set
15

Saudades e “solidões” que voam …( dedicada ao Paulo Faya)

Saudades e “solidões” que voam…

Maria Aparecida Torneros

Ontem, peguei-me amargurada, depois que, por email, recebi a notícia da morte de um grande amigo, com quem troquei, nos últimos 15 anos, muitas vezes, a sensação de um futuro que teríamos juntos e que nunca aconteceu. Estivemos próximos e distantes, por inúmeros momentos. O tempo se encarregou de nos povoar de uma saudade estranha.

Houve ocasiões em que éramos tão cúmplices das nossas histórias de perdas e desenganos pessoais, que bastava uma conversa de cinco minutos, via telefone, e direcionávamos nossos sentimentos para a construção do grande pilar familiar. Podíamos dividir as preocupações com filhos e com seu neto, por exemplo, com seu futuro. Partilhávamos as dores físicas, as necessidades cirúrgicas, o passar dos anos, minhas dores de coluna, suas dificuldades de locomoção, a tal velhice que iniciava em nós um processo lento de despedida da vida.

Faz alguns meses, aconteceu a última vez em que nos falamos, também por telefone, depois de um ano, talvez, meio perdidos um do outro, senti sua voz embargada do outro lado da linha, perguntei o que acontecia, e ele apenas justificou-se estar emocionado por ouvir-me de novo, após tanto tempo.

Contou-me das mudanças de vida nesse período, falou-me que finalmente estava andando sem as muletas que o perseguiram por causa dos problemas no joelho, fora operado e estava recuperado.

Disse-me que mudara de casa e de bairro, que estava bem feliz, com nova companheira, deixara de morar sozinho, já que era viúvo há muito tempo.

Procurei conter também, por minha parte, a emoção de senti-lo de novo, tão próximo pela voz e tão distante, pelos descaminhos da vida. Mesmo assim, nos prometemos, tirar um dia para sairmos e comemorar, em família, com sua filha e neto, o menino que o orgulhava tanto e que ele não cansava de idolatrar. Prometemos nos encontrar para comermos novamente, juntos, aquele peixinho especial que servem num restaurante localizado nas imediações da minha casa. Este almoço, ficamos nos devendo, então, sei agora, pra sempre.

Quando era possível, ele vinha, depois de atravessar a cidade, da Barra da Tijuca até Vila Isabel, para compartilharmos o sabor dos mares, peixes e camarões, o gosto dos oceanos, a face de alguma saudade que voava sobre nós, de vez em quando.

No fundo, nos recentes meses, comecei a me dar conta dos inúmeros familiares, amigos e amigas que tenho perdido e de como vou acrescendo a lista de saudades destas pessoas em mim e das consequentes solidões que elas me provocam.

O meu amigo se foi, preparo-me para ir assistir a missa em sua homenagem. Lembro-me dele em diversas ocasiões, trabalhando ainda como médico em consultório ou hospital, lembro-me dos nossos almoços, das nossas batalhas políticas, das longas reflexões sobre nossos filhos e das muitas confissões sobre nossas angústias de vida.

Houve ainda, momentos de descontração. Ele cantava algum trecho de canção antiga, no telefone. Ríamos, ele tinha sido compositor-estudante no tempo de universitário. Parceiro do famoso Guinga. Uma composição dos dois intitulada – “sou só solidão”, fora finalista e premiada na primeira eliminatória do inesquecível festival da canção de 1967.

Gostava de me relembrar aquela época de jovem romântico compondo músicas em festivais. Uma vez, fui ao google e o avisei que ele estava lá como compositor de uma canção vencedora em algum desses festivais.

Talvez pudéssemos ter aprofundado o convívio, mas não foi o caso. Tivemos aquele bom viver baseado em admiração, respeito e carinho. Era bom sermos referências mútuas de vidas dedicadas ao trabalho e à família.

Sua admiração pelos filhos, a intensa e dolorosa recordação do filho que perdera, ainda adolescente, o orgulho pelo outro filho fotógrafo de moda, a paixão pela filha advogada, que lhe deu o “netão”, sua felicidade em acompanhar o nascimento e crescimento do menino.

Entre muitas declarações de amizade, pudemos construir uma base para sentirmos imensa saudade, daquelas que voam, que permanecem, além da vida, que flutuam no nosso interior, estejamos em corpo ou em alma, em presença ou ausência, em palavras ou silêncio.

Atualmente, sinto que isto pouco importa, meu amigo está aqui, apesar da sua passagem para o outro lado, ele consegue me trazer a lembrança viva da sua voz embargada, concluo que talvez fosse mesmo o prenúncio da nossa despedida que o tivesse levado às lágrimas, enquanto eu não percebi isso, naquele dia.

O que me deixa amargurada não é o nosso adeus nesta Terra, nem tampouco algum medo de um fim que sei não é eterno, pois creio no encontro espiritual, possível e etéreo.

O que me deixa amargurada, na verdade, tem a interface da proposta de sua velha canção premiada, a idéia da “solidão” como uma premissa infame e constante na vida. Penso que podemos sentir saudades do que nunca aconteceu, do que cultivamos somente em sonhos, do que foi fantasia quando projetamos futuros incertos, das realidades que não alcançamos, e dos desejos que não realizamos.

Penso que estas saudades tão marcantes, refletem o vôo dos pássaros sobre os mares, das gaivotas que buscam os peixes para seu alimento.

Meu amigo e eu, ocasionalmente, baixávamos sobre a linha dágua e engolíamos os tais peixinhos, trocando olhares de satisfação e palavras de esperança, como tento encontrar agora, as mesmas palavras carregadas de emoção e agradecimento por ter podido conhecê-lo e ter dividido com ele tantas boas recordações, e ainda, receber esta herança sem preço… carregar comigo as saudades dele, pairando, voando, sobre meu coração solitário e sobre minha cabeça de “mulher mais inteligente que eu conheço” – era como ele se referia a mim, numa confissão quase infantil, tão sincera e tão inconsistente…

Como eu sempre rebatia…- se eu fosse mesmo tão inteligente assim, teria sabido preencher com mais alegria o coração daquele ser que me legou esta saudade estranha, que agora me invade, dando voltas ao meu redor, alada, voejante, insistente, que me faz chorar e rir ao mesmo tempo, que me confunde entre o sonho e a realidade.

Maria Aparecida Torneros é jornalista e escritora. Mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Cida.

Simplesmente sensacional:música, letra e interpretações. Confira!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

set
15


Rodrigo Janot, nesta quinta-feira.
ADRIANO MACHADO REUTERS


DO EL PAÍS

Felipe Betim

São Paulo

Pouco antes da última sessão plenária no Supremo Tribunal Federal durante o mandato de Rodrigo Janot como procurador-geral, nesta quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes disparou a seguinte frase sobre o colega: “Que saiba morrer quem viver não soube”. A frase soou como uma súplica para quem, na verdade, vinha correndo contra o tempo para justamente continuar fazendo as coisas e vivendo à sua maneira. Um sprint final que começou há exatos 10 dias, quando Janot apareceu na televisão para anunciar que os executivos da JBS, entre eles o empresário Joesley Batista, haviam omitido fatos “gravíssimos” em suas delações premiadas, algo que poderia anulá-las. Vislumbrava-se então uma reta final cheia de obstáculos e buracos, mas nesta quinta-feira Janot conseguiu cruzar a linha de chegada atirando suas últimas flechas, como planejara: denunciando o presidente Michel Temer e outros políticos do PMDB por obstrução de justiça e organização criminosa.

Entre o constrangedor anúncio, no último dia 4 de setembro, e a apresentação das últimas denúncias nesta quinta-feira, dia 14, uma avalanche de fatos se sucederam. Já no dia 5, Janot denunciou políticos do chamado quadrilhão do PT, entre eles os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de cinco ex-ministros, por formação de organização criminosa. Pelo mesmo motivo também denunciou, naquele mesmo dia, 12 políticos do PP. A acusação mais esperada, contudo, era contra um Temer fortalecido e empenhado em deslegitimar a atuação do Procurador e as provas até então colhidas. Ao mesmo tempo, o Congresso instalava uma CPI para analisar os acordos de colaboração premiada com a JBS.

Janot solicitou então a prisão dos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, além de um antigo colaborador seu,o ex-procurador Marcelo Miller, suspeito de ter auxiliado os executivos a costurar o acordo com a PGR. A semana começou com os executivos da JBS presos — o ministro do STF Edson Fachin rejeitou o pedido contra Miller — e um pedido de Janot para que o Supremo arquivasse uma denúncia contra políticos do PMDB. Faltava ainda enfrentar uma última votação no STF: o pedido da defesa de Temer para que Janot fosse afastado das investigações contra o mandatário. Os noves ministros presentes entenderam nesta quarta que ele deveria continuar seu trabalho, deixando o caminho livre para que apresentasse sua última denúncia nesta quinta. Além dos políticos do PMDB, Batista e Saud foram denunciados pelos mesmos motivos e o acordo de colaboração premiada dos diretivos da JBS, rescindido.

Durante a batalha entre a PGR e o Planalto para ver quem tinha razão, Janot se viu beneficiado pelo desgaste político sofrido por Temer nos últimos dias. Ainda no dia 5, a Polícia Federal encontrou 51 milhões de reais de Geddel Viera Lima, apontado como responsável pela movimentação de quantias milionárias a serem distribuídas entre os membros do PMDB, Temer incluído. Naquele mesmo dia, a delação de Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB, era homologada pelo Supremo: em depoimento, ele detalha propinas milionárias da JBS e da Odebrecht para o presidente. Nesta semana, a PF concluiu que Temer era o principal articulador do chamado quadrilhão do PMDB da Câmara e o acusou de ter recebido 31,5 milhões de reais de forma ilícita. Paralelamente, o STF autorizava que o presidente fosse investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva em um caso relacionado com negócios no porto de Santos.

No cargo até o próximo domingo, Janot se prepara agora para passar o bastão para sua sucessora, Raquel Dodge. Entre agosto de 2015 e setembro de 2017, o procurador apresentou 34 denúncias, uma média de 1,4 por mês, segundo informou Afonso Benites. Só nos últimos 10 dias, foram quatro importantes denúncias, a rescisão de um acordo de colaboração, o pedido de prisão dos executivos da JBS e uma votação no Supremo. Uma despedida bastante corrida.


Gustavo Ferraz se diz “traído” por Geddel

DE O GLOBO

por Vinicius Sassine

BRASÍLIA — Preso em razão das digitais em pacotes de dinheiro apreendidos num “bunker” em Salvador, o advogado Gustavo Ferraz (PMDB) afirmou à Polícia Federal (PF) que deseja colaborar com as investigações. Ferraz deu detalhes sobre como buscou uma mala com notas de R$ 100 em São Paulo e disse que se sentiu “traído” pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), também preso preventivamente em Brasília em razão dos indícios de que é o responsável pelos R$ 51 milhões encontrados na capital baiana. Gustavo e Geddel são aliados políticos e as digitais dos dois foram encontradas em pacotes apreendidos. Agora, Gustavo vem se candidatando a implodir a parceria e a entregar o que está por trás da maior apreensão de dinheiro já feita no país.

O GLOBO revelou na edição de terça-feira que o advogado admitiu em depoimento à PF ter viajado a São Paulo em 2012, a mando do ex-ministro, para buscar quantias em espécie. Na ocasião, Geddel era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, nomeado pela presidente Dilma Rousseff. O episódio foi citado pela PF para embasar o pedido de prisão preventiva da dupla — o dinheiro teria sido repassado por um emissário do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Agora, novas informações obtidas pela reportagem mostram que Ferraz detalhou essa busca das quantias. O aliado de Geddel já prestou dois depoimentos. No primeiro, foi genérico nas afirmações. No segundo, acrescentou detalhes e deixou evidente a intenção de colaborar com a Justiça. Geddel, por sua vez, ficou em silêncio.

Ferraz disse que buscou uma mala num endereço em São Paulo, numa rua cujo nome não se lembrava, e que achava que a bagagem seria leve, tendo notado depois o peso. O advogado afirmou que entregou a encomenda na residência de Geddel em Salvador, sem abri-la. Depois, em novo depoimento, acrescentou detalhes: forneceu elementos do carro que usou, do imóvel onde buscou o dinheiro e do avião que o transportou, que já estaria preparado no aeroporto para ele.

O aliado de Geddel afirmou que ele e o ex-ministro abriram a mala em Salvador e notaram a existência de diversos pacotes de dinheiro. De Geddel ouviu que as quantias iriam abastecer campanhas de candidatos do PMDB da Bahia. Ele disse ter se sentido “traído” por Geddel, pois não haveria destinação de dinheiro para seu grupo político. De janeiro até o dia de sua prisão, na sexta-feira, Gustavo exerceu o cargo de diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, nomeado pelo prefeito ACM Neto (DEM). A Justiça autorizou a transferência dele do Presídio da Papuda para o Núcleo de Custódia Militar, onde também ficam advogados.

Por haver indícios de que o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, tem ligação com o “bunker” dos R$ 51 milhões, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira encaminhou ontem o caso para análise do Supremo Tribunal Federal (STF). Lúcio pode ser acusado de lavagem de dinheiro.

set
15
Posted on 15-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-09-2017


Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online

set
15
Posted on 15-09-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-09-2017


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Moro manda prender Leo Pinheiro e Agenor Medeiros

Sérgio Moro determinou hoje a execução provisória da pena de Leo Pinheiro e r Medeiros, executivos da OAS já condenados em segunda instância.

Pinheiro já estava detido preventivamente na PF em Curitiba, informa a Folha. Medeiros, ex-diretor da área internacional da empreiteira, está em liberdade e deve voltar à prisão, mesmo com a possibilidade de recurso a tribunais superiores.

Os dois foram condenados por por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

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