DO G1/ O GLOBO

Sebastián Piñera, ex-presidente conservador e representante da coalização de centro-direita “Vamos Chile”, venceu o segundo turno das eleições presidenciais chilenas deste domingo (17). Ele vai suceder Michelle Bachelet a partir de março do ano que vem.

Aos 99,86% da apuração, Piñera conquistou 54,57% dos votos e seu rival, Alejandro Guillier, 45,43%. Guillier reconheceu uma “dura derrota” e parabenizou Piñera pela vitória.Apoiadores de Sebastián Piñera comemoram durante apuração dos votos do segundo turno presidencial deste domingo no Chile (Foto: Ivan Alvarado/ Reuters) Apoiadores de Sebastián Piñera comemoram durante apuração dos votos do segundo turno presidencial deste domingo no Chile (Foto: Ivan Alvarado/ Reuters)

Ele era visto como o favorito durante a campanha presidencial. No entanto, obteve apenas 36,64% dos votos no primeiro turno – quando Guillier conquistou 22,7% – e a disputa ficou mais acirrada para este segundo turno.

Pelo Twitter, Guillier agradeceu o apoio de seus eleitores: “Obrigado ao povo chileno e às milhões de pessoas que nos entregaram sua confiança. Mas isso não acaba. Seguiremos adiante lutando por direitos sociais. Estamos tranquilos e com a cabeça levantada, já que sem dúvida demos tudo pelos nossos ideais. Milhões de obrigados!”

 

Alejandro Guillier faz discurso em que reconhece derrota no segundo turno presidencial deste domingo (17) no Chile (Foto: Rodrigo Garrido/ Reuters) Alejandro Guillier faz discurso em que reconhece derrota no segundo turno presidencial deste domingo (17) no Chile (Foto: Rodrigo Garrido/ Reuters)

Alejandro Guillier faz discurso em que reconhece derrota no segundo turno presidencial deste domingo (17) no Chile (Foto: Rodrigo Garrido/ Reuters)

Aos 67 anos, o detentor de uma fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões, de acordo com a revista “Forbes”, Piñera era o candidato preferido entre empresários e investidores para comandar os rumos do país.

Com a vitória, ele será o único político de direita a governar o Chile em duas ocasiões. Seu primeiro mandato foi entre 2010 e 2014, quando também sucedeu Bachelet.

 

Raio-X do Chile (Foto: Arte G1) Raio-X do Chile (Foto: Arte G1)

 

 

 

 

 

CRÔNICA

Peitões de Anitta e as dúvidas de Anderson

Janio Ferreira Soares

 

“Oi, meu nome é Anderson, tenho 19 anos e tô em dúvida quanto à minha sexualidade. Digo isso porque quando tava assistindo ao Prêmio Multishow e os peitões de Anitta me olharam como se fossem os olhos do bandido da música de Caetano, tive uma ereção bem ligeirinha. O problema, e isso meu amigo Lívio notou na hora, é que quando Pabllo Vittar surgiu com aquelas coxonas de ema, me deu um comichão muito maior do que os mamilos da minha deusa. Será que sou gay, my god? Tô me achando, juro!

Tenho dois irmãos. O mais velho, Evanilson Pegadão, é motoboy e vive no meu pé só porque tenho um pôster de Rodrigo Hilbert, sem camisa, retalhando um porco. Ele tem é inveja, pensa que não sei? Já Andreiçon, o caçula, é outro nível. Ele adora Aninha Franco e fazia teatro, mas teve que trabalhar pra ajudar lá em casa quando nosso pai perdeu o emprego depois que o Bompreço virou Walmart. Mas agora ele tem que ir pra Sampa fazer aquele curso do Woolf Maia. É que dizem que ele consegue umas pontas lá na Malhação. E não é porque é meu irmão não, mas o pestinha é bom. Mais do que Bruno Flávio, aquele metido que se acha o último siri da moqueca do Yemanjá, só porque numa apresentação das Noviças Rebeldes fez uma gracinha e um dos atores disse que ele tinha jeito pra coisa. Só se for pra porteiro!”.

“Oi, meu nome é Lívio, tenho 18 anos e também ando perdido quanto à minha sexualidade. Meu melhor amigo, Anderson, nem se fala. Às vezes ele até parece hetero, como no dia em que os mamilos de Anitta pularam fora do top. Mas aí, quando Pabllo Vittar entrou com aquelas coxas de avestruz, menino!, ele ficou agitadíssimo, tipo Jean Wyllys encarando Bolsonaro. Aqui pra nós, eu também piro quando Pegadão chega da rua, tira o capacete e acende um Marlboro, estilo Mickey Rourke naquele filme, aquele do gelo na barriga da loira, ai meu Deus, como é o nome? Só de pensar me arrepio todo. Sei não, mas acho que nesse Carnaval vou me acabar atrás do trio de La Mercury”.

“Oi, meu nome é Evanilson, mas me chamam de Pegadão. Sempre gostei de mulher, mas ando sentindo umas coisas estranhas quando desço da moto e Lívio começa a me olhar de um jeito que me deixa todo confuso. Aí acendo um cigarro e vou tomar um ar, mas ele me acompanha com um olhar bem pidão, tipo Travolta paquerando Olivia Newton John em Grease. Tá difícil resistir”.

“Oi, meu nome é Andreiçon, e na verdade nunca quis ser ator. Só entrei nessa porque tava de olho em Bruno Flávio, um colega que fazia teatro com Aninha Franco. Aí entrosei, mas foi só pra ficar perto dele. Agora complicou tudo, pois Anderson quer que eu faça o curso de Wolf Maia. Mas meu sonho é ficar com Bruninho”.

“Oi, eu seria Bruno Flávio, mas acabou o espaço. Só digo uma coisa: Dreiçon é um fofo!”.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

Dá-lhe, Paulinho! Maravilha!!!

BOM DOMINGO E SIGAM TORCENDO PELA VOLTA PLENA DO BP.

(Vitor Hugo Soares)

 

DO EL PAÍS

Carlos E. Cué
Rocío Montes
Buenos Aires / Santiago

Em um país como o Chile, dominado pelo centro político desde que recuperou a democracia, a esquerda mais radical tem relevância quase nula. Mas pela primeira vez ela será decisiva. Caberá a esse grupo definir, neste domingo, o resultado do segundo turno da eleição presidencial, que contrapõe o ex-presidente Sebastián Piñera, um direitista moderado, a Alejandro Guillier, um jornalista e senador de perfil social-democrata. Tudo depende da mobilização do voto esquerdista da Frente Ampla, que obteve 20% no primeiro turno. Se o seu eleitorado comparecer em massa para votar em Guillier e contra Piñera, o progressista terá alguma chance. Do contrário, ganhará o ex-presidente, cujo eleitorado direitista está mais compactado. Guillier recorreu a tudo para estimular esse contingente, incluindo o efeito-surpresa da presença, no comício encerramento da campanha, do uruguaio Pepe Mujica, o personagem mais querido pela esquerda latino-americana na atualidade.

O Chile vive duas realidades paralelas nos últimos dias. De um lado estão a imprensa e o ambiente político e do poder, envolvido como poucas vezes se viu numa batalha com final muito mais incerto do que se previa. Há apenas um mês, imaginava-se que as eleições seriam um passeio para Sebastián Piñera. Mas a decepção do primeiro turno, quando ficou com apenas 36%, bem abaixo dos prognósticos, abriu a possibilidade de uma vitória de Guillier, e o ambiente mudou completamente nesta segunda etapa. O empate técnico nas pesquisas, com ligeira vantagem para Piñera, derivou em uma furiosa batalha midiática na qual parece que o Chile arrisca tudo ou nada neste domingo. Mas, ao mesmo tempo, na outra realidade paralela, está a maioria do país, que decidiu não votar e vive à margem dessa briga. Desde que o voto obrigatório foi eliminado, há seis anos, o Chile tem uma das participações eleitorais mais baixas do mundo, inferior a 50%. E, após várias crises políticas, com escândalos de corrupção e de caixa dois que afetaram todos os partidos, o interesse em votar continua diminuindo.

Por isso, a verdadeira batalha neste domingo consiste em convencer as pessoas a saírem de casa para votar. No primeiro turno, 6,7 milhões de chilenos – apenas 46,7% do eleitorado – exerceram esse direito. A tendência no segundo turno sempre é de aumento da abstenção, porque muita gente não faz questão de ir votar de nariz tampado no que considera ser o menos pior. Guillier só tem alguma chance se a participação não desabar. Além disso, se ganhar precisará dos deputados da Frente Ampla para governar, e por isso o que parecia uma guinada à direita, alinhada com a onda liberal que varre a América do Sul, poderia se transformar em uma curva acentuada à esquerda. Os dirigentes da Frente Ampla pediram o voto em Guillier, mas a conta-gotas, e ele precisa de uma participação maciça desse campo para ganhar. Mujica buscou reforçar esse voto esquerdista no comício de Guillier: “Eu apoio todos os progressistas do mundo, porque passei a vida buscando contribuir para que houvesse um mundo mais igual”.

Tudo mudou em menos de um mês. Se o primeiro turno parecia um plebiscito sobre a presidente centro-esquerdista Michelle Bachelet, muito criticada em diversos setores por algumas reformas progressistas, agora tudo se inverteu, e este segundo turno parece um plebiscito sobre Piñera. Guillier conseguirá surpreender se puder mobilizar um voto antidireita semelhante àquele que no Peru, por exemplo, impediu na reta final e por apenas 40.000 votos a vitória de Keiko Fujimori. Não é fácil, porque no Chile o distanciamento em relação à política é muito forte, e porque Piñera é um moderado, e não um personagem tão odiado como Alberto Fujimori, pai de Keiko. Mas a reviravolta foi tão forte que Bachelet, que há um ano estava em baixa nas pesquisas, agora recuperou um apoio de 40%, fala com orgulho das suas reformas e teve uma grande participação nesta fase da campanha – sendo que antes Guillier fugia da sua imagem.

“Com pesquisas pouco rigorosas se conseguiu criar no Chile um estado de opinião de que o Governo de Bachelet carecia de apoio, que o triunfo da direita seria avassalador. Mas o primeiro turno mostrou que há uma maioria de centro-esquerda que deseja mudanças inclusive mais profundas. O problema é articular essa maioria. Se Guillier ganhar, deveria governar sob o modelo português [onde o Partido Comunista permitiu a posse de um Governo de esquerda, mas sem entrar na coalizão], porque a Frente Ampla não vai entrar no Governo”, diz o analista Ernesto Águila, da Faculdade de Filosofia e Humanidades da Universidade do Chile.

“Será uma eleição apertada, vai depender crucialmente da participação”, afirma Harald Beyer, diretor do Centro de Estudos Públicos (CEP) e ex-ministro da Educação no Governo de Piñera. “Se houver uma redução de 700.000 pessoas no segundo turno, com alto grau de certeza Piñera ganhará. Se cair menos que isso, começa a existir uma possibilidade de que Guillier ganhe”. Beyer acredita que Guillier dificilmente obterá todos os votos do enorme espectro que vai da Democracia Cristã à esquerda. “O voto da Frente Ampla parece ser muito mais heterogêneo do que se acredita. Em muitos eleitores há uma desilusão em relação ao Governo de Bachelet, porque ela não foi capaz de abordar uma agenda que reduziria as fragilidades do processo modernizador chileno. Por isso, não é evidente que se mobilizem para votar em Guillier”, resume.

Eugenio Guzmán, sociólogo e diretor da Faculdade de Governo da Universidade do Desenvolvimento, concorda com essa ideia e acredita que Piñera ganhará. “O apelo dos líderes da Frente Ampla por um voto em Guillier foi muito tíbio, durante meses eles disseram que seu inimigo principal era a Nova Maioria [a coalizão de Guillier]. Há uma parte da Frente Ampla que quer abandonar Guillier, como faz o Podemos com o socialismo na Espanha. Guillier fez todos os acenos possíveis à esquerda, incluindo Mujica, mas é mais difícil para ele”, sentencia.

Jorge Baradit, autor de best-sellers como La Historia Secreta de Chile e muito ativo na mobilização contra Piñera nas redes sociais, acredita que a vinda de Mujica a Santiago foi “um golaço” que dará resultado. “A enorme rejeição a Piñera e o apoio quase aos 45 minutos do segundo tempo de Boric e Jackson [principais líderes da Frente Ampla] indica que o voto deveria ir para Guillier”, afirma. Ainda assim, Baradit concorda com os analistas de que haja um percentual de eleitores que no primeiro turno votou na jornalista Beatriz Sánchez, aspirante presidencial da Frente Ampla, mas não nos candidatos parlamentares desse grupo, e ninguém sabe como esse contingente de eleitores vai se comportar. São eles, esse voto protesto de esquerda descontente com o suposto milagre chileno, que decidem as eleições do domingo, porque todo o resto já parece muito definido.

dez
17
 “Escrava” Luislinda também recorreu a Raquel Dodge por supersalário

Com o pedido negado pela Casa Civil, a “escrava” Luislinda Valois tentou recorrer a Raquel Dodge para receber o pagamento pelos cofres públicos de pelo menos R$ 300 mil, informa a Folha.

Em solicitação, cuja cópia foi obtida pelo jornal por meio da Lei de Acesso à Informação, a ministra dos Direitos Humanos requereu a Michel Temer que consultasse a PGR e a ministra-chefe da AGU, Grace Mendonça, sobre a solicitação.

“O pedido foi enviado no dia 16 de outubro, 13 dias após ela ter solicitado o recebimento de valor retroativo da quantia que foi abatida pelo teto constitucional do acumulado de seu vencimento integral com a aposentadoria de desembargadora pela Bahia.”

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