Sergio Moro, juiz federal da primeira instância, condutor da Lava Jato em Curitiba.

dez
27

BOM DIA!!!

 

(Gilson Nogueira)

 

O simbolismo de minhas duas amigas secretas

Juan Arias

O Natal passou, e 2017 está quase acabando. Em breve estaremos navegando pelo ano novo. Contra todos os prognósticos, como sempre, nesses dias, em vez de ter ressoado a canção da infelicidade por tudo o que o Brasil enfrentou de horror este ano, a palavra que mais ressoou no Brasil, segundo o Google, foi “feliz”. As redes sociais ficaram sobrecarregadas com os votos de felicidades trocados entre os internautas. Pessoas de todas as crenças participaram desse banquete. Eu mesmo recebi votos de felicidade de católicos, evangélicos, espíritas, judeus e até de agnósticos e ateus. “Foi uma overdose de Natal”, disse minha esposa Roseana, brasileira, acrescentando: “Esse fenômeno deveria ser analisado”, referindo-se ao fato de que, pelo contrário, foi um ano de desencanto.

O batalhador e agnóstico Fernando Gabeira, em sua coluna “Natal nos Trópicos”, no jornal O Globo, escreveu: “Um Natal feliz ajuda. O encontro familiar sempre acende a ideia da continuidade [… ]”. E, “transplantado para a dimensão nacional, esse sentimento é um bom combustível para rodar o delicado ano de 2018 e, quem sabe, emergir das cinzas de um período que se esgotou”, que é como dizer que o Brasil pode ressurgir outro e melhor.

O desejo oculto extra de felicidade que, segundo as estatísticas, foi notado de um modo particular no Brasil neste Natal, surpreendeu a tal ponto que mesmo pessoas bem conscientes do momento perigoso e doloroso que este país está vivendo chegaram a pedir desculpas por desejar “Feliz Natal” aos amigos. Isso foi expressado, por exemplo, com uma frase feliz da poeta Suzana Vargas, que escreveu no Facebook: “Apesar de tudo, Feliz Natal”. Sim, apesar de tudo, os brasileiros revelaram, não sei até que ponto conscientemente ou inconscientemente, seu desejo de felicidade e abraço, como esse real e simbólico ao mesmo tempo que, aparentemente, está programado em Copacabana para se despedir do feroz 2017.

Talvez, como reminiscência dos meus estudos clássicos, sempre fui um apaixonado pelos símbolos, uma das figuras mais fortes de nosso pensamento. Refletindo sobre isso, saí muito cedo esta manhã, 26, dia do pós-Natal, para caminhar e subir à linda capela de Saquarema, datada de 1630 e ainda inacabada. De lá, é possível observar um dos panoramas mais impressionantes já vistos por mim em meus milhares de quilômetros de viagens ao redor do mundo. Na rua, não há uma alma viva. Um deserto. Em todo meu passeio, tive apenas três encontros, acredito que simbólicos, do que aconteceu neste Natal. O primeiro foi um personagem que chamam de “o louquinho”. Parece um Dom Quixote reencarnado, só que sem armadura ou sabre. Está sempre sem camisa e com uma bermuda, faça chuva ou faça sol. Caminha falando sem parar e brandindo seus longos braços. Às vezes, infunde um certo temor porque parece com raiva do mundo. Esta manhã, não. Não entendi o que dizia em voz alta, mas pude observar que eram palavras de alegria. Parecia feliz. Talvez porque vestisse uma bermuda nova, azul, com linhas brancas, que alguém deve ter lhe presenteado na véspera de Natal. Até ele parecia, por um momento, feliz e de bom humor.

Meu segundo encontro foi com o que chamarei de minhas duas “amigas secretas”. Foram meus melhores presentes de Natal. Eu as conheci assim que cheguei a esta pequena cidade na região dos Lagos, justamente ao subir pela primeira vez à Igreja. Existem há cinco milhões de anos e sempre, desde a antiguidade, foram vistas como bruxas e misteriosas, os animais mais inteligentes da noite, que além disso possuem o raro dom de um raio de visão, sem mover a cabeça, de quase 360 graus.

Havia anos que não encontrava minhas duas pequenas corujas, das quais me tornei tão amigo que havia conseguido chegar muito perto delas, apesar de serem tão desconfiadas, e pude tocar sua plumagem com a ponta de meus dedos. E pude vê-las tão de perto que percebi que têm a cara em forma de coração. Esta manhã, voltei a me aproximar delas. Nós nos olhamos fixamente. Senti que quiseram me esperar para também me contar, os temidos animais da escuridão, que não há noite que não seja seguida de um amanhecer, algo parecido com o que Gabeira escreveu há alguns dias, com o simbolismo de um país que deve surgir novo de suas cinzas já mortas.

Era tão cedo que a Igreja ainda estava fechada. A única presença eram minhas duas velhas amigas corujas. Meu amigo de bate-papo ainda não havia chegado, o guardião da capela, talvez o homem mais pessimista do planeta e de uma grande ternura interior. Eu o encontrei quando estava voltando da Igreja. Estava chegando. E me preparei para receber um Infeliz Natal. Me enganei. Para minha surpresa, me disse: “Vamos conseguir, vamos salvar nosso Brasil”. E me explicou que seu motivo de esperança era que, no Rio, “aqueles que acreditaram, por tantos anos, serem donos de nossas vidas” passaram o Natal na prisão. E acrescentou: “Não é muito. Algum Gilmar Mendes irá soltá-los, mas ninguém tira nossa alegria de vê-los presos no Natal, enquanto suas vítimas desfrutavam felizes da liberdade”. Juro que foram palavras textuais do meu amigo pessimista e com poucos estudos.

A mensagem cristã do Natal fala de “paz na Terra aos homens de boa vontade”. E esses milhões de homens em busca da paz e felicidade continuam vivos e esperando algo melhor. Não é pouco. Ou estou errado? Então, para mais um clique do Google, Feliz Fim de Ano!, e também já Feliz 2018!, quando voltarei a aparecer nesta coluna. E meu abraço a todos, esse abraço do qual tantos, como disse o querido Gabeira, começam a sentir necessidade e saudade.

dez
27
Posted on 27-12-2017
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Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

 

dez
27
Posted on 27-12-2017
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Exclusivo: Ministros do STF querem jatinho da FAB

Com medo de hostilidades em voos de carreira, alguns ministros do Supremo pressionam o Palácio do Planalto para que possam voar em jatinhos da FAB.

Hoje só os presidentes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo têm esse privilégio, além de ministros de Estado a serviço e comandantes das Forças Armadas.

DA FOLHA DE S. PAULO

A cidade do século

Ruy Castro

RIO DE JANEIRO – Escrevi aqui na segunda-feira última (18) sobre a diferença entre a Lisboa de hoje, que apaixona o mundo, e aquela em que morei a trabalho nos anos 70, carrancuda, fechada, silenciosa —típica de uma ditadura de décadas, que sustentava uma guerra colonial condenada pelos órgãos internacionais, aos quais o governo português respondia com sua atitude do “orgulhosamente sós”. O mundo, ao ouvir isto, dizia OK e deixava Portugal para lá.

Não se ouviam outras línguas nas ruas. As praias, desertas. Turismo, aparentemente zero. A economia, parada —aluguéis, táxis, produtos nas prateleiras, tudo a preços de 20 anos antes. Para proteger os vinhos, a Coca-Cola era proibida no país —comprava-se de contrabando, vinda da Espanha.

Nos jornais lisboetas, Portugal era o paraíso e as notícias desagradáveis só se referiam ao estrangeiro —o próprio Brasil, velho aliado do regime e também sob ditadura, era, já então, um país caótico e violento. Às 23h, Lisboa ia dormir.

Um dos poucos lugares com vestígios de vida era uma galeria comercial perto da Praça de Touros, a Apolo 70. Continha uma loja de revistas, um cinema (onde, em fins de 1973, aos sábados à noite, assisti a um festival Fred Astaire-Ginger Rogers) e, no subsolo, um snack-bar onde eu beliscava alguma coisa depois do filme. Só anos depois, ao ler as memórias de Otelo Saraiva de Carvalho, descobri que, no snack, justamente naquelas noites, deram-se reuniões dos jovens oficiais que, em abril de 1974, fariam a Revolução dos Cravos. Ou seja, em meio à pasmaceira, devo ter me sentado a uma mesa ao lado dos que tramavam a queda do regime.

O Apolo 70 está lá até hoje. Mas agora é uma galeria como muitas, sem qualquer importância. A cidade à sua volta é que despertou, abriu-se para o mundo e inaugurou o século 21.

 

Com alegria e amor (e mais tão inumeráveis sentimentos que esta linda e genial música tema de uma obra rima do cinema provoca) para saudar e festeja Margarida no 26 de dezembro de seu aniversário. Parabéns e muitos vivas para ela!

(Vitor Hugo, ou Soares, como ela as vezes gosta de chamar.Simplesmente.)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O novo Gilmar de Temer

Michel Temer busca uma ponte com Dias Toffoli, que assumirá a presidência do STF, publica o Estadão.

Temer se distanciou de Cármen Lúcia, porque achava que ela queria tomar o seu lugar. A aproximação com Dias Toffoli causa incômodo no tribunal, segundo o jornal.

Dias Toffoli já se encontrou com Temer, numa conversa que entrou na agenda oficial depois de ter ocorrido.

dez
26
Darth Vader, um dos personagens de ‘Star Wars’
Darth Vader, um dos personagens de ‘Star Wars’

A Disney resiste com unhas e dentes a ceder terreno desse império cuja construção consumiu muitos anos e dinheiro. O grupo de entretenimento se vê pequeno e isso cria uma desvantagem para competir em uma indústria em que os gigantes da tecnologia, a televisão a cabo e as empresas de telecomunicações tentam se estabelecer como alternativas aos meios tradicionais para atrair o consumidor. Então, para ganhar tamanho, a casa do camundongo Mickey comprou os ativos de outro velho titã, a Twenty-First Century Fox.

Robert Iger, diretor-geral da Disney, e Rupert Murdoch, dono da Twenty-First Century Fox, são grandes rivais. Mas também se respeitam, e muito. Ao ponto de se reunirem ocasionalmente para falar sobre como vão as coisas na indústria que dominam. No final do verão discutiram sobre as novas forças que estão transformando o negócio. Concordaram na análise.

Iger viu naquele momento uma janela de oportunidade para saber de Murdoch se estava disposto a fazer algo juntos para preservar o que tinham construído. O que não esperava era que ele aceitasse sua proposta tão rapidamente, algo que uma década atrás teria sido impossível de imaginar. O pacto reflete, de fato, o medo e a ansiedade que dominam Hollywood por causa da rápida transformação da indústria.

O negócio do entretenimento é controlado por quatro grandes conglomerados, considerados há até pouco tempo como sacrossantos: Disney, Time Warner, Comcast (NBCUniversal) e Twenty-First Century Fox. A esse grupo somam-se CBS Corporation, Viacom (Paramount), Sony e Lions Gate. Avançavam na mesma direção até o surgimento de Netflix, Amazon, Alphabet (YouTube), Facebook e, potencialmente, Apple. Pela primeira vez em um século, os consumidores se deslocam a outras plataformas em busca de conteúdo e isso está criando vários canais de distribuição. “São eles que nos dirigem para o que querem ver e como”, reconhece Jeffrey Katzenberg, cofundador da DreamWorks, “não nós”. Os novos meios e os antigos tentam caçá-los com uma oferta competitiva, “todo mundo quer vender conteúdo”.

Iger substituiu Michael Eisner em 2005. Nos últimos 15 anos, o grupo assumiu o controle de marcas conhecidas no mundo do entretenimento para fortalecer seu império, como Pixar, ESPN, Marvel Entertainment ou Lucasfilms. E também adquiriu plataformas de distribuição e tecnologias para levar programas ao consumidor, como oPlaydom, Maker Studios ou, mais recentemente, BAMTech.

Pela primeira vez em um século, os consumidores se deslocam a outras plataformas em busca de conteúdo e isso está criando vários canais de distribuição

A Disney é uma máquina de criação de conteúdo que é quase impossível de replicar, como a Fox. Juntas, controlam 40% das receitas de bilheteria nos EUA. Apesar do seu poder, tem uma vulnerabilidade maior: não controla os canais através dos quais filmes e séries são distribuídos. As receitas de sua divisão de mídia, a mais poderosa, estão sob pressão porque mais e mais lares estão prescindindo das assinaturas de televisão a cabo.

Leslie Moonves, diretor-geral da CBS Corporation, vê a situação mais difícil. “Competimos com monstros”, admite, “a Disney é seis vezes maior do que nós, como a Comcast. A capitalização da Netflix é enorme e a Amazon produz conteúdo. Continuamos sendo uma pequena empresa de produção à moda antiga. Teremos de nos associar com outras empresas de conteúdo e distribuição”. A Comcast começou a mudar o panorama com a NBCUniversal em 2009 e, no ano passado, comprou a DreamWorks Animation. A AT&T comprou há dois anos o distribuidor de televisão por satélite DirecTV e continuou depois com a Time Warner, que controla a HBO, a DC Comics e os estúdios Warner. A Lionsgate adquiriu a Starz e a Discovery Communications acaba de entrar em um acordo com a Scripps Networks.

Rupert Murdoch também sondou a Time Warner alguns anos atrás com a intenção de fazer uma fusão, porque avaliou que lhe daria o tamanho que precisava para competir em um mercado que estava começando a se transformar. Mas o jogo de forças no setor de mídia mudou muito desde então. A única maneira para a Fox competir com novos rivais no streaming é se concentrar no conteúdo ao vivo. Não são só as cadeias tradicionais que perdem valor. Os estudos também se depreciam e a produção de conteúdo está cada vez mais cara. A solução para o problema, de acordo com a estratégia de Iger, passa por criar um novo modelo de distribuição direta que dê ao consumidor acesso fácil e sem intermediários a um conteúdo de qualidade, através do dispositivo que quiser e quando quiser.

Mudança radical

Há uma década, o uso maciço dos telefones smartphones começou a mudar a forma como as pessoas consomem conteúdo. Reed Hastings viu esse potencial com a Netflix. Transformou seu serviço de envio de filmes alugados por correio postal em uma plataforma para visualização online a partir de dispositivos eletrônicos. ABC, NBC e Fox criaram a Hulu, onde colocaram o que já não utilizavam. E, em seguida, a Amazon se juntou.

A compra da Fox reafirma que a estratégia da Netflix funciona. A Disney aspira a ser um concorrente extraordinário. O grupo já está desenvolvendo sua plataforma de streaming, que começará a operar em 2019, e o pacote de ativos que comprou da Fox inclui a participação na Hulu, onde cada uma controla 30%. Paralelamente, retirará seus filmes da Netflix. Vai levar tempo para que tenha uma videoteca como a da Netflix e da Amazon. Para os analistas da eMarketer, a chave estará no fato de que o conteúdo seja suficientemente atraente para ser competitivo no momento de vender assinaturas havendo tantos serviços alternativos. A compra da Fox permitirá incluir títulos como X-Men, Pai de Família, Arquivo X ou Os Simpsons em seu repertório.

“A nova empresa resultante da fusão”, dizem os analistas da Moody’s, “terá uma propriedade intelectual muito importante para competir de forma mais agressiva diante da disrupção e em uma indústria em plena mutação, onde os consumidores têm cada vez mais capacidade de escolher como e quando consumir conteúdo”. O acordo com a Fox deixa a Sony como o único estúdio com direitos para explorar personagens da Marvel.

Isso resolve uma segunda grande vulnerabilidade. A Disney tem um produto concentrado no consumo familiar. A compra da Fox permitirá diversificar seu público ao incorporar personagens e conteúdo para adultos com histórias mais complexas, como Deadpool ou Wolverine. Também terá Avatar em seu arsenal, que já está presente sob licença em seu parque de diversões Walt Disney World Resort. O acordo com a Fox também reunirá o universo Star Wars. A Disney controla os direitos de todos os filmes graças à compra, há cinco anos, da Lucasfilm. Mas os Murdoch mantiveram os direitos sobre a versão original produzida pela Fox em 1977 e os primeiros personagens da saga. Isso abrirá, de acordo com o próprio Iger, mais oportunidades para uma franquia inesgotável.

Laura Martin, analista da Needham, ressalta que a operação também traz uma escala aos ativos da Fox que os Murdoch não poderiam conseguir. Ross Gerber, da Gerber Kawasaki, diz que o negócio de mídia muda tão rapidamente que a Disney poderia acabar sendo comprada caso não se mexesse. Por isso, as implicações, prevê, serão enormes. Gerber vê que o negócio de entretenimento será uma coisa da Disney, Netflix e HBO, se a AT&T conseguir fazer a fusão com a Time Warner. Os analistas da RBC Capital e da Macquarie concordam ao antecipar que esse aumento de tamanho por parte da Disney pode desencadear uma fúria de fusões e aquisições. Todos na indústria agora procuram ganhar escala.

A operação traz uma escala aos ativos da Fox que os Murdoch não poderiam conseguir sozinho

Martin indica que esses movimentos farão que Viacom e CBS voltem a cogitar uma fusão. E com os ativos mais valorizados escasseando, Lionsgate, MGM, Sony e Paramount podem entrar no jogo. A outra opção que os pequenos têm é adotar um modelo de negócio diferente que passaria por condensar seus canais de distribuição, eliminando cadeias. É um passo difícil, mas não impossível. A aposta da Disney não é apenas para reinar no streaming. A compra da Fox permitirá que ela busque um público global graças à britânica Sky, a indiana Star e canais como National Geographic. Também reforça a posição global da ESPN, que terá direitos de transmissão de eventos esportivos na Europa e na América Latina. É um negócio em que estão penetrando Amazon, Facebook e Verizon com Yahoo e AOL.

Conforme observado pela Gerber Kawasaki, graças à operação com a Fox, a Disney cobrirá todas as regiões. “Seus tentáculos chegarão a todos os cantos do planeta”, acrescenta, lembrando que os grandes grupos até agora concentraram suas estratégias nos mercados dos EUA e da Europa. A tecnologia móvel permite levar o vídeo a bilhões de pessoas em todo o mundo. A Netflix já tem sua plataforma operando em uma centena de países e possui 109 milhões de assinantes. Sua expansão está sendo muito agressiva. Mas o futuro do streaming não será de um único ator nesse mercado e a operação de Iger o obrigará a depender cada vez mais de sua capacidade de gerar conteúdo próprio. O plano de Hastings é investir 8 bilhões de dólares (cerca de 26,7 bilhões de reais) em programação em 2018, para garantir que 50% da oferta seja original no fim do próximo exercício. É a mensagem que envia a Hollywood para dizer que é dono de seu destino. E garantir que não levará um golpe quando os estúdios lhe retirarem suas licenças. A nova oferta inclui 30 séries animadas.

A integração da Disney e da Fox levará até 18 meses. Isso permite que a Netflix, que está vendo suas receitas crescerem a uma taxa de 33% e seus usuários de 25%, continue a investir em conteúdo para ganhar mais consumidores enquanto o conglomerado avança com a operação. Na mesma semana em que o acordo foi anunciado, a plataforma recebeu nove indicações ao Globo de Ouro. Foi superada apenas pela rede HBO, da Time Warner.

dez
26
Brasília
Michel e Marcela Temer no Palácio da Alvorada no dia 22.
Michel e Marcela Temer no Palácio da Alvorada no dia 22. EVARISTO SA AFP

O presidente Michel Temer (MDB) caminha lentamente após descer apenas um andar por um elevador privativo no Palácio do Itamaraty. Dirige-se a um grupo de jornalistas e faz um pronunciamento de pouco mais de dois minutos sobre o encontro que acabara de ter com outros presidentes do Mercosul. Em outros momentos, seus passos seriam mais céleres e ele caminharia pela escada em curva, sem ajuda de auxiliares, como já o fez tantas vezes. Uma sonda urinária que utiliza por três semanas devido a duas intervenções cirúrgicas limitou levemente seus movimentos. Aos 77 anos, a debilidade de sua saúde (ele também passou por uma angioplastia neste ano) é disfarçada por sua intensa agenda de compromissos nos últimos dias do ano. São até 12 reuniões por dia, com os encontros iniciando às 9h e terminando após as 21h. Apesar disso, por recomendação médica, foi obrigado a cancelar ao menos três viagens fora da capital federal: a Minas Gerais, a Alagoas e ao Sudeste Asiático

Temer não tem tempo a perder e, mesmo com a saúde fragilizada, age politicamente para responder aos que o apoiaram barrando duas denúncias do Ministério Público. O último ato que chamou a atenção foi a mudança nas regras de indulto (perdão da pena) assinadas na semana passada e que podem beneficiar dezenas de criminosos do colarinho branco. O presidente afrouxou os requisitos para quem pode ser beneficiado pela redução da pena e agora atinge todos os condenados por delitos sem violência ou grave ameaça. Nesse rol de delitos estão lavagem de dinheiro e corrupção, exatamente os crimes pelos quais ao menos uma centena de parlamentares está sendo investigada no âmbito da operação Lava Jato. E outros tantos (empresários, lobistas e políticos) já foram condenados na primeira instância.

O indulto de 2017 diminui para um quinto o prazo mínimo de cumprimento da pena para que o preso possa receber o benefício, independentemente do total de anos estabelecido na condenação. Até 2016, apenas os sentenciados a no máximo 12 anos e que já tivessem cumprido um quarto da pena, eram beneficiados. Um dos que podem se livrar da cadeia a partir de agora é o lobista João Augusto Rezende Henriques. Apontado como um dos operadores do PMDB na Petrobras e condenado a seis anos e oito meses de detenção, ele poderia ser “indultado” após o cumprimento de um ano e três meses de prisão, que ele já cumpriu. Outro, seria o ex-deputado Luiz Argôlo. Condenado a 12 anos e oito meses de prisão, ele poderia sair com dois anos e cinco meses. Prazo também já cumprido. Esses casos ainda precisariam ser analisados pelo magistrado responsável pelo seu processo, o juiz Sergio Moro. Outros, como o ex-deputado petista André Vargas, também já estariam fazendo contas para sair logo do cárcere a partir de agora.

Se as regras desse indulto permanecerem nos próximos anos, uma outra figura que pode se beneficiar será Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara, filiado ao MDB, e que impulsionou o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Pela regra assinada por Temer, Cunha poderia deixar a prisão em junho de 2019, desde que não seja condenado por nenhum outro delito. Atualmente, ele cumpre pena em regime fechado em Curitiba, após ser condenado a 14 anos e seis meses de prisão, em segunda instância, pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Ainda no campo das hipóteses, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também poderia ser beneficiado. Condenado na primeira instância a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, o petista teria de cumprir cerca de um ano e dez meses para poder ser perdoado. Os dois casos, contudo, ainda dependeriam de uma análise do juiz responsável por cada sentença.

O assunto gerou revolta entre integrantes da força tarefa de Curitiba. “Para que acordo de colaboração premiada? O presidente Temer resolve o problema do corrupto. Em um quinto da pena, está perdoado. Melhor do que qualquer acordo da Lava Jato!!! Liquidação!!”, disse em seu perfil no Facebook o coordenador da Lava Jato no Ministério Público Federal no Paraná, o procurador Deltan Dallagnol. O procurador ainda reclama que acordos como o da Odebrecht seriam impossíveis de ocorrer caso essas regras do indulto estivessem válidas antes dos executivos da empreiteira assinarem o acordo. Em nota, a organização não governamental Transparência Internacional também criticou a medida e disse que ela causa “profunda preocupação”, uma vez que “facilita sobremaneira a concessão de perdão total da pena a condenados por crime de corrupção”.

Em novembro, a força-tarefa da Lava Jato havia se manifestado oficialmente contra uma extensão dos benefícios do indulto para os corruptos e os que lavaram dinheiro. Suas críticas até foram ouvidas pelo Conselho Nacional de Política Penitenciária, que foi contrária a essa ampliação da benesse. Mas não foram aceitas pelo presidente, que, dessa maneira, acaba vinculando sua imagem a grupos corruptos, como os que agiram na Petrobras. Assim, enquanto os brasileiros cobram para que os crimes contra o erário público sejam punidos com rigor, o presidente estaria abrandando as penas que começaram a ser aplicadas recentemente, levando políticos e empresários para a cadeia.

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, deu o tom da decisão presidencial: uma posição política, que “reflete uma visão mais liberal do direito penal”. “Não é fácil explicar à opinião pública no momento político em que dezenas de personalidades ou já foram condenadas ou estão sendo investigadas. Compreendo muito bem que o senso de justiça do cidadão comum fica um pouco abalado. Talvez seja teoria demais para explicar”, disse Jardim em uma entrevista coletiva de última hora no dia 23.

Mas nem todos veem com maus olhos a revisão do indulto. Ex-membro do Ministério Público em São Paulo, o advogado Roberto Tardelli, que é um crítico de Temer, diz que as reclamações dos procuradores são sem sentido. “Antes as regras do indulto eram mais amplas. Até crimes contra a vida eram atingidos. Agora, o Ministério Público quer tomar conta de todo o processo penal, até do cumprimento das penas. Quer ser o acusador e o juiz”, ponderou.

Força política

A nova medida do presidente revela que Temer chega ao final de 2017 fortalecido politicamente, e com menos contestação do que deveria ter alguém que está mal visto entre a opinião pública. Ainda que tenha enfrentado uma redução de sua base de apoio em quase cem deputados (tinha 400 apoiadores, agora ronda os 300) e que seja o presidente mais impopular da história, ao ponto de ele mesmo fazer troça de seus índices. “A nossa popularidade aumentou 100%, foi de 3% para 6%, mas aumentar isso não é fácil”, afirmou aos risos durante café da manhã com jornalistas no dia 22.

Depois do tumultuado impeachment, Temer tentou forjar sua imagem como o presidente das reformas que o Brasil precisa. Ele começou 2017 animado com a aprovação do teto de gastos públicos, com a reforma do ensino médio e perto de aprovar as mudanças nas legislações trabalhista e previdenciária. Emplacou as alterações na Consolidação das Leis do Trabalho, mas não mudou a Previdência Social. Quando estava perto de fazê-lo, foi atingido pela delação da JBS, que resultou em duas denúncias criminais por delitos como formação de quadrilha, corrupção e obstrução de Justiça. Todas engavetadas pelo seu grupo político na Câmara dos Deputados.

A leve recuperação da economia o tem ajudado a colocar um tom otimista em seus discursos. Em seu pronunciamento, na véspera de Natal, tentou passar a impressão de que ele está buscando respostas à crise política na qual o Brasil está afundado há três anos. “Estamos abrindo as portas para um 2018 de mais estabilidade, de mais empregos, de mais realizações. E agradeço a Deus por permitir que eu divida este momento com vocês”, afirmou em um pronunciamento veiculado na noite do dia 24.

Na ocasião, sua fala foi recheada de dados que mostram uma tímida recuperação do país e não deixou de lado a reforma que tem se tornado sua obsessão, a da Previdência. Ele a definiu assim: “não é uma questão ideológica ou partidária, é uma questão do futuro do país”. Também aproveitou para cobrar os votos dos congressistas, que são tão beneficiados por seu Governo. “Tenho plena convicção de que os nossos parlamentares darão o seu voto e o seu aval”.

Apesar dessa extrema confiança, Temer sabe que não tem os 308 votos necessários para aprovar a proposta de emenda constitucional da reforma da Previdência. Os cálculos mais otimistas dos governistas em dezembro mostravam que 270 dos 513 deputados federais apoiariam a medida. A votação está prevista para ocorrer em 19 de fevereiro. Se for adiada para mais tarde, dificilmente entra na pauta do Legislativo, por conta do ano eleitoral que certamente influenciará na opinião dos congressistas. E se for engavetada, já há quem diga nos corredores do Congresso que, na prática, será o fim do Governo Temer e o resto do seu mandato irá por inércia. Nenhum outro projeto relevante deverá ser encaminhado se terminar, então, seus dois anos e oito meses de mandato. Seu Governo aposta que a economia, então, estará indo de vento em popa e sua imagem será restabelecida, com o perdão do eleitor para temas como o ‘indulto amigo’ neste final de 2017.

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