DA ISTO É/ O GLOBO

A cantora Bebel Gilberto interditou na Justiça o pai, o cantor João Gilberto, que está com 86 anos e passa por problemas financeiros, publicou nesta quarta-feira, 15, o portal do jornal O Globo. A medida seria para proteger o artista, que vive sozinho no Rio e está com a saúde fragilizada pela idade. Bebel, que mora em Nova York, veio à cidade para tratar da questão.

Segundo a notícia de O Globo, a iniciativa de Bebel, curadora do pai, foi no sentido de “pôr fim aos negócios temerários que João vinha sendo orientado a firmar, que resultaram na atual condição de quase miserabilidade do artista”. O jornal “O Estado de S. Paulo” procurou a Justiça do Rio para obter mais informações sobre o caso, mas não conseguiu resposta, por ser feriado.

Mãe de Bebel, a cantora Miúcha, que se casou com João nos anos 1960 e mantém relação amigável com ele, disse à reportagem ter sido informada da interdição nesta quarta-feira. Ela contou que a filha está tentando “arrumar a vida do pai”.

“Bebel está tentando ajudar João. Ele se meteu em muita confusão, negócios errados, mas não sei detalhes sobre isso. Ela está tentando arrumar a vida dele”, resumiu Miúcha. “João está bem de saúde, mas fraco, porque está com muita idade. Espero que fique tudo bem com ele, ele merece isso.”

O recluso João não é visto em público desde 2008, quando fez shows por ocasião dos 50 anos da bossa nova. Em agosto de 2015, fotos do cantor ao lado de Bebel e de Miúcha causaram alvoroço entre fãs. As imagens, que revelavam um João mais magro numa varanda ensolarada no Rio, foram compartilhadas no perfil de Bebel no Facebook. A cantora escolheu como legenda “E a família feliz”.

Dois meses antes, haviam sido divulgados dois vídeos de João ao violão por Claudia Faissol, mãe de sua caçula, Luisa, hoje com 11 anos. João tocava Garota de Ipanema, com a menina ao seu lado, cantando. Na imagem, o cantor está de pijama, assim como na foto tirada na varanda com Bebel. Na ocasião, Miúcha declarara que ele estava “ótimo, cantando e tocando como nunca. Impressionante”.

O papa da bossa nova fez 86 anos em junho. Em 2011, quando completou 80, uma turnê foi anunciada. Os produtores prometiam interpretações de canções que João nunca havia tocado e cantado, e a captação de imagens para exibição ao vivo, via satélite. Logo depois, o projeto foi cancelado.

Então geriatra de João, o médico Jorge Jamili afirmou que ele ficara muito debilitado pelo estresse causado pela iminência das apresentações, uma vez que é notório perfeccionista. Ele disse que João tinha duas hérnias na coluna, e ambas doíam quando ele fazia shows, por causa da posição do violão junto ao corpo.

Nesta quarta-feira, a reportagem procurou Jamili e também Claudia Faissol, mas eles não foram encontrados. Bebel também não.

Desde o cancelamento da turnê os problemas financeiros de João, que não possui sequer apartamento próprio, se agravaram. Isso porque o cantor chegou a receber uma parte do pagamento adiantado pelos shows, que não teria sido devolvida.


Jorge Amado e José Saramago. Zélia Gattei /
Fundación Casa de Jorge Amado

DO EL PAÍS

Javier Martín del Barrio

Lisboa

Foi uma amizade da velhice. O baiano, com 80 anos completos, e o português com 10 a menos. Durante cinco anos, entre 1992 e 1997, Jorge Amado e José Saramago trocaram cartas e faxes para comentar suas crises literárias e de saúde, próprias da idade e da profissão. Paloma, filha do brasileiro, e Ricardo Viel, da Fundação do Nobel português, organizaram aquela relação epistolar e selecionaram as cartas incluídas no livro Jorge Amado/José Saramago – Com o Mar por Meio.

Disciplinado e organizado por seu passado de militante comunista e exilado, Amado aproveitou o advento da fotocopiadora para deixar um minucioso registro das cartas e faxes enviados, segundo conta sua filha. Graças a isso a Fundação Casa de Jorge Amado conserva quase 70.000 documentos epistolares de 1930 a 1998, com remetentes como Pablo Neruda, Jorge Guillén e Carlos Drummond de Andrade, entre outros.

Nos cinco anos de correspondência entre Amado (1912-2001) e Saramago (1922-2010), destacam-se os comentários sobre as distinções que lhes chegam ou não. “Acabamos de receber a notícia de que o Camões foi para Rachel de Queiroz”, escreve Saramago em julho de 1993. “Não discutimos os méritos da premiada, o que não entendemos é como e porque o júri ignora ostensivamente (quase apeteceria dizer: provocadoramente) a obra de Jorge Amado. Esse prêmio nasceu mal e vai vivendo pior. Os ódios são velhos e não cansam”.

“Já há anos que o Lobo Antunes andava por aí a dizer que o seu objetivo era o Nobel”, lhe escreve Saramago

Os dois escritores se adaptam aos tempos, e suas saudações voam graças ao fax, com tamanha intensidade que o aparelho de Jorge não dá conta. “Nosso fax da Bahia incendiou no domingo (…). Foi um belo espetáculo: o fax parecia um vulcão, fez-nos falta. Vale dizer que, além do fax, os peritos eletricistas de uma tevê conseguiram colocar fora de uso os três aprarelhos de tevê, a secretária eletrônica, um computador e os jogos (vários) eletrônicos do neto Jorginho, uma catástrofe”.

A fama de Saramago vai crescendo no Brasil, e o baiano lhe recorda que só Ferreira de Castro alcançou tal reconhecimento na sua época, e que “apenas permanece, eterno, o grande Eça de Queiroz. Não sei se José é devoto do autor de Os Maias, eu sou muito devotíssimo”. Saramago lhe responde rápido, dois dias depois: “Onde está o bárbaro capaz de não reconhecer a grandeza desse senhor, até agora nunca igualada?”.

Comunistas irredutíveis, Amado confessa –talvez esperando reprimenda – que votaria no social-democrata Fernando Henrique Cardoso para presidente do Brasil. “Compreendo que te tenhas decidido por ele”, escreve-lhe o português. “Ainda que não possa deixar de pensar que os males do Brasil não se curam com um presidente da República, por muito democrata e honesto que seja. E tu bem sabes, melhor do que eu, que a democracia política pode ser facilmente um continente sem conteúdo, uma aparência com pouquíssima substância dentro”.

A possibilidade de que algum dos dois autores ganhe o Nobel é tema recorrente em seus anos epistolares, tanto que, caso acontecesse, comprometiam-se mutuamente a convidar à cerimônia o amigo preterido. “Há anos Lobo Antunes anda por aí a dizer que seu objetivo é o Nobel”, escreve Saramago. “Continuaremos, os demais, vivendo tranquilamente, mas não há dúvida de que esse prêmio é uma invenção diabólica”.

“A intervenção do Banco Central no Banco Econômico (onde estava aplicado todo o nosso dinheiro) deixa-nos de bolso vazio”, se lamenta Amado

Entre inúmeras revisões oftalmológicas, o autor de Gabriela, Cravo e Canela anuncia que já tem 10 páginas de A Apostasia Universal de Água Brusca. “A ideia é tentadora: a luta pelo poder entre os grandes senhores feudais, os coronéis e a alta hierarquia católica. Falta-me resolver os problemas da narrativa propriamente dita.”

Em 1994, Amado recebe finalmente o prêmio Camões, e o português o felicita à sua maneira: “O pior é que isto de prémios não é raro que tragam um ressaibo de amargura, e o Camões, não sendo exemplar, é exemplo. Tanta miséria moral mal escondida, tanta inveja, tanto desejo de morte por trás das fachadas compostas de muitos que, num dado momento, vão ser juiz e sentença…Quando estiveres a receber o prémio, pensa só nos teus leitores, são eles que valem a pena”.

Amado se adapta a “um estranho dispositivo (metade máquina de escrever, metade computador) que a Olivetti preparou para minha visão curta, que é como a oftalmologia chama os ceguetas”. Voltando de uma viagem, o escritor e sua esposa, a também romancista Zélia Gattai, anunciam que estão “cansados e arruinados. A intervenção do Banco Central no Banco Econômico, onde estava todo nosso dinheiro, nos deixou com os bolsos vazios; ainda há uma leve esperança de recuperação, cada dia menor. Mas, bem, estamos vivos”.

“Temos de aprender a nada esperar de Estocolmo por muito que nos venham cantar loas ao ouvido “, adverte o português

“Não é altura de fazer considerações sobre o sistema capitalista”, lhe responde o autor de Ensaio Sobre a Cegueira, “mas a verdade é que estamos nas mão deles. Uma coisa fica clara aqui: não somos ricos, mas se vos podemos ser úteis, não tendes mais que dizer”.

O próximo Camões já recai em Saramago: “Em nenhum momento de minha vida, passou por minha cabeça que um dia poderiam dá-lo a mim. Lá está ele, para minha alegria e a de meus amigos, e para a raiva de alguns colegas que não querem admitir que eu existo…”.

O Nobel não chega para nenhum deles. “Não há nada que fazer. Eles não gostam de nós”, escreve o escritor português, “não gostam da língua portuguesa portuguesa (que deve parecer-lhes sueca…) não gostam das literaturas que em português se pensam, sentem e escrevem. Não têm metro que chegue para medir a estatura de um escritor chamado Jorge Amado, para não falar de outros bastante mais pequenos, no número dos quais a voz pública insiste em pôr-me. Temos de aprender a nada esperar de Estocolmo por muito que nos venham cantar loas ao ouvido. A experiência de injustiça a que tens estado sujeito durante anos e anos deve levar-te, imagino, a encolher os ombros diante destas contínuas provocações suecas. Mas aqueles que, como eu,veem, em ti nada mais nada menos que o Brasil feito literatura, esses indignam-se com a já irremediável falta de sensibilidade e de respeito dos nórdicos”.

Em 1997, a comunicação epistolar é interrompida. O coração e os olhos de Jorge Amado não aguentam. Sem ler ou escrever, sem nenhum ditado, o escritor brasileiro cai em profunda depressão. “Não saía, passava os dias sentado em uma poltrona da sala, com os olhos fechados”, conta a filha. “Esta situação durou até sua morte, em 2001, com algumas intermitências quando algo extraordinário ocorria. Em 8 de outubro de 1998, Zélia sentou-se ao seu lado, segurou sua cabeça e, com o entusiasmo que não cabia no peito, disse que seu amigo José acabara de ganhar o Nobel. Como em um truque de mágica, em um milagre luso-sueco, Jorge levantou-se da poltrona, chamou Paloma e pediu-lhe que se sentasse diante do computador, que ia lhe ditar uma nota “. Foi sua última carta a Saramago.

nov
16

A Jorge Amado e a José Saramago, em memória.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

nov
16
Posted on 16-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-11-2017


O delator Alejandro Burzaco em imagem de arquivo.
ANDREW GOMBERT EFE

DO EL PAÍS

Gil Alessi

Uma delação premiada no caso que investiga a Fifa na Justiça norte-americana respingou na rede Globo, um dos maiores grupos de comunicação da América Latina. O empresário argentino Alejandro Burzaco, ex-diretor da empresa de eventos esportivos Torneos y Competencias, afirmou na terça feira em depoimento à Justiça dos Estados Unidos que a emissora pagou propinas para conseguir direitos de transmissão de campeonatos de futebol. As autoridades americanas investigam um esquema de corrupção envolvendo a Fifa e outras federações de futebol, apelidado de Fifa Gate. O dinheiro pago pela Globo teria sido destinado a altos executivos da CBF(Confederação Brasileira de Futebol) e da Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol, responsável por campeonatos como a Copa Libertadores da América e a Copa América. A informação foi divulgada em primeira mão pelo site Buzz Feed News. O delator não mencionou quais os valores pagos pela empresa.

Ao ser indagado pelo promotor quais grupos de mídia teriam participado do esquema, o empresário argentino citou “Fox Sports dos Estados Unidos, Televisa do México, Media Pro da Espanha, TV Globo do Brasil, Full Play da Argentina e Traffic do Brasil”. Segundo Burzaco, Marcelo Campos Pinto, então diretor do departamento esportivo da Globo, teria negociado com os cartolas o pagamento da propina. A reportagem não conseguiu entrar em contato com ele, que deixou a emissora em 2015.

Mas a emissora não foi a única atingida pelo depoimento de Burzaco. Além da Globo, que nega qualquer irregularidade, o delator também implicou dois ex-presidentes da CBF (José Maria Marin e Ricardo Teixeira), e o atual mandatário, Marco Polo Del Nero. O primeiro já responde a processo nos EUA por sua participação no esquema de corrupção envolvendo empresas de marketing e a CBF. Ele está em prisão domiciliar no país. De acordo com o delator, os três teria recebido pagamentos de um período que vai de 2006 a 2015. Os valores recebidos por cada um deles chegavam até a um 1 milhão de dólares (aproximadamente 3,3 milhões de reais) por campeonato cujos direitos de transmissão negociavam.

Del Nero, que não viaja aos Estados Unidos para evitar uma possível prisão, teria ganho importância no esquema após a morte, em 2014, de Julio Grondona, o poderoso ex-presidente da Associação Argentina de Futebol. O cartola brasileiro e Marin teriam até mesmo pedido um “aumento” no valor da propina paga em troca dos direitos de transmissão. “Marin me deu um abraço e fez um discurso de agradecimento. Del Nero abriu um caderno e anotou os valores. Os dois disseram que dariam instruções sobre como queriam receber o dinheiro”, afirmou Burzaco.

Em nota, Del Nero afirmou que “nega, com indignação, que tivesse conhecimento de qualquer esquema de corrupção supostamente existente no âmbito das entidades do futebol a que se referiu”. Segundo o cartola, “as investigações levadas a efeito naquele país [EUA] não apontaram qualquer indício de recebimento de vantagens econômicas ou de qualquer outra natureza por parte do atual presidente da CBF”.

Ao site Globoesporte.com, Teixeira também negou ter recebido dinheiro, e disse ainda “quem acusa tem que provar. Ele [Burzaco] tem que provar tudo isso” Seu advogado não quis comentar as acusações de que seu cliente receberia uma espécie de mesada anual de 600.000 dólares (cerca de 2 milhões de reais).

Em nota lida em seus diversos telejornais, a emissora afirmou que “não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina”. “Após mais de dois anos de investigação [a Globo], não é parte nos processos que correm na Justiça americana”. A assessoria da rede disse ainda que “em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos”. Por fim, o texto afirma que “o grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas”, e que para a empresa esclarecer o ocorrido é “questão de honra”.

A Fox Sports, também mencionada pelo delator, afirmou em nota que “qualquer menção em relação a que Fox Sports teve conhecimento ou aprovou subornos é absolutamente falsa”.

Citado por delator se suicida na Argentina

Na Argentina as declarações de Burzaco tiveram um impacto devastador para um dos citados. O advogado Jorge Delhon, ex-integrante do Governo de Cristina Kirchner, cometeu suicídio se jogando nos trilhos de uma linha do metrô poucas horas após ter sido mencionado pelo delator. Ele havia participado do programa Futebol Para Todos, uma iniciativa da ex-presidenta para nacionalizar a transmissão das partidas.

nov
16
Posted on 16-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-11-2017


S. Salvador, n jornal Estado de Minas (BH)

nov
16
Posted on 16-11-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-11-2017

DO BLOG O ANTAGONISTA

PGR recorre de decisão de Lewandowski

Como previsto, Raquel Dodge recorreu contra a decisão de Ricardo Lewandowski que retirou o sigilo da delação premiada de Renato Pereira, o marqueteiro de Sérgio Cabral.

A procuradora-geral da República apresentou “embargos de declaração”, segundo informou o site do Ministério Público Federal.

No recurso, Dodge argumenta que a retirada do sigilo, além de comprometer a continuidade das investigações sobre crimes no Rio, põe em risco a segurança de Pereira e de sua família.

DO G1/Jornal Nacional

Por G1 Rio

Morreu nesta quarta-feira (15) o artista plástico polonês Frans Krajcberg, de 96 anos, no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Nascido na Polônia e radicado no Brasil, ele passou a maior parte da vida lutando contra a devastação das florestas brasileiras por meio de suas obras de arte.

O corpo de Frans Krajcberg será cremado às 11h desta quinta-feira (15) no Memorial do Carmo, no Caju, Centro do Rio. O velório será realizado meia hora antes da cerimônia de cremação. As cinzas serão enviadas para o sul da Bahia, onde o artista plástico morava.

Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Samaritano, a famílía não permitiu a divulgação da causa da morte de Krajcberg.

Nascido na cidade de Kozienice, na Polônia, em 12 de abril de 1921, o artista plástico Frans Krajcberg chegou ao Brasil no final da década de 40.

Na década de 1970, escolheu a Bahia para morar. Engajado com a temática da natureza, ao longo da carreira ele procurou denunciar os crimes ambientais.
Morre no Rio o artista Frans Krajcberg

Por meio de suas obras, ele fez críticas a queimadas, exploração de minérios, desmatamento da Amazônia e desova de tartarugas marinhas.

Foi escultor, pintor, gravador e fotógrafo. Krajcberg estudou engenharia na Universidade de Leningrado. Na Segunda Guerra Mundial, perdeu sua família e se mudou para Alemanha, onde foi aluno da Academia de Belas Artes de Stuttgart.

No Brasil, participou da 1ª Bienal Internacional de São Paulo com duas pinturas. Ele morou no Paraná e no Rio, onde passou a dividir um ateliê com o escultor Franz Weissmann (1911-2005), a partir de 1956.

Em 1972, o artista se mudou para Nova Viçosa, no sul da Bahia, mas viajava muitas vezes para a Amazônia. Frans era conhecido por usar raízes, cipós, caules e troncos para criar sua arte.

Em 2003, foi criado o Instituto Frans Krajcberg com mais de 100 obras dele.

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