CRÔNICA

A paz e o pesadelo

Gilson Nogueira

A tarde clara de setembro, em Salvador, parece-me dizer que a paz mora aqui. Os galhos da enorme mangueira balançam calmaria, à minha frente, enquanto Tony Bennett canta Good Life, em inglês, como se para as flores, os frutos e os passarinhos, o noventão americano falasse o idioma da felicidade que vem de Deus. Até o silencio soteropolitano o entende. Tony tem a ver com essa festa de vida, suponho. Sua voz parece-me impedir buzinas e gritos que costumam estressar, até, os periquitos, mais do que eles já são, apesar de fofos. Tony, quando canta, é a celebração da existência,acredito.

E nessa calmaria barroca, que convida ao não fazer nada, a não ser o livre pensar, e só pensar, invade-me a alma o desejo de ver o Bahia vencer o Grêmio, domingo, na Fonte Nova, Trump renunciar,amanha, e o Rio de Janeiro continuar lindo, como sempre foi, apesar dessa estupidez que não o deixa ver que o Cristo Redentor e Roberto Carlos o amam Profunda e Infinitamente. Na Cidade da Bahia, ainda, o canto do sabiá tem um que de oração, sugerindo-me um recado cotidiano aos pobres mortais – Vocês são uns ignorantes. Será que não estão vendo que a paz é o que de real existe ao longo de todo o tempo, como escreveu o físico e teórico alemão Albert Einstein!

E embarcado na carruagem da esperança, por dias melhores para a Humanidade, que ri, até não poder mais, do penteado do neto do fundador da Coreia do Norte, que combina com suas ideias suicidas, pareço ouvir brotando do fundo do mar um grito encantado dizendo ao povo brasileiro para não abrir mão da democracia e ter a coragem, que sempre teve, de, pelo voto, mandar para os porões do esquecimento os políticos (argh!) que teimam em fazer da boa-fé do povo trampolim para o enriquecimento ilícito. Até o cambacica, ou caga sebo, como queiram, no seu festival de notas musicais vindas do infinto, sugere-me escrever nessa mansidão de um final de tarde que o eleitor, antes de votar, deve pensar no futuro da juventude brasileira. Ela não merece ter o seu futuro roubado pelos mentirosos de plantão, para dizer o mínimo.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do PB

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Comentários

Daniel on 21 setembro, 2017 at 16:33 #

É interessante como em todo texto ou artigo de crítica ao genocida e psicótico regime norte- coreano acabam dando um jeito de criticar o Trump, como se ele tivesse alguma culpa pela formação e patologização daquele país.

Sugestão: se procuram alguém para culpar, culpem a finada(?) União Soviética e suas crenças ideológicas.


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