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CRÔNICA

  Do velhodorio.com para cecilia@acrosstheuniverse

Janio Ferreira Soares

Amiga velha, você sabe que nunca fui bom com números e que só passei em Direito na UFBA porque as expressões verbais valiam mais do que as numéricas. Sabe também que não decoro datas, sobretudo porque nunca as precisei para, como canta um lindo baiano, fazer a louvação de quem deve ser louvado. Quem é boa nisso e vive lembrando aniversários de vida e morte de pessoas queridas é Valéria, aquela pra quem você, talvez prevendo netos, caprichava no molho do bife que cobria seu arroz, feijão e…. (pequena pausa para lamber os beiços) aquela farofinha d’água com cebola vermelha, num tempo em que carboidrato era apenas um composto orgânico das aulas colegiais.

Mas como eu dizia, foi ela que me lembrou que neste quase finado dezembro fez 5 anos de sua partida. “Como é, rapaz?”, surpreendeu-se o anjo leso que mora no meu subconsciente, diante da constatação de que esse já será o quinto Natal sem vê-la com cara de tédio diante do infalível arroz com passas aninhando fatias de tender decoradas por encabulados cravos que, sabemos desde os tempos em que você dublava Sherazade naquelas mil e uma noites fundamentais para meus voos além tamarineiros de nossa Glória, caem melhor numa calda de ambrosia feita com leite de curral num fogão à lenha de um alpendre torto numa rua reta de uma aldeia morta.

Seus netos estão lindos e bacanas. Luiza e Julia, veja que coisa, retornaram e estão morando justamente com tia Aldinha, que mês passado fez 91 anos numa forma de dar inveja a muita gente (essa semana ela se acabou num feijão com manga e ainda me perguntou se falta muito pra o umbu safrejar). Já Juca ainda estuda em terras pernambucanas e é do mundo, embora, como um avoante que sabe as armadilhas dos ventos, tatuou no braço as coordenadas do sítio onde cresceu, certamente pra poder acessá-las quando quiser lembrar do cheiro de suas primeiras manhãs.

Quanto a este que vos tecla e que há 5 dezembros viu sua vida se inverter ao passar 29 noites num hospital lhe contando algumas das histórias que você contava (talvez na esperança tola de encarnar a princesa Sherazade e enganar a ira do Rei pra tentar retardar a chegada daquela que a todos leva), continua por aqui tentando suportar as estranhezas do mundo, onde todos vigiam todos e os idiotas, acredite, agora opinam sobre tudo e estão quase dominando o mundo (alguns, inclusive, são presidentes).

Caso cruze com João Ubaldo, diga-lhe que o escolhi meu patrono como novo membro da ALPA (Academia de Letras de Paulo Afonso), e que ainda hoje me arrependo de não ter falado com ele naquele boteco do Leblon. Diga-lhe também que a próxima disputa presidencial deve ser entre Lula e Bolsonaro. Caso ele desmaie, passe um pouco de Old Eight no seu bigode. Beijos no pai e saudades.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretá de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco.

 

Feliz dia e noite de Natal para todos os ouvinte, leitores e a turma que pensa e faz o BP . Que as dificuldades de agora sejam adubo e chama para este site blog no ano que vem.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

COLUNA

Temer está saindo do coma?

Juan Arias

Temer durante café com jornalistas.rn Temer durante café com jornalistas. EVARISTO SA AFP

Os médicos dizem que, às vezes, só é necessário um pequeno sinal para intuir que uma pessoa começa a sair de um coma profundo. Será o que está acontecendo com o presidente Michel Temer, pois em apenas uma semana apareceram várias razões que indicariam que o político com menor índice de popularidade da história começa a deixar para trás seu inferno astral?

Alguns fatos poderiam indicar que o clima de rejeição de Temer começa a diminuir. O primeiro foi a última pesquisa do Ibope no qual, em vez de continuar despencando, os índices mostram uma pequena melhora. Cerca de 3% deixaram de rejeitá-lo, aumentando em três pontos percentuais os que o aprovam. Com os índices de desaprovação extremos sofridos até ontem, o fato de que, de repente, podem ter aumentado em seis milhões de pessoas os que consideram seu desempenho bom, não deixa de ser significativo.

Uma charge humorística chegou a apresentar uma desaprovação de 105% do presidente afirmando que não só todos os vivos, mas também até os mortos estavam começando a rejeitá-lo. Frente a isso, o novo Ibope deve ter reanimado um pouco o demônio Temer.

Mas há mais. Acaba de ser revelado pelo jornal Folha de S. Paulo, que no início de outubro, a alta hierarquia do império Globo pediu e conseguiu, na residência de um dos irmãos Marinho, um almoço com o presidente Temer que parece um desejo de reconciliação com ele, depois que a Globo tinha colocado todo seu peso a favor de sua destituição por causa das acusações de corrupção e depois de ter pedido em um editorial sua renúncia para o bem do Brasil.

Sabe-se agora que naquele almoço Temer foi claro e duro com os líderes da Globo, alegando que tinham se precipitado ao condená-lo antes de ter provas concretas contra ele. Segundo a Folha, Temer lembrou, com uma certa ironia que não é suficiente uma delação para considerar alguém culpado e trouxe à tona a questão espinhosa do delator Alejandro Buzasco que acaba de acusar a TV Globo de pagar suborno pela transmissão de campeonatos de futebol e que a empresa rejeita com violência como falsa.

Talvez os dirigentes da Globo não foram capazes de intuir a capacidade de resistência aos golpes do político veterano que, contra todos os prognósticos, conseguiu ficar no cargo sem sofrer um impeachment pelo Congresso, nem ser forçado a deixar o cargo, apesar sua popularidade em frangalhos.

Do escárnio sobre a presidência Temer, alguns especialistas em análise política começam inclusive a considerar a possibilidade de que possa ser reeleito no próximo ano, apoiado pelos principais partidos. Ou no mínimo, se a justiça impedir Lula de competir, Temer poderia influenciar seriamente a escolha de um sucessor que não apareça seriamente comprometido com a Operação Lava Jato e que signifique uma alternativa, do centro, ao conjunto da esquerda que ficaria órfã sem Lula.

Tudo isso leva a pensar por que os pobres não saíram às ruas gritando “Fora Temer”. Nem por que esses pobres tampouco saíram para defender Dilma contra o impeachment. Hoje parece cada vez mais claro, por exemplo, que Dilma nunca teria sido deposta de seu cargo naquele momento se a inflação não tivesse estado pelas nuvens em dois dígitos, o desemprego superando os 14 milhões e o país mergulhado em uma das maiores recessões econômicas em muitos anos.

Com Temer, se os pobres não saíram nas ruas nem mesmo sob a forte pressão da mídia contra seu governo, é porque hoje, para eles, o que conta é que a economia começou a melhorar. Os institutos de pesquisa gastam às vezes milhões para saber qual a inclinação das pessoas nas ruas. No caso de Temer seria suficiente ir a um desses supermercados que fazem ofertas para as famílias de classe C e conversar com elas para saber o que pensam.

Este jornalista quis fazer um pequeno teste em um desses mercados em uma cidade pequena do interior. Uma trabalhadora que estava colocando suas compras em um carrinho carregava a lista que servia para comprar o essencial para o mês. Pela caligrafia dava para ver que tinha estudado apenas os primeiros anos da escola primária. Perguntei o que pensava de Temer e do governo. Rápida, me respondeu: “Senhor jornalista, não estou interessada nem no Temer nem na Dilma. A única coisa importante para mim e minha família é quanto custa comprar esta lista do mês”. E acrescentou: “Veja, com Dilma cheguei a pagar até 600 reais. Hoje só preciso de 400 e até posso voltar a comprar um pouco de carne e alguns iogurtes que meu marido gosta”, e me mostrou o que já tinha no carrinho.

Estou defendendo Temer e seu governo? Não, seria um inconsequente. O que tampouco quero é que a sombra da ideologia ou do preconceito, nos impeça de ver e analisar a realidade com a naturalidade com que fazem esses “pobres”, que incluem, de acordo com um relatório de ontem do IBGE, quase 12 milhões de analfabetos totais cuja existência parece interessar tanto à maioria dos políticos como reserva eleitoral, mais do que preocupação com seus problemas. Será que os institutos de pesquisa os incluem em suas pesquisas?

Até penso por que não abolir a palavra “pobre” e substituir simplesmente por “pessoas” já que a política acabou com a força original da palavra e continua a ser manipulada e explorada por populistas tanto de esquerda quanto de direita. “O que seria dos políticos e partidos sem esses milhões de pobres, já que estão apenas interessados em que não saiam de seu quintal, jogando para eles eletrodomésticos como se fosse ração, para mantê-los felizes?”, escreveu duro no Facebook um jovem ativista progressista. Em seu post, ele se lembrava de uma autocrítica séria de Frei Beto, que foi ministro de Lula e continua a militar no PT, dizendo: “Enchemos os pobres de objetos, mas não demos cultura”.

Quando esses pobres se rebelam, perguntamos confusos, o que mais eles querem?

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Gilmar manda investigar áudio que o acusa de receber propina

Hoje circulou um áudio nas redes sociais, no qual um suposto juiz de Campos, no Rio de Janeiro, dá a entender que Gilmar Mendes recebeu propina (“a mala foi grande”) para soltar Anthony Garotinho.

Agora há pouco o TSE divulgou a seguinte nota:

“O ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, solicitou providências ao Corregedor Nacional de Justiça, ministro João Otávio Noronha e instauração de inquérito ao diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, sobre o áudio que circulou hoje nas redes sociais no qual são feitas graves acusações caluniosas à sua pessoa e às recentes decisões tomadas por ele. Também foram comunicados o presidente e o corregedor do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O ministro Gilmar reitera que suas decisões são pautadas pelo respeito às leis e à Constituição Federal.”

dez
24

O diretor estreia ‘Wonder Wheel’, tragédia ambientada em um parque de diversões do Brooklyn de sua infância

Paris Woody Allen, fotografado há algumas semanas em Paris.Woody Allen, fotografado há algumas semanas em Paris. Nicolas Guerin Getty Images

Para Woody Allen (Nova York, 1935), a vida é um parque de diversões no qual metade dos carrosséis não funciona e a outra metade produz emoções muito menos intensas do que se esperava. Seu novo filme, Wonder Wheel, reúne quatro personagens desesperados na Coney Island dos anos cinquenta, a grande feira junto à praia do Brooklyn na qual passou parte de sua infância. A entrevista acontece em um hotel de luxo em Paris. Nela, está terminantemente proibido mencionar os escândalos sexuais que abalaram Hollywood recentemente, revelados por seu próprio filho, Ronan Farrow, com quem há anos está brigado. “Nem Harvey Weinstein, nem Kevin Spacey, nem Oliver Stone”, insiste seu assessor de imprensa antes de nos deixar entrar no quarto, ameaçando interromper a entrevista no momento em que deixarmos de falar do filme. Mas não fala nada sobre as consequências que esse novo clima pode ter em relação a sua obra. Abalado pelas graves acusações que sempre desmentiu, será que Woody Allen deixará de ser um intocável da sétima arte?

Pergunta. Por que escolheu um parque de diversões como pano de fundo?

Resposta. É um lugar cheio de sustos fáceis e falsas aparências. Meus personagens vivem do outro lado do cenário desse grande espetáculo de magia. Eles sabem no que consistem seus truques baratos. Quando são vistos sobre o palco parecem maravilhosos. Mas, sob a superfícies, você descobre que são insossos e que não têm nenhum glamour

P. Você parece usar isso como metáfora da própria vida.

R. A única diferença é que a vida costuma ser tão feia por fora quanto é por dentro. Poucas coisas escapam a essa regra: um punhado de obras de arte, certos momentos vividos com outras pessoas e alguns instantes encantadores, heroicos ou românticos… Mas não são muitos. A maior parte é só um fardo.

P. Seu filme se inspira em Tennessee Williams e Eugene O’Neill. O que aprendeu com eles?

R. Que é fascinante observar personagens em crise. Quando nos interessamos por eles, pode ser que aprendamos alguma coisa sobre a vida. Mas desde que consigamos sentir alguma coisa…

P. “Obcecado por um conto de fadas, passamos a vida procurando uma porta mágica que nos leve a um reino perdido de paz”, escreveu O’Neill. Você concorda com isso?

R. Sim, ele tinha razão. Passamos a vida esperando que aconteça algo que, pela arte da magia, mude tudo para melhor. Na verdade, a vida costuma mudar para pior. Acreditamos que vamos ganhar na loteria, que nos darão o trabalho de nossos sonhos ou que conheceremos a pessoa perfeita, que conseguirá acabar com nosso casamento horroroso. Mas até quando isso acontece, você acaba se dando conta de que está diante de algo muito pior. Em certo momento, se pergunta para onde vai e entende que só ficará velho e morrerá. No sentido existencial, não se resolve nada.

P. Então, perseguir a felicidade é coisa de idiotas?

R. Não me parece grave, desde que se saiba que não faz qualquer sentido. Enquanto tudo isso durar, sempre é melhor ser feliz do que desgraçado. É melhor ser um homem rico, com boa saúde e uma relação sentimental agradável do que um sujeito amargurado, sem teto e sem amigos. O problema é que, no fim, os dois acabarão enterrados no mesmo cemitério…

P. Este filme, assim como o anterior, Café Society, fantasia a vida que poderíamos ter tido e não tivemos.

R. É algo que autores como Tchecov ensinaram, que sempre fala de personagens que aspiram a que tudo seja diferente. Mas nunca é, porque carregam dentro de si a semente da infelicidade…

P. Você fantasia com outras vidas? O que gostaria que tivesse sido diferente?

R. Teria gostado de não me limitar por certos defeitos do meu caráter. Teria gostado de ser menos covarde, mais disposto a me aventurar, menos hipocondríaco. Mais livre…

P. Wonder Wheel é um estudo sobre o “erro trágico”, esse defeito de caráter que, na tragédia grega, provoca a queda do herói. Qual seria o seu?

R. Meus defeitos não chegam a ser trágicos. No máximo são patéticos. Sou nervoso, míope, fechado, antissocial, desconfiado… Poderia continuar o dia todo…

P. Sua protagonista, essa atriz em decadência interpretada por Kate Winslet, se vê carcomida pelo remorso. Do que você se arrepende?

R. Tenho muitos remorsos, apesar de que talvez não sejam os que os outros acreditam. Teria gostado de continuar estudando. Teria gostado de tomar decisões artísticas diferentes. Teria gostado de ser mais decidido com certas mulheres, para conseguir conhecê-las, sair com elas e viver experiências bonitas…

P. O que lamenta no artístico?

R. Teria preferido ser menos comercial quando comecei. Na época me incitaram a ser cômico. Minha carreira teria sido mais difícil, mas lamento não ter tido a coragem de fazer o que tinha em mente.

P. Lamenta ter sido divertido em excesso?

R. Não, também não, porque o humor salvou minha vida. Não sei com que trabalharia se não fosse divertido. Mas gostaria de ter estudado poesia e me transformado em poeta… Meu humor foi bastante escapista, como uma pátina de entretenimento. Gostaria de ter feito mais tragédia, porque é sempre mais beligerante.

P. Lamenta ter feito algum filme?

R. Não posso dizer isso, mas existem filmes que gostaria de ter feito melhor. Lamento ter dito sim a Crisis in Six Scenes [sua minissérie para a Amazon]. Foi mais difícil do que eu imaginava. Não acho que voltarei a fazer televisão, a não ser que pense em algo sensacional.

P. Há anos, quase todos os seus filmes são protagonizados por mulheres? Qual é o motivo?

R. Eu me acostumei a trabalhar assim desde que comecei a escrever para Diane Keaton. De certa forma, são mais complexas do que os homens. Os homens têm menos dimensões. Nos filmes norte-americanos costumam ser somente brutamontes armados. As mulheres vivem, sentem e expressam mais coisas. Quando se pretende falar das emoções da vida, as mulheres tornam o trabalho mais fácil.

P. Nesse sentido, sua psicologia é mais feminina do que masculina?

R. Sim, existe um elemento feminino nela. Tenho certeza disso. Quando você o tem, tem mais empatia com as mulheres.

P. Pela primeira vez desde Roosevelt, um nova-iorquino ocupa a Casa Branca. Como avalia Trump?

R. É ridículo. Não entendo porque ele quis ser presidente. Está claro que não é algo que ele saiba fazer. Uma vez saiu em um de meus filmes [Celebridades]. Naquele tempo ele se dedicava a jogar golfe e ir a concursos de beleza. Não sei o que ele não entende da escalada nuclear com a Coreia do Norte e da luta contra a mudança climática. Como disse P.T. Barnum, pioneiro do circo no século XIX, nunca devemos subestimar o gosto do público norte-americano. Não é um público muito sofisticado…

P. A filmagem de Vicky Cristina Barcelona completa 10 anos. Acompanha a situação política na Catalunha?

R. Sim, um pouco. Nunca consegui entender a intensidade do sentimento catalão em relação à independência. Agora leio que é uma questão financeira. Quando pensamos na Espanha, não conseguimos imaginar um país sem Barcelona. Certamente têm suas razões, mas é triste que queiram a separação. Espero que possam resolver essa questão e que a Espanha continue sendo o grande país que sempre foi.

P. A posteridade lhe preocupa? No contexto atual, como acha que a História irá tratá-lo, o senhor e seus filmes?

R. Não sou alguém que se preocupa por seu legado. Não me importo com o que as pessoas possam achar de mim e de meus filmes. Quando estiver morto, o único valor que terão será como fonte de renda para meus filhos. Se não precisarem do dinheiro, que os peguem e os destruam em uma trituradora de papel, não me importo… Quando eu partir, acabou.

P. O que responderia aos espectadores que, de um tempo para cá, se negam a ver seus filmes?

R. Acho perfeitamente legítimo. Existem pessoas que gostam e outras que não. Eu também tenho meu gosto próprio. É um sentimento totalmente aceitável.

P. O que pensa em fazer após essa entrevista?

R. Irei ver uma exposição sobre Gauguin. Sua história é interessante: quando chegou ao Taiti, descobriu que o paraíso não era tão belo como havia imaginado, de modo que decidiu embelezá-lo em seus quadros. Mas isso não evitou que acabasse morrendo de sífilis…

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