrar serviço” para a população. “A ideia é fazer uma grande operação que saia nos jornais e que passe a impressão de que um grande crime foi descoberto”.

O reitor Jaime Ramírez e a vice-reitora Sandra Goulart Almeida, durante ato na UFMG.
O reitor Jaime Ramírez e a vice-reitora Sandra Goulart Almeida, durante ato na UFMG. Foca Lisboa UFMG
 

Em entrevista ao EL PAÍS, a advogada criminalista Marina Coelho Araújo explicou que “este fator simbólico pode acabar saindo pela culatra, porque lá na frente pode haver alguma nulidade ou algo diferente do que foi publicado no jornal, o que pode fazer com que as pessoas não achem que a polícia errou, mas sim que há impunidade”. Ela também taxou de “absurdo” o uso frequente da condução coercitiva e explicou ainda que os casos envolvendo universidades se encaixa na “onda geral de que temos que combater a corrupção a qualquer custo, mesmo que procedimentos legais sejam deixados de lado”.

Em nota, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal — que não respaldou a condução coercitiva na UFMG — pediu “uma reflexão sobre o eventual uso exagerado de medidas coercitivas, especialmente no ambiente da academia, a qual goza de autonomia constitucional”. Disse ainda que “qualquer iniciativa de investigação de desvios de recursos na implementação do Memorial não pode ser usada para depreciar a importância jurídica e histórica da preservação da memória sobre o legado de violações aos direitos humanos no regime militar autoritário”. Assim, disse considerar “infeliz a denominação dada à operação policial, a qual se apropria de passagem de música [O Bêbado e o Equilibrista] de Aldir Blanc e João Bosco, imortalizada na voz de Elis Regina, e que se tornou hino da luta por liberdades e direitos no País, especialmente daqueles que foram mortos, torturados ou desapareceram por força da repressão política durante a ditadura militar”.

Outro instrumento questionado é o da prisão preventiva ou temporária, esta última utilizada em setembro na Operação Ouvida Moucos, que investiga irregularidades na concessão de bolsas para ensino a distância na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo as investigações, os desvios totalizam 80 milhões de reais e envolvem docentes, empresários e funcionários de entidades parceiras que teriam atuado através da concessão de benefícios a pessoas sem qualquer vínculo com a instituição. Acusado de atrapalhar as investigações, o reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo acabou preso. Solto no dia seguinte, foi impedido por decisão judicial de se aproximar da instituição. Semanas depois, no dia 2 de outubro, se atirou de um andar alto de um shopping em Florianópolis. Um bilhete encontrado junto ao seu corpo dizia: “Minha morte foi decretada no dia do meu afastamento da universidade”. O suicídio gerou uma grande comoção e deixou a comunidade acadêmica ainda mais indignada com os rumos da operação.

Luis Carlos Cancellier, que se suicidou em outubro deste ano.
Luis Carlos Cancellier, que se suicidou em outubro deste ano. Assembleia Legislativa de Santa Catarina
 

Araújo acredita que qualquer investigação é importante, mas que ela deve ser feita “de forma efetiva”, utilizando “a inteligência da PF”. Ela aponta ainda para a falta de transparência da própria investigação. “Esses 80 milhões que a delegada falou… Onde ela viu isso? Da onde ela tirou essa informação?”, questiona.

O EL PAÍS tentou sem sucesso falar com a Corregedoria-Geral da Polícia Federal sobre o tema. No último sábado, entretanto, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou uma nota repudiando as críticas e defendendo a delegada Erika Mialik Marena, responsável pelo caso. “Durante a primeira fase da investigação, professores da UFSC prestaram depoimentos sobre a existência de pressões do reitor para manter o quadro de irregularidades. Tais testemunhos foram fortalecidos pela comprovação documental de que o mandatário da universidade procurou interferir na atuação da própria Corregedoria da Universidade, que conduzia investigação preliminar sobre o caso”, apontou a entidade. Após lamentar a morte do reitor, acrescentou que a atuação da PF “foi absolutamente regular e devidamente autorizada pelo Judiciário” e que “não há erros que possam imputar ao Estado responsabilidades pelo suicídio” de Cancellier. “Logo, não se pode admitir que terceiros se utilizem da dor e comoção da família para tentar macular a imagem da Polícia Federal, mormente quando não se observa o mesmo empenho em questionar a forma como eram geridos aqueles recursos públicos”, diz a nota.

Ataques orquestrados contra a universidade?

Outras ações foram levadas a cabo no último ano: em dezembro de 2016, a Operação Phd apurou supostos desvios de recurso de programas de incentivo à pesquisa na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); em fevereiro, a Operação Research investigava na Universidade Federal do Paraná (UFPR) um suposto repasse ilegal de recursos através de pagamentos fraudulentos de bolsas a pessoas sem vínculos com a instituição; em novembro deste ano, a Operação Estirpe apurou suposto superfaturamento e fraudes na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM); também em novembro, Operação Acrônimo acusou um ex-reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) de receber propina de uma gráfica numa licitação para impressão e distribuição de provas de concursos e vestibulares.

André Singer, cientista político da USP e ex-porta-voz e secretário de Imprensa da Presidência no governo Lula, escreveu no último sábado em sua coluna na Folha de S. Paulo: “É óbvio que estamos diante de uma ação orquestrada e arbitrária, usando os mecanismos de exceção abertos pela conjuntura política, com o objetivo de desmoralizar o sistema público de ensino superior no Brasil”.

Paralelamente a essas operações, tomadores de decisão e instituições como o Banco Mundial vêm questionando o atual modelo de gratuidade do ensino superior público, que em tempos de crise econômica vêm sofrendo cortes orçamentários. Além disso, intimidações, ataques, ameaças e tentativas de censura viraram rotina nos campus universitário.

“As três situações são simultâneas e enfraquecem a universidade, mas não é algo orquestrado”, argumenta o filósofo e professor da USP Pablo Ortellado. “São coisas bem diferentes. E acho que entender a diferença entre elas ajuda a entender o que está acontecendo. As investigações sobre corrupção estão seguindo o padrão Lava Jato e acho que não tem nada de particular contra a universidade”, acrescenta ele, que também fala em “abusos” do Judiciário, como a condução coercitiva do reitor da UFMG. “E isso é totalmente diferente da campanha a favor da cobrança de mensalidades que está aparecendo no governo Temer, no programa do PSDB, na posição de alguns veículos de comunicação e em órgãos como o Banco Mundial. Isso está vindo de um modelo de reforma da universidade para desonerar o Estado”, explica. Já as ações de intimidação são provenientes de setores conservadores da sociedade, que acreditam que “a universidade é de esquerda e está doutrinando”, argumenta.

Estado policial

Por outro lado, ainda que as operações anti-corrupção nas universidades sigam o padrão Lava Jato, elas já não atingem importantes políticos e empresários de grandes corporações. Mas sim uma classe acadêmica que até então parecia imune a eventuais abusos da polícia e do Judiciário, o que aumentou a sensação — também mencionada em tempos de Lava Jato — de que o Brasil caminha em direção a um Estado policial. Algo que, na verdade, nunca desapareceu das periferias brasileiras mesmo em tempos de democracia. “Podemos fazer um paralelismo com que aconteceu na ditadura. As pessoas falavam que começou a haver uma onda de tortura. Mas na verdade a tortura sempre foi e até hoje é endêmica no Brasil. Mas na ditadura, pessoas de classe média e alta começaram a ser torturadas em função de sua ideologia”, explica o sociólogo Ignacio Cano, especialista em segurança pública da UERJ. “O que varia é o perfil das vítimas. As periferias sofrem sobretudo o abuso das polícias, e agora esses abusos da Lava Jato e nas universidades são orquestrados também e principalmente pelo Judiciário. Não são os típicos abusos de que a policia chega na casa da pessoa chutando a porta. Mas estão comprometendo o sistema político, e isso é muito grave”, acrescenta.

Para ele, os eventuais abusos hoje cometidos durante as operações da PF e os que são cometidos nas periferias, embora tenham naturezas distintas, “têm a ver com o abuso do estado de direito, com ignorar os princípios e as normas em função de impulsos”. A Lava Jato, diz o especialista, adquiriu “essa aura de cruzada moral contra a corrupção que permite ignorar os direitos das pessoas”. Por isso, continua, “vemos o MPF justificar qualquer medida em função da luta contra a corrupção”. A sensação, completa, “é de que não há limites”.

Sobre as operações no ensino superior, observa que “até agora não vimos acusações de que esses professores, gestores ou reitores estivessem enriquecendo. Eram acusações de que o dinheiro não tinha sido gasto da forma que deveria. Eram questões administrativas e que se tornaram desculpas para tornar o caso um grande circo midiático”. Já Bottino, professor de Direito da FGV Rio, lembra de de quando ministros do Supremo disseram que a Lava Jato fez com que a lei valesse para todos. “O que você não pode é querer é nivelar por baixo, e quando digo por baixo é nivelar por debaixo da lei. A condução coercitiva é o pau de arara da democracia. Não se pode comparar com a violência física da ditadura, mas a lógica de intimidação e de abuso é a mesma”.

dez
19
Posted on 19-12-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-12-2017
 DO BLOG O ANTAGONISTA
 

URGENTE: DODGE CORROBORA RESCISÃO DE DELAÇÃO DA JBS

Em manifestação enviada ao ministro Edson Fachin, Raquel Dodge requereu a homologação da rescisão dos acordos de colaboração premiada de Joesley Batista e Ricardo Saud.

Ela corroborou o pedido feito por Rodrigo Janot. Em 45 páginas, a PGR rebateu as alegações da defesa dos dois colaboradores, reiterando que ambos “descumpriram as cláusulas 25 e 26 dos acordos firmados com o MPF”.

O principal fundamento da rescisão, segundo Dodge, foi a descoberta de que os colaboradores “omitiram de forma intencional fatos criminosos dos quais participaram ou tinham conhecimento no momento da celebração dos acordos”.

Ela descreve três episódios: a participação de Marcelo Miller como defensor dos interesses da J&F quando ainda era procurador da República, o pagamento de R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP/PI) para mudar o posicionamento no caso do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, e a existência de uma contra bancária no Paraguai em nome de Ricardo Saud.

“Embora fossem de conhecimento dos colaboradores, uma vez que constavam de áudio que reproduziu uma conversa entre ambos, ocorrida em 17 de março, esses três fatos só chegaram ao conhecimento da Procuradoria-Geral da República em 31 de agosto. É que, inicialmente, essa era a data limite para a entrega de novos anexos e dados.”

Segundo Dodge, o acordo condiciona a concessão do prazo à não existência de má-fé por parte do colaborador, exatamente o oposto do que ficou configurado no decorrer do procedimento administrativo.

“Trata-se, portanto, de forte indício, e não mera especulação, a reforçar que os colaboradores agiram movidos pelo intuito de ludibriar o MPF e proteger aliados, em conduta claramente desleal e afrontosa ao pacto que fizeram nos Acordos de Colaboração Premiada e à justiça.”

dez
18
Posted on 18-12-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-12-2017
 
Santiago do Chile
elecciones Chile 2017
O candidato presidencial Sebastián Piñera em um comício em Santiago de Chile, na quarta-feira, dia 13. Reuters

Quando Sebastián Piñera Echenique encontra no comércio uma camisa que gosta, mesmo sendo de uma marca nacional simples, não compra uma, mas uma dúzia do mesmo modelo. As gravatas geralmente ganha de presente. Até antes de chegar ao La Moneda em 2010, não mandava fazer ternos sob medida, então eles sempre ficavam folgados e compridos. Seu estilo peculiar —informal, descuidado, miserável ou austero, como se quiser ver— dá conta de um personagem que tem sua cabeça muito menos focada em questões do dia a dia —como o vestuário— do que em suas duas grandes paixões: a política e os negócios.

Com 68 anos recém-completados e casado desde 1973 com Cecilia Morel —com quem tem quatro filhos—, durante muitos anos Piñera conciliou a política com suas empresas. No fim dos anos setenta obteve a representação para o Chile dos cartões de crédito e, desde então, seus consecutivos empreendimentos foram crescendo em ambição e êxito. Foi o principal acionista da companhia aérea Lan Chile (atual Latam), do canal de televisão Chilevisión e da Blanco y Negro, a sociedade que administra um dos times de futebol mais populares do país, o Colo-Colo. Mas esse cruzamento entre dinheiro e política não foi gratuito para Piñera: tanto sua habilidade para ganhar dinheiro como para usar os espaços em seu favor foi seu principal calcanhar de Aquiles em sua vida política.

Piñera é um homem rico: tem uma fortuna estimada pela Forbes em cerca de 2,7 bilhões de dólares (mais de 8,6 bilhões de reais), a sétima maior do país. Mas é um milionário de primeira geração. Nascido em Santiago em 1949, é o terceiro dos seis filhos de Magdalena Echenique e José Piñera Carvallo, um engenheiro e diplomata que educou seus filhos graças a seu trabalho e que foi fundador da Democracia Cristã chilena, o partido que durante décadas representou as classes médias. Nunca ficaram totalmente claras as razões por que o ex-presidente não militou no partido de seu pai e acabou se filiando à direita. A verdade é que —até hoje— Piñera tenta flertar sem muito sucesso com esse centro moderado no qual às vezes parece se sentir mais à vontade do que em seu próprio campo.

Nunca foi um direitista tradicional chileno, historicamente mais conservador, e por isso ainda em suas próprias fileiras há quem olhe para ele com certa desconfiança. É um católico médio. Se sente à vontade visitando o ex-presidente Barack Obama em Washington —como o fez em setembro passado— ou quando se gabava de sua proximidade com o francês Nicolas Sarkozy ou do britânico David Cameron.

Avanço na oposição

Para o plebiscito de 1988, que garantiu a saída do ditador Augusto Pinochet, diferentemente do resto da direita, votou pelo não. Na democracia foi senador entre 1990 e 1998. Em plena transição para a democracia, com a aliança de centro-esquerda no poder, começou a se tornar uma das principais figuras da oposição. Em 2005, tentou chegar ao La Moneda sem sucesso, porque perdeu para Michelle Bachelet. Em 2009, sua segunda tentativa, chegou, no entanto, a um triunfo histórico: derrotando o ex-presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle, tornou-se o primeiro presidente da direita desde o retorno à democracia em 1990. Seu antecessor, Jorge Alessandri, tinha sido eleito havia várias décadas, em 1958. Piñera, então, foi finalmente quem quebrou a hegemonia da esquerda no Chile.

Liderou um Governo que, de alguma forma, seguiu o rumo das quatro Administrações de centro-esquerda que tinham governado o país antes. Não fez uma guinada à direita —como sua própria turma gostaria— e sua gestão foi marcada sobretudo por uma ênfase na gestão. Depois de receber a região centro-sul do país praticamente destruída por um terremoto de 8,8 graus em fevereiro de 2010, Piñera teve de se concentrar na reconstrução.

O resgate dos 33 mineiros que viveram 69 dias a 700 metros sob a terra tentou ser o símbolo de um Governo que —com certa soberba— tentava mostrar que com uma lógica empresarial tudo poderia dar certo. A revolução estudantil de 2011, no entanto, colocou Piñera e seu pessoal politicamente à prova. Tem fama de sabichão e de um certo gosto por quebrar o protocolo, como quando se sentou na mesa de trabalho de Obama na Casa Branca para tirar uma fotografia. Mestre e doutor em Economia em Harvard, seu forte não são necessariamente atributos como a simpatia ou a proximidade dos cidadãos.

O impulsivo, incontrolável —inclusive para seus assessores e suas pessoas de confiança—, mas preparado e experiente, como reconhecem seus adversário

Maravilha de canção e de conjunto musical. Viva!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

ARTIGO

 

Bolha e careta

Ruy Castro

 

RIO DE JANEIRO – “Branca de Neve e os Sete Anões”, o filme de Walt Disney, completa 80 anos e, pela primeira vez desde a estreia, em 1937, enfrenta uma saraivada de críticas à sua concepção –hoje considerada machista, degradante para a mulher e imprópria para menininhas que, no futuro, serão molestadas por tarados montados em cavalos brancos.

E só porque, depois de tapeada por sua madrasta, a Rainha –que, transformada numa bruxa, deu-lhe a comer uma maçã envenenada–, Branca de Neve repousa lindamente morta num caixão de vidro até ser ressuscitada por um príncipe que, não se sabe como, sentiu-se no direito de beijá-la na boca. De fato, a ideia da donzela expectante, à espera do príncipe encantado, é um insulto à mulher moderna e dona de seu nariz.

Bem, quero dizer que concordo com tudo isso e que desde tenra infância achei Branca de Neve uma pateta. Minha favorita sempre foi a Rainha e, toda vez que assisti ao filme, torci para que ela quebrasse aquele espelho míope que ousava desqualificar sua beleza.

Há uma história com tintas de lenda sobre a produção de “Branca de Neve” que poderia tornar a personagem, digamos, mais “moderna”. A menina em quem Disney teria se baseado para criar o rosto de Branca de Neve seria uma garota de sete anos, chamada Annie, que visitava casualmente o estúdio com sua tia, a cantora Ella Logan. Anos depois, essa garota se tornaria a supercantora Annie Ross, cuja carreira no jazz seria do balacobaco.

Em 1949, Annie, que era branca, namorou o baterista negro Kenny Clarke, um dos inventores do bebop, teve um filho com ele e encarou o preconceito. Depois, ficou dependente de heroína. Por fim, teve um caso com o humorista maldito Lenny Bruce. Ou seja, se quisesse, Branca de Neve teria a quem puxar e não estaria sendo agora tachada, com razão, de bolha e careta.

Pages: 1 2 ... 6 7 8 9 10 11 12 13

  • Arquivos

  • dezembro 2017
    S T Q Q S S D
    « nov   jan »
     123
    45678910
    11121314151617
    18192021222324
    25262728293031