Bahia em Pauta faz uma curta pausa a partir deste sábado, 30, para que a turma que pensa e faz o site blog ( a começar por este editor) possa pegar a estrada logo cedo, que leve ao litoral norte. Na praia iremos esperar a chegada de 2018. Não somos de nos queixar – gostamos mais do fazer -, mas esperamos que seja bem melhor que este que está indo embora. Esperamos retornar na na segunda-feira, no máximo na terça do ano que vem. Fiquem com e no BP.  Até a volta.

FELIZ ANO NOVO!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

De Patrick Tompert Trio – Beautiful Love

 

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Juiz Bretas com o Papa: baque em corruptos e corruptores

ARTIGO DA SEMANA

Bretas e o Papa contra a corrupção: aliado forte no Vaticano

Vitor Hugo Soares

O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, sem poder viver normalmente (circular nas ruas, ir à praia, andar no calçadão) na cidade em que habita e trabalha – por causa das atuais ameaças e da preocupação com a segurança – pegou um voo internacional de carreira e desembarcou em Roma na quarta-feira do ocaso de 2017. Não foi  se queixar ao bispo ou pedir mais favores indevidos, ao contrário de tantos visitantes gregos, baianos, nesta época ou em outros tempos igualmente cabeludos.  

O sentido da ida ao Vaticano, explicou o próprio magistrado, foi agradecer ao pontífice maior da Igreja Católica, um visceral, implacável e histórico adversário de corruptos e corruptores de todos os tipos e em todos os lugares, inclusive no meio do próprio clero que ele comanda. O Papa tem feito declarações memoráveis e muito oportunas, dirigidas inclusive aos brasileiros. “Estamos entrando agora em período de eleições, um ano (2018) muito importante para todos nós. Então, a ideia era pedir, também, para que ele mantenha essa pauta, esse tema (contra a corrupção)”, explicou o magistrado do Rio – figura de referência, ao lado do colega Sérgio Moro, da Lava Jato, em Curitiba, demonstrando assim que também levou apelos ao Vaticano.

O juiz Bretas, – que mandou para o Complexo Penitenciário de Benfica o ex-governador Sérgio Cabral e outros notórios (os campistas Garotinho e sua Rosinha entre eles) responsáveis pelo quadro de miséria, abandono, degradação e falência atual do estado do Rio de Janeiro, pelo saque contínuo e desenfreado dos cofres públicos – não poderia ter ido a endereço mais apropriado. Nem procurado ouvidos mais atentos, ou voz mais firme e generosa para dar eco mundial aos seus sentimentos e às suas preocupações, diante de fatos e suspeitas deste tempo temerário no Brasil.

A ojeriza à corrupção e aos que a praticam – nos setores público, privado ou clerical – do atual condutor dos católicos vem de longe. Há registros inumeráveis disso em livros, em jornais, em homilias, em gravações, muitos dos quais podem ser consultados e conferidos com relativa facilidade na web, atualmente. Mas jornalista que sou de incontáveis idas e vindas a Buenos Aires, a amada cidade argentina à beira do Rio da Prata, onde estive em maus e bons tempos, posso repetir agora, mais uma vez, Sebastião Nery na apresentação do livro “Rompendo o Cerco” – aquele tão citado do Decálogo, frases e pronunciamentos de Ulysses Guimarães: “Ninguém me contou, eu vi”.    

Em 2005, por exemplo, quando ainda assinava Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, o atual Papa Francisco produziu um dos mais firmes e contundentes escritos sobre o tema. Fonte, na época, de grande polêmica, reboliço e reações variadas de poderosos de então (alguns ainda em postos ou situações de mando) que vestiram a carapuça. No texto, Bergoglio considera já na abertura, a corrupção pior que o pecado.

Relembro e reproduzo um trecho de conteúdo notável, até mesmo como mensagem alentadora de fim de ano. Eticamente pedagógica, ao lado da decisão pronta e exemplar da ministra presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, nesta quinta-feira, 28, de suspender o decreto de indulto natalino assinado pelo presidente Temer, com generosidade e potencial para favorecer e beneficiar corruptos, como não se tem registro na história deste país. Recusa parcial e liminar (o julgamento do mérito deve ocorrer em fevereiro que vem), mas nos pontos e aspectos mais importantes e cruciais, em atendimento à ação direta de inconstitucionalidade, proposta com firmeza, conhecimento técnico e grande capacidade de argumentação, pela procuradora – geral da República, Raquel Dodge.    

Palavras do Papa Francisco: “A corrupção é o mal da nossa época, que se alimenta de aparência e aceitação social, cresce como medida da ação moral e pode consumir a partir de dentro, em uma atitude de “mundanidade espiritual”, quando não “esclerose do coração”, até mesmo na própria Igreja. E se para o pecado existe perdão, para a corrupção, não. Por isso, a corrupção precisa ser curada”. Certeiras, vigorosas, transcendentes e proféticas palavras.!

O escrito arquidiocesano na origem, de quase 13 anos atrás, foi produzido em castelhano, e publicado mais recentemente no livro “A cura da corrupção” –  pela primeira vez em italiano através da Editora Missionário –  merece leitura integral e atenta. O especial e atualíssimo conteúdo é recomendável à todos, católicos ou não. O pontífice enumera e define ainda as principais características da corrupção. Mas não conto. Só recomendo, vivamente o livro.

O magistrado do Rio também não poderia ter escolhido oportunidade melhor para sua viagem a Roma. Nem, igualmente, espaço de ressonância mais poderoso que o Vaticano, onde se deu a troca de palavras com Francisco. De impacto amplificado em dimensão global e  força de comunicação instantânea, além de efeitos que seguramente ainda virão, mas impossíveis de avaliar agora. A conversa foi rápida, mas calorosa como é do jeito e do espírito de Francisco, líder religioso de grande sensibilidade e percepção política e social, ardoroso torcedor do San Lorenzo D`Almagro. Mesmo quando recebe o visitante mais tímido e de poucas palavras, a exemplo de Bretas.

Na saída do encontro o juiz já surpreendia. Deu entrevista reveladora (impactante em vários momentos), à repórter da Globo, em Roma, Ilze Scamparini. A começar pela informação sobre as apreensões pessoais e a disposição de ir em frente do magistrado, que, confessadamente, não pode levar uma vida normal no Rio de Janeiro por causa das ameaças que sofre desde que assumiu o julgamento dos casos da Operação Lava Jato no estado.

A uma pergunta da repórter sobre se também a Lava Jato está ameaçada por grupos políticos, o juiz do Rio disse que ela sempre esteve e sempre estará ameaçada. “Não podemos ser ingênuos, acreditando que no meio de uma investigação que envolve algumas pessoas que têm autoridade, alguns agentes políticos. Agentes públicos, é ingênuo acreditar que não vai haver algum tipo de resistência”, afirmou Marcelo Bretas.

O juiz tem razão. Mas há resistência, igualmente forte e decisiva, dos que formam a barreira dos que abominam a corrupção e parecem firmemente decididos – a exemplo do próprio Bretas e Moro – a seguir apurando, processando e fazendo com que corruptos e corruptores paguem exemplarmente por seus crimes. Com ações como a da procuradora Raquel Dodge, de decisões como a da ministra Cármen Lúcia, e aliados da envergadura moral e a coragem do Papa Francisco tudo fica menos nebuloso e mais esperançoso para a sociedade e para o Brasil. Feliz Ano Novo a todos.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

VALE A PENA OUVIR DE NOVO!

Que belíssima canção e que versos tão verdadeiros! Que sejam a poesia e a melodia dessa música postada no Bahia em Pauta (graças ao garimpo precioso de Gilson Nogueira) os condutores da minha mensagem Feliz Ano Novo. Que todos se sintam abraçados. Simplesmente!

(Vitor Hugo Soares)

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ARTIGO

O livro testamento de Moniz Bandeira

Lucia Jacobina

 

Dois lançamentos da Editora Record, com o selo da Civilização Brasileira, vieram ao público neste final de 2017, são eles: a biografia “Lenin, vida e Obra” e “O Ano Vermelho – A Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil”, ambos de autoria de Luiz Alberto Moniz Bandeira, que, se vivo estivesse, estaria completando hoje, dia 30 de dezembro, seus 82 anos. Infelizmente, a saúde precária abreviou seu desaparecimento em 10 de novembro último.

Este último ano de vida foi para Luiz Alberto muito laborioso porque decidiu reeditar “O Ano Vermelho”, obra de sua juventude, escrita inicialmente em conjunto com Clóvis Melo e A. T. Andrade. Até então era o único dos autores sobreviventes. Coincidente com o centenário da revolução russa e com o cinquentenário da primeira edição em 1967, portanto um duplo aniversário, decidiu reestruturar, atualizar e reescrevê-la com o sentido de adaptar a obra às circunstâncias e contínuas mutações da história, em função da quantidade de fatos e documentos que ocorreram e afluíram nos últimos 50 anos, até o final do século XX e início do XXI, nas palavras do próprio autor escritas no prefácio desta 4ª edição.

E como faleceu sem ter podido ver impresso e editado em livro o resultado de suas últimas produções intelectuais, pois já estava em coma induzido no hospital quando o exemplar chegou ao seu destino em Heildeberg, segundo informações de seu filho Egas, o livro permanece como uma espécie de testamento literário desse grande pensador que fez de sua preocupação pelo destino de nosso país o motivo de uma vida inteira. Ele é indispensável na biblioteca de estudiosos de política e história como também de todos os brasileiros que se interessam por conhecer a realidade do país.

Curiosamente, o Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, exibe atualmente uma exposição fotográfica intitulada “Conflitos: fotografia e violência política no Brasil 1889-1964”, cuja curadora Heloísa Espada, coordenadora de artes visuais da instituição, declara que a mostra traz à tona assuntos fundamentais para a compreensão da atual crise brasileira, ilustrada pelo registro de motins populares que ocorreram em nossa história, em todo o território brasileiro para justamente informar e esclarecer ao público que a trajetória da vida política brasileira sempre foi repleta de atos violentos e de conflitos armados, diferente da visão amplamente propagada de cordialidade e acomodação do povo brasileiro.

Essa informação que obtive na “Revista da Cultura”, deste mês, uma edição de distribuição gratuita da Livraria Cultura, vem ao encontro do que tenho a dizer neste artigo, com relação à importância de Luiz Alberto Moniz Bandeira para o conhecimento de nossa história e a compreensão da atual e grave crise que atravessamos.

Foi justamente em Moniz Bandeira, numa brochura de sua autoria intitulada “Trabalhismo e Socialismo no Brasil – A Internacional Socialista e a América Latina”, editada pela Global Editora em 1985, que naquela mesma década, numa livraria no Rio de Janeiro, encontrei pela primeira vez informações preciosas sobre a história das reivindicações operárias que antecederam a implantação da legislação social no Brasil e a Justiça do Trabalho, temas que me interessavam em virtude de minha militância na advocacia trabalhista e onde encontrei subsídios para contrariar uma opinião que sempre considerei leviana de alguns comentaristas que afirmavam ter sido a legislação trabalhista brasileira fruto de uma benesse de Getúlio Vargas sem conexão alguma com as reivindicações da classe operária. Desde então, tornei-me sua leitora e admiradora de inúmeras outras obras importantes lançadas por esse grande estudioso da história e da realidade brasileira.

Sendo baiano de nascimento, é bom que se diga, Luiz Alberto tem uma rica biografia pautada pelo ativismo inicialmente na imprensa carioca e na política como correligionário de Leonel Brizola, tendo emigrado devido ao golpe militar para o Uruguay, para depois retornar ao país e viver na clandestinidade no interior paulista onde foi preso e amargou no cárcere algum tempo. Sempre se dedicou ao estudo da realidade brasileira em suas conexões com o continente latino-americano e com o imperialismo norte-americano, temas que ocuparam o interesse desse pesquisador e professor de relações internacionais e história da Universidade de Brasília e que produziu em torno do assunto uma vasta obra.

Na Alemanha, onde viveu seus últimos anos, ampliou o campo de pesquisas e escreveu sobre a reunificação daquele país e a globalização mundial. Mas em todos os seus livros, a presença do Brasil é um tema reincidente e ponto de partida de uma conexão que ele fazia com o resto do mundo. A distância do palco dos acontecimentos, em sua residência germânica, penso, fornecia-lhe uma condição especial para analisar a realidade brasileira, principalmente pelo contato que tinha com as fontes de informação e o noticiário confidencial da diplomacia por exercer o cargo de Consul Honorário do Brasil em Heildeberg.

Eis o que Luiz Alberto mostra em “O Ano Vermelho- A Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil” e em “Lenin, Vida e Obra”, uma visão lúcida e crítica do pensamento marxista, da instauração do bolchevismo na Rússia e sua repercussão notadamente no Brasil, o que torna essa obra de vital importância para os brasileiros, dentre todas as outras que se dedicaram ao tema neste ano, porque nos propicia mergulhar na nossa história como também ajuda na compreensão de como pudemos nos situar no limiar do abismo nessa atual conjuntura da vida brasileira.

Lúcia Leão Jacobina Mesquita é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”

 

 

dez
30
São Paulo
julgamento lula tríplex
Lula na UFRJ no dia 8 de dezembro. MAURO PIMENTEL AFP

 

A corrida presidencial de 2018 pode sofrer uma baixa relevante logo no início do próximo ano. O Tribunal Regional Eleitoral da 4ª Região (TRF4), de Porto Alegre, marcou para o dia 24 de janeiro o julgamento dos recursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pelo juiz Sérgio Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Caso o tribunal da segunda instância confirme a condenação, Lula, que lidera todas as pesquisas de intenção de voto e roda o país em campanha informal, ficaria inelegível, de acordo com as regras da Lei da Ficha Limpa.

Em caso de condenação, a defesa do ex-presidente ainda poderá apelar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar garantir o direito de concorrer em 2018 e suspender os efeitos da Ficha Limpa. A iminência do julgamento de Lula pela segunda instância fez surgir uma série de teorias sobre possibilidades de continuar sua candidatura mesmo diante de novos revezes judiciais. Debate jurídico à parte, os efeitos da possível saída de Lula do páreo já foram sentidos nesta terça-feira. O mero agendamento do julgamento fez o índice Ibovespa disparar nos últimos minutos de pregão e fechar em alta de 1,39%

O histórico do TRF4 não é muito animador para o ex-presidente. Os desembargadores Leandro Paulsen, Victor Luiz dos Santos Laus e João Pedro Gebran Neto confirmaram 54% das decisões de Moro na Operação Lava Jato. Das 48 sentenças proferidas pelo juiz de Curitiba, 10 foram mantidas pelos magistrados de Porto Alegre. Eles aumentaram as penas estabelecidas por Moro em 16 ocasiões, diminuíram em outras oito e reverteram condenações para absolvições apenas cinco vezes.

O caso em questão, que trata do tríplex do Guarujá, é ainda mais problemático para Lula. Os desembargadores de Porto Alegre não acataram nenhum dos pedidos da defesa do petista no processo até agora — entre eles esteve a tentativa de afastamento de Moro dos casos protagonizados pelo ex-presidente, sob a alegação de falta de isenção.

Outra reclamação da defesa do petista diz respeito ao rápido tempo de tramitação de seu processo. “Até agora existia uma discussão sobre uma condenação imposta ao ex-Presidente Lula em primeira instância sem qualquer prova de sua culpa e desprezando as provas que fizemos da sua inocência. Agora temos que debater o caso também sob a perspectiva da violação da isonomia de tratamento, que é uma garantia fundamental de qualquer cidadão”, reclamou em nota o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins.

Segundo o advogado do ex-presidente, a defesa espera que “a explicação para essa tramitação recorde seja a facilidade de constatar a nulidade do processo e a inocência de Lula”. “Estamos aguardando os dados que pedimos à Presidência do Tribunal sobre a ordem cronológica dos recursos em tramitação. Esperamos obter essas informações com a mesma rapidez a fim de que possamos definir os próximos passos”, finaliza a nota.

Caso não possa disputar a eleição, Lula deve tentar estender seu prestígio eleitoral a outro candidato, como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad ou o ex-governador da Bahia Jaques Wagner. Mesmo essa alternativa dependerá, contudo, da decisão do TRF4. Se a pena for mantida, o ex-presidente pode ter de começar a cumprir sua pena de 9 anos e seis meses de prisão.

dez
30
Posted on 30-12-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-12-2017
parceiros
Jorge Braga, no jornal O Popular (GO)

dez
30
Posted on 30-12-2017
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 DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

CVM acusa Gabrielli, Graça e ex-diretores da Petrobras

A Comissão de Valores Mobiliários, que regula o mercado de ações no Brasil, acusa José Sérgio Gabrielli, Graça Foster e seis ex-diretores da Petrobras de irregularidades na contratação de três sondas para perfurar poços de petróleo.

As três sondas (Petrobras 10.000, Vitória 10.000 e Pride DS-5), relembra a Folha, foram alvo de investigação na Lava Jato devido a acusações de pagamento de propina na sua contratação.

A CVM acusa Gabrielli, Graça e os demais executivos de descumprir seus deveres de administradores ao aprovar os contratos das sondas.

dez
30

Pezão, governador do estado do Rio de Janeiro, dando a leve impressão de que já vai tarde.

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