Coração rubro-negro na mão e a transmissão platinada

Lilian Machado

Desde que eu me entendo por gente, o questionamento sobre a parcialidade nas transmissões de futebol era tema frequente na sala de casa. O senhor Luizinho, meu pai, amante do futebol arte e do Esporte Clube Vitória, com o seu jeito simples desabafava sobre a desvalorização dos clubes nordestinos pelas grandes redes nacionais de comunicação e exaltava a sua paixão rubro-negra, que nunca cessaria, nem mesmo, diante da influência pesada das veiculações vindas do sul maravilha. Nelas cabiam muito mais as emoções do Flamengo e do Corinthians, enquanto nós seríamos os “estranhos no ninho”, em busca de uma chance.

Um misto de angústia, indignação e lembranças como essas passou por mim ontem (domingo), durante a partida entre o Vitória e o Flamengo, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, realizada no Barradão. Sem cogitar como seria a transmissão, – como torcedora só queria saber do meu time – resolvi assistir ao jogo, ligada como muitos telespectadores, na telinha da Globo, como a própria se auto propaga. Bola em campo, torcida agitada, estádio lotado para ver o Vitória. Menções assim eram externadas pelo narrador, além das jogadas e de todo o desenrolar da partida.

Até o primeiro tempo, o jogo era dominado pelos rubro-negros baianos, com muitas trocas de passes e tramas trabalhadas, coroadas no gol de Carlos Eduardo, que brindou com alegria a torcida.

Mas, eis que no segundo tempo, em meio ainda ao êxtase do time baiano, que pressentia a sua permanência fácil na série A, a situação mudou e o Leão que seguia melhor viu o empate nos pés do flamenguista Rafael Vaz. Naquele momento, o torcedor entrava em choque com o grito efusivo do narrador Luiz Roberto. O anúncio do gol do Vitória pelo famoso narrador, tempos antes, não foi tão enfaticamente prolongado, como aquele ocorrido no lance do Flamengo. Até aí, o que poderia parecer um complexo ou uma conspiração de torcedora ficaria claro: O narrador global torcia pelo time carioca.

Daí por diante, a tensão aumentou e o que era mamão com açúcar ficou amargo para os torcedores do Vitória, com doses mordazes que saíam da entonação daquele narrador. Assim, a angústia de quem estava em frente a tela só crescia, virando desespero depois que o jogador Uillian Correia deixou o braço encostar na bola, numa cobrança de falta, dando de presente um pênalti ao Flamengo, convertido pelo jogador Diego. O protesto de uma torcedora que desejava ver mais imparcialidade naquela transmissão era envolvido pela inquietação de quem não queria ver seu time descer para segunda divisão. Aquele coração na mão só ficaria aliviado, depois, ironicamente das notícias chegadas de terras sulinas. De lá diziam que o Chapecoense, aquele time guerreiro, tão amado na cidade de Chapecó ajudara o Vitória a salvar-se da queda. A tranquilidade só viria, enfim, após o apito final com um adeus dos torcedores do Vitória a um torturante 2017 e o fim da transmissão global. Que em 2018 tenhamos um Vitória mais competitivo no Campeonato Brasileiro e uma cobertura futebolística mais igual. Se houver realização desse último voto, todos os torcedores nordestinos agradecerão.

Lílian Machado é Jornalista, ex-repórter da editoria de Política da Tribuna da Bahia, mais de uma vez recebedora do prêmio anual Quintino de Carvalho pela melhor cobertura da Assembleia Legislativa.Texto especial para o BP.

Dá-lhe, Elton!!! Dálhe, Marrom!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


O ministro Antonio Imbassahy (PSDB) ao lado do presidente Michel Temer. UESLEI MARCELINO REUTERS

DO EL PAÍS

Opinião

Fernando Henrique Cardoso

Quando eu era criança havia um ditado que insistia em que “ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Eram tempos do Jeca Tatú, figura mítica que habitava os campos brasileiros. Ainda devem existir jecas-tatus por este mundão afora, mas sua imagem esmaeceu no imaginário brasileiro. Havia o drama dos pés descalços; mesmo no Rio, onde passei a meninice e não havia muita gente descalça, muitos usavam tamancos. O bicho-do-pé era uma preocupação dos que iam às fazendas. Depois veio a leva das “havaianas” e se tornou raro ver gente sem sapato. As saúvas devem continuar existindo…

Mais recentemente, antecedendo a Constituição de 1988 e mesmo depois dela, durante meu governo, as “marchas dos sem-terra” tornaram realidade política a carência de reformas no campo. Bem ou mal fomos distribuindo terras. Somando o que foi feito em meu governo ao que fez o primeiro governo petista, houve, sem alarde, uma “reforma agrária”, se considerarmos a redistribuição de terras. Ao lado disso, houve uma revolução agrícola, com ciência e tecnologia da Embrapa por trás, financiamento mais adequado e audácia empresarial.

Não havia SUS até que os governos pós Constituição de 1988 puseram-no em marcha. Adib Jatene, Cesar Albuquerque, José Serra e Barjas Negri são, dentre outros, nomes a serem lembrados nesta construção. Sem esquecer que foi o grupo dos “sanitaristas” da Constituinte, composto por médicos, geralmente de esquerda, que introduziu a noção de Seguridade e inventou a colaboração público-privado no SUS. É boa a prestação de serviços pelo SUS? Depende, mas ele existe e atende, em tese, os 205 milhões de brasileiros.

Dou esses exemplos que mostram a capacidade que tivemos para enfrentar, mesmo que parcialmente, certos problemas que afligem o povo. Isso nos deve dar ânimo para continuar a acreditar no país.

Duas questões nos desafiam especialmente na atual conjuntura: o desemprego e a desconfiança nos governos. De permeio, o crime organizado e o ódio entre facções políticas, além da corrupção dos que usam colarinho-branco. Acrescente-se que desta vez a “crise” dos governos (financeira e moral) foi gerada internamente. Não há como jogá-la no colo do FMI ou “dos estrangeiros”. É tão nossa quanto a saúva ou o bicho-de-pé. Políticas equivocadas da dupla Lula-Dilma levaram a que depois do “boom” viesse a borrasca: os governos (não só o federal) estão exauridos, o PIB despencou mais de 8% entre 2015 e 2016, a desigualdade voltou a aumentar e o desemprego passou de 4% a 14% em igual período. Embora não faltassem razões jurídicas, foi o descontrole da economia que, no fundo, causou o impeachment, pois atingiu e irritou o povo e levou o Congresso a agir.

Foi para sair do impasse que o governo Temer obteve apoios: para retomar o crescimento da economia (tendo o projeto “Ponte para o Futuro” como roteiro). A despeito de tudo, inclusive da crise moral, o governo vai atravessando o despenhadeiro. Retomou as condições para transformar de retórica em prática viável a exploração do pré-sal, com a reconstituição financeira e moral da Petrobras. Está estabelecendo um plano adequado para as empresas energéticas, deu ímpeto à reforma educativa e assim por diante, sem esquecer-se dos esforços para conter os gastos nos limites do orçamento e das possibilidades de endividamento do Estado.

Não há razão para um partido como o PSDB repudiar o apoio que deu ao governo de transição, nem muito menos para, dentro ou fora do governo, deixar de votar a agenda reformista, que é a do próprio partido. No caso da Previdência, principalmente, as únicas questões cabíveis são: tal ou qual medida aumenta ou diminui os privilégios e, consequentemente, a desigualdade social no país? Nada justifica manter vantagens corporativas nem privilégios. O mesmo vale para uma futura reforma tributária ou para medidas fiscais, que podem doer no bolso de alguns, como é o caso do fim do diferimento de IR nos “fundos fechados”, mas que são justas e necessárias.

Ou nos convencemos de que por trás do desemprego, do ódio político e da violência criminosa está um grau inaceitável de desigualdade, agravado pela crise que nos levou à falta de horizonte, e lutamos contra esta situação, ou pouco caminharemos no futuro. Sem confiança no país, a começar em nós próprios, não há investimento nem crescimento que se sustentem. Esta é, portanto, uma questão coletiva, afeta ao país como um todo e precisa ser tratada como um desafio para o Estado e para a Nação.

A questão central de um partido que nasceu como o PSDB, para se diferenciar da geleia geral que se formou na Constituinte, é a de se distinguir pela afirmação, não pela negação. Não será em função de posições que ocupa ou deixa de ocupar nos governos que se afirmará, mas das bandeiras que simboliza e das políticas que apoia para o Brasil. A hora é de coragem para mostrar como o partido vê o futuro e como colabora para formar uma sociedade melhor (apoiando medidas igualadoras e votando a favor das reformas). Não se trata de questão eleitoral, mas de compromisso com o povo e com o Brasil. A história de um partido não se escreve apenas com manifestos e programas, mas com gestos e com pessoas que simbolizem a mensagem que se quer transmitir. Se o preço para ganhar eleições for o de desfigurar as crenças – no que não creio – melhor ficar com estas e semear para o futuro.

É em nome de sua identidade que o PSDB poderá se desligar do governo que ajudou a formar, mas sem abdicar de suas propostas. É legitimo que um partido escolha dentre seus quadros quem, circunstancialmente, é mais adequado para ser seu candidato à presidência e que lute para alcança-la. Sem “hegemonismos”, pois em um país diverso como o Brasil todo partido precisa de aliados com quem compartilhar o poder e as crenças, o que não subentende a submissão cega nema desmoralização das instituições republicanas.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

‘Gilmar Mendes afrontou a competência de Dias Toffoli’, diz Raquel Dodge

Raquel Dodge entrou hoje com agravo regimental no STF contra a decisão monocrática de Gilmar Mendes que revogou a prisão preventiva de Jacob Barata Filho, informou o site do MPF.

Na mesma peça, a PGR também pede a restauração da prisão preventiva substitutiva do empresário, decretada pela 7ª Vara Federal do Rio.

A procuradora-geral da República alegou incompetência de Gilmar para julgar o pedido de habeas corpus –o HC anterior fora atribuído no STF, por sorteio, a Dias Toffoli, que negou o pedido em 27 de novembro.

Segundo Dodge, por prevenção, a competência para processar e julgar eventuais pedidos relacionados à Operação Cadeia Velha é de Dias Toffoli –foi em decorrência desse critério que ele indeferiu os habeas corpus para Jorge Picciani e Paulo Melo, presos na operação.

Para a PGR, além de Gilmar agir “despido de competência para tanto, afrontou a competência do ministro Dias Toffoli para fazê-lo, em clara ofensa à regra do juiz natural”.


O marqueteiro Renato Pereira, ao lado de sua advogada Danyelle Galvão
Reprodução

DO EL PAÍS

Daniel Haidar

Narradores talentosos conseguem construir histórias à semelhança de uma boneca russa, como se uma trama escondesse outra sucessivamente. Não à toa a proposta de delação do marqueteiro Renato Pereira parece ter virado uma dessas. As declarações do estrategista que se tornou a cara do sucesso eleitoral do PMDB do Rio parecem saída de dentro da delação da Odebrecht contra os principais políticos fluminenses, só que com novas provas e novos crimes. Tem potencial não só de acabar de vez com os planos do partido que dominou a cena no Estado como, de quebra, já criou um novo e delicado imbróglio legal no Supremo Tribunal Federal para a Operação Lava Jato.

Embora sejam raros os casos de delações recusadas pelo Supremo Tribunal Federal na operação – antes de Pereira, só o ex-deputado Pedro Corrêa teve proposta rejeitada pela corte – a situação do marqueteiro pode abrir um precedente para que novas propostas de delação sejam recusadas em sequência, na visão do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Isso porque, depois do acordo firmado entre Pereira e Janot, o ministro Ricardo Lewandowski rejeitou a homologação da delação porque entendeu que o ex-procurador geral concedeu benefícios penais sem que houvesse previsão legal para isso. Pereira tinha conseguido de Janot o perdão judicial em vários crimes narrados, mesma situação do empresário Joesley Batista. E o Supremo Tribunal Federal já tinha deixado essa possibilidade de benefício em aberto no julgamento em plenário que validou a delação da JBS. Mas Lewandowski foi voto derrotado naquela ocasião e agora abriu nova divergência ao analisar o caso do marqueteiro.

A discordância de Lewandowski também trouxe uma situação inédita. Sob o argumento de que já tinham sido publicados na imprensa trechos da delação de Pereira, o magistrado tornou pública a íntegra dos depoimentos, vídeos e documentos do marqueteiro. Se algum delatado não sabia quais riscos corria, a retirada de sigilo da proposta de delação terminou de mostrar quais foram os crimes revelados pelo marqueteiro e facilitou a ocultação de provas pelos criminosos delatados. Pereira ficou sem o bônus do benefício penal, mas arcou com o ônus de ser alcaguete e o Ministério Público avalia que a retirada de sigilo também trouxe risco à segurança da família do marqueteiro.

Com a recusa da delação de Pereira também foram prejudicadas investigações da força tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, de acordo com o procurador Eduardo El Hage. Sem acordo homologado, as revelações podem acabar inutilizadas, porque o Ministério Público Federal tem considerado que não podem ser utilizadas provas e informações obtidas em proposta de delação premiada caso um acordo não seja assinado e homologado. Ou seja, sem homologação, é como se nada existisse a não ser que procuradores descubram as provas por conta própria de outras formas. El Hage criticou a rejeição da homologação, porque a delação do marqueteiro revelaria crimes desconhecidos na área de comunicação do Governo do Rio de Janeiro e da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Em proposta de delação, marqueteiro narra como recebeu pagamento dissimulado para ajudar Pezão
Em proposta de delação, marqueteiro narra como recebeu pagamento dissimulado para ajudar Pezão Reprodução

Os depoimentos iniciais do marqueteiro mal tinham começado a desvelar todos os crimes. Pereira ainda não tinha detalhado como funcionou a guerrilha virtual de apoio ao PMDB nas redes sociais, por exemplo, nem o favorecimento de órgãos de imprensa na publicidade do Governo do Rio de Janeiro, assuntos insinuados na proposta de delação. E o marqueteiro tomou o cuidado de falar apenas que cometeu a prática de “caixa dois” na proposta de delação, como o empresário Emilio Odebrecht chamava de “ajuda” aquilo que procuradores consideravam serem pagamentos de propina. Para os procuradores que analisaram a delação de Pereira, não foram delatados apenas pagamentos de “caixa dois”. Para investigadores, a delação de Pereira trouxe provas de lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública em contratos dos governos Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão – no governo do Rio – e Eduardo Paes – na Prefeitura do Rio. E Paes, mesmo depois da delação da Odebrecht, ainda é cogitado como candidato ao governo do Rio em 2018 – a delação do marqueteiro pode enterrar esses planos.

Cabral, preso e condenado a 72 anos e quatro meses de prisão, já estava em situação comprometedora mesmo sem as revelações do marqueteiro. Mas a delação poderia dar impulso para ações penais contra o ex-prefeito Eduardo Paes e o governador Luiz Fernando Pezão. Não à toa advogados de políticos do PMDB pediram acesso à delação de Pereira logo depois da divulgação da rejeição do acordo por Lewandowski.

No caso do ex-prefeito do Rio, Pereira disse que começou a receber pagamentos em espécie de Paes antes da campanha eleitoral de 2012. Segundo a proposta de delação do marqueteiro, o ex-prefeito “avisou que eu seria procurado por Leandro Azevedo, da Odebrecht, o que de fato ocorreu”. Azevedo já tinha revelado esses pagamentos em acordo de delação premiada. Mas Pereira trouxe provas complementares: e-mails e informações sobre os locais de entrega dos pagamentos. O marqueteiro também revelou os locais em que recebeu pagamentos em espécie de um assessor de Paes, lotado na Prefeitura do Rio, entre agosto e setembro de 2012.
Em proposta de delação, marqueteiro revela acerto com Paes para receber pagamento dissimulado e ajudar na campanha de Pedro Paulo
Em proposta de delação, marqueteiro revela acerto com Paes para receber pagamento dissimulado e ajudar na campanha de Pedro Paulo Reprodução

O marqueteiro também narrou como foram os encontros com Pezão, em seu apartamento, de onde saíram definições para receber pagamentos dissimulados em 2014. Pereira disse que recebeu pelo menos 5 milhões de reais da construtora Andrade Gutierrez, que foram repassados por ordem de Pezão. Segundo o marqueteiro, Pezão tinha combinado esses repasses com o empresário Sérgio Andrade, sócio da Andrade Gutierrez.

Mesmo no auge da Operação Lava Jato, na campanha de 2016, Pereira disse que voltou a receber pagamentos dissimulados. O marqueteiro contou, na proposta de delação, que ganhou cerca de 180 mil reais por mês, em espécie, antes da campanha oficial, pouco depois de uma reunião em março de 2015 com Paes e seu candidato à sucessão, o deputado Pedro Paulo Carvalho Teixeira (PMDB). O dinheiro também foi entregue por funcionários da Prefeitura, de acordo com o marqueteiro. Antes da campanha oficial, Pereira disse que também recebeu um pagamento, combinado com Paes, do empresário Jacob Barata, hoje um dos presos da Operação Lava Jato.

“Diante disso, em maio de 2016, fui chamado à Prefeitura para discutir o pagamento das parcelas referentes aos três últimos meses de pré-campanha, à produção de filmes para o PMDB e a despesas extras. Nessa oportunidade, Eduardo Paes consultou-me sobre a possibilidade de realizar um último pagamento via caixa dois, com o objetivo de sanar todas as despesas pendentes (cerca de dois milhões de reais) com um único empresário, o sr. Jacob Barata, do Grupo Guanabara”, afirmou em proposta de delação. “Dias depois, enquanto estava viajando, recebi mensagem de Eduardo Paes via Wickr solicitando que uma pessoa da Prole fosse buscar um milhão de reais em espécie na sede da Guanabara Diesel, na Avenida do Brasil”, acrescentou.

O marqueteiro também delatou que recebeu pagamentos dissimulados para ajudar a senadora Marta Suplicy (PMDB) e que foi beneficiado em licitação pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf (PMDB), com quem combinou o resultado. Na Fiesp, Pereira fez a campanha “quem vai pagar o pato?”, que colocou um pato de borracha na Avenida Paulista.

Ao falar de todos os pagamentos delatados, o marqueteiro disse que eram oriundos de serviços de campanha, mesmo fora de anos eleitorais. Justificou que fazia serviços eleitorais para Paes e Pezão mesmo antes das campanhas oficiais. Mas, na avaliação de procuradores, a situação é mais complicada do que o simples “caixa dois”, porque houve ocultação da origem desses pagamentos e o marqueteiro disse que participou de fraudes e combinações de resultados de licitações na Prefeitura do Rio e no Governo do Rio, antes e depois das campanhas.

O marqueteiro João Santana também tinha a versão de que só recebeu pagamentos de “caixa dois” e que usou todos esses recursos para saldar dívidas de campanhas, mas acabou condenado por lavagem de dinheiro pelo juiz Sérgio Moro. Para complicar a situação dos políticos, foi nesse processo de Santana que o tesoureiro João Vaccari Neto, do PT, acabou condenado pela primeira vez em segunda instância por intermediar o repasse de dinheiro de um empresário para Santana. Se adotados os mesmos critérios que condenaram Vaccari e Santana, os políticos do PMDB precisam torcer para continuar inútil a delação do marqueteiro.

dez
05
Posted on 05-12-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-12-2017


Son Salvador, no jornal Estado de Minas

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