A ALMA

Gilson Nogueira

A esquina, local sagrado dos encontros da turma, continua la. Infelizmente, vazia, sem personalidade. Os rapazes que lhe davam vida envelheceram, sem perder a juventude. Aquela esquina, agora, chora o silencio da turma. Passei por lá, outro dia, e a (ou)vi. De uma hora para outra, sem aviso prévio, foram-se todos, sem deixar substitutos, pareceu-me dizer a esquina solitária dividida entre o ontem e o hoje. Pois é, naquele cotovelo de pedras portuguesas, no caminho do Jardim de Nazaré, personagens de um tempo mágico, plantaram raízes de uma grande amizade, que perdura até hoje. Caíram no mundo, cumprindo o roteiro dos seus destinos. O futuro já os tinha em sua companhia. E este não se arrependeu. Na atualidade, quase todos na quadra dos setenta anos, de cabelos charmosamente coloridos, pela natureza, em preto, branco e dourado, encontram-se, de vez em quando, em comes e bebes esporádicos. Diariamente, porem, em casa, veem-se na lembrança de cada um, batem ponto no travesseiro da saudade, recordando instantes maravilhosos vividos entre eles e fatos que viraram noticia na imprensa soteropolitana da época, como, por exemplo, a chegada do homem à lua. Eu ,por exemplo, estava lá, decolando na profissão. Em uma emissora de rádio de Salvador, fiz a ponte com uma rádio do sul maravilha flagrando o instante em que a lua deixava de ser apenas dos poetas e dos namorados.Às 17h17m, horário de Brasília, do dia 20 de julho de 1969, a base da NASA recebeu o primeiro contato dos dois astronautas que primeiramente pisaram na Lua: Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Está no Google. Na tarde de 16 de julho de 1969, a nave Apollo 11, que foi lançada de Cabo Canaveral, na Flórida (EUA), levou à órbita da Lua os astronautas Neil Armstrong, Edwin “Buzz” Aldrin e Michael Collins. Quatro dias depois, Armstrong entrou para a história como o primeiro ser humano a pisar na superfície lunar.

A Turma de Nazaré preserva sua memória. Diferentemente da Salvador dos dias que correm, onde a alma da cidade parece ter ido para o espaço sideral.

Gilson Nogueira é jornalista. Colaborador da primeira hora do BP.

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Comentários

regina on 17 agosto, 2017 at 16:01 #

Gilson (Migué) querido, aquela esquina das nossas lembranças eterniza-se nos nossos enredos… cada um de nós tem uma estória a contar, trilha entre o território sagrado da ruela, quase que privada, onde sentávamos para os papos, as serenatas, os ensaios do bloco de carnaval e a cidade, para onde todos iam ou vinham.
Os meninos e meninas que ali residiram, hoje são Jornalistas, Advogados, Médicos, Cirurgião Plástico, Cantores famosos, Políticos, e demais servidores públicos ou privados que fizeram e fazem a grandeza soteropolitana! Muitos hoje aposentados, aí ou alhures, que guardam no baú das recordações um tezouro inesgotavel de lembranças reais e imaginadas que fazem e dizem o que somos!!!
Grata por não deixar a peteca cair… Simbora!!!


GILSON NOGUEIRA on 18 agosto, 2017 at 21:25 #

Querida Regina, vamos botar, de novo, nosso bloco na rua! Nos 50 Anos do Vat! Beijos


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