Carlos Lyra e Marcos Valle, “Até O Fim”, para bossanovar o seu final de tarde chuvosa do domingo de setembro!

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

set
17

CRÔNICA


As negras nuvens de setembro

Janio Ferreira Soares

O vento da madrugada passa rente ao rio e, ao atingir o flanco esquerdo das minhas costelas, dá a sensação de que a proximidade com a água potencializou seu corte. No espelho líquido do lago finalmente cheio após anos de velames ornando seu interior, patos parecem flutuar nas réstias de uns mandacarus que se impõem nas bordas sombreadas. Tento me aproximar para visualizar se paturis ou outra espécie, mas eles voam em direção à Ilha do Paiol.

O Sol ainda não clareou o verde da grama recém-aparada, mas sei que acima do pretume das nuvens deste atípico setembro, ele já ilumina fuselagens e passageiros nos primeiros aviões que passam subtonando suas turbinas a caminho das capitais.

Uma chuva fina espanta duas lavandeiras que ensaiavam uma coreografia sacudindo suas asas igualmente negras e resolvo ir até a cozinha fazer um café. Enquanto o bule não fumega, zanzo pela casa como um zumbi de pernas finas e olheiras de um pierrô insone. Diante de um mofado espelho pregado na porta solta de um velho armário, vejo a face da solidão a me olhar, como se dissesse: “tá feia a coisa pra você, hein, cara?”.

Nos terreiros vizinhos, galos cacarejam e vários pássaros trinam seus primeiros cantos. Mais adiante, grunhidos de um porco a caminho da morte me jogam na cara as mazelas do mundo. Enquanto uns cantam e brincam, outros seguem seus destinos urrando desesperança e dor.

Agora já escurece e um casal de corujas rasga-mortalha sai do telhado cortando o pano dos defuntos com seus gritos de mau agouro. Apesar de completamente só, sigo o mote de Gil: não tenho medo da morte, mas de morrer, sim.

Ligo a velha TV e na imagem distorcida vejo uma montanha de dinheiro no apartamento de um político gordinho, que chora. Fisicamente ele lembra o suíno que há pouco também berrava para não virar sarapatel. Mas porcos, coitados, não falam nem delatam – apenas chafurdam.

Tarde da noite, me enrolo numa velha rede e tento me aquecer bebendo um resto de vinho no gargalo. O sono, assim como o assovio do vento no canto da janela enferrujada, vem em pequenas gotas, feito lágrimas de dengo.

Sonho com as belas Suindaras planando suas longas asas em busca de morcegos em pleno ar; sonho com meus filhos em algum lugar distante, talvez deitados no colo de minha mulher; sonho com pacotes de dinheiro enfileirados pelo caminho, que nem os pedacinhos de pão jogados pela bruxa má para atrair João e Maria à fatal armadilha, como na história que Cecília contava pra me fazer dormir.

Sob o barulho da chuva nas biqueiras de flandres, me lembro que ao findar ela dizia no meu ouvido, com sua voz de rainha boa, que o amor e a verdade sempre vencem no fim. Pena que fábulas sejam apenas fantasias, longe, longe, muito longe do castelo onde mora o mundo real.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na ribeira baiana do Rio São Francisco.

Maravilha!!!

Simplesmente uma maravilha, letra, musica e interpretação. Para sempre.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)


Jair Bolsonaro em sessão do Conselho de Ética que rejeitou processo
contra ele por elogiar o coronel que foi chefe do DOI-CODI, Carlos Ustra Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil


DO EL PAÍS

OPINIÃO

Os ‘fuzilamentos’ de Bolsonaro

Juan Arias

Sou filho de uma guerra civil, a da Espanha, com mais de 1 milhão de mortos – a maioria fuzilados -, e de uma ditadura militar de 40 anos, marcada por mortes e intolerância com as diferenças. Talvez por isso, ao escutar de novo, em um vídeo, a palavra “fuzilar” na boca de Jair Bolsonaro, candidato a presidir o Brasil, senti arrepios. De acordo com suas palavras, “é preciso fuzilar” os responsáveis pela exposição de arte Queermuseu do Santander Cultural, em Porto Alegre. No vídeo, Bolsonaro repete três vezes com ênfase: “É preciso fuzilar”. E Freud nos ensina como a linguagem nos trai.

Quando a Guerra Civil Espanhola eclodiu, eu era menino. Vivíamos em um povoado da Galícia onde as janelas de casa davam para a rua. Ali se podia ver, à beira da estrada, os fuzilamentos dos dois lados e sentir o estopim dos fuzis. Minha mãe fechava as janelas para que eu não visse aquelas mortes violentas. Naqueles anos, nossa preocupação era que meu pai, o professor da cidade, pudesse ser a qualquer momento arrastado para a estrada e fuzilado. Muitas noites camponeses pobres o escondiam em suas casas.

Hoje, o deputado Bolsonaro tira da gaveta o maldito verbo “fuzilar” contra os responsáveis por uma exposição de arte, não contra inimigos em uma guerra. Talvez porque meus sonhos ainda sejam às vezes perturbados pelo estouro dos fuzilamentos da minha infância, confesso que escutar de um responsável pela vida pública que aqueles que trabalham com arte e cultura devem ser fuzilados me perturba duplamente neste Brasil, país que escolhi para acabar meus dias e onde nem os mais idosos se lembram da última vez que houve uma guerra.

Esse chamamento a fuzilar os responsáveis por uma exposição de arte, por mais polêmico que seja, me traz outra lembrança, desta vez já como adulto. Acabada a ditadura e morto o caudilho Franco, a imprensa livre divulgou como o ditador decidia os fuzilamentos do dia seguinte. Era algo que ele fazia enquanto tomava seu cafezinho depois de almoçar. Levavam a ele a lista dos condenados à morte pelo regime e ele decidia de que maneira e a que hora deveriam morrer. E cada decisão era decorada com um toque artístico. O general desenhava uma flor ao lado de cada nome condenado à morte.

Tantos anos depois escuto que deveriam ser fuziladas as pessoas relacionadas com a arte e a cultura, e vejo que a pessoa que manifesta esse impulso de violência, candidato à Presidência do Brasil, já contaria com milhões de votos. Pergunto-me, dolorido e espantado, triste e perplexo: “O que está acontecendo com o meu Brasil? Até onde quer chegar a loucura que se incrustou em suas veias?”.

Não deveria ser esta a hora em que os artistas, os poetas, os intelectuais, os trabalhadores – todos aqueles que não acreditam na força das armas mas sim na do diálogo, do encontro, da soma dos esforços pela paz – deveriam se unir para mudar o verbo fuzilar de Bolsonaro para amar e aceitar o outro? Sim, a todos, inclusive aqueles que não pensam como nós.

Como escreveu no Facebook a minha mulher, a poeta Roseana Murray: “Quando a arte e o pensamento se transformam em bode expiatório é urgente se desarmar. E amar”.

Se algo deve ser “fuzilado”, neste momento, é a intolerância. E se algo deve ser salvo e com urgência, é a liberdade de viver, de pensar, de criar e de amar como cada um quiser. Todo o resto tem cheiro de morte.

set
17
Posted on 17-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-09-2017


Gisele Bündchen se emociona na abertura do Rock in Rio
A.Gomes AFP

DO EL PAÍS

Carla Jiménez

Gisele Bündchen é sempre um deslumbre quando aparece e na noite desta sexta-feira não foi diferente. Ela abriu o festival Rock in Rio que levou milhares de jovens à Cidade do Rock, porque se tornou um ícone na defesa do meio ambiente. Estava ali para lançar o projeto mundial Believe Earth/Amazônia Live, abraçado pela organização do show de rock, que visa jogar luz sobre questões ambientais, como a proteção da floresta amazônica. Nada mais justo que chamar Gisele, que não se furta ao papel de mandar recados até para o presidente da República quando há projetos que ameaçam a floresta amazônica. “Sonho com o dia em que encontraremos o equilíbrio entre o ter e o ser… o desfrutar e o preservar. Sonho com o dia em que viveremos em harmonia em total harmonia com a mãe terra… Cada um temos um impacto nesse mundo, só temos de decidir qual impacto queremos ter”, discursou Gisele, emocionada.

A modelo não é uma ambientalista de ocasião. Já havia protagonizado uma cena comovente num vídeo em que sobrevoava a Amazônia. Ao avistar trechos desmatados, ela não segura as lágrimas. Nas redes, tornou-se uma aliada poderosa para as ONGs. Marca posição sempre que há projetos lesivos à floresta em pauta. Foi assim quando saiu a notícia do decreto, por ora suspenso, de extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), no Amapá e Pará, ou a diminuição da floresta Jamanxim, também no Estado paraense.

“Vergonha! Estão leiloando nossa Amazônia! Não podemos destruir nossas áreas protegidas em prol de interesses privados”, escreveu a modelo em seu Twitter, logo após o Governo Temer ter assinado, no mês passado, o decreto extinguindo a Renca que, apesar do nome, contempla reservas ambientais e indígenas. Em 12 de junho, ela chegou a marcar diretamente o twitter oficial do presidente Michel Temer para reclamar da redução da floresta Jamanxim, que perderia 600.000 hectares por meio de uma Medida Provisória, proposta do Governo. “@MichelTemer, veto as propostas que ameaçariam 600k de hectares de área protegida na Amazônia brasileira”, reclamou ela. Foram quatro tuítes no total, dois em português e dois em inglês, para protestar. Na verdade, eram 437.000 hectares menos.

A moça tem poder e influência. São 4,6 milhões de seguidores no mundo todo que acompanham seus passos. É péssimo ficar mal com uma moça linda, rica, bem sucedida e ainda preocupada com o bem estar da humanidade. Ainda mais para um presidente tão impopular. E assim, no caso de Jamanxim, Temer acabou voltando atrás rapidamente e tentou transformar a ‘cutucada’ de Gisele em um fato favorável. Marcou Gisele de volta no Twitter para anunciar o seu veto à proposta inicial. Temer, porém, fez o anúncio do veto a Jamanxim em público, mas por trás enviou um novo projeto de lei para o Congresso aumentando ainda mais a proposta de redução de Jamanxim, que recebeu emendas da bancada ruralista. Desta vez, Jamanxim poderia perder 1 milhão de hectares, pelo cálculo de ambientalistas. “Estamos de olho”, avisou ela, quando do veto de Jamanxim, partilhando uma notícia de que o ataque a Jamanxim podia voltar sob forma de um novo projeto de lei, como efetivamente voltou.

set
17
Posted on 17-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-09-2017


Zop, no portal de humor gráfico A Charge Online

set
17

DEU NO BLOG O ANAGONISTA

Dodge dá 30 dias para saída da equipe de Janot

Raquel Dodge decidiu dar um prazo de 30 dias para a saída da atual equipe da Lava Jato na PGR, nomeada por seu antecessor Rodrigo Janot, informa a Época.

Os principais integrantes – como os promotores Sérgio Bruno e Wilton Queiroz e os procuradores Fernando Alencar, Melina Montoya e Rodrigo Telles – formarão um gabinete de transição para passar as informações à nova equipe neste prazo.

“Dodge vai nomear oito procuradores, dentre os quais apenas Maria Clara Barros Noleto e Pedro Jorge do Nascimento fazem parte da atual equipe. Os demais serão Hebert Reis Mesquita, José Alfredo de Paula, José Ricardo Teixeira, Luana Vargas Macedo e Raquel Branquinho.”

  • Arquivos

  • setembro 2017
    S T Q Q S S D
    « ago   out »
     123
    45678910
    11121314151617
    18192021222324
    252627282930