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Posted on 25-06-2017
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DEU NA FOLHA

THAIS BILENKY

A crise política e econômica instalada no país contaminou a autoestima dos brasileiros. A vergonha de sua nacionalidade acometeu 47% da população, maior índice registrado pelo Datafolha desde o início da série histórica, em março de 2000.

De acordo com a pesquisa, 50% dos eleitores hoje sentem mais orgulho do que vergonha de serem brasileiros.

Houve uma queda brusca: em dezembro do ano passado, a taxa era de 69% e, em abril, 63%. Nesse intervalo, 28% tinham mais vergonha que orgulho em dezembro, e 34% em abril.

A pesquisa mostra que a corrupção, após mais de três anos de Operação Lava Jato, tornou-se a principal preocupação dos brasileiros.

Esse problema foi citado espontaneamente por 23% dos adultos quando perguntados qual é a primeira coisa que vem à mente quando se pensa em Brasil. Vergonha e desgosto aparecem em seguida, com 14%.

A imagem negativa do país disparou. Em 2010, 54% dos brasileiros citaram aspectos negativos quando perguntados sobre o país. Corrupção à época respondia por 4% das menções.

Hoje, 81% das respostas abrangeram aspectos negativos e corrupção, 23%.

A pesquisa, realizada entre 21 e 23 de junho, com 2.771 entrevistados com 16 anos ou mais, em 194 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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Lima Barreto em sua primeira internação por alcoolismo Reprodução

DO EL PAÍS

André de Oliveira

São Paulo

No topo da ficha da primeira internação de Affonso de Henriques de Lima Barreto no Hospício Nacional, o escritor é identificado como branco. O ano era 1914, o diagnóstico alcoolismo, a cidade Rio de Janeiro. Logo abaixo do cabeçalho, contudo, uma foto em sépia desmente a informação sobre sua cor. Assim como um sem número de intelectuais e homens públicos brasileiros, que eram negros, mas foram repetidamente retratados como brancos, Lima, ainda em vida, foi tomado pelo que não era. No seu caso, contudo, o “branqueamento” é ainda mais absurdo, pois ser negro, no último país a abolir a escravidão no mundo, foi questão central de sua vida e obra.

“Nos personagens, nas tramas, em escritos pessoais, a atenção para a questão racial e as descrições dos tipos físicos dos personagens estão sempre em evidência”, diz a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz. Se no começo do século XX, o determinismo racial – que dizia que populações mestiças e negras eram biologicamente mais fracas – estava em voga, Lima aparecia como uma voz dissonante, combativa e, muitas vezes, solitária. “A capacidade mental do negro é medida a priori, a do branco a posteriori”, escreveu em seu Diário, em 1904, oferecendo um retrato claro do teor de racismo que vicejava no Brasil pós abolição da escravatura.

O tema racial, não por acaso, é também o de maior relevância na biografia Lima Barreto: Triste Visionário, que Schwarcz lança em 10 de julho, pela Companhia das Letras. “O Lima é um personagem bem interpretado. Toda a leva de pesquisadores que seguiram o Francisco de Assis Barbosa, seu primeiro biógrafo e difusor de sua obra, é excelente. A pergunta que eu fiz, que não se tinha feito muito ainda, é sobre a questão racial”. Neto de escravos e filho de pais livres, nascido no dia 13 de maio de 1881, na mesma data em que sete anos depois a lei áurea colocaria um fim na escravidão, Lima abordou o tema a partir de sua própria experiência. Sua obra, nesse sentido, é extremamente autobiográfica.

Se quando adolescente o escritor cursou a Escola Politécnica e se descobriu como único negro de uma turma composta por filhos brancos da elite, sentindo toda a rejeição que poderia haver na situação; em Memórias do Escrivão Isaías Caminha, de 1909, seu romance de estreia, fez o personagem Isaías, filho bastardo de um padre com uma escrava, passar por uma infância em que recebeu educação regular, para, no futuro, descobrir que sua cor seria uma barreira para que ele galgasse posições. Assim como Isaías, Lima também teve um desenvolvimento relativamente estável na infância para descobrir na adolescência e início da juventude o deslocamento que sua condição social e sua cor lhe imporiam.

Comumente retratado como um escritor pobre, Lima teve certa estabilidade familiar durante boa parte de sua infância. O pai, João Henriques, e a mãe, Amália Augusta, eram ambiciosos e tinham boas relações com a elite. Tiveram educação e eram livres. Enquanto ele teve uma carreira promissora como tipógrafo, ela era professora escolar. As coisas começaram a mudar quando Amália morreu de tuberculose e João perdeu o emprego. Em 1902, ele, depois de uma série de episódios de esgotamento emocional, acabou perdendo também a razão, o que levou Lima a abandonar a faculdade para sustentar a casa.

Aos 21 anos, o escritor virou arrimo da família, constituída por três irmãos, pai e alguns agregados. Trabalhando como funcionário público e, ao mesmo tempo, tocando seu projeto literário com colaborações rotineiras em jornais e revistas, Lima encontrou desde cedo na veia crítica sua principal marca. Se denunciava o racismo, também direcionava ataques contra a República, a imprensa e qualquer coisa que cheirasse a estrangeirismos. “Há uma história de comparar Lima Barreto com Machado de Assis, mas é uma injustiça. Eles tinham projetos completamente diferentes, enquanto Machado era um universalista, Lima era um escritor engajado, que denunciava mazelas e criticava o que via em seu cotidiano”, diz Schwarcz.

Olhando para seu tempo, Lima foi, por exemplo, um critico feroz da reforma do centro do Rio, empreendida pelo prefeito engenheiro Pereira Passos. A época marca o início da abertura de grandes avenidas na cidade e da subsequente expulsão de populações pobres que viviam em cortiços para lugares cada vez mais longínquos. Segundo Schwarcz, “a visão que ele tinha da reforma é impressionante, porque muitas das testemunhas da época ficaram encantadas com o que estava sendo feito”. Ele, ao contrário, já percebia o drama de quem era expulso – o que redundaria, em última instância, em um problema crônico das cidades brasileiras, presente até hoje – e também se insuflava com o que via como exportação de padrões europeus de cidades, sobretudo Paris, para o Brasil. Grande birra de sua vida, por exemplo, era o bairro de Botafogo e a cidade de Petrópolis, ambos “afrancesados”.
Ficha de internação ampliar foto
Ficha de internação Divulgação
O triste fim de Lima Barreto

Entre 1909, ano de lançamento de Memórias do Escrivão Isaías Caminha, e 1922, data de sua morte, aos 41 anos, Lima escreveu centenas de crônicas e contos, como O homem que sabia javanês e Nova Califórnia, e publicou ao menos uma obra-prima: O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de 1911. Outros romances, como Numa e Ninfa e Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, também foram publicados no curto intervalo de tempo. Além dessas publicações, muito material veio a público depois de sua morte, como o Diário Íntimo, Clara dos Anjos e Os Bruzundangas. Em suma, foi uma produção profícua e intensa.

Com uma vida marcada pelo alcoolismo, contudo, seus textos e livros foram vistos e avaliados por críticos muitas vezes como erráticos. Lima acumulava diversos projetos ao mesmo tempo e não se encaixava no perfil virtuoso com que escritores eram vistos. Além disso, o tom autobiográfico de seus livros e a falta de preocupação em esconder a real personalidade de alguns de seus personagens não eram bem avaliados na época. Em Memórias do Escrivão Isaías Caminhas, por exemplo, ele retratou criticamente diferentes jornalistas que eram facilmente reconhecíveis, como o célebre cronista João do Rio e Edmundo Bittencourt, dono do Correio da Manhã, um dos jornais mais influentes da época. Não teve vida fácil após isso.
Caricatura do escritor ampliar foto
Caricatura do escritor Divulgação

“Foi só depois de 1950, quando ele foi redescoberto pelo biógrafo Assis Barbosa, que sua obra começou a circular novamente, mas acho que seu nome só foi ser mais lembrado, de fato, recentemente”, diz Schwarcz. Hoje ele também será o principal homenageado da Festa Literária de Paraty, que acontece no final de julho. Segundo a biógrafa, também é interessante pensar que se a imagem do escritor boêmio foi tão romantizada em alguns casos na história da literatura, em Lima Barreto ela sempre foi vista como algo depreciativo. “A boemia e o alcoolismo, no caso dele, sempre apareceram como acusação”, diz a biógrafa. Por trás disso, talvez esteja a questão racial mais uma vez. Não que Lima não tivesse problemas graves com álcool. Tinha e eles custaram sua saúde. Mas é curioso pensar na diferença de tratamento que sua boemia recebia.

Em 1919, quando foi internado pela segunda vez no Hospício Nacional, Lima já era descrito como alguém andrajoso, com os sapatos trocados, transpirando muito, com inchaços no rosto e olhos “sampaku” – quando há um branco abaixo da íris, característica comum ao alcoolismo. Três anos depois morreu deitado em sua cama, enquanto lia uma revista francesa. Nessa época, Schwarcz descreve, sua personalidade estava se fundindo, cada vez mais, com a dos sofridos moradores dos subúrbios – tão retratados em seus textos.

Lima, segundo a biógrafa, é nosso visionário por ter falado de racismo praticamente cem anos antes do assunto entrar, de fato, em pauta. É nosso visionário também por ter antecipado uma série de temas brasileiros, como a urbanização pouco planejada das cidades. É triste por saber também, de antemão, que a coisa não ia bem e que a euforia dos anos em que viveu – era o tempo da Belle Epóque, em que o avanço científico e o crescimento das cidades dava a sensação de que os problemas da humanidade estavam resolvidos – não iria durar. Infelizmente, o triste visionário talvez tenha tido sua maturidade interrompida: “Se pensarmos que Machado de Assis escreveu suas principais obras depois dos 40 anos, é uma lástima que Lima tenha ido tão cedo”.

Algumas músicas do show de Flavio José que empolgaram ontem (24) o forró de São João em Salvador e Amargosa. Neste domingo o paraibano Rei do Xote vai animar os forrós em Cruz das Almas e Euclides da Cunha. BP recomenda.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Myrria, no jornal A Crítica (AM)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Quem delatou Temer

Além de Joesley Batista, Michel Temer foi citado por pelo menos oito delatores, lembra a Veja.

Da Odebrecht:

– Márcio Faria;

– Rogério Araújo;

– Cláudio Melo Filho;

– Marcelo Odebrecht.

Lobistas:

– Júlio Camargo;

– Fernando Baiano.

E mais:

– Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro;

– Delcídio do Amaral, senador cassado.

Temer é retratado como um intermediador de repasses a campanhas do PMDB, incluindo a dele em 2014, e padrinho de dirigentes da Petrobras presos e condenados por corrupção.

Na fila de delatores, Lúcio Funaro é o próximo

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