Movimentação após os tiros no Colégio Goyases, em Goiânia, no dia 20 de outubro O POPULAR AFP


DO EL PAÍS

Yago Sales

Goiás

Dez dias antes de atirar nos colegas de turma, o adolescente J.C.M, 14 anos, recebeu uma medalha na Olimpíada Brasileira de Astronomia 2017. Na montagem com fotografias dos 11 alunos premiados do Colégio Goyases no Facebook com os “parabéns” não consta o aluno do 8° ano. Ele fugia de fotos. Um menino reservado, por vezes incompreendido em suas brincadeiras, e que agora protagoniza um drama para si e para os que foram atingidos no último dia 20. Os motivos que o levaram a pegar a arma da mãe policial, e atirar contra seis colegas, – matando dois, e ferindo quatro —, ainda são uma incógnita. O EL PAÍS conversou com diversos estudantes que conviviam com J.C.. Eles puxaram memórias do convívio com o adolescente que hoje ganham proporção diante do desfecho trágico.

Em dezembro do ano passado, por exemplo, a turma se descontraía quando o J.C. parou rente à carteira de uma colega de turma do 7° ano. Ele mostrou uma suástica – símbolo do nazismo – que desenhou na contracapa do caderno e perguntou o que a menina achava. Ela deu de ombros, dizendo que não gostava. “Ele disse muito bravo mesmo que ia entrar na minha casa e matar meu pai e minha mãe”, lembra ela, que teve de tomar remédios para dormir nos últimos dias. “Ele falava isso para todo mundo, mas a gente achava que era brincadeira”, diz. Não era.

Segundo os colegas, J.C.M. tinha um humor que oscilava. Ele gostava de jogar RPG, jogo de interpretação de papéis, no recreio, principalmente com João Vitor Gomes, que acabou sendo alvejado na cabeça e morreu na hora. Os dois, com outros colegas, estavam tranquilos no dia do massacre. Eles já tinham terminado o trabalho de Ciências que apresentariam no dia seguinte, na 20° Mostra de Ciências do Colégio Goyazes.

Nada de estranho havia ocorrido no terceiro andar, na sala do 8° ano, de cinco fileiras com seis alunos em cada, naquele dia. Mas quatro dias antes, na terça-feira, João Pedro Calembo, que se sentava atrás de J.C., o cutucou. Disse que ele “estava fedorento” e que deveria passar um desodorante e lhe entregou um frasco. O adolescente riu timidamente, borrifou nas axilas e devolveu para Calembo.

Para o delegado que preside o inquérito, Luiz Gonzaga Filho, o adolescente disse que Calembo o “amolava muito”. É que Calembo não se preocupava com o jeito fechado do vizinho de carteira e dos avisos de alguns amigos para não fazer brincadeiras com ele. “Meu filho não faria nenhuma brincadeira para machucar alguém, ele era uma criança”, afirma o pai, Leonardo Marcatti Calembo, que vive o luto pela perda do filho, uma das vítimas de J.C.

Outro episódio é lembrado por pessoas que foram atingidos pela tragédia. Em uma feira literária na escola, o adolescente levou um livro de capa preta, com um “S” em relevo, e dizia que tratava do satanismo, algo que assustou a turma. Tudo foi visto como excentricidade pela professora de Língua Portuguesa.

Mas aquilo incomodou João Pedro. Chegou em casa e comentou com o pai, publicitário e presbítero da igreja Batista Renascer sobre o tal livro de um dos colegas de turma. Ele, no entanto, pediu ao filho para que orasse pelo colega e que “Deus lhe ajudaria a conhecer a Verdade”. “Meu filho já chegou em casa comentando que ele era satanista, ateu, não acreditava em Deus mesmo. Pedi que orasse por ele”, lembra Leonardo.

Fernão Queiroz é um dos melhores amigos de J.C., como era de João Vitor. E nunca percebeu nada diferente. “Poucos dias antes de ele atirar na nossa turma, ele foi lá na minha casa. A gente não imaginava que ele ia fazer isso, a gente conversava, ria. Único dia que me lembro de bullying foi o dia do desodorante”, contou.

Mas havia quem o temia. “A gente brincava um com outro, sem maldade. Mas evitava brincar com o J.”, contou Hyago Marques, de 13, atingido por um dos tiros de J.C.. Seu pai, Thiago Barbosa Gomes, levou o filho e outra colega alvejada, Marcela Rocha Macedo, 13, ao hospital no dia do fatal incidente. “Cerca de dois meses atrás a gente estava no recreio e o atirador desenhou aquele símbolo do nazismo – qual o nome mesmo? – com um giz branco no chão, entre as duas pernas. Ele estava sentado, muito calado”, recorda-se Hyago. “Eu não brincava com ele de jeito nenhum porque ele falava muito em matar”, completa. Hyago também foi ferido no dia da tragédia. “Ele está com a bala alojada na vértebra. Tirar, ou melhor, tentar tirar é mais perigoso”, conta.

A 15 minutos andando do Colégio Goyases, no bairro ao lado, Jardim Brasil, uma rua escura. Dos três postes de energia da rua de uma quadra, apenas um tem lâmpada funcionando. O breu é amenizado pela luz que perpassa os portões de grades, ou refletores que acendem quando passa alguém, às 22h. Reformada há seis meses, a casa dos pais de J.C. é ampla. Os largos portões brancos têm algumas aberturas. É possível ver uma enorme garagem, àquela hora, iluminada pela televisão e com eco do som da tevê.

Antes de a reportagem chamar, Divino Aparecido Malaquias, pai do jovem, aparece na porta, do lado de dentro. “Não estamos em condições de esclarecer nada, apenas esperar que tudo se resolva”, disse o major da PM goiana, voltando-se para dentro de casa, puxando as cortinas colocadas depois da tragédia.

Uma vizinha entrava em casa e evita a reportagem. “Não posso dizer nada mais do que a família é muito discreta. Eu quase não via o filho deles.” O que é de praxe de um casal de policiais militares: Malaquias é um experiente policial. Comandou batalhões, ações ostensivas e desarticulou quadrilhas na capital goiana. Pelos feitos, recebeu medalhas de honras ao mérito. Agora, enfrenta a dor de ver o filho detido num Centro de Internação de adolescentes infratores de Goiânia. Na delegacia, ele informou que J.C. aprendeu a utilizar armas pela internet. O delegado ainda não confirmou o que encontrou no computador do jovem que foi apreendido. Contou, contudo, que o adolescente admitiu que pensou em se matar.

A advogada de J.C., Rosângela Magalhães, esteve quatro vezes com ele antes de ser encaminhado pelo Juizado da Infância da Juventude ao centro de internação. “Ele está muito arrependido, principalmente por ter matado um dos melhores amigos”, disse.

Rosângela é advogada da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás, portanto, defende muitos PMs autores de crimes. “Fui procurada pelo pai dele, o major Malaquias”. A advogada atuou em casos de repercussão nacional, como o Caso Pedrinho – o menino Pedro Braule Júnior, sequestrado por Vilma Martins em 1986 – e do capitão da PM goiana, Augusto Sampaio, que acertou o estudante Matheus Ferreira com um cassetete no rosto durante um protesto em Goiânia deixando-o em coma por dias.

A defesa quer usar sua reputação para evitar que o adolescente seja alvo, por exemplo, de represálias de menores, muitos dos quais apreendidos pelo pai do adolescente. Ela reconhece: “É muito chocante para todos os lados. Nada justifica ele ter disparado, mas é preciso entender o que levou a isso tudo.” Sobre diálogos com o adolescente, ela diz que ele não fala muito. “Está muito calado, abatido”. Muito do que soube, ela conseguiu em conversas com as psicólogas da Delegacia de Apuração de Atos Infracionais, para onde foi levado depois do crime. “Durante o período em que esteve lá, eu pude conversar come ele por dez minutos apenas”, destaca.

Agora, a defesa, que tem viabilizado diálogo com o Judiciário para garantir a integridade física do adolescente, aguarda intimação do juiz. “E vamos aguardar o laudo técnico, de psiquiatras. Tem muita gente fazendo diagnóstico à distância, apenas pelo que foi divulgado pela mídia”, critica.

Perto da casa dos pais, na mesma quadra, o avô paterno do adolescente, Olair Malaquias, estaciona uma caminhonete vermelha em frente a uma casa simples, com grades cor em vinho. “Parece que estamos na escuridão. Não entendemos nada até agora. Um clima muito pesado”, disse, antes de ser interrompido pela avó do menino, carregando uma toalha de rosto dobrada. Os olhos dela encharcados: “Vocês [imprensa] estão brincando com coisa séria. Coisa muito séria”. A dor das vidas destruídas ainda tem espaço para algumas surpresas de quem não endureceu com a vida. Os colegas de J.C. no Colégio Goyases ensaiaram escrever uma carta para ele, mas a unanimidade era de que não adiantaria, como disse uma colega: “não vai mudar em nada os pensamentos dele”.

out
28
Posted on 28-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-10-2017

CRÔNICA

Para Kertész, Paulo, Galdino e Luiz

Janio Ferreira Soares

Numa carta publicada no Espaço do Leitor, de A TARDE, Paulo Mello Santos quer saber o que Paulo Afonso tem para merecer minha fidelidade. Em seguida, Antônio Galdino, presidente da ALPA (Academia de Letras de Paulo Afonso), me pede uma minibiografia para acompanhar um texto sobre o São Francisco, que fará parte de um livro em homenagem ao rio de nossa aldeia. Dias depois, num papo via telefone com Mário Kertész, na Rádio Metrópole, ele pergunta onde busco inspiração para escrever estas letrinhas que, nem sempre, soam no diapasão que a gente planeja tocar até o fim da canção.

Meus caros Paulo, Galdino e Kertész, embora não pareça, os fatos acima fazem parte da mesma meada, cujo fio tentarei desenrolar com o maior cuidado para não emaranhá-lo na ponta de uma vírgula ou, pior ainda, perdê-lo entre os dedos na hora de chulear as palavras. Divagarei, pois.

Se um dia eu fosse condenado à morte e me dessem o direito de um único desejo, não titubearia em pedir ao meu algoz para contemplar o sertão, de preferência num lindo outubro como esse que daqui a pouco se vai e que, fiz as contas agora, foi onde fui gerado, já que no julho seguinte, nasci.

Mas por que o sertão? Porque, no instante em que eu visse suas cores como as vejo agora, elas me trariam o som do sino da igreja de Santo Antônio da Glória – cidade da minha primeira morada – chamando Cecília para alguma novena naquele distante 1957, quando, depois de se acasalar com o charmoso sargento Zé da Silva, colocou seu véu, rezou um terço e voltou pra casa sem nem desconfiar que, nela, já havia um tiquinho de mim.

Em seguida me veria ganhando ruas com uma peteca na mão e fantasias nos bolsos; ouviria rádio e difusora numa tarde vadia; seria apelidado de João Grilo pela minha única irmã; apreciaria as conversas dos mais velhos num alpendre de onde se via o rio da minha infância correndo em direção aos cânions de Paulo Afonso que, à época, ainda era um paraíso inconstante, só tornado real quando a Rural de seu Daniel me levava pra ver Tarzan, John Wayne e Maciste; depois Altemar Dutra, Beatles e a turma da Disney; e, pra completar a festa, cocadas e doces que não existiam nas prateleiras de dona Alice.

Um pouco antes da injeção letal, um mormaço me traria um “nós te amamos” dito por amigos, mulher e filhos, e, por fim, sentiria o gosto e o cheiro do primeiro Ping Pong mastigado numa manhã de domingo.

Quanto ao Luiz do título, que até agora não apareceu na conversa, trata-se de um velho e querido amigo ora se recuperando de um descompasso no seu imenso coração, que, analógico como o meu, deve está olhando a lua crescente no céu da Pituba e se lembrando de quando ele a via, ainda no começo do sorriso, lá num longínquo anoitecer do seu Serrão.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

VIVA TOM!!! VIVA VINÍCIUS!!! VIVA JOÃO!!! VIVA A BOSSA NOSSA DA CADA DIA!!! VIVA ELA!!!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)


Temer (com a primeira dama Marcela) na saída
do Hospital do Exército.


…Gerson Camarotti e Sérgio Moro:Dom Sebastião na conversa
(Foto: GloboNews / Reprodução)

ARTIGO DA SEMANA

A sonda de Temer e a sombra de Dom Sebastião na entrevista de Moro

Vitor Hugo Soares

“Estou inteiro”, afiançou um evidentemente combalido presidente Michel Temer, ao deixar as dependências do Hospital do Exército, acompanhado da primeira dama Marcela (com sinais de sombras no semblante, em geral suave e tranqüilo) , na noite da tremenda quarta-feira de outubro, em Brasília. Para reforçar, o mandatário faz aos jornalistas e fotógrafos, um sinal simbólico de “positivo”, com o dedo levantado.

A caminho do Jaburu, com expressas recomendações médicas de repouso e cuidados especiais, o paciente acabara de passar por dois sustos daqueles que nos fazem sentir saudades do humor inteligente, ágil e corrosivo de Millôr Fernandes. Ele, seguramente, saberia, como nenhum outro, mostrar a nudez do rei, com sabor crítico bem de acordo com cenário tragicômico atual da vida brasileira, presenciado no mesmo dia na Câmara e no hospital do planalto central do País.

No plano pessoal, Temer, depois de horas de mal-estar e forte desconforto, acabara de passar por exames de urgência médica e de receber o diagnóstico de obstrução urológica. No hospital militar, foi submetido a um procedimento de emergência chamado de “sondagem de conforto” para aliviar os rins. Precisará, no entanto, usar uma sonda pelos próximos dias, até passar o período da crise braba. Não a política, governamental e moral (cada vez mais complicada e sem norte aparente que conduza a uma saída sem traumas), mas a da saúde física, pessoal e intransferível, que em geral não tolera barganhas nem arranjos de ocasião.

Refiro-me, é claro, à crise decorrente da hiperplasia benigna de que o mandatário da vez é portador, cuja “bola” cresceu a ponto de lhe obstruir o canal da uretra. Só então, superado o mal-estar, seu urologista de confiança indicará o tratamento definitivo a ser adotado, se cirúrgico ou não. Nesta sexta-feira, divulga o Palácio do Planalto, o mandatário não perde tempo e já dormirá em São Paulo, onde neste sábado, 28, estão programados exames mais detalhados e definidores dos próximos passos.

Agora um esclarecimento pessoal e intransferível, para contextualizar melhor o assunto. Isso que o jornalista descreve no artigo não é fruto apenas das informações do furo jornalístico bem apurado da repórter Andréia Sadi (que faro e que disposição incansável tem esta profissional que cobre Brasília e seus desvãos!) sobre a crise de saúde do marido de Marcela, que se somou drasticamente ao dia de apuros políticos na Câmara dos Deputados.

Explico melhor:

Não faz muito tempo, em Salvador, passei por um piripaque (a expressão soteropolitana assenta bem no caso) muito parecido com o desconforto de quarta-feira, do manda chuva da vez no Palácio do Planalto. O mal-estar de estourar os nervos com a uretra obstruída pela bola da hiperplasia benigna que também cresceu demais, a corrida para a emergência no hospital, a mando do médico e amigo especial; a sondagem de alívio para acalmar os rins; depois a volta para casa com uma sonda na uretra, recomendações severas de repouso e muitos medicamentos contra o desconforto físico e para evitar infecções. Depois mais exames, idas e vidas ao consultório médico e ao hospital, até a cirurgia a laser diagnosticada para enfrentar a complicação principal. E estamos aqui.

A diferença, no caso, é que Temer soma outras (e graves) preocupações, que vão além da crise urológica, o que não é pouco, diga-se a bem da verdade. Malfeitos e problemas acumulados no plano político, governamental e ético, que cobram saídas, cada vez mais difícies e complicadas, à medida que 2018 se aproxima. É fato que na quarta-feira mesmo, do desconforto de saúde, o ocupante do Palácio do Planalto pulou outra fogueira. De novo nas mãos do plenário da Câmara, sob o comando do “mui amigo e aliado” do DEM, Rodrigo Maia, o mandatário conseguiu escapar da segunda denúncia de organização criminosa e tentativa de obstrução apresentada pelo ex- procurador geral da República, Rodrigo Janot, antes de ir embora.

Desta vez, o placar da escapatória foi mais estreito que na primeira denúncia, de corrupção. E a nova procuradora- geral, Raquel Dodge já coloca em andamento a questão das denúncias de malfeitos no Porto de Santos, outro problemaço do morador do Jaburu. Sem falar na continuidade do trôpego projeto de reformas do governo do PMDB, a exemplo da Previdência (crucial, segundo o ministro Meireles), mas que a perda de força e densidade no Congresso, revelada na votação desta semana para salvar o presidente e dois ministros, torna praticamente inviável nos moldes originais pretendidos pelos atuais donos do poder. Como ter repouso no meio de um furdunço deste? Responda quem souber.

Antes do ponto final, um Interlúdio (obrigado a Henri Miller mais uma vez) para falar da entrevista do juiz Sérgio Moro ao jornalista Gerson Camarotti, transmitida pelo canal privado Globo News. Para o autor deste artigo (um viciado na leitura do antigo Pasquim e das boas entrevistas desde os bancos da Faculdade de Jornalismo da UFBA), um marco da imprensa no Brasil destes dias temerários. Conversa para ver, rever e guardar, pois ficará ainda mais relevante com o passar do tempo, independentemente da continuidade da Lava Jato (como tantos anseiam), ou de seu soterramento (como alguns atuam para conseguir). Não descerei a detalhes da entrevista de abordagem ampla, diversificada, equilibrada, inteligente e relevante – não só no tratamento do tema central da corrupção, – vinculada à percepção do problema pela sociedade brasileira em geral, e a reação de seus representantes políticos, empresários, membros do judiciário e governantes.

Só o registro da emblemática resposta do juiz sobre a sua resistência a não se meter na política e nas disputas eleitorais – e sobre o futuro do magistrado – depois da Lava Jato.

“Temos no Brasil aquela percepção, influenciados talvez por nossa herança portuguesa, latina, não sei, de que existe um momento de redenção nacional. E pode vir um “Dom Sebastião” e resolver todos os problemas. Muitas vezes isso pode ser identificado com a personificação de alguém, mas muitas vezes pode ser uma personificação, por exemplo, com a Operação Lava Jato”. Na mosca!. O juiz de Curitiba sabe das coisas e deixa claro, na conversa com Camarotti, que seguirá em seu digno e competente trabalho de magistrado. Sem se prestar a alimentar a onda de embusteiros que começa a pipocar no País, com um falso salvador da pátria em cada esquina, para enganar sebastianistas desavisados que ainda povoam o Brasil. Viva!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Dá-lhe, Nana. é assim que se canta um samba canção!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

out
28


Representante de empresa confirma lance em leilão do pré-sal
Divulgação

DO EL PAIS

DO EL PAÍS

Daniel Haidar

São Paulo

As petrolíferas estrangeiras se movimentaram nesta sexta-feira para garantir um lugar na nova divisão de poder do pré-sal após as mudanças nas regras para a exploração da maior reserva de petróleo do país. Nos primeiros dois leilões para exploração dos campos do pré-sal sem presença obrigatória da estatal Petrobras em todos os blocos ofertados, as gigantes mundiais do setor esquentaram a disputa, especialmente nas áreas que tiveram sinalização prévia de interesse da empresa brasileira. Foram arrecadados 6,15 bilhões de reais com as duas rodadas de licitação nesta sexta, cerca de 80% da pretensão inicial do Governo. Para duas das oito áreas em negociação não houve lances. O Governo federal e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) comemoraram o resultado. “Esse leilão representa a retomada dos investimentos no setor”, afirmou Décio Oddone, presidente da ANP.

Os consórcios liderados pela Petrobras, com a participação de estrangeiras, venceram em três dos oito campos em disputa, incluindo o bloco de Peroba, na Bacia de Santos, que tinha as estimativas de petróleo mais generosas, de 5,3 bilhões de barris (leia detalhes abaixo). A segunda maior vencedora do certame foi a anglo-holandesa Shell, que lidera o consórcio que arrematou dois blocos. Já a norueguesa Statoil levou o último campo negociado nesta sexta. Tanto a Shell com a Statoil já operavam no pré-sal, mesmo sob as regras anteriores, mas o leilão marcou a volta de empresas ao mercado brasileiro, como a gigante norte-americana ExxonMobil, que ficou 40% da área arrematada pela companhia norueguesa.

Para levar um campo, o consórcio tinha que fazer a oferta mais generosa à União em termos de “óleo lucro”, ou seja, quanto da fatia do volume de petróleo que sobra após os custos de produção e investimento iria oferecer ao Estado brasileiro. Os consórcios com participação da Petrobras puxaram para cima as ofertas, ampliando o potencial arrecadatório da União do futuro. “O desenho anterior de leilão nunca geraria competição. Dessa vez, pelo menos algumas empresas disputaram áreas”, afirma o economista Helder Queiroz, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP). “O modelo anterior engessava muito a Petrobras. O resultado de agora confirma que ela está cada vez mais seletiva, com foco bem específico no pré-sal.”

Além de não exigir a participação obrigatória da Petrobras em todos os blocos do pré-sal, os leilões desta sexta-feira também exigiram menor percentual de conteúdo local na produção dos campos ofertados. Isto é, diminuiu o valor gasto com empresas brasileiras em serviços e projetos durante a exploração e a produção dessas áreas, o que, para o mercado, é considerado um alívio nos custos operacionais. Essas novas regras do pré-sal foram um atrativo para as petrolíferas estrangeiras, avalia Carlos Assis, sócio líder do Centro de Energia e Recursos Naturais da EY no Brasil e América do Sul. “Ninguém gosta de tomar decisão de investimento com algo compulsório colocado (a operação da Petrobras). Conseguir a operação é importante, permite criar diferenciais”, afirmou. Para o consultor, também há maior incentivo à concorrência e à inovação com novas regras. “A diversificação de empresas, pensando no desenvolvimento da cadeia, é muito importante. Não se afunila tudo em um só grande operador. Desenvolvem-se novos fornecedores, novas formas de fazer negócios e mais inovação”, afirmou.
Guerra jurídica e partilha

Os novos leilões do pré-sal sob o Governo Michel Temer (PMDB) marcaram uma nova era no setor petroleiro do Brasil, atravessado por ferrenha disputa política e ideológica. Nesta sexta, uma liminar da Justiça do Amazonas chegou a impedir a realização do certame até que o Governo conseguiu derrubar a medida. Movida pelo Sindicato dos Petroleiros do Amazonas, a ação contra os leilões protestava contra a não obrigatoriedade de participação da Petrobras.

A resistência dos sindicatos petroleiros ecoa a visão vigente nos Governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, quando a presença compulsória da Petrobras no pré-sal, descoberto em 2007, era defendida como um componente essencial para o crescimento do país. De lá para cá, a Petrobras passou por um furacão, incluindo os abalos provocados pela Operação Lava Jato. Com a empresa sem fôlego com o excesso de investimentos e o desequilíbrio nos preços da gasolina, o próprio Governo Dilma acabaria capitulando e negociando o fim da obrigatoriedade de participação da estatal na exploração da megareserva.

A volta das estrangeiras com força também marca o fim do sonho das grandes empresas nacionais privadas no setor. Uma das grandes apostas, o empresário Eike Batista turbinado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está arruinado – Eike responde a ações penais em prisão domiciliar, mas perdeu seu império empresarial após uma série de apostas fracassadas e prejuízos milionários. Nos leilões desta sexta-feira, só uma empresa nacional estava inscrita, a Ouro Preto Óleo e Gás, do empresário Rodolfo Landim, ex-funcionário de Eike e ex-presidente da BR Distribuidora. Mas a empresa de Landim saiu derrotada no único lance que fez.
A configuração nas áreas do pré-sal licitadas nesta sexta

No bloco de Peroba, na Bacia de Santos, que tinha as estimativas de petróleo mais generosas (5,3 bilhões de barris), o grupo liderado pela estatal brasileira saiu vencedor, com 40% de participação da Petrobras, 20% da chinesa CNODC e 40% da britânica BP Energy. O consórcio da Petrobras venceu com uma oferta em óleo excedente de 76,96%, ou seja, saiu vitorioso porque se comprometeu a entregar a maior parcela do petróleo produzido no campo à União, depois de descontados gastos de produção (esse volume é o chamado “lucro em óleo”).

Os consórcios da Petrobras também fizeram as ofertas mais elevadas nos outros dois campos em que a estatal também tinha manifestado preferência – neste caso, pelas regras em vigor, mesmo em caso de derrota, a Petrobras teria garantido 30% de participação na exploração das áreas. Na briga pelo bloco Alto de Cabo Frio Central, a Petrobras venceu com a BP que tinha também 50% de participação e uma oferta de lucro em óleo de 75,86%. No campo Entorno de Sapinhoá, a Petrobrás venceu com 45% de participação, divididos com a anglo-holandesa Shell (30%) e a sino-espanhola Repsol Sinopec (25%), com oferta de 80% de lucro em óleo. Esses foram os campos mais disputados e tiveram as maiores ofertas de lucro em óleo, puxadas pela estatal brasileira.

Entre as estrangeiras, a Shell liderou e consagrou-se operadora de dois campos. No bloco Sul de Gato do Mato, a Shell ficou com 80% de participação e a francesa Total com 20%, com 11,53% de oferta de lucro em óleo, o mínimo aceito na licitação. No campo Alto de Cabo Frio Oeste, a Shell garantiu 50% de participação, com 20% da chinesa CNOOC e 25% da QPI, do Catar, com uma oferta de lucro em óleo de 22,87%, também o percentual mínimo exigido. Já a norueguesa Statoil arrematou o campo Norte de Carcará, do qual será operadora com 40% de participação, divididos com a portuguesa Petrogal (20%) e a americana ExxonMobil (40%) com uma oferta de lucro em óleo de 67,12%.

out
28

DO BLOG O ANTAGONISTA

Cunha com ‘saudade’ da imprensa

Eduardo Cunha disse aos jornalistas que, como a Justiça só o autorizou a falar após o interrogatório, ele não falará hoje.

O depoimento de Lúcio Funaro na Justiça Federal, suspenso hoje, será retomado na terça. Cunha deve ser ouvido só em 6/11. Mas já prometeu “desmentir tudo” –referindo-se às acusações de receber propina em esquema da Caixa.

“Estou com muita saudade de vocês [jornalistas]”, acrescentou o ex-deputado e ex-presidente da Câmara
? ? ? ?

out
28
Posted on 28-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-10-2017


Tacho, no jornal NH (RS)

out
28
Posted on 28-10-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-10-2017

DO G1/O GLOBO

O presidente Michel Temer chegou a São Paulo no início da noite desta sexta-feira (27). Ele será submetido a um exame na bexiga no Hospital Sírio-Libanês, na região central da cidade, e deverá ficar internado até sábado (28).

O Sírio-Libanês afirmou, em nota, que presidente Michel Temer deu entrada no hospital às 20h24 “para reavaliação e continuidade do tratamento urológico a que foi submetido em Brasília.”

O procedimento consiste na introdução pela uretra de um aparelho chamado cistoscópio, com uma microcâmera que permite aos médicos ver o interior da bexiga e das vias urinárias. As imagens produzidas pela câmera são exibidas em uma tela para visualização do médico.

Se houver necessidade de raspagem da próstata, o médico já fará o procedimento, que pode levar uma hora e meia, e os médicos deverão aplicar anestesia local.

Diagnosticado com obstrução urológica, Temer deixou o Hospital do Exército, em Brasília, na noite de quarta-feira (25), sete horas após a internação.

Ao deixar o hospital, ao lado da primeira-dama Marcela, Temer disse aos jornalistas: “Estou inteiro”. O presidente também fez um sinal de positivo e, de acordo com a assessoria, seguiu para o Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência, onde ainda mora.


CRÔNICA

Vida no mato!

Arthur Andrade

Depois de uma semana as células começam a se adaptar ao mato. Elas me dizem isso. Imagine um ano, dois…

Tenho vivido mais no mato que na city nesses dois anos. E é punk. Começa pelo horário biológico. O da cidade não bate com o do mato. No mato, o corpo encerra expediente às 8h da noite, encardido, suado, exausto. Na cidade, às 11, meia-noite, duas da manhã…whatever, limpinho, molhado, cheiroso. No mato, começa às 5h, às 6h. Na cidade, nem sei mais.

Por mais que os românticos façam poesias com sonhos de viver na natureza, eles nem imaginam o que os espera. Mosquitos, muriçocas, besouros na parede branca, um grito da ave que reverbera no palco de arrepiar os penteio. Afff! Salve a rotina?! Nada! Na vida selvagem, a rotina é jogada pro alto. Não existe dia igual ao outro do nascer ao por. Quando percebi isso, lembrei das redações dos jornais. Pra quem passou por elas sabe que não existe dia igual ao outro naquela selvageria dos infernos das pautas aos fechamentos.

Ai meti a mão no tanque de água de chuva e uma cobra espanou brrrrr. João, tem cobra no tanque, gritei pro auxiliar. Rapá, rapá…Então pegou uma forquilha e tirou a malha de sapo, veneno daqueles. Nada de matar a dona moça. Lançou no mato. O mesmo mato.

Cuido de projetos, quase todos malucos. Plantar um milhão de árvores. João conserta: 100 já tá de boa!! Acabo mesmo é lavando pratos, fazendo o rango, varrendo casa, limpando a varanda daquele calango que Dona Flor, a gata, levou de presente. Sim, gatos querem agradar. Lá são três: Dona Flor, Dindin e Ganesha. Todos disputam o melhor presente. Ratos selvagens, cobras, lagartos, calangos, preás…. Arrancam a cabeça e deixam o resto no caminho – limpinho minutos antes. Depois deitam nas cadeiras e nas mesas lambendo os beiço. Puta que pariu Dona Flor, vá deitar na casa da zorra!!

Sim, porque na vida selvagem tudo é carma. Carma. Calma, que seja. De tanto as células se adaptarem, aprendi o idioma correto. As madêra, os fio, as mulé, mata atrante, os bicho que avôa, esses muricegos dendecasa…xôoo… Um dia meditei pra eles sumirem das telhas do meu quarto. Botei o terceiro olho apontado pro alto…e fui espanado pelo mijo de uns dois. Tava lá outros dois fornicando na porta da sala, agarrados perto da maçaneta. Joããão, tem muricego trepano na sala! Um facão rasgou o ar…adeus muricegos. Vida selvagem.

E quem disse que a natureza é silenciosa nunca viu uma de verdade. Natureza silenciosa é dos filmes. A de verdade é do barulho. Aponte o ouvido pro breu e vai ouvir zilhões de grilos, sapos, urutaus, corujas, pios estranhos, criaturas sombrias… lobisomens, sacis, ETs… E quem disse que no breu as estrelas somem do céu? Nada! Nasce é mais é estrela a cada noite nesse breu de vida selvagem. Elas fornicam de dia e dão luz no escurinho, escancaradas. Marré tanta estrela que nem dá ideia do tanto. E aquela zorra da lua cheia que até confunde o relógio biológico – será dia?, perguntam as células.

Tive que sair desse inferno por dois dias. Peguei estrada e cheguei na cidade, via BR 324, Acesso Norte, Iguatemi, às 8h da manhã. Aquele cenário, monte de ferro quente junto sortano gasolina pelos buraco…Aí minhas células gritaram lá dos confins: vc quer mesmo é fuuu… fornicar com a gente, né, seu…seu coiso ruim…Dá pra vortar logo?

Arthur Andrade é jornalista, ex-editor da coluna Bahia com H, do extinto diário Bahia Hoje, colaborador de raiz do Bahia em Pauta.

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