CRÔNICA

O Time de Deus

Gilson Nogueira

O Bahia está, de novo, com novo técnico. Ele, como o vendedor de geladinho que merca seu sustento na tarde calma de outubro da capital do berimbau, quer ver o time afinado e, com isso, conseguir os pontos que necessita para continuar na Serie A do Brasileirão, no ano que vem. Tomara! Além de sorte, algo muito maior o tricolor de aço vai precisar, de agora em diante, para fazer valer o lema que carrega desde que foi fundado, em Salvador, no ano de 1931 do século passado, aquele que, praticamente, moldou a cara e a cabeça do mundo em que vivemos. Mundo, alias, que se transforma tão velozmente, nos dias que correm, como as roletas dos cassinos da terra do grande Barack Obama, o presidente que os Estados Unidos deveriam eleger, novamente, se possível fosse. Na cabeça dos democratas, como eu, o negão continua dando as ordens. Com o carisma que faz morrer de inveja o atual ocupante da Casa Branca.

Com todas as credenciais para trazer de volta ao seio do universo dos que almejam o fim das desigualdades e a garantia da paz mundial, Obama, certamente, deve ter tomado conhecimento do sapecaiaiá, como se diz na gíria das ruas e arquibancadas soteropolitanas, que o tricolor de aço levou, no ano passado, se não estou enganado, de um tal de Orlando City, que tem no talentosíssimo Kaká sua maior estrela. Foram 7 a 1 para os filhos de Tio Sam, em cima dos pupilos do então treinador do maior time do mundo, Guto Ferreira, hoje, no Internacional de Porto Alegre. E ai, pergunto-me, enquanto o ruído de marretas quebrando parede perto de minha casa rompe o silencio e faz-me recordar uma celebre máxima do esporte das multidões, aquela que diz que camisa não ganha jogo. Concordo, em parte. Tratando-se de Bahia, afirmo que sim. Refiro-me, com todas as letras, ao time que me apaixonou quando o vi, pela primeira vez, na inocência futebolística dos meus 10 anos de idade, ou menos, no verdadeiro templo do futebol fora do Eixo Rio-São Paulo, a lendária Fonte Nova, aquela, de um só lance de arquibancada, de concreto armado, no bairro de Nazaré, onde os deuses do futebol marcavam encontro para assistir o Bahia atuar. E, mais importante, onde o povo sorria, na catarse gloriosa do cotidiano da bola. Hoje, em lugar da geral, o vazio dos que elitizaram a maior praça esportiva do Nordeste. Uma cerveja, ali, seja de que marca for, perde para o suor da alegria do mais humilde torcedor.
ok!
O que tinha aquele time de diferente dos demais, o que levava seus atletas ao triunfo fosse onde fosse o local do jogo, que atmosfera era aquela que unia multidões de desconhecidos em um só abraco, indago. Era algo indescritível. E, até hoje, quase ninguém soube explicar.Uma coisa,porem, é certa. Nada é maior no Bahia que o seu lema. Na atualidade, urge que os seus jogadores, titulares e reservas, intuam o que ele propõe e se compenetrem ,mais e mais, a cada partida,de que ser jogador do Esporte Clube Bahia não é o mesmo que atuar em qualquer outro clube. Ser Bahia significa ter um Compromisso com Deus. O do Futebol !!!

Gilson Nogueira é jornalista.

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