DO EL PAÍS

Opinião

Por que a candidatura de Bolsonaro não é piada

Juan Arias

Da maneira como vão as coisas, muito deveria mudar na dinâmica das eleições presidenciais para que o ex-paraquedista e ultraconservador Jair Bolsonaro não consiga chegar ao segundo turno. De acordo com quem for seu adversário, e se Lula não puder concorrer, podem acontecer surpresas. Hoje a esquerda sozinha não tem força para freá-lo, e a direita do Governo esta desacreditada ante a sociedade, enquanto as candidaturas de fora da política vão perdendo força.

Mais do que puro folclore, a candidatura de Bolsonaro aparece como catalisadora de frustrações de uma certa sociedade com medo da violência. Existe confiança excessiva no lema “não é possível que um Bolsonaro chegue ao poder no Brasil”. Isso foi dito sobre Trump nos Estados Unidos e antes com Berlusconi na Itália, que chegou ao poder na esteira da operação Mani Pulite contra a corrupção. E na França, caso não surgisse a novidade Macron, é possível que os seguidores ultradireitistas de Le Pen estivessem hoje governando no coração da Europa.

A candidatura de Bolsonaro, sem alguém capaz de capitalizar de forma positiva as esperanças de um país desacreditado para unificá-lo e entusiasmá-lo com o futuro, pode ser menos inócua do que se pensa. Foi chamada de folclórica, dentro do tumultuado cenário político. Não é. Consciente ou não, o militar viu confluir em sua candidatura várias correntes que juntas podem criar problemas aos outros candidatos. A primeira é que se apresenta como o fiador da segurança da população e de maneiras drásticas: “a violência se combate com violência”, “os policiais têm as armas para matar”, disse. E o medo e a violência atravessam todas as classes sociais. Hoje ninguém se sente seguro em um dos países mais violentos do mundo como é o Brasil, o simples cidadão e o que anda blindado.

Os governos, todos, minimizaram no passado o problema da insegurança social, muitas vezes por simples ideologia. Até agora a esquerda e a direita não fizeram da segurança um assunto prioritário em relação a outros problemas. Existiram líderes políticos que chegaram a defender que os bandidos são proletários, já que se originam das classes pobres. Pouco ou nada fizeram contra o crime organizado que se introduziu nas dobras do Estado, contra o desvio das forças policiais aliadas ao tráfico, contra o inferno das prisões, como se a violência fosse um destino para o Brasil, com mais mortes violentas do que algumas guerras internacionais. Tudo isso criou um clima de medo e insegurança, que Bolsonaro sabe explorar como poucos, com sua paixão pelas armas, suas promessas de armar a população e seu lema de que “o melhor bandido é o bandido morto”. Nos Estados Unidos experimentou uma arma que é capaz de matar com um só tiro. Voltou entusiasmado. O verbo matar é prioritário em seu vocabulário pessoal.

Outro afluente aproveitado por Bolsonaro é a sensação de que a corrupção está sangrando o país. Não por acaso uma das instituições hoje melhor avaliadas é a dos promotores e juízes que estão combatendo a corrupção. Juízes como Moro e Bretas apresentam um dos maiores índices de aprovação popular. E Bolsonaro aparece como um dos poucos políticos que não está em nenhuma das listas negras dos corruptos. Por isso pode gabar-se de que, se for eleito, será o maior defensor da Lava Jato e até escolheria Moro como membro do Supremo Tribunal Federal. Que outro candidato teria hoje o valor de se apresentar como o defensor da Lava Jato?

Bolsonaro tomou para si o lema popular de que “é preciso colocar ordem nesse país” que está sendo engolido pela corrupção e a violência enquanto perde seus valores morais. Dessa forma, amealha também a faixa de consensos dos nostálgicos da ditadura militar, que não sabemos ainda quantos são, mas que não parecem ser poucos, até mesmo entre os jovens. Bolsonaro já anunciou que tem quatro nomes de generais para possíveis ministros de seu governo. Um poderia ser para o Ministério da Justiça. Satisfaz também os desejos de vingança contra os corruptos de uma sociedade que não acredita na possibilidade de que políticos e empresários possam estar por muito tempo na prisão, em que alguns chegam a pedir pena de morte para eles. Ninguém melhor nesse caso do que o candidato Bolsonaro, cujo escudo de nobreza pode ser uma metralhadora, capaz de encarnar essas vísceras da sociedade em busca de castigos definitivos aos corruptos.

Mas há mais. O ex-paraquedista, que não parece estar preparado em nenhuma das matérias importantes para governar, tem a seu favor a defesa dos valores tradicionais da família, reunindo assim o consenso das poderosas igrejas mais conservadoras. Já se prevê um pastor como seu vice. Conta também com a recusa de se valer do politicamente correto, começando por sua linguagem radical com que defende a tortura, a pena de morte, a cura gay, a zombaria com o estupro, o machismo em todos os seus graus e com sua férrea oposição a qualquer motivação para que a mulher possa ter licitamente o direito a abortar. O ex-militar é, também, dos poucos candidatos que podem prescindir da ajuda dos grandes veículos de comunicação porque sabe manejar como poucos as redes sociais nas quais supera todos os seus contendentes. E nessas eleições, de acordo com os especialistas, as redes serão, como nunca no passado, um elemento crucial para influenciar o voto. E não é impossível que nessas redes possa receber uma ajuda da Rússia, como deram a Trump, ajuda que foi fundamental a sua vitória.

A candidatura do ex-paraquedista não pode ser vista como uma brincadeira. Quem não deseja para o Brasil a volta ao obscurantismo civil e cultural e velhos autoritarismos não deve minimizá-la. Não serão as armas, a sede de vingança e a caça aos diferentes que construirão um Brasil de que ninguém possa se envergonhar amanhã.

Magnífico “Polaco” Goyeneche. Melhor interpretando “Madame Yvonne, só Gardel. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


DO G1/JORNAL NACIONAL

Por Camila Bomfim, TV Globo, Brasília

A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre as malas com R$ 51 milhões encontradas em um apartamento em Salvador apelidado de “bunker” e concluiu que há indícios de crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa cometidos pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, o irmão dele, deputado Lúcio Vieira Lima e mais três pessoas.

O relatório do inquérito com essas conclusões foi enviado ao gabinete do ministro Luís Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal .

O dinheiro é atribuído por investigadores ao ex-ministro Geddel. Além dele e do irmão Lúcio, a PF imputa as mesmas acusações ao ex-assessor do deputado Job Ribeiro; à mãe de Geddel e Lúcio, Marluce Vieira Lima; e a Gustavo Ferraz, aliado de Geddel.

A TV Globo apurou que deve ser instaurado um inquérito separado para apurar prática de peculato (crime cometido por servidor público no exercício da função) em relação à devolução ao deputado de parte dos salários do ex-assessor Job Ribeiro, conforme o próprio revelou à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal.

Ao G1, o advogado Gamil Foppel, responsável pela defesa dos Vieira Lima, afirmou que não iria comentar o indiciamento dos clientes porque ainda não teve acesso à conclusão do inquérito.

“Não posso comentar reportagem. Não posso comentar o que eu não tive acesso. Caso contrário, estaria apenas sofismando”, disse o criminalista.

Na investigação sobre os R$ 51 milhões, o próximo passo agora é a Procuradoria Geral da República decidir se denuncia ou não os envolvidos.

A TV Globo apurou que, na procuradoria, a conclusão é que há elementos suficientes para se fazer a acusação formal contra a família Vieira Lima. E que os indícios são “contundentes” sobre o crime de lavagem.

Origem do dinheiro

A PF registrou que nenhum documento foi apresentado às autoridades para justificar uma origem legal do dinheiro, que Geddel se valeu do direito de permanecer em silêncio no depoimento e Lucio Vieira Lima não compareceu para depor.

Segundo a PF as possíveis fontes do dinheiro são:

Recursos financeiros em espécie oriundos de atividades ilícitas praticadas contra a Caixa Econômica Federal;
Apropriação indevida de recursos da Câmara dos Deputados por desvios de salários de secretários parlamentares (peculato);
Caixa 2 em campanhas eleitorais
Possível participação de Lúcio Vieira Lima em ilicitudes relacionadas a medidas legislativas
Participação de Geddel Vieira Lima em organização criminosa (inquérito que investiga se políticos do PMDB se associaram para desviar dinheiro de órgãos públicos).

A investigação destaca ainda que um relatório do Banco Central , feito a pedido da PF, registra que a “quase totalidade das cédulas identificadas foram distribuídas a partir do Banco do Brasil em São Paulo, no período de 2012 a 2015”.

Lavagem de dinheiro

Sobre os indícios do crime de lavagem, a PF concluiu: “ entendemos que todos aqueles envolvidos na criação ou utilização de subterfúgios para fazer transporte, recepção, ocultação e posteriormente distribuição de valores obtidos de forma ilícita pagos, cometem o crime de lavagem de dinheiro”.

O relatório também afirma que não é “crível” que alguém guardasse R$ 51 milhões se a origem fosse legal, “muito menos se tratando de duas figuras públicas (Geddel e Lúcio)”.

Gustavo Ferraz

Nesta terça-feira (28), os depoimentos à Polícia Federal do ex-diretor-geral da Defesa Civil de Salvador Gustavo Ferraz foram disponibilizados no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal.

O teor dos depoimentos já havia sido divulgado em setembro pelo jornal “O Globo”.

À PF, Ferraz confirmou que em 2012 buscou dinheiro em São Paulo a mando de Geddel. Segundo ele, o ex-ministro afirmou que a quantia era uma doação de campanha ao PMDB baiano, do qual Geddel era presidente.

Além disso, narrou que Geddel disse que o dinheiro seria usado nas campanhas para prefeito e vereadores do PMDB na Bahia. Após buscar a mala com o dinheiro em São Paulo, Gustavo Ferraz disse que voltou para Salvador em um avião fretado.

Chegando à capital baiana, Ferraz disse à PF que entregou o dinheiro à Geddel, que abriu a mala e retirou alguns pacotes com notas de R$ 50 e R$ 100. Ferraz afirmou, porém, que não sabe precisar a quantia.

Ele afirmou ainda que acredita que suas digitais foram parar no dinheiro apreendido pela PF nesse dia.

No final do depoimento, Ferraz afirmou que se sentiu “traído” por Geddel por ele ter ficado com o dinheiro que, segundo havia dito, seria para campanhas do PMDB.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Bertoldo Brecha no Conselho de Ética da Alerj

André Lazaroni, aliado de Jorge Picciani, foi eleito hoje o novo presidente do Conselho de Ética da Alerj, na vaga de Edson Albertassi –que foi preso juntamente com Picciani.

O deputado e ex-secretário estadual de Cultura do Rio é aquele que confundiu Bertolt Brecht com Bertoldo Brecha no dia da votação da Assembleia que decidiu libertar Picciani, Albertassi e Paulo Melo.

A Escolinha do Professor Picciani continua dando as cartas na Alerj.

nov
29
Posted on 29-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-11-2017


Aroeira, no jornal O Dia (RJ)

Familiares das vítimas ainda esperam por indenização. Reuters

DO EL PAÍS

Breiller Pires

São Paulo

Na próxima quarta-feira, dia 29 de novembro, Osmar Machado, de cabelos grisalhos e olheiras bem marcadas, completa 67 anos. No mesmo dia de seu último aniversário, ele recebeu a notícia ainda pela madrugada de que o filho, Filipe Machado, de 32 anos, estava entre os 71 mortos da queda do avião da Chapecoense, na Colômbia. Desde então, o pai do zagueiro tem passado noites em claro atormentado por um sentimento de injustiça. “As pessoas e o clube ganharam dinheiro com a tragédia, enquanto nós, os familiares das vítimas, fomos jogados para escanteio. Estamos esquecidos”, desabafa Machado. Passado um ano do acidente, só as famílias dos 19 jogadores mortos receberam um seguro e, mesmo assim, ainda esperam as indenizações ao lado dos familiares das demais vítimas que não receberam nada até agora. Eles tampouco sabem quem são os responsáveis pelas negligências que levaram a aeronave a ficar sem combustível e despencar nas montanhas colombianas.

Contratada pela Chapecoense para fretar o voo a Medellín, onde o time de Santa Catarina enfrentaria o Atlético Nacional, na final da Copa Sul-Americana, a empresa boliviana LaMia se encontra em um “deserto jurídico”, de acordo com a definição especialistas que acompanham o caso. Como o piloto Miguel Quiroga, que também era apontado como proprietário da companhia aérea, tal qual seu sócio Marco Antonio Rocha Venegas, que está foragido, autoridades de Brasil, Bolívia e Colômbia envolvidas nas investigações têm dificuldades em apontar os culpados pela tragédia. Até o momento, além de Venegas, foram indiciados outros quatro bolivianos: dois operadores do aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, que aprovaram o plano de voo irregular da LaMia, o diretor da companhia Gustavo Vargas Gamboa e seu filho Gustavo Vargas Villegas, integrante da cúpula de aviação civil da Bolívia. Os Vargas são os únicos que já foram detidos em todo o processo, mas hoje cumprem prisão domiciliar. Eles rechaçam ter qualquer participação no quadro de sócios da LaMia.

Em outubro, o Ministério Público Federal de Santa Catarina revelou indícios de que a empresa aérea pertença, de fato, a Loredana Albacete, filha do ex-senador venezuelano Ricardo Albacete. Ele era o verdadeiro dono do avião que transportava a delegação da Chapecoense, que supostamente estava arrendado à LaMia. Por envolver documentos de vários países, a complexa investigação caminha a passo lento e, por enquanto, a família Albacete não foi indiciada pelas autoridades. No Brasil, a única conclusão do Ministério Público é de que a Chapecoense não tem culpa pelo acidente. Familiares alegam que o clube teria sido imprudente ao contratar a LaMia para transportar a delegação em rotas internacionais. Porém, os procuradores entendem que não há irregularidades nos contratos firmados entre o clube e a empresa boliviana, que também operou voos da seleção argentina em jogos das Eliminatórias sul-americanas.

Depois do acidente, a relação da Chapecoense com os familiares das vítimas ficou estremecida. O clube responde a 17 ações trabalhistas e três cíveis. Há quem acuse o clube de abandono e de espetacularizar a tragédia ao negociar a produção de filmes e documentários sobre o voo fatídico que mudou sua história. Há quem entenda a necessidade de buscar receitas para se reerguer e evite processar a Chape. Em nome da conciliação de interesses, foram criadas duas associações para cobrar punição aos responsáveis pelo acidente e, consequentemente, as indenizações que as famílias ainda não receberam. A primeira é a Associação Brasileira das Vítimas do Acidente com a Chapecoense (ABRAVIC), que busca prestar auxilio imediato a familiares desamparados. A outra se trata da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da Chapecoense (AFAV-C), mais dedicada ao processo pelas indenizações.
Fabienne Belle, presidente da AFAV-C. ampliar foto
Fabienne Belle, presidente da AFAV-C. NELSON ALMEIDA AFP

Ambas têm se reaproximado do clube nos últimos meses. No início de novembro, a ABRAVIC anunciou um acordo com a diretoria da Chapecoense para destinar 29.000 reais (7.300 euros) por mês, até outubro de 2018, que serão divididos entre as famílias como auxílio-saúde. No último dia 21, a AFAV-C se reuniu com advogados da Chape para definir os próximos passos, que podem resultar em uma ação coletiva na Justiça brasileira. “Ainda não temos a quem processar. É um processo complexo, que envolve burocracias e legislações de três países diferentes. Praticamente não houve evoluções e existe o risco de os prazos processuais expirarem. Estamos vivendo essa angústia desde o acidente”, conta Fabienne Belle, presidente da AFAV-C e esposa do fisiologista Luiz Cesar Martins, que morreu na tragédia. Até o ex-jogador e hoje senador Romário se mobilizou para tentar auxiliar a associação a agilizar os trâmites burocráticos. O Ministério Público boliviano tem mais sete meses para concluir as investigações.

A seguradora Bisa, que tinha contrato com a LaMia, se recusa a pagar integralmente o valor da apólice do seguro, estipulada em 80 milhões de reais (20,8 milhões de euros), por entender que uma falha humana – do piloto, que errou o cálculo de combustível – causou o acidente. Na última reunião com representantes das vítimas, a Bisa ofereceu um acordo em que pagaria 645.000 reais (168.000 euros) a cada família. A proposta foi rejeitada. Por enquanto, os únicos recursos recebidos pelos familiares provêm da divisão da renda de amistosos realizados pelo clube, como o Troféu Joan Gamper, a convite do Barcelona, e, no caso de parentes dos jogadores que morreram, seguros contratados pela Chapecoense e Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Por outro lado, depois de alguns contratempos, como a eliminação da Copa Libertadores pela escalação irregular do zagueiro Luiz Otávio e a demissão de dois treinadores, a Chapecoense conseguiu cumprir seu principal objetivo dentro de campo: permanecer na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Na última rodada da competição, que será disputada no próximo domingo, a equipe catarinense tem até mesmo a chance de conquistar vaga na Libertadores – dependendo de uma combinação de resultados. “Cheguei ao clube e tínhamos apenas dois jogadores no vestiário”, diz o diretor executivo Rui Costa, contratado em dezembro, após o acidente. “Montamos um elenco em 20 dias e, apesar de todas as dificuldades, cumprimos nossa meta. Não fosse por toda essa tragédia que abalou o clube, o ano teria sido muito feliz para a Chapecoense.”

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