DO G1

por Thiago Herdy

SÃO PAULO – Depois de ter sua proposta de delação rejeitada pelo Ministério Público Estadual de Minas Gerais (MP-MG), o operador do mensalão Marcos Valério Fernandes fechou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF) em Minas Gerais. Por citar políticos com foro privilegiado, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o acordo aguarda a homologação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Valério cumpria pena de prisão pela ação penal do mensalão na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), e foi transferido na última segunda-feira para uma unidade da Associação de Proteção e Assistência a Condenados (Apac), em Sete Lagoas (MG), a pedido da Polícia Federal.
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A transferência para a unidade — que propõe atendimento humanizado para a reintegração social de presos e tem vagas limitadas — era solicitada desde o ano passado pelos seus advogados. No entanto, não havia vagas disponíveis.

Na decisão que autorizou a transferência, datada da última segunda-feira, o juiz da Comarca de Contagem Wagner de Oliveira Cavalieri escreveu que a medida teve como objetivo “concluir procedimento de colaboração premiada sob análise do Supremo Tribunal Federal”.

Ele destacou que Valério “é presumidamente possuidor de inúmeras informações de interesse da Justiça e da sociedade brasileiras”, motivo pelo qual seria “inegável o interesse público em suas declarações sobre fatos ilícitos diversos que envolvem a República”.

Segundo o despacho, “em que pese a existência de formalidades e fila para a transferência de presos para o sistema Apac”, no caso de Valério “o interesse público se sobrepõe aos interesses individuais e, portanto, a medida deve ser deferida conforme solicitada, ou seja, independentemente de ordem cronológica ou outros requisitos”.

No início da tarde desta quarta-feira, a Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais confirmou a assinatura do acordo com Valério, submetido ao STF. “Devido a cláusula de confidencialidade constante do acordo, não há outras informações a serem prestadas”, informou o órgão.

A primeira versão da colaboração de Valério tinha 60 anexos e foi entregue em fevereiro deste ano à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte que informou em nota oficial, na época, não haver interesse em aceitar a delação. Na negociação com a PF, Valério apresentou mais detalhes sobre desvios operados sob sua influência. Seus depoimentos foram gravados.

Nos documentos levados ao MP de Minas, Valério relatava detalhes do caixa paralelo montado por suas agências de publicidade para operar desvios em contratos assinados durante o governo Fernando Henrique (1994-2002), e nos primeiros anos de Lula no Planalto (2003-2005) e Aécio Neves no governo de Minas (2003-2005).

Valério apresentou informações sobre desvios em contratos com os Correios durante o governo Lula e no Banco do Brasil no período em que a DNA Propaganda era agência de publicidade da estatal, durante o governo FH.

Também fala sobre caixa 2 operacionalizado por ele para campanhas tucanas em Minas, desvios em Furnas e pagamentos feitos por empresas como Usiminas e Andrade Gutierrez em benefício de políticos sob sua influência.

Valério relata, ainda, bastidores de uma operação para abafar a relação do Banco Rural com políticos tucanos em Minas, durante a CPMI dos Correios.

A assessoria de Aécio Neves divulgou nota em que informa que “desconhece o teor de declarações atribuídas a Marcos Valério” e diz que o senador “jamais participou de qualquer ato ilícito praticado por Valério”.

“É preciso que acusações feitas por delatores sejam sustentadas por provas verdadeiras, sob o risco de servirem, unicamente, para que réus confessos obtenham a impunidade penal”, diz a nota.

O operador do mensalão foi condenado em 2012 a uma pena de 37 anos, 5 meses e seis dias de reclusão por peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro.

BOM DIA!!!

DO BLOG O ANTAGONISTA

Exclusivo: A nova máquina de propaganda de Temer

Michel Temer quer turbinar a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto com as assessorias de imprensa dos ministérios e usar os contratos de publicidade dessas pastas para divulgar ações da Presidência da República.

Há alguns meses, os ministros perderam autonomia no emprego da verba publicitária. Mas,a partir de agora, a situação vai piorar.

Depois de tentar usar verba da Saúde para divulgar a Reforma da Previdência, o governo quer gastar o dinheiro da publicidade de vários ministérios na propaganda do Programa Avançar (ex-PAC), sob a batuta de Moreira Franco.

No caso das assessorias de imprensa, a gambiarra de Temer é ainda mais flagrante. A ideia é que funcionários das diferentes agências de comunicação que hoje atendem os ministérios passem a trabalhar para a Secom da Presidência da República.

Na prática, é uma forma de manipular a execução orçamentária.

Pelo visto, o contrato de publicidade de R$ 208 milhões (que beneficia agência do irmão do marqueteiro de Temer) fechado na semana passada não foi suficiente.

jul
20
Posted on 20-07-2017
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-07-2017


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online


DO EL PAÍS

OPINIÃO

Maestro fruto de programa social e então defensor do chavismo fala sobre crise na Venezueia em artigo ao EL PAÍS

MOMENTOS SOMBRIOS

Gustavo Dudamel

São dias cruciais para o presente e o futuro da Venezuela. Meu país vive momentos sombrios e complicados, percorrendo um caminho perigoso que nos leva inevitavelmente à ruptura das nossas mais profundas tradições republicanas.
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Estamos em uma encruzilhada de tal importância que todos os cidadãos têm o dever de fazer o que estiver ao alcance para superar a situação atual. Assim como muitos outros venezuelanos, sinto-me na obrigação pessoal de ajudar na tarefa mais importante do presente: defender os valores democráticos fundamentais, evitando assim que o sangue dos nossos compatriotas continue sendo derramado.
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Como maestro, aprendi que a nossa sociedade, assim como uma orquestra sinfônica, é formada por um grande número de pessoas, todas elas diferentes, singulares e irredutíveis; todas com suas próprias ideias, convicções e visões de mundo. Essa maravilhosa diversidade implica que, em política, como na música, não existam verdades absolutas e que para prosperar como sociedades – bem como para alcançar a excelência musical – devemos criar um quadro de referência comum em que todas as individualidades se sintam incluídas para além de suas diferenças. Um quadro de referência que contribua para evitar o ruído e a cacofonia do desencontro, permitindo afinar um acordo que, a partir da pluralidade e das diferenças, consiga atingir uma harmonia política e social.

A partir dessa fé inabalável no que diz respeito à diversidade humana, sinto a necessidade e a obrigação como cidadão venezuelano de me manifestar contra as eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte nos termos em que foram convocadas pelo Governo da Venezuela para o próximo dia 30 de julho.

Nós, venezuelanos, ainda não pudemos nos manifestar publicamente através de uma consulta popular prévia e vinculativa

A forma como as autoridades do meu país levaram adiante essa medida não faz nada mais do que intensificar o conflito nacional em vez de resolvê-lo. Nosso marco constitucional vigente não foi respeitado. Apesar dos eventos de domingo passado, em que milhões de compatriotas – na Venezuela e no exterior – expressaram sua rejeição aos planos do Governo, nós, venezuelanos, ainda não pudemos nos manifestar publicamente através de uma consulta popular prévia e vinculativa. A vontade do povo deve ser livremente expressa por meio dos canais institucionais estabelecidos em nossa Constituição.

Peço encarecidamente ao Governo venezuelano que suspenda a convocação da Assembleia Nacional Constituinte; peço encarecidamente a todos os líderes políticos, sem exceção, que cumpram com sua responsabilidade como representantes do povo venezuelano e se encarreguem de criar as condições necessárias para um novo quadro de convivência. Nosso país precisa estabelecer urgentemente os fundamentos de uma ordem democrática que garanta a paz social, a segurança, o bem-estar e o futuro próspero de nossas crianças e jovens.

Não pode haver duas constituições, dois processos eleitorais nem duas Assembleias. A Venezuela é uma só nação, um país em que todos nós cabemos e onde todas as sensibilidades têm de participar e se expressar livremente, sem medo de represália, de violência, de insegurança nas ruas e de repressão. Buscar a vitória através da força e da imposição das ideias próprias é e sempre será uma derrota coletiva para a Venezuela. A única vitória possível e legítima deve se dar por meio das urnas, do diálogo construtivo, da negociação e do mais absoluto respeito pelas leis que nos governam.

Peço encarecidamente ao Governo venezuelano que suspenda a convocação da Assembleia Nacional Constituinte

Penso em todas as vítimas mortais desses meses com grande angústia e dor; não podem imaginar o quanto meu país me dói. Mas penso também em alguns dos eventos recentes no meu país como momentos de grande esperança, como primeiros passos e oportunidades reais de mudança que se abrem para a Venezuela.

Os venezuelanos precisam desses momentos de esperança para recuperar finalmente a harmonia que tanto desejam. Porque ter a vontade de encontrar soluções significa gerar esperança, significa acreditar em um projeto coletivo, plural e integrador de país, significa acreditar em um futuro melhor para nossos filhos. Ter vontade de encontrar soluções significa, em última instância, acreditar em uma Venezuela democrática, pacífica e alinhada na busca de melhores condições de vida para todos e todas.

Eu acredito nessa Venezuela.

Gustavo Dudamel é diretor musical da Filarmônica de Los Angeles e da Orquestra Simón Bolívar da Venezuela e defensor da música e da educação artística como formas de alcançar a harmonia social.

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