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Marcelo Odebrecht, mandado para prisão domiciliar esta semana. ao ser preso em junho de 2015, quando foi conduzido por Newton Ishi, o japonês da federal. Foto Geraldo Bubniak/Freelancer – Geraldo Bubniak / Agência O Globo

 

ARTIGO DA SEMANA

 

MDB retorna (?), Marcelo em casa, japonês da Federal se aposenta: É Natal!

Vitor Hugo Soares

O Natal de 2017 bate à porta nas vésperas do tão nebuloso, quanto aguardado, ano das eleições majoritárias de 2018. Carregado de tantas e tão embaralhadas expectativas por toda parte – será  tempo de mudança não só do morador do Palácio do Jaburu, mas também de governadores, deputados e senadores – no Brasil que segue navegando com bússola avariada, aos trancos e barrancos, sem piloto de confiança, e abusando da inesgotável capacidade de improvisar e de surpreender – para o bem e para o mal.

Desgraçadamente, de uns dias para cá, deste final de calendário, a briga de Deus e o Diabo por estas bandas se apresenta francamente favorável ao Cão do Segundo Livro, como dizia mestre Hugo Araújo em seu linguajar típico e inimitável trazido dos campos gerais baianos, para os tempos loucos da Faculdade de Direito da UFBA, dos Anos 60/70.

A propósito, a terça-feira, 19, da semana passada, foi “de encardir”, dirão os pernambucanos, gregos e baianos. Pelo menos três registros factuais anotados do noticiário jornalístico do dia são referenciais:1- a convenção nacional (com digitais dos novos marqueteiros em atividades no Palácio do Planalto, tão nítidas quanto as marcas dos dedos do ex-ministro Geddel Vieira Lima na dinheirama descoberta pela PF no bunker de Salvador) para descartar a corrompida e desacreditada sigla PMDB – atual dono do poder –  e tentar renovar a velha e heroica legenda do MDB, glorificada por Ulysses Guimarães e outros bravos da resistência democrática; 2- a saída de Marcelo Odebrecht da cadeia em Curitiba para cumprir prisão domiciliar em sua mansão do Morumbi (SP);3- a notícia da  aposentadoria do agente Newton Ishi, o icônico “Japonês da Federal” da primeira hora das detenções de poderosos, pela Lava Jato.

Sinais do tempo, incluindo a presença, “fora da agenda oficial”, do soturno habitante do Jaburu, na acabrunhada convenção de seu partido, em Brasília, animada por um desses “mandingueiros de ocasião”, que apareceu “de surpresa”, para dar um “passe” para afastar entidades empenhadas em “amarrar” o mandatário, que já não anda bem das pernas.   

Isso sem  falar no farto noticiário gerado no aparente “mundo à parte”, da suprema corte de Justiça da Nação, que dá sinais cada vez mais evidentes de rachar em suas pilastras estruturais. Presidida entre vacilos e demonstrações cabais de insegurança pela ministra Cármen Lúcia, mas sob ditames do arrojado trio Gilmar/ Toffolli / Lewandowski. Um arraso que nem dá para enumerar, em detalhes neste artigo, mas com marcas para não esquecer, a exemplo da síndrome de Papai Noel do ministro Gilmar, que precisou trabalhar dobrado para entregar todos os seus “presentes”, antes do recesso do Judiciário e das festas de fim de ano.

Entre eles, dois mais que simbólicos e difíceis de entender em tempo de combate a corruptos e corruptores: a soltura da ex-primeira dama fluminense, Adriana Ancelmo, do complexo prisional de Benfica, para cumprir prisão domiciliar em seu apartamento, de frente à praia do Leblon. E do notório ex-governador do Rio de Janeiro,  Anthony Garotinho, libertado de Bangu e mandado para prisão domiciliar, sem precisar nem mesmo ser submetido ao incômodo de uma tornozeleira eletrônica.

“Coisas do arco da velha”, para usar o ditado que aprendi criança nas barrancas do São Francisco, o rio da minha aldeia, que segue minguando das nascentes à foz, mas ainda parece servir ao discurso falso e enganador de aproveitadores da política e da máquina mercante (Viva o poeta satírico Gregório de Matos Guerra) à medida que nova campanha eleitoral se aproxima.

Drama, quase tragédia, que passa ao largo dos debates e das preocupações prioritárias do País neste incrível fim de ano. À melancólica semelhança dos filetes quase invisíveis de água, atualmente, em trechos enormes da passagem do “rio da unidade nacional” entre às suas doces nascentes nas serras de Minas Gerais, à foz em Alagoas, agora de trechos cada vez maiores de água salgada, à medida que o Velho Chico, exangue e cansado, vai perdendo a batalha com o mar.

Em meio ao furdunço geral da semana, no entanto, a reação dura e indignada do ministro Luiz Roberto Barroso, em fala de arrepiar, no contra-ataque, de princípios e de visível indignação, para não deixar sem resposta à altura, discurso agressivo do ministro Gilmar Mendes, feito em aparte durante a fala de Toffolli, na última sessão do Pleno, do STF, antes dos supremos togados saírem para gozar temporada de recesso.

Aí se deu uma das raras demonstrações, esta semana, de que o duelo de potestades na terra do sol – e da crise que avança para 2018 – está longe do domínio completo de uma das bandas em choque no Supremo, o que, de certa maneira reflete o quadro geral do embate na sociedade neste pré-Natal incomum. Um combate retórico, sem sangue derramado no ambiente da luta, mas, decididamente, destinado a ficar na história. Seguramente, merecedor de versos vibrantes de algum grande cordelista das feiras populares do Nordeste (que falta enorme faz a ausência de poetas notáveis, como o Cego Aderaldo, nesta hora!).  Um “romance” popular marcante, capaz de atravessar o tempo, ou, ao menos, animar pessoas no ano eleitoral que se aproxima.

Antes do ponto final do artigo, a reprodução do trecho culminante da reação do ministro Barroso, ao colega do Supremo, um sopro de alento para a sociedade no ocaso de 2017. A melhor e mais apropriada mensagem encontrada pelo jornalista que assina o texto, para deixar como expectativas e votos ainda esperançoso para 2018:

“Eu não acho que há uma investigação irresponsável. Há um país que se perdeu pelo caminho, naturalizou as coisas erradas, e nós temos o dever de enfrentar isso e de fazer um novo país, de ensinar às novas gerações que vale a pena ser honesto, sem punitivismo, sem vingadores mascarados, mas também sem achar que ricos criminosos têm imunidade”.

Viva! Que assim seja, são também os meus votos. Um Natal com a felicidade possível.. Feliz 2018 para todos!

Vitor Hugo Soares é jornalista. Editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

 

Monumentalmente Paulinho Nogueira, no sábado do BP velho de guerra!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

 

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Dallagnol: “Temer prepara uma saída para si”

Deltan Dallagnol disse que Michel Temer fez o feirão de Natal pensando nele mesmo.

Leia a íntegra de seu comentário no Facebook, também reproduzido em parte no Twitter:

“Temer prepara uma saída para si (se condenado) e para outros réus da #LavaJato: agora, corruptos no Brasil cumprirão apenas 1/5 da pena e serão completamente indultados (perdoados), como regra geral.

O decreto de indulto ignorou a manifestação da do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, do Ministério Público, da força-tarefa da Lava Jato e da Transparência Internacional. Todos se manifestaram contra aplicação do indulto ao crime de corrupção.

Não só a manifestação foi ignorada, mas a decisão do presidente foi no sentido contrário: antes corruptos precisavam cumprir apenas 1/4 da pena. Agora, irrisórios 1/5. É um feirão de Natal para corruptos: pratique corrupção e arque com só 20% das consequências – isso quando pagar pelo crime, porque a regra é a impunidade.

Meus parabéns pela ótima mensagem que o Planalto passa à população sobre sua atitude diante da corrupção. Não poderia ser mais claro. Aliás, não é só ele. Tem gente em outros Poderes que neste final de ano está passando a mesma mensagem.

Ah, e é claro: pelo decreto de indulto, quem tem mais de 70 anos cumpre menos pena ainda!!”

São Paulo
Forças Armadas patrulham a favela da Maré, no Rio, no último dia 13.
Forças Armadas patrulham a favela da Maré, no Rio, no último dia 13. A. L. EFE

A ONG internacional Human Rights Watch (HRW) fez um apelo para que as autoridades brasileiras investiguem as mortes ocorridas durante uma operação conjunta do Exército com a Polícia Civil no Rio de Janeiro no dia 11 de novembro. Na operação, os agentes adentraram no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, interrompendo um baile funk na comunidade. O resultado daquela noite foram oito mortos, todos civis. A autoria das mortes ainda não foi revelada nesta história que mistura o silêncio dos órgãos competentes e uma nova legislação que favorece os militares que podem vir a matar alguém durante uma operação como essa. “As autoridades brasileiras devem conduzir uma investigação completa, independente e imparcial” sobre o ocorrido, diz a nota da HRW divulgada nesta sexta-feira.

No dia da chacina, a Polícia Civil e o Exército emitiram um comunicado em conjunto afirmando que houve “resistência armada” por parte de traficantes durante a ação. Dois dias depois, o porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Roberto Itamar, contrariou este discurso e afirmou que “não houve confronto entre as forças de segurança e das Forças Armadas com integrantes de facções criminosas”.

O Exército se posicionou afirmando que os disparos não saíram de suas armas. Segundo o coronel Itamar, os militares apenas ouviram os tiros e se depararam com os corpos já inertes. Discurso parecido foi utilizado pela Polícia Civil: os 15 homens da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), um corpo de elite da Polícia Civil, que, teoricamente, eram os coordenadores da operação, negaram ter disparado um único tiro.

Com isso, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu uma investigação sobre o caso. A Polícia Civil colheu depoimentos dos policiais envolvidos na operação e enviou ao Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), setor responsável pela apuração dentro do MPRJ. Mas o MPRJ não tem competência para investigar os militares. A ONG, no entanto, apela para que mesmo assim eles sejam ouvidos. E acusa o Exército de não ter disponibilizado, até o momento, a lista dos agentes que fizeram parte da operação naquele dia.

As dificuldades para apurar as informações podem ser um dos efeitos imediatos da lei 13491/17, sancionada pelo presidente Michel Temer em outubro deste ano. A nova legislação transfere à justiça militar os casos de homicídios contra civis cometidos por membros das Forças Armadas durante operações de segurança pública, como a realizada no Complexo do Salgueiro. A HRW pede também que a lei seja “imediatamente” revogada. “Além de tornar virtualmente impossível a condução de uma investigação independente dos crimes dessa natureza, a lei ameaça conferir absoluta impunidade a execuções extrajudiciais”, diz a nota.

Esta lei havia sido elaborada para ter efeito temporário durante a Olimpíada do Rio de Janeiro, mas acabou se tornando permanente. Com ela em vigor, a Polícia Civil do Rio de Janeiro, não pode, por exemplo, requisitar as armas dos militares que fizeram parte da operação naquele dia para uma perícia. Somente a Justiça Federal poderia.

Enquanto as investigações não avançam, quatro testemunhas ouvidas pelo EL PAÍS dias após a chacina relataram o que viveram naquela noite. As histórias têm ao menos um elemento em comum: todos viram homens de preto, mascarados, com armamento dotado de lanterna e mira laser, e capacetes. O equipamento descrito pelos moradores não é da Polícia Civil, segundo três fontes de divisões especiais da instituição.

Por G1, São Paulo

A TV Globo e o jornalista William Waack divulgaram o seguinte comunicado.

“Em relação ao vídeo que circulou na internet a partir do dia 8 de novembro de 2017, William Waack reitera que nem ali nem em nenhum outro momento de sua vida teve o objetivo de protagonizar ofensas raciais. Repudia de forma absoluta o racismo, nunca compactuou com esse sentimento abjeto e sempre lutou por uma sociedade inclusiva e que respeite as diferenças. Pede desculpas a quem se sentiu ofendido, pois todos merecem o seu respeito.

A TV Globo e o jornalista decidiram que o melhor caminho a seguir é o encerramento consensual do contrato de prestação de serviços que mantinham.

A TV Globo reafirma seu repúdio ao racismo em todas as suas formas e manifestações. E reitera a excelência profissional de Waack e a imensa contribuição dele ao jornalismo da TV Globo e ao brasileiro. E a ele agradece os anos de colaboração.”

Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo

William Waack, jornalista e apresentador de programas jornalísticos da TV Globo

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23
José Maria Marin condenado FIFA
José Maria Marin, condenado por corrupção em escândalo da FIFA. STEPHEN YANG Reuters
Depois de sete semanas de julgamento, o Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova Iorque, condenou o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, de 85 anos, por seis dos sete crimes pelos quais havia sido indiciado no escândalo de corrupção da FIFA. Pelo entendimento da Justiça norte-americana, que o denunciou por ter recebido aproximadamente 6,5 milhões de dólares em propinas, Marin é inocente na acusação de lavagem de dinheiro na Copa do Brasil, porém culpado por integrar organização criminosa, três delitos de lavagem de dinheiro e outros dois de fraude em subornos envolvendo a cessão dos direitos de televisão e marketing das Copas América, Libertadores e do Brasil. A pena só será conhecida após a publicação da sentença, no início de 2018, mas a juíza Pamela Chen determinou que o ex-dirigente comece a cumpri-la imediatamente em um presídio federal dos Estados Unidos. Assim, pela primeira vez na história, um mandachuva do futebol brasileiro é condenado por corrupção – ainda que fora do país.

Ex-governador biônico de São Paulo ligado à ditadura militar, José Maria Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2015. No mesmo ano em que deixou o comando da confederação, ele foi detido na Suíça em uma operação do FBI, que desencadeou o escândalo conhecido como “Fifagate”. Desde então, o ex-cartola estava em prisão domiciliar em Nova Iorque aguardando o julgamento. Quem assumiu a presidência da CBF em seu lugar foi Marco Polo Del Nero, que era vice de Marin e também é acusado pelos mesmos crimes do antecessor. Ele deixou de viajar para jogos da seleção e compromissos internacionais por receio de ser detido no exterior. O Brasil, por exemplo, era a única seleção que não teve o presidente da federação local como representante no sorteio dos grupos da Copa do Mundo realizado no início de dezembro, na Rússia. Como não foi preso na operação norte-americana, Del Nero se livrou de ir ao banco dos réus e seguiu presidindo a confederação até ser suspenso por 90 dias, há uma semana, pelo Comitê de Ética da FIFA, que o investiga devido a suspeitas de recebimento de propina. De acordo com a defesa de Marin no julgamento, o réu era apenas figura decorativa na presidência da CBF, pois “quem realmente mandava era Marco Polo Del Nero”. A sentença pode complicar ainda mais a vida de Del Nero, já que aumenta as chances de um banimento definitivo por parte da FIFA.

Na mesma situação de Del Nero está Ricardo Teixeira, antecessor de Marin, que comandou a CBF por mais de 20 anos. Ele também foi indiciado no Fifagate e pela Justiça espanhola, que o acusa, ao lado do ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, de integrar uma quadrilha que desviou cerca de 15 milhões de euros em receitas angariadas com jogos da seleção. Como a Constituição brasileira impede a extradição de cidadãos nascidos no país, tanto Del Nero quanto Teixeira não devem ir à prisão pelos desdobramentos do julgamento nos Estados Unidos. A punição a Marin, porém, fragiliza o grupo que sucedeu Teixeira e dá fôlego a um ensaio de revolução na cúpula da CBF, atualmente presidida de forma interina pelo vice Coronel Nunes. O senador Romário (Podemos), que chegou a liderar uma CPI para investigar a confederação, já manifestou o desejo de concorrer à presidência da entidade e encampa o movimento “Diretas Já na CBF”. Por sua vez, o atual comando ensaia adiar a eleição inicialmente prevista para abril de 2018, mas uma frente formada por ex-jogadores e alguns dirigentes de clubes promete pressionar a CBF por um processo de sucessão no poder mais ágil.

O julgamento encerrado nesta sexta-feira condenou ainda o ex-presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, por dois crimes de fraude bancária envolvendo os direitos de transmissão das Copas América e Libertadores e por associação a organização criminosa. O tribunal, entretanto, não chegou a uma conclusão a respeito da participação do ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, Manuel Burga. O caso dele segue em análise pela Justiça norte-americana.

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Posted on 23-12-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-12-2017

 

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Myrrya, no jornal A Crítica (AM)

 

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