CRÔNICA

O GOZO

Gilson Nogueira

Deus poderá ser um ET, elucubro, no momento em que imagino a tecnologia invadindo a área das emoções e dos mais nobres sentimentos humanos, como, por exemplo, gritar gol, mesmo em um estádio de futebol vazio, onde a voz do torcedor seja um estrondo capaz de despertar os deuses da justiça.

Os homenzinhos verdes são uns chatos, concluo, ao percebe-los determinando, para o bem ou para o mal, se a bola entrou ou não no gol e se beltrano estava em impedimento ou não estava. E bato na mesa, Deus, Jamais, poderia ser um deles! Foi Ele o Inventor da bola de futebol, um esporte divino, onde o errar é humano tem, sempre, lugar na súmula do torcedor, esteja ele na arquibancada ou na estação espacial de sua imaginação.

Vou divagando devagar, bem devagar, diante da tela do computador, e vejo a oportunidade de marcar posição contra esse negocio de usar tecnologia de computador para dizer se foi ou não foi gol, ou seja, antes de você, torcedor, abrir o peito, emocionar-se, chegar ao orgasmo futebolístico, na catarse geral do futebol que o glorifica como ser humano e o conduz aos píncaros da felicidade, ainda que cercado por aqueles que não são maioria, ou seja, pelos que pensam ser o esporte das multidões batalha campal, com ingresso pago.Que o Inferno lhes reserve, desde já, cadeira cativa no campeonato da vida.

Que seja o gol o soberano da conquista sem juízes sentados em sala com ar-condicionado, de olhos no PC, tomando guaraná, ou o que seja, para decidir os limites de sua alegria.

Viva o gol, o maioral do futebol, feito na areia, na grama, no asfalto, em cima da cama, em traves armadas com dois cocos verdes, duas pedras, dois chinelos ou qualquer outro volume que o vento não leve e que assinale a linha imaginaria para a bola entrar entre um ponto e outro e validar o sentido maior do esporte e, assim, capaz de justificar seu grito. O orgasmo da alma!

Com a mesma emoção do repórter cuja carreira de jornalista iniciou atrás do gol, na lendária Fonte Nova, defendo a volta do futebol arte, do mesmo modo que torço por um cartão vermelho para os que querem fazer o torcedor deixar de ir as nuvens com o gol do seu time.

Abaixo a Fifa!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

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