Feliz Frank! Felizes ouvintes do BP!

 

BOM DIA!!!

 

(Gilson Nogueira)

 

 

São Paulo / Brasília 
Temer, na convenção do partido, que já trazia a sigla "MDB".
Temer, na convenção do partido, que já trazia a sigla “MDB”. Filipe Cardoso PMDB Nacional

O PMDB não quer mais ser o PMDB. Ao menos no nome. Com a imagem abalada pelos escândalos de corrupção, o fisiologismo escancarado e a adoção de medidas impopulares com a chegada de Michel Temer ao poder, o partido decidiu fazer o que os marqueteiros chamam de rebranding —uma mudança de nome para tentar assumir, aos olhos do público, uma nova identidade. Para isso, escolheu adotar a sua sigla original, MDB (Movimento Democrático Brasileiro), legenda que carrega um enorme peso histórico para a esquerda: o de ter sido a oposição à ditadura militar e de ter aglutinado os interesses dos movimentos sociais e sindicais que faziam resistência ao regime.

Na convenção que marcou a mudança de nome na manhã desta terça-feira, o senador Romero Jucá, presidente nacional do partido e denunciado pela Lava Jato, afirmou que a medida tinha o objetivo de recuperar o nome original e, com isso, ter causas claras para a sigla. Junto à nova nomenclatura, o PMDB também mudará seu programa partidário em março do ano quem vem, preparando o terreno para as eleições de 2018, em que pretende garantir a existência de um candidato governista que defenda o legado de Temer, seja por meio de uma sigla aliada ou até de uma candidatura própria —segundo Jucá em uma entrevista publicada pela Folha de S.Paulo na última segunda, o nome de Temer não está descartado, ainda que seja um cenário difícil de imaginar devido à baixa popularidade dele. O partido, que tem a maior bancada da Câmara dos Deputados, também tenta recuperar sua imagem de olho nas eleições legislativas, temendo que muitos de seus deputados não se elejam.

Para o cientista político Bolívar Lamounier, que já na década de 1980 fazia pesquisas sobre o MDB, a estratégia é “um truque eleitoral”. “Não vai alterar em nada a essência do partido, de um partido clientelista, fisiológico e totalmente corrupto. Ele não tem a menor condição de se tornar um partido progressista, social. É uma tentativa de ganhar terreno eleitoral, fazendo de conta que é a continuidade do velho MDB. Mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. O MDB era uma frente de oposição ao regime militar. Hoje o PMDB é um partido clientelista, não tem mais substância alguma”, destaca.

Após a convenção, Jucá foi questionado pelo EL PAÍS sobre a estratégia de mudança de nome e negou que ela tenha o intuito de fazer com que os eleitores não associem o partido aos problemas da legenda com a Justiça. “Nós não estamos mudando de nome. Estamos tirando apenas um ‘P’ que foi colocado pela ditadura e mantendo a mesma sigla da fundação. Portanto, não há nenhum tipo de ação para esconder qualquer coisa. Vamos responder a todas as ações [na Justiça] e cada um é responsável individualmente por aquilo que tenha feito de forma equivocada. O partido não tem nada a ver com isso e vai disputar as eleições de cabeça erguida”, ressaltou ele, que acrescentou esperar que os eleitores associem o MDB àquilo que o presidente Michel Temer tem feito na área econômica. “Nós pegamos um país quebrado, em recessão, e estamos entregando um país recuperado, gerando empregos, com a inflação controlada e a taxa de juros mais baixa da história”, destacou.

O que foi o MDB?

Movimento Democrático Brasileiro foi criado em março de 1966 para ser uma espécie de oposição branda à ditadura e, assim, dar alguma legitimidade ao Governo militar, explica a cientista política Maria Victória Benevides, em um artigo publicado em 1986 intitulado “Ai que saudade do MDB”. O objetivo era criar a imagem de que havia espaço na sociedade para posições contraditórias ao regime. O movimento era uma reunião de partidos que foram extintos pelo Ato Institucional número 2 (AI-2), especialmente o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), que tinha entre seus nomes o presidente deposto João Goulart e Leonel Brizola. Também reunia movimentos socialistas e progressistas. “Era uma oposição tolerada contra a ditadura, mas que fazia frente à repressão militar”, explica Benevides no artigo. Com o tempo, a legenda acabou se tornando um símbolo da resistência. 

“Durante o Governo militar o bipartidarismo era obrigatório. E só era permitido um partido de oposição. Por isso, a sigla reuniu todas as tendências de oposição”, explica Lamounier. “O MDB, então, cresceu rapidamente e veio a ser percebido pelos eleitores, principalmente os mais pobres, como o partido que estava ao lado dos pobres e contra o Governo. Não é que tivesse uma política que favorecesse os pobres, porque ele não podia fazer nada de concreto, mas a sigla ganhou essa conotação e, com isso, se tornou eleitoralmente muito forte”, destaca ele. 

Entre as bandeiras da legenda na época estavam, justamente, o combate à corrupção. Além da denúncia às violações de direitos humanos e o pedido de eleições diretas. “O MDB era mais do que um partido político. Era, mesmo, um movimento, uma bandeira de luta. E de oposição consentida se torna o partidosociedade civil”, destacou Benevides em seu artigo de 1986.

No final dos anos 1970, o MDB participou ativamente das mobilizações dos movimentos sociais e populares. Especialmente das grandes greves dos metalúrgicos do ABC, que lançaram Luiz Inácio Lula da Silva à liderança política que décadas depois o levou à Presidência. Para marcar um ponto específico de diferença entre o MDB de antes e o de agora, vale ressaltar que o PMDB acaba de encabeçar uma polêmica reforma trabalhista, denunciada pelos sindicatos como um retrocesso aos direitos dos trabalhadores.

A lei 6767 de 1979, que reformou os partidos políticos ainda na ditadura, acabou por extinguir o MDB, assim como seu opositor (e apoiador dos militares) Arena. Nenhum partido mais poderia ter um formado de organização e, com isso, foi necessário adotar o “P” inicial, de “partido”. O PMDB foi, então, criado sob a presidência de Ulysses Guimarães, que defendia a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, com um programa feito por cientistas políticos como Fernando Henrique Cardoso (FHC). Aos poucos, foi perdendo seus apoios mais proeminentes, especialmente com a criação do PT (em 1980), que levou o apoio de grande parte dos movimentos sociais de esquerda. E, posteriormente, a do PSDB (em 1988), após um racha em que o PMDB acabou acusado de “clientelista e fisiologista” por FHC, então líder peemedebista no Senado.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

A pelada de Lula, Chico e (talvez) Maradona


Lula e Chico Buarque vão participar de um jogo de futebol em Guararema, no interior de São Paulo, no próximo sábado, na inauguração do campo “Dr. Sócrates Brasileiro”.

Maradona, segundo o MST, também foi convidado, mas não confirmou presença, informa a Veja.

DO PORTAL TERRA
 

O empresário Marcelo Odebrecht chegou a São Paulo, onde cumprirá o restante de sua pena em casa, com tornozeleira eletrônica. Ele saiu por volta das 10h de ontem (19) da carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba, no Paraná, onde ficou dois anos e meio preso. Ao sair da PF, Marcelo foi encaminhado à sede da Justiça Federal, onde colocou o equipamento na perna. Ele saiu de lá por volta de 12h40.

O empreiteiro Marcelo Odebrecht na Base Aérea Sindacta ll, em Curitiba (PR), embarca em jatinho particular depois de ser solto pela Polícia Federal, nesta terça-feira (19).

 
 
Marcelo Odebrecht na Base Aérea Sindacta ll, em Curitiba (PR), embarca em jatinho particular depois de ser solto pela Polícia Federal, nesta terça-feira (19).

Foto: Rodrigo Félix Leal / Futura Press

Marcelo Odebrecht foi liberado em função do acordo de delação premiada feita com os responsáveis pela Operação Lava Jato, com a garantia de que ele ficaria preso somente até hoje em regime fechado. Ao todo, a pena dele é de dez anos.

O empresário foi condenado em um processo em março de 2016 e outro em junho de 2017, ambos na Operação Lava Jato. Ele é éu em mais dois processos dentro da operação: um envolvendo o sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, classificado como vantagem indevida ao ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, e outro que envolve os recibos de aluguel de um apartamento vizinho ao que mora Lula.

ANÁLISE

‘The Crown’

Claire Foy, em 'The Crown'.Claire Foy, em ‘The Crown’.

As biografias, tanto na literatura como no audiovisual, se tornaram uma arma eficaz de comunicação de massa. Quando lançou seu retrato de Steve Jobs por volta de 2011, Walter Isaacson empregou um método eficaz. Encheu-o de lama, mas, apesar de suas mazelas como ser humano, o que realmente ficou na memória foi a pura evidência de que estávamos diante de um gênio visionário. Para isso foi concebido e por isso Jobs o encarregou de fazê-lo. Os dois causaram uma reviravolta no gênero. Com os ingredientes de uma biografia não autorizada, cozinharam uma obra autorizada que contou com todas as bênçãos do criador da Apple.

Em The Crown nos deparamos com um caso similar. Como retratar um ícone contemporâneo da magnitude de Elizabeth II sem produzir uma narrativa chocha? E ainda por cima fazê-lo com pompa e circunstância, com uma atualização do gênero puramente britânico. Para isso é preciso contar com o talento dos criadores Peter Morgan e Stephen Daldry, o primeiro como roteirista, o segundo como diretor e ambos como produtores. Os dois, ao lado de um deslumbrante time de atores, autores, diretores, ao custo de 10 milhões de euros (38 milhões de reais) por episódio, criaram mais uma obra-prima nesta segunda temporada.

Com Churchill e o eminente John Lithgow fora de cena, o contexto político perdia atrativo. O morfinômano Anthony Eden e o insípido Harold Macmillan não lhe chegam aos pés em termos históricos. Mas sim como personagens trágicos. O primeiro, ansioso para passar à história pelo menos com mais uma guerra — a do canal de Suez — e o segundo, traidor como todos outros, empenhado em afugentar como primeiro-ministro os fantasmas de sua própria pusilanimidade em casa. Para que servem ambos aos criadores da série? Para deixar patente a estatura e o instinto político de Elizabeth II.‘The Crown’: Quando Elizabeth II sofria infidelidades e não confiava em Jackie Kennedy

 Aí está uma virtude fundamental na qual, através dessa arma moderna de comunicação global que é a Netflix, a mensagem fica clara. Como torná-la plausível? Com um contraponto sem rodeios que permeia toda a temporada: a intimidade de seu casamento. Esse é o foco dos quatro primeiros e dos dois últimos episódios da temporada. Cresce a figura de Philip, duque de Edimburgo, com um enigmático e convincente Matt Smith.

São brilhantes as investigações sobre o passado do personagem e suas consequências. O rastro de suas origens dentro de uma família ligada ao nazismo, o rastro de uma mãe louca de pedra e os desenlaces trágicos de sua infância. Sua figura desorientada, buscando se encaixar no sistema, os imbróglios amorosos, sua difícil adequação à engrenagem de uma monarquia em que o marido deve obediência à rainha, continuam dando substância ao núcleo principal.

Nesse equilíbrio se cimenta uma trama em que também se destaca a rebeldia da princesa Margaret e o retrato de um herdeiro, o príncipe Charles, tímido, fraco e vítima de bullying. Também o papel da rainha mãe — insuportável, sem atenuantes — ou as artimanhas de Michael Adeane e Tommy Lascelles.

Mas em meio a tudo isso reina, gloriosa, a majestosa Elizabeth. E Claire Foy, a estrela em ascensão na primeira temporada, já se consolida nesta segunda como uma das atrizes mais sólidas de sua geração. É sobre ela que gira todo o peso da série. Nas constantes incursões da câmera ao fundo de sua alma, no claro-escuro entre a pose protocolar e a gélida, crua, inóspita verdade de seus tormentos. Sua determinação como soberana e sua solidão como esposa, sua frieza como mãe e seu desejo de levar a monarquia para a modernidade como única forma de sobrevivência.

‘The Crown’: Quando Elizabeth II sofria infidelidades e não confiava em Jackie Kennedy

 

Os criadores não hesitam em pintá-la como ignorante e presa na frieza dos protocolos para destacar sua audácia na hora de aceitar as críticas ou enfrentar o espelho daquilo que gostaria de ser, encarnado em uma deslumbrante e frágil Jackie Kennedy. Reforçam sua tendência ao isolamento com o propósito de ressaltar, depois, seu sucesso como líder da Commonwealth, apagando um incêndio pró-soviético ao ritmo de um foxtrot

Não recuam, nem pisam no freio quando veem que é preciso enlameá-la para que ressurja entre os louros do que realmente importa. Como, por exemplo, ao deixar claro que se a coroa ficasse com seu tio Edward VIII e não com seu pai, George VI, o Reino Unido teria sido um fantoche nas mãos dos nazistas, a monarquia, um resquício do passado e a história do mundo, outra.

Nem mais, nem menos. E é isso que conta, para maior mérito dos criadores da série e, claro, de Elizabeth II. Ao diminuir a tendência ao culto à personalidade que ocorre mesmo nas democracias atuais, colocam-na em órbita como exemplo de mandatária de uma instituição ao mesmo tempo vigente e caduca, como é o caso da monarquia. Nada que não leve mácula parece plausível em nossa época. Para criar uma obra de arte de comunicação moderna como The Crown, é preciso humanizar de maneira radical aquilo que se pretende divinizar a todo custo.

Rui Costa, governador da Bahia pelo PT, em entrevista nesta terça-feira, 19. Publicada no jornal A Tarde.

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