Piñera x Guillier: a hora do vamos ver no Chile…


…e Michelle Bachelet: no comando até passar a faixa.

ARTIGO DA SEMANA

Piñera, empresário, Guillier, jornalista: Chile de Bachelet na hora do vamos ver

Vitor Hugo Soares

Domingo passado, apuradas as urnas do primeiro turno das eleições presidenciais no Chile, o jogo embolou com vistas à volta eleitoral decisiva, marcada para 17 de dezembro que vem. De um lado, o oposicionista Sebastián Piñera – bem sucedido empresário, com doutorado em Harvard, dono da terceira fortuna do país (dados da Forbes), que já governou o Chile e agora tenta retornar ao La Moneda no comando da frente de centro – direita chamada “Chile Vamos”.

Do outro lado está o governista Alexjandro Guillier: jornalista, sociólogo e ex- apresentador de televisão. Com 64 anos de idade, ele ingressou na política há apenas quatro, como senador independente, depois de exercer, durante três décadas, uma das mais bem sucedidas carreiras no jornalismo chileno. Nome do peito da mandatária Michelle Bachelet, ele representa seis partidos da coalizão de centro – esquerda “Nova Maioria”, que se constituiu na grande surpresa eleitoral de domingo, ao conquistar votação bem acima das expectativas das pesquisas e dos “videntes” da política. Ao contrário do adversário, dado como praticamente eleito, antes da abertura das urnas .

Na altiva a sempre surpreendente nação, que floresce entre a Cordilheira dos Andes e a Costa do Pacífico, o primeiro turno da eleição terminou em imprevisto evidente para a oposição no Chile. Prestes a transformar – se no primeiro país de primeiro mundo, na América Latina, – graças aos abonadores índices de desenvolvimento econômico dos últimos tempos, (incluindo os do Governo Piñera), associados a crescentes e renovadas conquistas no campo do desenvolvimento humano e bem estar social – prevaleceu um antigo ditado da política brasileira: “Da cabeça de juiz, da barriga de grávida ou da bunda de neném, ninguém pode antecipar o que virá”.

Digo, ao estilo do jornalista Sebastião Nery, no texto antológico de apresentação do livro “Rompendo o Cerco” – coletânea de discursos, melhores frases e o Decálogo do Estadista, de Ulysses Guimarães: ninguém me contou, eu vi. Estive lá no começo do atual mandato de Bachelet, cuja sucessão agora está em jogo e cuja decisão que se aproxima ganha diferentes contornos, nesta hora do vamos ver quem tem farinha para vender na feira, como dizia Leonel Brizola. Gostaria muito de acompanhar tudo bem de perto. Porém à distância – na beirada atlântica da Baia de Todos os Santos -, sigo, com interesse crescente, o empolgante e agora mais imprevisível, ainda, embate político e eleitoral na pátria dos Mapuches, de Pablo Neruda, de Gabriela Mistral, e de meu querido compadre Oscar Vallejos, lá em sua linda Valparaiso, um dos epicentros do terremoto da nova campanha presidencial.

Pena a irrelevância factual e analítica (até aqui quase desprezo completo) com que a imprensa brasileira, em geral, e particularmente o nosso jornalismo político, em sua cobertura internacional, tem tratado acontecimento tão relevante e crucial na vida democrática do continente. Em outros países, e noutros continentes do planeta, as eleições chilenas recebem espaços condizentes com a relevância do fato. No Brasil, infelizmente, até as presepadas e embustes do decrépito e sanguinário ditador Robert Mugabe, do Zinbabwe, tem tido mais espaço e atenção, de nossos maiores e melhores veículos de comunicação, que a exemplar campanha eleitoral no Chile.

Estive em Santiago pouco depois da socialista Michelle Bachelet retornar ao mando no Palácio La Moneda, ao derrotar Piñera nas urnas e dele receber de volta a faixa presidencial. Algo possível, ao inverso, de se repetir agora.

Guillier, no auge de seu prestigio como homem de TV – âncora do principal noticiário da televisão privada e apresentador de “Factor”, programa que bombava na preferência do qualificado público chileno – praticamente abandonava a carreira de sucesso, depois de eleito para assumir o seu primeiro mandato de senador da República. De certa maneira já se desenhava ali o cenário da atual sucessão no país andino. E Guillier começava a se projetar como o favorito da mandatária. É verdade que, então, no plano político, Bachelet era flechada por todos os lados e comia o pão que o diabo amassou, nas críticas aos padrões éticos de seu governo, principalmente depois que explodiu o escândalo que envolvia seu filho, diretamente, em denúncias de corrupção e malfeitos. Episódio, aliás, frequente e duramente lembrado pelo opositor Piñera em seus comícios e debates no primeiro turno.

No plano econômico e da gestão, no entanto, o Chile, sob o comando da socialista, seguiu dando saltos importantes e impressionantes. Neste terreno, são risíveis algumas comparações do quadro chileno em relação ao Brasil, como tantos pretendem e espalham, maldosa ou cretinamente. Basta ver as cenas deprimentes desta semana no Rio de Janeiro, sem governo “e sem lei”, como qualificou a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, com três ex-governadores na cadeia; a vergonha da notícia da criança que desmaiou de fome numa escola, em Brasília, a poucos quilômetros (ou metros?) do Palácio do Planalto; ou da violência mais brutal e crescente revelada nas notícias dos “confrontos” e das chacinas em São Paulo ou Salvador.

Na capital chilena fiquei hospedado em um hotel no bairro de Las Condes. Área urbana de padrões internacionais de segurança pública comparáveis às mais seguras metrópoles do planeta. Aonde se pode caminhar livremente e sem medo pelas ruas e calçadas, sem temor de assaltos, arrastões, bala perdida ou agressões. Com aquela incrível sensação de conforto e liberdade que há bastante tempo perdemos por aqui, em qualquer capital ou cidade de médio porte do país. Em Santiago, mesmo à noite, o gozo civilizado de cidadãos que podem caminhar (sozinho ou em grupo) por mais de quilômetro de volta ao hotel, depois de jantar, ou de uma farra regada a vinho num bar qualquer, sem tomar um susto sequer. Sensação quase igual nas idas ao centro histórico, aos bairros da boemia intelectual (tipo Leblon, no Rio, ou Barra e Rio Vermelho, na capital baiana), ou mesmo na área de periferia próxima ao novo e moderníssimo aeroporto da capital chilena.

Para encurtar a história, o fato é que Sebastián Piñera, que ocupou a presidência entre 2010 e 2014, decantado como favorito durante a campanha, obteve 36,64% dos votos no primeiro turno. Guillier alcançou 22,70%. Quando poucos (salvo ele próprio e Bachelet) apostavam que o ex – jornalista poderia passar dos 15%. Lição das urnas que faz agora Piñera, seus apoiadores e marqueteiros calçarem as sandálias da modéstia, rever planos, tentar alianças antes inadmissíveis e amansar a retórica de ataques diretos a Bachelet, começando por lembrar, nesta quinta-feira, que ela “é a presidente de todos os chilenos e não de um candidato, de um partido ou de um grupo”. Novo discurso em busca de novos apoios e muito mais votos necessários à vitória que, o próprio candidato reconhece, ficou bem mais difícil.

No comando da campanha de Guillier, no Palácio La Moneda, ocupado por Bachelet, e entre os nomes fortes da estratégia política e eleitoral de seu governo respira-se ares bem mais amenos e propícios, diante das novas e mais amplas possibilidades de alianças que se abrem com forças já fora de combate no primeiro turno do pleito. Da rua chegam os gritos que começam a virar palavra de ordem da centro-esquerda no Chile: “Por amor a Bachelet, votaremos em Guillier”.

O resto a conferir.

Vitor Hugo Doares é jornalista, editor do site blog Bahia em Paua. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

nov
25


Luciano Huck durante visita ao Haiti. Divulgação

DO EL PAÍS

Gil Alessi

São Paulo

Eleições de 2018: o país está dividido entre um ex-presidente de esquerda condenado pela Lava Jato e um candidato de extrema direita saudoso da ditadura militar. Nisso surge “o novo”, um candidato de centro com rosto conhecido da TV, e neutraliza os “radicalismos” de Lula e Jair Bolsonaro, atuais líderes nas pesquisas. Teria sensibilidade para entender as demandas econômicas do mercado financeiro, sem deixar de lado o apelo social dos menos abastados. Este é o roteiro que muitos querem para o pleito do ano que vem, que seria estrelado pelo apresentador da Rede Globo Luciano Huck – criador do bordão “loucura, loucura, loucura”. Ele se reuniu recentemente com o presidente do PPS, Roberto Freire, e com representantes do DEM.

A possibilidade do apresentador disputar as eleições ganhou força depois que a pré-candidatura do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), que já havia se auto intitulado como “o novo” na política, começar a fazer água nas pesquisas — o tucano já admite que deixou para trás o sonho de ser presidente e que gostaria de disputar o Governo do Estado ao invés do Planalto. O global, por sua vez, conta com 60% de aprovação, de acordo com pesquisa do Instituto Ipsos divulgada nesta quinta-feira — que não era, no entanto, um levantamento de intenção de votos, mas uma percepção dos entrevistados para a pergunta “Vou ler o nome de alguns políticos e gostaria de saber se o senhor(a) aprova ou desaprova a maneira como eles vêm atuando no país”. Na lista estavam Lula, Bolsonaro, Doria e outros presidenciáveis, além do juiz Sergio Moro e do ex-ministro do Supremo, Joaquim Barbosa. Huck superava a todos, alguns com folga, como o nome do prefeito paulistano, que só soma 19% de aprovação.

O nome de Huck cresceu nos balões de ensaio da política – nome que se dá quando alguém é apresentado publicamente como possível candidato para ver a aceitação do público e do establishment — este ano desde que concedeu uma entrevista em março à Folha de S. Paulo, em que enfatiza a necessidade de a sua geração assumir postos chaves na política. Mas na mesma entrevista foi questionado sobre um desejo seu, explicitado dez anos atrás, de um dia ser presidente do Brasil.

– Há dez anos você declarou que poderia se lançar à Presidência no futuro. Esse momento chegou?

Huck se esquivou, mas sua resposta não foi um “não” definitivo. “Esta é sempre a pergunta pegadinha. Não dá para responder na atual conjuntura. Falando seriamente, nossa geração chegou a um momento em que tem capacidade, saúde, força de trabalho, relevância, influência. Quem entrou na faculdade em 1990 está chegando agora aos espaços de poder. Faço parte desta geração. Estamos vivendo um trauma moral e ético que se soubermos capitalizar para o bem, tenho convicção de que daqui a 10, 20, 30 anos vamos ter um país de fato diferente e mais justo.”

Desde então, as especulações sobe seu nome cresceram, inclusive com a legitimidade de nomes tradicionais da política, como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que disse numa entrevista em maio que Huck representava o “novo” como alternativa neste momento em que a política busca saídas para o desprezo popular.

Mas Huck sempre tratou de desmentir, quando perguntado, dizendo que podia ajudar participando do lado de fora e como figura pública, que tem milhões de seguidores em redes sociais, e a audiência de 18 milhões de pessoas todos os sábados no Caldeirão do Huck. Em outubro deste ano, afirmou ter interesse em “participar deste processo de renovação política no Brasil”, como escreveu em sua coluna na Folha de S.Paulo. Mais adiante no texto, no entanto, ele diz continuar “achando que, de onde estou, fora do dia a dia da política, minha contribuição pode ser mais efetiva e relevante”.

O global também ganhou holofotes depois de, ao lado de outro empresários de peso como Abílio Diniz, entrar como fiador da criação de um fundo cívico com o objetivo de fomentar e formar novos quadros da política nacional.

Assim como Aécio em 2011, Huck também teve a habilitação apreendida durante uma blitz da Lei Seca, em 2012, no Rio de Janeiro

Vive, também, a pressão de alguns partidos, como o PPS, que espera a sua filiação neste ano. Apesar de ainda manter o rótulo de balão de ensaio, diante do cenário eleitoral que se desenha a partir das pesquisas mais recentes, Huck poderia embalar uma candidatura palatável que traria a reboque nomes de total prestígio no mercado financeiro, como o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso e sócio da Gávea Investimento. Fraga, inclusive, está ao lado do global no fundo cívico.

Além da aproximação com partidos políticos, o global também tem se articulado com integrantes do Agora!, entidade formada por acadêmicos e membros do terceiro setor que se autodenomina um “movimento cívico que pretende impactar a agenda pública e a ação política a partir de cidadãos comuns”. Huck integra a lista de membros, mas não teve participação ativa na entidade até o momento. O endosso a uma candidatura do apresentador por parte do movimento ainda não é oficial, mas alguns quadros do Agora! já sinalizaram que existe essa possibilidade. Embora popular, seu nome não chega a ser uma unanimidade. A movimentação em prol dele fez, por exemplo, com que um dos fundadores do grupo, o ativista e produtor cultura Alê Youssef, anunciasse sua desfiliação.

Nos Estados Unidos o fenômeno do entretenimento invadir a política não é novo – o ex-presidente Ronald Reagan, morto em 2004, teve uma carreira prolífica como ator de filmes de faroeste antes de assumir a Casa Branca, e o Arnold Schwarzenegger, o Exterminador do Futuro, se elegeu governador da Califórnia. O próprio Donald Trump ganhou boa parte da sua fama quando apresentou um programa de TV. O Brasil, porém, não tem um histórico de celebridades no Executivo. Mas se existe algo com o que todos concordam, é que no Brasil dos tempos atuais, tudo pode acontecer.

Por ora, o nome de Huck embala as conversas de potenciais adversários. Doria e Aécio Neves já desdenharam seu nome, e nesta semana, foi a vez do ex-presidente Lula. O petista disse que “adoraria” disputar as eleições contra alguém que tem o “logotipo da Globo na testa”. As provocações, que cresceram com o resultado da pesquisa Ipsos, devem forçar Huck a se posicionar de uma vez por todas. Ele, de fato, não terá muito tempo para decidir. A Globo fez circular internamente uma diretriz: funcionários que pretendem disputar o pleito serão afastados a partir de dezembro, e precisam tomar uma decisão em breve.

Do ponto de vista dos negócios, suas empresas patinaram diversas vezes quando o assunto foi racismo ou meio-ambiente

É inegável que o apresentador tem alguns trunfos na manga para uma eventual disputa. O principal deles é o fato de ser um rosto conhecido em todo o Brasil, um pai de família que comanda um programa de TV no qual oferece ajuda às pessoas. Por outro lado, Huck tem posições consideradas liberais e progressistas em questões comportamentais, como por exemplo a legalização da maconha. Ele foi, por exemplo, um dos produtores do documentário Quebrando o Tabu, que defende a descriminalização das drogas. Seu irmão Fernando Grostein Andrade dirigiu o filme. Homossexual assumido, Grostein também é responsável pela página do Facebook que leva o nome do documentário, considerada de esquerda por discutir questões de gênero, racismo, aborto entre outras. Isso pode atrair um eleitor jovem (principal público do seu programa) e mais escolarizado, mas pode ser um tiro no pé para Huck.

“Ele vai ter que se guiar pela imagem de homem de família que ajuda os mais pobres. Um candidato que coloca abertamente a agenda da descriminalização das drogas e o aborto, por exemplo, pode sofrer muito numa eleição”, diz Marcello Faulhaber, mestre em Economia Política pela London School of Economics e estrategista da campanha de Marcelo Crivella à Prefeitura do Rio em 2016. Segundo ele, a aproximação de Huck com “o pessoal do Agora!, que tem agenda de Estado pequeno e bastante liberal no campo comportamental, pode ser prejudicial para suas pretensões eleitorais”.

Mas caso opte por disputar o Planalto, o global teria de se preparar para algumas cascas de banana, para além do pouco tempo de TV que PPS ou DEM teriam a oferecer. Aos 46 anos, Huck ainda é frequentemente associado ao establishment tucano: nas eleições de 2014 ele acompanhou a apuração dos votos na casa do candidato derrotado, Aécio Neves. Ao longo da campanha, o senador recebeu o endosso do apresentador na disputa.

Após o tucano se ver envolvido em denúncias da Operação Lava Jato, circulou nas redes sociais a informação de que Huck estava apagando fotos nas quais aparecia ao lado do peessedebista, o que ele negou prontamente. Mas alfinetou em entrevista à Folha de S.Paulo: “É evidente a minha enorme decepção e tristeza com tudo o que veio à tona em relação não só a um amigo, mas a alguém que foi governador, senador e que recebeu mais de 51 milhões de votos numa eleição presidencial recente”. Em novembro deste ano o tucano também mostrou-se pouco simpático a Huck, ao dizer que sua provável pré-candidatura é sinal da “falência” da política.

“Ele consegue se posicionar em um contexto de pós-esquerda e pós-direita, com um discurso mais conciliatório e não de ataque”

Assim como Aécio em 2011, Huck também teve a habilitação apreendida durante uma blitz da Lei Seca, em 2012, no Rio de Janeiro: “deveria ter ido de táxi”, escreveu em um post no Facebook após o episódio, admitindo ter bebido “um copo de vinho”. Além de Aécio, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (preso há um ano por seu envolvimento em esquemas de corrupção) e o empresário Eike Batista (que foi para prisão domiciliar em abril) são algumas personalidades a quem Huck já teceu elogios nas redes sociais. Ambos caíram em desgraça.

Para o estrategista político Faulhaber, é “inegável” que ele é visto por uma parcela da classe média como integrante do “establishment não só político, mas econômico”. “Ele tem relações comerciais com grandes empresas há muito tempo, seja com a Globo ou o banco Itaú [como garoto propaganda], além de políticos envolvidos em escândalos. Isso pode ser explorado pelos rivais na campanha”, afirma.

Renato Meirelles, presidente do Instituto de Pesquisas Locomitiva e fundador do Data Favela e do Data Popular, acredita que a candidatura de Huck “é uma das mais viáveis” no cenário nacional. “Ele consegue se posicionar em um contexto de pós-esquerda e pós-direita, com um discurso mais conciliatório e não de ataque”, diz. Segundo Meirelles, “existe uma demanda latente” por um candidato outsider “que tenha esse perfil, que rompa com os argumentos do fla-flu que se tornou a política nacional”. Para ele, os laços com o establishment podem ser alvo de ataques, “mas o fato é que todos os demais candidatos são o establishment político”.

Estes laços com políticos investigados, no entanto, são apenas parte das cobranças que teria de enfrentar. Do ponto de vista dos negócios, as empresas de Huck patinaram algumas vezes quando o assunto foi racismo ou meio ambiente, o que pode dar munição para os rivais no horário eleitoral e em debates. Uma polêmica famosa ocorreu após o jogador Daniel Alves, então no Barcelona, ser alvo de ofensas racistas quando torcedores do Vilarreal jogaram bananas nele. Uma das marcas de roupa da qual Huck é sócio criou uma estampa supostamente para apoiar Alves na qual se lia “#somostodosmacacos” e “respeito”. O slogan não foi bem recebido por parte do público, que ainda acusou o apresentador de tentar lucrar com o triste episódio.

Já em 2016, outra marca de Huck fez uma campanha de marketing em sua loja na qual manequins negros foram pendurados de ponta cabeça na vitrine, com os pés amarrados por cordas. A empresa afirmou que “até [o logo] é posto de cabeça para baixo”, e que não se tratou de um episódio de racismo.

Questões ambientais também podem assolar o apresentador. Em 2003 o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) interditou temporariamente a Pousada Maravilha em Fernando de Noronha, Pernambuco, da qual ele era acionista. De acordo com o órgão, faltavam documentos de licenciamento para que o empreendimento pudesse funcionar. Posteriormente Huck se desfez de sua participação na pousada.

Outro imóvel de Huck que também foi alvo de disputas na Justiça por violações ambientais foi uma mansão em Angra dos Reis, no Rio. Segundo noticiou o jornal O Estado de São Paulo em janeiro de 2010, o global teria sido beneficiado por um decreto do então governador, Sérgio Cabral, que alterou a Área de Proteção Ambiental da região, beneficiando construções irregulares. A medida foi apelidada de “Lei Huck”. À época, foi o escritório de advocacia da mulher do peemedebista, Adriana Ancelmo Cabral, quem cuidou da defesa do apresentador em um processo movido pelo município de Angra contra ele. Atualmente a questão está no Supremo Tribunal Federal.

Huck foi condenado em agosto deste ano por ter instalado uma série de boias no entorno da mansão, que de acordo com ele seriam para a maricultura (produção de mariscos). Além de retirar o equipamento da água, ele foi obrigado a pagar uma multa de 40.000 reais a título de indenização. A sentença já transitou em julgado, e não cabem mais recursos.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Dodge: Paulo Bernardo era “operador” de Gleisi

Nas alegações finais contra Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, a PGR reforça que Paulo Roberto Costa repassou propina ao casal para manter-se como diretor da Petrobras, visto que ambos ocupavam posicões de destaque no governo petista.

Raquel Dodge também afirma que Paulo Bernardo funcionava como “operador” de Gleisi, fato corroborado por Delcídio do Amaral e Ricardo Pessoa.

Não, a delação de Delcídio do Amaral não morreu.

Leia esse trecho das alegações finais:

“Frise-se, neste sentido, que PAULO BERNARDO SILVA, à época, era Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão (função ocupada desde o início de 2005), figurando como forte quadro do PT (com três mandatos de Deputado Federal, iniciados em 1991), agremiação partidária que comandava o Governo Federal e que tinha perspectivas concretas de continuar a fazê-lo, com a eleição presidencial. Tanto é assim que PAULO BERNARDO SILVA, ao deixar o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, passou a ocupar o Ministério das Comunicações, do inicio de 2011 até o inicio de 2015 — ambas funções com poder de influência no circulo decisório do Governo Federal.

O mesmo se diga de GLEISI HOFFMANN, esposa de PAULO BERNARDO SILVA. Em 2010, GLEISI HOFFMANN já se sobressaía como figura expoente do PT, tendo se lançado como forte candidata ao Senado. Tanto é assim que GLEISI HOFFMANN foi de fato eleita Senadora e, em meados de 2011, nomeada Ministra-Chefe da Casa Civil, função na qual permaneceu até 2014 — o que ilustra o seu potencial á época, para além da eleição para o cargo de Senadora, de ocupar funções com poder de influência no circulo decisório do Governo Federal. Atualmente, é a presidente do Partido dos Trabalhadores.

Procurando infirmar as declarações dos colaboradores, em sede policial, tanto PAULO BERNARDO SILVA quanto GLEISI HOFFMANN foram incisivos ao negar qualquer participação daquele na arrecadação de recursos para a campanha desta em 2010 (fls. 257/260 e 300/304).

Todavia, o desempenho desta função por PAULO BERNARDO SILVA, como um verdadeiro “operador” de sua esposa — inclusive valendo-se da importância do Ministério então por ele ocupado, exatamente como dito por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que o apontaram como solicitante da vantagem indevida em favor da denunciada, além de ter vindo à tona em outra investigação’ —,foi corroborado por Deicídio do Amaral Gomez e Ricardo Ribeiro Pessoa.”

nov
25
Posted on 25-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-11-2017


Zé Dassilva, no Diário Catarinense (SC)


Macri e chefes da Marinha Reprodução EFE

DO EL PAÍS

Carlos E. Cué

Buenos Aires

A emergência na busca do submarino desaparecido deixou em segundo plano a crise política que se vivia na Argentina entre o Governo e a cúpula militar. Mas a quase certeza de que a embarcação explodiu devolveu o protagonismo a essa crise crise. A Marinha argentina se defende das críticas e afirma que o submarino estava em perfeitas condições para navegar. Mauricio Macri prometeu uma investigação “a fundo” para descobrir por que explodiu e estava confiante de que conseguirão encontrar a embarcação “nos próximos dias”. Os analistas argentinos indicam que assim que a crise diminuir o presidente demitirá a cúpula da Marinha, que no Governo é acusada de má gestão e de ocultar-lhe informações. Mas, por enquanto, a prioridade é buscar o casco e frear o mal-estar das vítimas.

As famílias começaram a mostrar sua ira depois que foi confirmado que o submarino explodiu e acusam a Marinha de mandar seus maridos, filhos e irmãos viajarem em um embarcação que não estava em condições, que foi comprado em 1985 de um fabricante alemão e que foi colocado em funcionamento novamente em 2014 depois de uma longa reforma realizada na Argentina. As Forças Armadas do país, que durante anos tiveram uma imagem muito ruim depois de uma terrível ditadura (1976-1983), estão há anos com orçamentos muito inferiores aos de outros vizinhos da América Latina – a Argentina gasta 0,8% do PIB em defesa e 85% desse valor e destinado aos salários dos militares – de modo que quase todos as embarcações são antigas.

Essa queixa desesperada das famílias, exposta ao vivo na televisão com grande dramaticidade, desencadeou uma grande crise política. Macri foi à sede da Marinha, no Edifício Libertad, e enviou uma mensagem clara a todos aqueles que duvidam que o submarino não fosse uma armadilha mortal. “O que aconteceu requer uma investigação séria e profunda que ofereça certezas. Significa entender como um submarino que havia feito uma reforma de meia-vida e estava em perfeitas condições para navegar, aparentemente sofreu essa explosão. Não temos que nos aventurar em procurar culpados, temos de ter certeza sobre o que aconteceu. E por que. Meu compromisso é com a verdade, a Marinha também está sofrendo com muita dor. Vamos saber a verdade”, clamou o presidente.

Ao lado dele estava o ministro da Defesa, Oscar Aguad, que ainda não falou nessa crise, e o chefe da Marinha, almirante Horacio Srur. Nos últimos dias, ambos protagonizaram uma enorme tensão que, de acordo com fontes governamentais, terminará nos próximos dias com a renovação completa da cúpula da Marinha. Mas, primeiro, Macri quer se concentrar na busca do submarino, cada vez mais difícil. Para isso, tem o apoio de uma dezena de países, inclusive um inimigo histórico como o Reino Unido. “Continuaremos com a busca, agora que temos o apoio de toda a comunidade internacional. Agradeço essa demonstração de apoio de tantos países amigos. Esperamos encontrá-lo nos próximos dias” afirmou o presidente.

Mas a crise não ficará nisso. “Quando essa operação for concluída e a Marinha informar o resultado serão iniciadas todas as investigações pertinentes em todos os âmbitos, na Marinha, na Justiça, nos campos administrativo e parlamentar, para ir a fundo para conhecer as condições da missão, da embarcação e o que aconteceu”, disse o chefe de Gabinete, Marcos Peña.
ARA San Juan

Enquanto isso, a Marinha tenta apagar todos os incêndios que apareceram desde que a explosão foi confirmada. Os gritos dos parentes contra a cúpula militar e o estado do submarino comoveram todo o país. “O presidente acompanha tudo com muita angústia, as cenas de ontem atingiram todos nós”, resumiu Peña. Enrique Balbi, porta-voz da Marinha, insiste em negar todas as acusações e inclusive as teorias que indicavam que a origem da explosão possa ter sido um ataque. “Não temos nenhum indício de ataque, a Marinha tem todas as informações dessa operação totalmente documentadas, nenhuma unidade da Marinha zarpa se não estiver em condições operacionais para voar ou navegar com segurança. A antiguidade do submarino não implica sua obsolescência. O estado operacional só pode ser avaliado por profissionais”.

Ele também negou, como os familiares alegaram, que a Marinha soubesse desde o início que o submarino havia explodido. As vítimas estão lançando acusações muito graves, elas se sentem enganadas. E os argentinos se comoveram com as histórias desses 43 homens e uma mulher “Se a Marinha dispusesse dessa informação há uma semana, teria dedicado todo o esforço de busca desde o primeiro momento. A informação da explosão foi recebida na quarta-feira, dia 22. Entendemos os parentes, nós os acompanhamos, estamos fazendo o que é humanamente possível”, justificou Balbi. Mas com sua presença, Macri passou uma mensagem muito diferente. Por enquanto, a Marinha tem todo o apoio para procurar o submarino. Mas, quando o encontrarem ou o derem como perdido, a crise explodirá definitivamente e decisões políticas serão tomadas.

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