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Postado em 18-12-2017
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-12-2017 00:33
 
Santiago do Chile
elecciones Chile 2017
O candidato presidencial Sebastián Piñera em um comício em Santiago de Chile, na quarta-feira, dia 13. Reuters

Quando Sebastián Piñera Echenique encontra no comércio uma camisa que gosta, mesmo sendo de uma marca nacional simples, não compra uma, mas uma dúzia do mesmo modelo. As gravatas geralmente ganha de presente. Até antes de chegar ao La Moneda em 2010, não mandava fazer ternos sob medida, então eles sempre ficavam folgados e compridos. Seu estilo peculiar —informal, descuidado, miserável ou austero, como se quiser ver— dá conta de um personagem que tem sua cabeça muito menos focada em questões do dia a dia —como o vestuário— do que em suas duas grandes paixões: a política e os negócios.

Com 68 anos recém-completados e casado desde 1973 com Cecilia Morel —com quem tem quatro filhos—, durante muitos anos Piñera conciliou a política com suas empresas. No fim dos anos setenta obteve a representação para o Chile dos cartões de crédito e, desde então, seus consecutivos empreendimentos foram crescendo em ambição e êxito. Foi o principal acionista da companhia aérea Lan Chile (atual Latam), do canal de televisão Chilevisión e da Blanco y Negro, a sociedade que administra um dos times de futebol mais populares do país, o Colo-Colo. Mas esse cruzamento entre dinheiro e política não foi gratuito para Piñera: tanto sua habilidade para ganhar dinheiro como para usar os espaços em seu favor foi seu principal calcanhar de Aquiles em sua vida política.

Piñera é um homem rico: tem uma fortuna estimada pela Forbes em cerca de 2,7 bilhões de dólares (mais de 8,6 bilhões de reais), a sétima maior do país. Mas é um milionário de primeira geração. Nascido em Santiago em 1949, é o terceiro dos seis filhos de Magdalena Echenique e José Piñera Carvallo, um engenheiro e diplomata que educou seus filhos graças a seu trabalho e que foi fundador da Democracia Cristã chilena, o partido que durante décadas representou as classes médias. Nunca ficaram totalmente claras as razões por que o ex-presidente não militou no partido de seu pai e acabou se filiando à direita. A verdade é que —até hoje— Piñera tenta flertar sem muito sucesso com esse centro moderado no qual às vezes parece se sentir mais à vontade do que em seu próprio campo.

Nunca foi um direitista tradicional chileno, historicamente mais conservador, e por isso ainda em suas próprias fileiras há quem olhe para ele com certa desconfiança. É um católico médio. Se sente à vontade visitando o ex-presidente Barack Obama em Washington —como o fez em setembro passado— ou quando se gabava de sua proximidade com o francês Nicolas Sarkozy ou do britânico David Cameron.

Avanço na oposição

Para o plebiscito de 1988, que garantiu a saída do ditador Augusto Pinochet, diferentemente do resto da direita, votou pelo não. Na democracia foi senador entre 1990 e 1998. Em plena transição para a democracia, com a aliança de centro-esquerda no poder, começou a se tornar uma das principais figuras da oposição. Em 2005, tentou chegar ao La Moneda sem sucesso, porque perdeu para Michelle Bachelet. Em 2009, sua segunda tentativa, chegou, no entanto, a um triunfo histórico: derrotando o ex-presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle, tornou-se o primeiro presidente da direita desde o retorno à democracia em 1990. Seu antecessor, Jorge Alessandri, tinha sido eleito havia várias décadas, em 1958. Piñera, então, foi finalmente quem quebrou a hegemonia da esquerda no Chile.

Liderou um Governo que, de alguma forma, seguiu o rumo das quatro Administrações de centro-esquerda que tinham governado o país antes. Não fez uma guinada à direita —como sua própria turma gostaria— e sua gestão foi marcada sobretudo por uma ênfase na gestão. Depois de receber a região centro-sul do país praticamente destruída por um terremoto de 8,8 graus em fevereiro de 2010, Piñera teve de se concentrar na reconstrução.

O resgate dos 33 mineiros que viveram 69 dias a 700 metros sob a terra tentou ser o símbolo de um Governo que —com certa soberba— tentava mostrar que com uma lógica empresarial tudo poderia dar certo. A revolução estudantil de 2011, no entanto, colocou Piñera e seu pessoal politicamente à prova. Tem fama de sabichão e de um certo gosto por quebrar o protocolo, como quando se sentou na mesa de trabalho de Obama na Casa Branca para tirar uma fotografia. Mestre e doutor em Economia em Harvard, seu forte não são necessariamente atributos como a simpatia ou a proximidade dos cidadãos.

O impulsivo, incontrolável —inclusive para seus assessores e suas pessoas de confiança—, mas preparado e experiente, como reconhecem seus adversário

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Comentários

Daniel on 18 dezembro, 2017 at 15:48 #

Escolha madura e responsável! Parabéns aos chilenos!!


Vanderlei on 18 dezembro, 2017 at 19:11 #

O Chile deu uma demonstração de maturidade democrática. Primeiro por ser uma democracia onde o voto não é obrigatório. Segundo, nos últimos vem experimentando uma alternância no poder, que não vem afetando substancialmente a vida dos chilenos. Não à toa vem sendo qualificado como o melhor país da América do Sul e caminhando para adentrar no “Clube” dos países de primeiro mundo. Avante chilenos!


Vanderlei on 18 dezembro, 2017 at 19:12 #

Segundo, porque nos últimos anos vem experimentando uma alternância no poder,


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