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DO G1

Por Bárbara Carvalho, GloboNews

O ex-presidente do Departamento de Transportes do Rio (Detro), Rogério Onofre, se entregou no fim da manhã deste sábado (26). Ele era considerado foragido pois não havia sido localizado pela polícia após ser alvo de um novo mandado de prisão expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio.

Onofre foi levado para o presídio em Benfica, Zona Norte do Rio, e chegou ao local por volta das 13h.

Ele foi preso em julho deste ano, na Operação Ponto Final, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de receber R$ 44 milhões em propina no esquema de corrupção no setor de transporte do estado do Rio. A mulher de Onofre também foi presa depois da operação, deflagrada em julho.

Na noite de terça-feira (22), o casal recebeu habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Na quarta, o MPF pediu novamente a prisão. Entre os argumentos estava a acusação de que Onofre vinha ameaçando outros detidos na operação.

Neste sábado, o advogado de Rogério Onofre, Yuri Sahione, disse ao G1 que está estudando alguma medida para entrar novamente com o pedido de habeas corpus e afirmou que a defesa não concorda com essa decisão.

Ameaças

Entre as provas apresentadas pelos procuradores sobre as ameças está um áudio gravado no momento em que a operação Ponto Final ocorria. Na conversa, Onofre cobra dinheiro e faz ameaças aos empresários Nuno Coelho, conhecido como “Batman”, e Guilherme Neves Vialle, o “Robin”. Eles foram presos este mês, em Curitiba, acusados de lavar dinheiro na venda de imóveis para o casal.

Guilherme Vialle disse em depoimento à Polícia Federal que foi ameçado pessoalmente por Onofre, que teria dito que mandou pessoas acompanharem a rotina dele e da família e que antes de matar Guilherme, iria torturá-lo.

Nuno Coelho disse à polícia que Onofre avisou que sabia onde a família dele e a de Guilherme moravam e que “já investigava os dois”. As ameaças também chegavam por mensagens de áudio.

Na decisão desta sexta, o juiz Marcelo Bretas diz que as ameaças também representam uma obstrução à justiça. Para o juiz, Onofre em liberdade poderia atrapalhar a investigaçao sobre a máfia nos transportes do Rio, que movimentou pelo menos R$ 250 milhões em propina – dinheiro das empresas que faziam uma espécie caixinha da corrupção.

O Ministério Público Federal quer saber se o sistema do Bilhete Único e do vale transporte também foi usado pra pagar agentes públicos. Juntos, eles movimentam R$ 6 bilhões por ano.

Em operação nesta sexta, um diretor da federação das empresas de ônibus (Fetranpor) foi preso em flagrante por obstrução da Justiça. Ele mandou um funcionário esconder um computador dos policiais.

Onofre se tornou réu junto com outras 23 pessoas, incluindo o ex-governador Sérgio Cabral, em desdobramento da Operação Lava Jato no Rio (veja todas as 14 denúncias contra Cabral).

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