CRÔNICA

Eu e Jaguar num Pasquim imaginário

Janio Ferreira Soares

O cálculo é um pouco complicado, mas considerando que eu tenha começado a farrear aos 15 anos, por aí; considerando que até os meus 20 e poucos não havia limites; considerando que a coisa triplicava nas férias e quadriplicava nos dias em que o Arlequim chorava pelo amor da Colombina no meio da multidão, chego a conclusão de que, aos 58, ainda me faltam algumas centenas de chopes para chegar perto da cota do bom e velho Jaguar que, alvíssaras!, aos 85 anos derrotou – com um gol de mão, diga-se – o perigosíssimo time do CFFC (Câncer de Fígado Futebol Clube) e agora chargeia esta página com seu inconfundível traço, infelizmente não nos sábados em que cometo meus textos (sacanagem, pessoal!), me impedindo assim de misturá-los à minha coleção de Pasquins, fato que, numa caduquice futura, me levaria a imaginar que também fiz parte do genial semanário, cuja leitura foi determinante para que estas letrinhas ora deslizem nessa pegada meio mozarela, meio calabresa, logicamente temperadas com berros do bode Orelana e pios das graúnas que ainda resistem nesses lados do sertão, onde Geddel (confirmei agora, ao vê-lo de cabeça raspada na TV), continua parecidíssimo com o Fradim, só que pós-graduado na escolinha dos professores, Michel, Padilha e Jucá. Passa a régua, Zeferino! Viva Henfil!

Pois bem, para aqueles que não viveram nos anos em que Erasmo Carlos fumava freneticamente esperando Narinha em frente a um coqueiro verde, o nascimento do Pasquim, em 1969, foi algo tão extraordinário pra minha geração quanto as mídias sociais são pra essa meninada, claro que guardadas toneladas de proporções, a começar pela qualidade de quem opinava e os motivos que os levavam a fazê-lo. Aliás, ando desconfiado de que os absurdos que rolam nas redes só podem ser causados por um vírus oportunista, sei lá, algum Mycobacterium Imbeciloyde, que encontrou nessas ferramentas as condições ideais para proliferar e infectar todos aqueles que deram férias ao seu semancol.

Mas é isso, querido Jaguar, saudosismos à parte, se cada geração tem o entorno que merece, o que nos circundou foi incomparável. Semana passada mesmo, num papo com amigos, brincávamos de nos imaginar jovens e o que aprontaríamos caso fôssemos. E aí, entre algumas ideias que iam de montar um Blog a abrir uma rádio, optamos pela mais simples, que foi secar o isopor e seguir lembrando frases e histórias de Millôr, Ivan Lessa, Tarso de Castro, Paulo Francis e que tais, além de ignorar a máxima de Groucho Marx e continuar escrevendo nossas abobrinhas em jornais e sites que, bondosos, nos aceitam como sócios. Agora, porque hoje é sábado, aos trabalhos. Eu, vou de Heineken; você, de Brahma Zero; já Angélica, (essa é péssima!) vai de taxi. Um brinde à esbórnia!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco.


Jaguar:fundador do Pasquim.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos