DO JORNAL O TEMPO/BH
 

O ex-governador de Minas Gerais Francelino Pereira morreu, na manhã desta quinta-feira (21), aos 96 anos, por causas naturais. Ele faleceu no hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, onde estava internado há uma semana. O velório ocorre até as 19h30, no Palácio da Liberdade, na região Centro-Sul da capital mineira. A cremação vai ser realizada durante uma cerimônia reservada aos familiares.

Nos últimos anos de vida, segundo familiares, Francelino vivia recluso em um apartamento no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte. Com o passar dos anos, ele apresentou perda de memória, de visão e de audição. Ele deixa a mulher, Latife Haddad Pereira dos Santos, mais conhecida como Dona Latife, e três filhos.

Trajetória

Filho de lavradores e criadores de reses e caprinos, Francelino nasceu em 2 de julho de 1921, na zona rural de Angical, cidade do Piauí. Ele mudou-se para a capital mineira aos 23 anos, onde formou-se em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Ele iniciou o exercício da advocacia no Fórum Lafayette e depois tornou-se redator político da rádio Inconfidência, emissora oficial do governo mineiro.

O seu primeiro cargo político foi como vereador de Belo Horizonte. Ele foi eleito pela União Democrática Nacional (UDN) e cumpriu o mandato entre os anos de 1951 e 1954. Depois, elegeu-se deputado federal por Minas e cumpriu quatro mandatos consecutivos (1963-1979).

Durante o regime militar, assumiu o governo estadual pelo partido Arena após eleições indiretas. Francelino comandou o Estado entre os anos de 1979 e 1983. Em 1990 assumiu a presidência do Diretório Regional do PFL em Minas Gerais e quatro anos depois foi eleito senador para o mandato de 1995 a 2003.

Após a conclusão de seu mandato, passou a integrar o Conselho de Administração da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a presidir de forma honorária a Comissão Especial de Estudos do Centro Cultural da Praça da Liberdade. Atualmente, ocupava a cadeira n° 25 da Academia Mineira de Letras.

Luto

O atual governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), lamentou a morte de Francelino Pereira e decretou luto oficial de três dias, a partir desta quinta-feira, em todo o Estado. “Manifesto o pesar pelo falecimento do ex-governador de Minas Gerais, Francelino Pereira, homem público que pautou sua trajetória de forma íntegra, cumprindo importante papel na redemocratização do Brasil. Como governador, senador e deputado federal sempre defendeu os interesses do nosso estado. Presto minha solidariedade aos familiares e amigos. Em sinal de pesar, está decretado luto oficial de três dias, em todo o território mineiro, a partir da data de hoje”, declarou por meio de nota.

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DE O GLOBO
DE FRANCELINO PEREIRA PARA RENATO RUSSO

 

  • RIO — “Que país é este”, frase dita por Renato Duque ao advogado, quando estava sendo preso pela primeira vez, em novembro de 2014, não foi criada pelo cantor e compositor Renato Russo em sua conhecida música, mas ainda em 1976, pelo então presidente da Arena, Francelino Pereira. Na época, em pleno regime militar, discutia-se uma promessa do presidente Ernesto Geisel de iniciar a transição, em que o regime seria aberto gradualmente e os governadores seriam eleitos pelo voto direto dali a dois anos.

Quando  a oposição duvidou da promessa, Francelino Pereira perguntou: “Que país é este em que o povo não acredita no calendário eleitoral estabelecido pelo próprio presidente”. Mas, no ano seguinte, Geisel fechou o Congresso, aumentou o mandato dos presidentes para seis anos, e decidiu que um terço dos senadores seria indicado pelo presidente.

O Brasil só passou a eleger governadores pelo voto direto em 1982. E Renato Russo transformou a frase no refrão de seu rock em 1987.

 

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