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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O RACHA NA EQUIPE ECONÔMICA DE TEMER

A equipe econômica de Michel Temer rachou. Henrique Meirelles desautorizou publicamente o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.

Meirelles foi contra a liberação do FGTS e perdeu a batalha. Ontem, sentiu-se desprestigiado ao não ser consultado sobre a divulgação do PDV. Hoje, sua paciência transbordou com a notícia de possível revisão da meta fiscal.

Maravilhosa Sapoti!!!Inimitável!!!

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

CRÔNICA/ CINEMA

“O Cidadão Ilustre”

Lucia Jacobina

Eis um filme inteligente que prende o espectador do primeiro ao último minuto.Está sendo exibido em nossa cidade há várias semanas e confirma a qualidade pelo prestígio alcançado em competições internacionais, como ganhador do Goya de melhor filme neste ano de 2017 e de melhor ator para Oscar Martinez, no Festival de Veneza de 2016. Premiação duplamente alcançada pela crítica e confirmada pela presença do público.

Os diretores são os argentinos Mariano Cohn e Gastón Duprat, conhecidos do grande público.O roteiro é bastante original e é assinado por Andrès Duprat, o mesmo que escreveu “O Homem ao Lado”, outro longa-metragem de sucesso do trio. Geralmente, o cinema transforma em cenas o texto literário, nas famosas adaptações para a tela. Em “O Cidadão Ilustre”, o roteirista faz o inverso. O filme constrói em capítulos a história que depois será convertida em livro. A narração é feita em planos médios e close ups, nos quais o ator principal está enquadrado na quase totalidade das cenas, justamente para não deixar dúvidas de que é ele o protagonista de sua própria história.

Oscar Martinez dá um show de interpretação no papel de Daniel Mantovani, escritor argentino exilado político em Barcelona, na Espanha que vai a Estocolmo receber o prêmio Nobel de Literatura e contesta no discurso, no comportamento e no figurino a formalidade da cerimônia de premiação.Ele consegue passar para o público a angústia, a inquietação e a insegurança do artista com relação à receptividade do público a sua obra e ao mesmo tempo o receio de que esse acolhimento represente o esgotamento de seu potencial criativo por não mais simbolizar a vanguarda que choca em lugar de agradar aos leitores.

Toda essa audácia é apenas uma introdução para o que se vai desenrolar depois. A câmera passa a enfocar o cotidiano de Mantovani, um homem solitário e introspectivo, vivendo isolado em sua casa com uma gigantesca biblioteca, de onde solicita a visita de uma secretária que cuida de seus interesses.Dentre eles e decorrentes sobretudo da importante consagração, numerosas honrarias lhe são conferidas no mundo inteiro e convites endereçados, inclusive o da Prefeitura de Salas, nome fictício de sua cidade natal. Antes recusados, resolve aceitar o desafio de empreender a viagem de volta, consciente de que sempre carregou a cidade dentro de si, embora até então a ela não tivesse fisicamente retornado.

Durante a permanência no povoado, a frustração gerada pelo confronto entre reminiscência e realidade torna-se evidente. E através dos contatos com seus conterrâneos, numerosos questionamentos são expostos e discutidos como a memória e a criatividade, a função da literatura na sociedade, a impostura das premiações, a apropriação que a política faz da arte, a inveja e a vaidade, temas universais, atuais e instigantes quer ocorram em nações civilizadas quer nas subdesenvolvidas.

Daí o interesse despertado, pois o assunto a todos interessa. E, mais importante, ainda, “O Cidadão Ilustre” demonstra que o êxito de uma película reside na força de seu roteiro, na escolha do elenco, na qualidade da direção e para concretizar o projeto certamente não necessitou de um orçamento exorbitante

Para finalizar, o festejado Daniel Mantovani declara à imprensa que “o escritor se faz com lápis, papel e vaidade”, transferindo ao público espectador a tarefa de continuar envolvido na trama.

Enfim, uma lição que os argentinos estão dando ao mundo cinematográfico.

Lúcia Leão Jacobina Mesquita é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”.

VIVA TITO MADI !!! VIVA O SONHO !!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

( Tito Madi interpreta sua composição “Sonho e saudade” no filme “Amor para três”, dirigido por Carlos Hugo Christensen em 1959/1960.
No clip também podem ser vistos o famoso pianista Ribamar e os atores Agildo Ribeiro e Suzana Freyre.
Informações do clip no youtube).

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Além de PDV, governo propõe reduzir jornada de servidores

O Ministério do Planejamento informa que, além do Programa de Desligamento Voluntário (PDV), o governo também reduzirá a jornada de trabalho dos servidores com redução proporcional da remuneração.

“A medida busca aumentar a eficiência no serviço público com soluções que racionalizem gastos públicos e proporcionem crescimento econômico”, diz a nota. Como O Antagonista antecipou, a expectativa é de uma economia de R$ 1 bilhão por ano.

Para incentivar a adesão ao PDV, o governo oferecerá indenização correspondente a 125% da remuneração do servidor na data da exoneração multiplicada pelo número de anos de efetivo exercício.

“A proposta prevê também que os servidores efetivos poderão requerer a redução da jornada de trabalho de oito horas diárias e 40 semanais para seis ou quatro horas diárias e 30 ou 20 horas semanais, respectivamente, com remuneração proporcional, calculada sobre o total da remuneração.”

Dyogo atropela Meirelles com PDV

O Antagonista soube que o texto do PDV estava em discussão no governo desde abril e que Henrique Meirelles foi pego de surpresa com o anúncio feito hoje mais cedo por Dyogo Oliveira.

Meirelles chegou a comentar entre assessores que o PDV “era uma discussão que o ministro Dyogo antecipou”.

Como revelamos, a discussão já está bastante adiantada e o ministro do Planejamento pretende enviar ao Congresso a medida provisória com o plano até o final da semana.

Fontes do Palácio do Planalto disseram a O Antagonista que Michel Temer ainda não perdoou Meirelles por seus encontros com Rodrigo Maia.


A escritora espanhola Pilar del Río, que estará na FLIP deste ano.
Danilo Verpa Folhapress

DO EL PAÍS

Marina Rossi

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) chega aos 15 anos mais madura. E mais feminista também. A debutante festa literária que ocorre na cidade histórica do Rio de Janeiro terá, pela primeira vez, mais mulheres que homens na programação. Sob curadoria de Josélia Aguiar, as mesas estão mais diversas e mais inclusivas. Depois de sofrer críticas de movimentos negros pela ausência de diversidade, a Flip deste ano está mais cuidadosa com o tema. Há apenas três anos, em 2014, as mulheres representavam somente 15% da programação da Flip.

A iniciativa foi celebrada pelas autoras, embora avaliem que o caminho a ser percorrido ainda seja longo. A escritora e jornalista Eliane Brum, colunista deste jornal, diz que este é um passo no sentido de começar a tirar as mulheres de espaços não vistos e colocá-las sob os holofotes. “As mulheres sempre ficaram invisibilizadas”, diz. “E, como as mulheres não são um genérico, com as autoras mulheres e negras essa invisibilidade é historicamente muito maior”. Na visão da escritora, a Flip deste ano mais feminista e mais negra do que as anteriores é a expressão, no campo da literatura, “do enfrentamento do machismo e do racismo nas ruas e nas redes sociais”.

A escritora lembra que, apesar das comemorações, a programação desta Flip não é um espaço concedido a mulheres e negros. “É um espaço conquistado pela luta”, diz. “E isso não é pouca coisa”. Paulo Werneck, ex-curador da Flip, afirmou no ano passado, durante a festa, que a maior concentração de mulheres era “um compromisso do evento com o debate atual”. Josélia Aguiar, em entrevista a este jornal, foi além: “As opções da programação não são apenas uma mera formalidade ou cumprimento de uma tarefa da ‘marca’ Flip”, disse. “Eu tenho um percurso e as escolhas que fizemos para este ano são condizentes com ele”.

“A qualidade literária não se mede por gêneros: As vozes, masculinas ou femininas, valem por sua qualidade, não por sua genitália”, diz Leila Guerriero

O resultado deste percurso da curadora poderá ser visto nas mesas, entre 26 e 30 de julho. Fazem parte da programação as brasileiras Natalia Borges Polesso, Carol Rodrigues, Grace Passô, Luciana Hidalgo, Priscila Agustoni, Noemi Jaffe, e Beatriz Resende, a angolana Djaimilia Pereira de Almeida, Scholastique Mukasonga, de Ruanda, a espanhola Pílar del Río e a argentina Leila Guerriero, colunista do EL PAÍS, entre outras mulheres.

Para Leila Guerriero, este momento pode ser definido como uma “sobreatuação”. “É um ato político e saudável, uma forma de enviar uma mensagem interessante à sociedade a partir do âmbito literário e uma maneira de dar um empurrão para a igualdade”, diz. Mas ela também ressalta que estamos longe do objetivo final: O de chegar em um momento em que ter mulheres em uma mesa ou ter negros na programação não será notícia. “A qualidade literária não se mede por gêneros: As vozes, masculinas ou femininas, valem por sua qualidade, não por sua genitália”, diz. “Chegará um momento em que os empurrões não serão mais necessários. Por enquanto, porém, são. Eu os celebro com entusiasmo”.

jul
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Posted on 25-07-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-07-2017


Samuca, no Diário de Pernambuco (Recife)

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