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Postado em 10-08-2017
Arquivado em (Artigos) por vitor em 10-08-2017 00:31


DEU NO BLOG DO NOBLAT (O GLOBO), REPRODUZIDO NO ESPAÇO DA AUTORA TEATRAL E CRONISTA, ANINHA FRANCO.

PT faz o jogo de Doria

Ricardo Noblat

O dia de ontem começou bem para o prefeito João Doria (PSDB), de São Paulo, e terminou melhor. Para quem é cada vez mais candidato a presidente da República, e, se não der, à sucessão do governador Geraldo Alckmin, o dia começou com elogios de Michel Temer e acabou em Salvador com uma chuva de ovos providenciada pela CUT e integrantes de movimentos sociais.

Tudo bem, elogios de um presidente com rala popularidade pouco ou nada acrescenta ao bornal de votos que Doria carrega. Mas para alguém como ele que precisa de apoio dentro dos partidos e de espaço frequente na mídia, os elogios de um presidente da República serão sempre benvindos. Quanto à chuva de ovos, no momento em que chegava à Câmara Municipal de Salvador…

Nem por encomenda poderia ter sido melhor. Por muito menos, alvo de uma bolinha de papel quando foi candidato a presidente da República em 2010, o hoje senador José Serra (PSDB-SP) fez um escarcéu enorme. De certa forma, faturou o que seu partido tratou como uma inominável agressão. Ovo não machuca, mas suja. É prova provada de um ato hostil indesmentível.

Deu chance a Doria de acusar o PT por intolerância e de polarizar mais uma vez com ele. Doria se oferece ao mercado de votos como o anti-PT por excelência, o nome ideal para enfrentar Lula caso ele escape da Justiça e consiga ser candidato a presidente da República pela sexta vez. Estava na Bahia para receber o título de cidadão de Salvador. Acompanhava-o o prefeito ACM Neto (DEM)

Lula ainda conserva um grande contingente de votos na Bahia. Nos últimos 14 anos, o Estado foi governado por um petista – antes Jaques Wagner, ex-ministro de Lula e de Dilma, agora Rui Costa, que tentará se reeleger. Doria foi ser homenageado num reduto do PT, portanto. Mostrou a seus admiradores que não foge à luta nem mesmo em território hostil.

Provocar o PT e ser provocado por ele tornou-se uma marca de Doria que só o beneficia à medida em que se aproxima a data para que o PSDB escolha seu candidato à vaga de Temer. Alckmin terá dificuldade de disputar com Doria nesse espaço. Poderá vencê-lo no espaço interno do partido e na montagem de uma ampla coligação de forças. A conferir mais adiante.

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